quinta-feira, 29 de abril de 2010

LA RANA Y LA LLUVIA






LA RANA Y LA LLUVIA



Rospo es la casa de su amiga Sapabela cuando comienza a llover.
- Voy a hacer palomitas de maíz y ver televisión.
- Buena idea, Bela!
- ¿Qué es este entusiasmo, Rospo? Y su compromiso? Palomitas de maíz y televisión sólo para mí. No tengo nada en la agenda.
- ¿Alguna vez miró hacia fuera allí, amiga?
- Sí, está lloviendo. ¿Y qué?
- ¿Está usted queriendo que yo, su amigo, vá salir en la lluvia?
- No quiero. Es su compromiso que está dispuesto. Él quiere. Aprovecho esta oportunidad para enseñar una cosa ...
- Todo lo que necesitaba era eso! Filosofía en los días de lluvia.
- La lluvia organiza su éxito. Ella y el frío son responsables y, a veces determinan el éxito en la vida de alguien.
- El clima y el éxito. Sólo tú, Sapabela.
- ¡Verdad! Una rana que no cumpla con un compromiso debido a la lluvia y aplaza la decisión no puede ser completamente victorioso.
- Muy bien. Pero ¿no puedes al menos darme unas palomitas de maíz?
- ¿ En primer lugar, usted acepta un paraguas?

MARCIANO VASQUES
ROSPO EM ESPANHOL - 1


quarta-feira, 28 de abril de 2010

NITOLINO

CAUBY PEIXOTO

XIII FEMINA ARTE



O coletivo Encontro de Utopias convida a todos para o XIII Femina Arte, um sarau voltado para o olhar feminino sobre a arte o sobre o mundo. Compareça traga o seu talento, compartilhe os seus ideais, sua arte, interfira. Participe, a proposta é valorizar olhar feminino, generoso e humanista , aberto à sensibilidade e fruto de uma luta pacífica pelos direito de exercermos uma expressão verdadeira, e não essa exploração capitalista do corpo em e da imagem estupidificada da mulher imposta por uma mídia tendenciosa e imbecilizante.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O ALTO ÍNDICE DE POPULARIDADE


O ALTO ÍNDICE DE POPULARIDADE


- Nosso governante fala demais, Rospo!
- Ele tem altos índices de popularidade...
- Não seja irônico, Rospo. O fato de estar com a popularidade em alta não lhe dá o direito de falar demais, e até asneira, às vezes.
- Mas ele é o nosso governante. É o governante do brejo! Pode falar o que quiser, a qualquer hora.
 - É o contrário, Rospo. O alto índice de popularidade aumenta o  alto índice de responsabilidade: Governar mais e falar menos. As coisas boas falam por si. Então, maior índice de responsabilidade, igual menor índice de palavras, isto é, maior índice de mudez, de silêncio.
- Aumenta a importância de se pensar muito antes de se falar...
- Entendeu rápido, Rospo.
- Lógico. Com uma Sapabela por perto.

MARCIANO VASQUES

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 62

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O BLOGUEIRO - 20



O BLOGUEIRO




Argumento: Marciano Vasques
Arte: Danilo Marques



domingo, 25 de abril de 2010

MAZZAROPI

LA MAESTÁ IL SABIÁ

NITOLINO


A Cooperativa da Música de Alagoas – Comusa promove no próximo dia 06 de maio, a partir das 10hs, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, no Farol – Maceió, a estréia do espetáculo infantil Nitolino No Reino Encantado de Todas as Coisas, de Luiz Alberto Machado.



sábado, 24 de abril de 2010

Gigliola Cinquetti - Johnny Guitar

CÁLIX BENTO

ROSPO LENDO O PAPIRO ATÔMICO

  

ROSPO LENDO O PAPIRO ATÔMICO



Rospo lia o "Papiro Atômico", seu jornal preferido, quando chegou a Sapabela, que no velho "por acaso", por ali passava.
- Rospo, alguma novidade aí no seu Papiro Atômico?
- Nada, Sapa, só as mesmas notícias de sempre.
- Preciso de novidades, Rospo. Tem certeza de que não tem nenhuma?

- Deixe-me ver se o planeta explodiu.
- Rospo, deixe de brincadeiras. Novidades explodem a venda de um jornal.. Seria tão bom uma manchete assim: "Um dia sem violência". Já pensou? Uma semana inteira sem crimes, sem mortes, sem violência, sem atentados, sem guerras...
- Os jornais iriam à falência, Sapabela. E eu não teria mais o meu "Papiro Atômico" para ler.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 61

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O BLOGUEIRO 19







O BLOGUEIRO 19
Argumento: Marciano Vasques
Arte: Danilo Marques


TEATRO

BN CONVIDA

quinta-feira, 22 de abril de 2010

XI ENCONTRO DE UTOPIAS

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PALAVRA FIANDEIRA COM MICHELLE BEHAR



Já está no ar a nova edição 
de 
PALAVRA FIANDEIRA

NESTA EDIÇÃO:


MICHELLE BEHAR
Leia Aqui

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terça-feira, 20 de abril de 2010

ÀS VEZES BRINCO






ÀS VEZES BRINCO



Quando fui à Brasília para falar sobre a linguagem poética da literatura infantil na alfabetização fui levado para Taguatinga. Lá falei sobre o tema com um grupo de estudantes de filosofia.

Inicialmente, os jovens olharam com desconfiança, visto que o tema aparentemente nada tem a ver com filosofia, principalmente, inclusive, pelo fato de que os filósofos não tiveram infância, já nasceram adultos, como os deuses criados por homens nas mitologias.

Nos dias de Brasília, almocei e jantei na casa de Elóia Gomes e Jailton e fui levado para todos os lugares por Regina Franz, e dormi todas as noites na casa de um deputado amigo. 


Numa de minhas idas ao plano piloto com ele, ou seja, em seu carro, tive que seguir em silêncio, pois no trajeto ele só falava com o motorista sobre CPI e coisas assim, o tempo todo, a viagem inteira, só CPI, só política. Cada um fala sobre o que vive.

A lógica do poeta parece sempre estranha, pelo fato de ele só conseguir falar das coisas poeticamente. Essa é a sua linguagem,  a sua conversa. Ele só sabe dizer poeticamente.

O fato de dizer poeticamente o afasta do sectarismo. O poeta jamais será um sectário porque nele habita a abertura para o universo, o poeta é filho das coisas que existem. A sua abertura para o ser representa a sua condição de sugador da vida, é dela que ele extrai a sua liberdade.
 
O poeta naturalmente jamais entrará na estreita rua do sectarismo, como também não entrará na do dogmatismo, duas vertentes redutoras do homem.
Devido a sua abertura para o ser, a ganância pela expansividade universal do ser, o dogma é para ele o logotipo da redução da mente humana.
 
Por isso ele só sabe dizer poeticamente, pois dizendo assim ele é condenado pela sua expansão natural. E, com o seu dizer, assinala o seu modo.
Esse é o seu modo. Se alguém pede para que ele fale diferente, não consegue, pois tenta falar, escrever, sobre as coisas pelo viés literário.
 
Um texto acadêmico é algo diferente do seu modo, também um texto jornalístico. Falar poeticamente não significa impor verdades, muito pelo contrario, fica o signo da conversa, o dizer poético tem o sabor da conversa, ele se permite tratar de todos os assuntos, porque os assuntos quando tratados jamais serão transformados em tratados.

Quando percebi que às vezes a filosofia se vale da literatura para chegar ao leigo, segui em frente.
Quando estou aparentemente escrevendo sobre mitologia, na realidade estou fazendo literatura, estou dizendo poeticamente. Nem me atrevo a tentar uma narrativa mitológica, pois qualquer tentativa desembocaria no dizer poético.

Às vezes mostro algum artigo meu para um grupo de amigos, porém costumo colocar como autor um nome inventado, um doutor em pedagogia, coisa assim, e o texto rende uma discussão imensa, desencadeia uma discussão profunda e animada, principalmente se o autor for traduzido do alemão, do inglês ou do francês, mas o que importa é que seja um autor conceituado no mundo acadêmico e científico, mesmo que seja desconhecido pelos colegas de trabalho. Já fiz essa brincadeira...
Já levei um texto de um autor de verdade, mas com o meu nome, o nome de um simples colega de trabalho. Claro que desperta alguns interesses, mas a discussão geralmente é tímida.
O nome é importante, é a coisa mais importante em nossa sociedade.

Como vivemos numa sociedade  de anônimos, o nome passou a valer mais do que o conteúdo. Talvez a nometerapia tenha os seus princípios ou fundamentos validados.
O texto de alguém famoso, consagrado, produz efeitos benéficos consistentes e tranqüiliza a mente de quem lê, mesmo que o texto de um autor desconhecido seja profundo e tenha consistência, mas se não for de um consagrado, for de um colega de trabalho, perde bastante da sua força, pois a alma do texto parece que está no nome do autor. 
O texto de um desconhecido, de um colega de trabalho, do escritório, nem merece ser lido. É normal que seja assim.
Isso acontece em todos os setores. No mundo artístico é mais visível, mais notável. Talvez por isso artistas consagrados da música brasileira, grandes talentos, grandes nomes, fingem que não sabem, que desconhecem a existência de grandes talentos desconhecidos no país e nada fazem para modificar isso, pois acreditam que o povo só dá valor ao que já está estabelecido, ao que já é consagrado. E cada um segura o seu lugar.

Às vezes brinco com isso...
Desde criança olhava nos livros as fotos dos escritores, todos velhos, com suas longas barbas. Alguns jovens, mas morreram de tuberculose, em plena mocidade, e coisa assim.
E cresci com a impressão de que escritor no Brasil só fica famoso quando tem sessenta ou setenta anos e parece que nada produziu na mocidade, nada produziu quando tinha vinte e cinco anos.
Talvez as fotos de escritores tenham contribuído para um tal conselho popular de que devemos respeitar os idosos, como se não houvesse entre os idosos os canalhas. Não é a idade que faz o homem, por isso todo ser humano deve ser respeitado desde a infância. E não apenas por ser um idoso, pois como acabei de dizer, um idoso pode ter sido um canalha a vida inteira. Com esse aspecto, devemos respeitar o ser humano em princípio, mas um canalha é complicado.
 
Disse recentemente que o Brasil não conhece Chico Buarque. Ora, o Brasil não conhece nem o Brasil, nem o seu artista mais popular.

Não conhece, não tem na memória uma só canção do Roberto além das  que o ídolo quer que sejam conhecidas, por causa do seu medo de voar.
 
Fico pensando na maravilha que seria se o Brasil tivesse memória. Seriamos uma nação incomparável!

MARCIANO VASQUES

CASA AZUL DE PALAVRAS

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O SAPO E A ALMA DA ÉPOCA

  
O SAPO E A ALMA DA ÉPOCA



- Nenhum sapo é uma ilha!
- Concordo, Sapabela, mas às vezes sinto-me como se estivesse rodeado de arquipélagos.
- Arquipélagos?
- É. Um conjunto de ilhas.
- Qual o motivo, Rospo? Muitos sapos solitários? 
- Muita indiferença, muito individualismo.
- Individualismo, indiferenças, competição, egoísmo, representam a alma do nosso tempo.É preciso aprender a conviver com ela.
- De que forma? Tornando-me um igual?
- Ao contrário. Tornando-se um educador.
- É muita responsabilidade.
- Já ouviu falar do passarinho que levava gotas de água no bico para ajudar a apagar o incêndio da floresta?
- Está certo, Sapabela, farei da minha vida uma fábula.
- Isso é mais do que fabuloso, Rospo. Sábia decisão.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -  60





domingo, 18 de abril de 2010

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

HOJE, NO BRASIL, É COMEMORADO O DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL



PERFUME DE GARDÊNIA

CASA DE SONHOS E REFLEXÕES

Mi piace molto il tuo blog... 
fa sognare ma anche lascia riflettere, Grazie,
Lisa - Itália

Gigliola Cinquetti Non ho l'età na RTP

O CUITELINHO

O OLHAR QUE MAIS SE ATREVE






O OLHAR QUE MAIS SE ATREVE


Havia um pensamento em voga que dizia, ou melhor, rezava, que poesia era coisa de mulher, comentários que traduziam o coronel que era esse país. Bem, aquilo sempre me atraiu, se poesia fosse coisa de mulher, tinha então um significado especial, pois as mulheres eram as responsáveis pela vida, e sempre relacionadas com a doçura, e hoje sei que não é bem assim, essa coisa do monopólio da doçura é invenção do mesmo sistema que sempre oprimiu a mulher, mas, vamos lá, comecei a pensar na poesia.
 
Ainda vitimado por estereótipos que interferiam violentamente em minhas reflexões, deturpando consideravelmente a pescaria dos pensamentos, a alma feminina, com firmeza defendi. Desde cedo aprendi que é preciso insistir em algo que não se apresenta com clareza. E nunca se apresentou claramente para mim um argumento convincente sobre a necessidade de se oprimir a mulher.
Mas a resistência dos opressores é mais brutal do que pode imaginar um simples lutador e atira em todas as direções, -piadas, criações publicitárias, livros didáticos, etc, e é preciso ter o destino da poesia para se compreender a dimensão da opressão.
 
Esse destino está vinculado à luta sem trégua contra as fontes que oprimem, - e o caso da mulher está intimamente ligado ao de outros oprimidos -, como numa declaração de irmandade, vamos dizer, um círculo universal, afirmativo que diz: nenhum ser será oprimido. 
 
Foi preciso que a vida, em sua complexidade, mostrasse-me que a mulher é um ser humano e não pode ser estereotipada. Tive chefes mulheres terríveis, o que me lançou numa tese pessoal de que elas nunca tiveram o poder, então com o poder que uma ou outra consegue, acabam aderindo ao autoritarismo, tentam inconscientemente se aproximar da mentalidade masculina, acreditam no autoritarismo como uma defesa, é por aí...
 
Veja, o poeta, que vive outra lógica diferente da lógica dos EUA que vigorou décadas, que foi uma lógica sanguinária, de capitalismo desenfreado, que colocou a motivação econômica acima da segurança e da sobrevivência do planeta,  a lógica da burrice, que precisaria ter despertado a juventude do mundo inteiro, pois só ela, a juventude num levante ameaçador, fazendo a sua voz varar todos os continentes, tornando-a continental e agitando os oceanos, só ela, a juventude, a preservadora das lutas, poderia mesmo modificar o pensamento bestial, ilógico, insensato e burro de tais sujeitos. Se a juventude se levanta, os velhos vão atrás.
 
O velho que se esquece que foi moço é idêntico ao moço que não se reconhece num velho que passa. Uma certa indústria estabeleceu a juventude como a idade ideal, impôs essa bobagem por força e natureza do mercado, e com isso agravou distâncias, privilegiando uma idade em detrimento de outras, atendendo assim numa pseudo-inocência, aos interesses mercantilistas que regem tudo no mundo hoje, inclusive a ausência da poesia...
 
E a poesia, que ciclicamente ameaça descer sobre a terra, poderia contribuir fortemente, aliás, a juventude vai atrás da poesia, ela não tem culpa se escondem a poesia, mas sempre foi assim, ela sempre procurou a poesia, pergunte aos garotos que amavam os Beatles...
O poeta, que vive outra lógica, que tem os olhos atentos, o único que vê e recolhe o que os outros nem sequer ousam imaginar que exista no cotidiano, o poeta vê onde outros não se atrevem, isso, se não me falha a memória, é Eugenio de Andrade, poeta português de barcos, seixos...
 
Então, ele, o poeta da lógica estranha, aquele que só consegue dizer poeticamente, aquele que diz poeticamente o mundo, como fica diante disso? Diante da lógica do país desenvolvido que é o EUA, filho do protestantismo inglês, filho do empirismo inglês, como fica o poeta? Conseguirá dormir em paz enquanto a juventude consome os mclanches da vida, e pipocas, e música de poesia rasteira e entulhos lixeirais que são transformados em arte, por uma indústria voraz, perversa, alienante?...

Ora, a coisa que aliena a juventude precisa ser extirpada...
Poeta não tem poder nenhum, só o político tem poder. Todo aquele que tem poder está vinculado ao político, ao ser político, ao ideal político, à cobertura política, a uma idéia política. O empresário que monopoliza os preços, a polícia,enfim. Poderoso não se vincula ao poeta, à poesia, pois ela não dá poder. O seu poder é outro, não é um poder visível, de efeitos imediatos, não é um poder consumista, materialista, etc, não é um poder ilusório, efêmero...
Justamente na aparente falta de poder do poeta que reside e resiste o seu chamamento. O poeta resiste porque chama. Esta é a sua chama: o seu chamamento paciente...
 
Ele pisca, a sua luz é aparentemente frágil, como a do vaga-lume diante do néon, diante de um holofote. Essa luz atuando que precisa ser reparada, e, se for possível, repensada. Reparar é a cortesia da distração. Talvez chegue o dia em que a poesia descerá sobre a terra e o poeta deixará de se esconder nas academias, nas agremiações, e poderá viver nos lugares onde a vida escorre...
A aparente inutilidade da poesia é a chaga da sociedade, é a sua ferida que não cicatriza, é o seu machucado infame.

O machucado infame da sociedade. As pessoas passeiam no shopping. O poeta apenas observa. Todos parecem que estão em estado de ‘Natal’: comprar, comprar, comprar. A observação do poeta é o fato invisível, é o fato desprezado, o seu olhar não reluz nas vitrines, nas luzes coloridas, nas atrações do shopping. Ele, o poeta, não quer uma ágora, talvez procure a nova musa. A musa necessária, a musa urgente agora é outra, é a chuva, a feira, a fábrica, a tecelagem, as fibras e os sulcos nos rostos, a terra, enfim, a vida, o mundo, o planeta, a Terra.

Talvez o poeta tenha finalmente adquirido a consciência da nova musa.
As pessoas que estão no shopping talvez não tenham consciência da necessidade da poesia e talvez digam que a poesia não seja afinal necessária, como dizem da filosofia, e talvez tenham uma relação falsa com a poesia, uma relação murcha, quebradiça, ingenuamente hipócrita, e se relacionem apenas com a leitura do dever cumprido.
 
A leitura do dever cumprido é ler muito raramente algum livro de algum poeta famoso e muito citado e assim se fica com a impressão do dever cumprido, por se ter lido Drummond ou outro poeta consagrado, e talvez seja até possível se decorar algum trecho ou alguma frase ou até mesmo algum poema e depois num encontro entre amigos possa então se citar o autor. 
Longe disso está a relação com a poesia, essa coisa que exige calma, paciência, e tempo, ou seja, o avesso de tudo, o avesso da correria, da falta de tempo.


Ou então, haja uma também ingênua relação com o livro, uma deformação contemporânea, na qual o livro surge como o objeto de consumo lembrado em datas especiais para ser dado como presente para alguém, como se dá qualquer outro presente.

O livro perde a sua essência, assim como a música o seu significado na compra vulgar do CD. Você presenteia alguém com um livro sem se importar com algo além disso. E será melhor ainda se livro tiver uma capa atraente, o que significa, luxuosa, o luxo passou a ser necessário e substituto do verdadeiramente essencial, e isso, veja bem, não é   uma questão editoral, pois a editora tem mesmo é que deixar o livro cada vez mais bonito e atraente. 

O verdadeiramente essencial? Haverá  tempo para tal coisa  na mente que vagueia no mundo quando o mundo é um imenso Shopping?

O que estou dizendo é que o luxo passou a ter uma importância descabida nos critérios pessoais, tomando o lugar do que é o essencial. A convivência harmoniosa entre os dois na mente da multidão parece algo distante. Quem presenteia o livro sem amar o livro, coloca o luxo acima do esmero na mensagem. Melhor o livro com uma capa atraente, luxuosa. E o ideal seria ver a criação artística da capa, com a sua mensagem. Isso devia ser o rosto do livro na mente da multidão.
 
Uma sociedade que ignora o poeta ou não o valoriza é a mesma que convive com a violência e o descaso.
 
A ausência do poeta já é uma violência, uma deformação; que adianta luxo, luzes, vitrines, se o poeta está ausente, se a poesia está ausente?
 
O descaso com os produtores da poética é simbólico na sociedade que suja as calcadas, que suja a cidade, ignora os torturados, e finge hipocritamente que a criança que dorme abandonada nos cantos imundos da sociedade não é também o seu filho, e não vê, (porque a vista não alcança, está embaçada), que a criança veio ao mundo para nos salvar. E também não tem nada a ver com a morte dos presos, pois afinal guarda dentro de si estranha semente da pedagogia do castigo e o inconfessável prazer pelo sofrimento que não lhe afeta.
Sociedade sem literatura, sociedade sem poesia... Como se ignora os escritores, como se ignora os poetas...
 
O poeta e o escritor, pelo fato significativo de não se esconderem no mundo acadêmico, viverem nessa situação intermediaria, de produção intelectual, de refinamento da linguagem, porém no mundo do leigo (embora confusamente recolhidos em academias, grupos, agremiações, etc); sofrem.
É curioso o fato de que alguém possa responder o nome de Drummond ou Machado de Assis (é sempre o mais citado como sinônimo, como confirmação de leitura, de convivência com os livros, de apaziguamento mental, o grandioso Machado de Assis) e então cite talvez Jorge Amado e ultimamente com mais freqüência Paulo Coelho e entre as mulheres, quem? Quem? Talvez, talvez, Cecília Meireles... Infelizmente é assim.

A resposta Machado de Assis é um vicio, um hábito, um vicio circular (Atenção! Nada a ver com o valor do escritor! O que estou querendo passar é um acontecimento cultural vigente em nosso modo de ser contemporâneo), um costume adquirido, um senso comum, estabelecido, fincado.Talvez adquirido, quase com certeza nos bancos escolares (a idéia de bancos escolares sempre me remete ao grandioso mestre Paulo Freire, em suas considerações sobre a educação bancária). Algo parecido se dá com a repetição quase mecânica nas discussões sobre nomes de bandas e artista da música, aqui no caso, obedecendo aos desígnios midiáticos.
 
É errado também se considerar o poeta como dono da sensibilidade, ele é apenas o ser sensível em si, que expressa, que se manifesta, que manifesta a sua sensibilidade de uma forma especifica. A poesia é a sua forma de dizer. Ele só consegue dizer poeticamente.
Não peça que ele diga algo cientificamente ou politicamente ou academicamente, pois ele saberá dizer poeticamente. É isso o que o distingue na multidão. Não é a sensibilidade em absoluto, mas sim a forma de dizer. Ela abre as portas para o ser que é.
 
Carreguei comigo durante anos o entendimento de que eu, por ser poeta ou considerado assim, fosse o dono da sensibilidade, o portador máximo da sensibilidade,
Poderia talvez ser o seu catalisador, oferecer-me como palco para a representação da sensibilidade, mas não, em absoluto o dono da sensibilidade, o que fatalmente criaria estereotipo sobre o poeta, que passaria a ser o representante da sensibilidade, como se cria estereótipos sobre o cientista, que aparece como um lunático, e isso atende a interesses esotéricos, místicos, e assim...

Foi preciso ter convivido então durante anos com pessoas que têm uma sensibilidade acima da minha, para compreender o quanto eu estava errado e o raio de visão da gente às vezes é muito curto.
...Ter convivido com pessoas extremamente sensíveis, porém que não se manifestam como poetas, não se manifestam da mesma forma que eu.
 
Não dizem com as palavras o dizer poético, mas dizem com os gestos, com o modo de ser e viver, dizem o dizer poético. Cabe ao poeta então registrar isso, a forma dessas pessoas dizerem poeticamente a vida.


MARCIANO VASQUES

A MÚSICA NO CORAÇÃO DO TEMPO

A MÚSICA 
NO CORAÇÃO 
DO TEMPO


 

 


Em 1971 Taiguara fez uma canção e por ela me apaixonei. Amanda ajudou a ilustrar a minha adolescência. Talvez não fosse eu já mais adolescente, mas ainda sentia as dores de sê-lo, que é aberto sempre estar para as dores do mundo receber.

Ouvi Amanda com Taiguara, com Antonio Marcos. É uma das canções responsáveis por um modo de ser de uma parte da juventude no início da década de setenta.

A Música realmente conduz as pessoas.

Ela é responsável por modelar, amortecer, entorpecer ou elevar as almas. A sua força é inconteste. E bem sempre souberam os exércitos e as religiões. E a música de letra reflete o coração do tempo. Nunca esqueci de Amanda, um jeito extraordinariamente poético de viver e sentir, que nos era por Taiguara oferecido na voz de um jovem cantor de São Miguel Paulista nos dias em que sobre as pessoas tinha o rádio uma inimitável força.

É compreensível que a canção que trouxe a poesia para a minha existência - a música de letra que esteve mais próxima da poesia - tenha sido a responsável pela adesão poética imediata ao trabalho de Caetano Veloso tempos depois. E os pioneiros, entre os quais Taiguara e Antonio Marcos, não podem ser desprezados.

No tempo em que ainda não havia uma separação tão abismal entre a poesia e a letra de música, e os versos tinham uma importância que parecia insuperável , pioneiros mais próximos dos versos populares foram posteriormente de brega ou coisa assim chamados, mas, à época, revelavam uma face em que as marcas no caminho talvez apagadas não pudessem ser.

Hoje canções como Balada de Agosto de Fagner e Zeca Baleiro ajudam a preservar no universo musical a necessidade da poesia.

Aplausos e compreensão merecem os cantores que edificam pontes entre as produções poéticas de qualidade intelectual e o popular. Muitos não têm consciência de sua própria importância, outros com habilidade entre universos diferentes trafegam, como Caetano, que é feliz na gangorra que construiu e vai e vem entre Guimarães Rosa e a mídia, da qual extrai mais do que o suficiente para a sua necessidade interior.

Enquanto observo a felicidade de algumas crianças da EMEF Jardim Vila Nova num entardecer chuvoso, penso no quanto a música foi, a partir de um momento, responsável pela construção do homem que sou...

MARCIANO VASQUES

XI FEMINA ARTE



O coletivo Encontro de Utopias convida  para o XII Femina Arte, um sarau aberto para um mundo mais igualitário onde a voz feminina seja ouvida através da arte e do respeito a essa metade da humanidade que sempre foi tratada como minoria. Dia 19 de abril, segunda-feira , às 20:30 no Vila Butantã. Av. Vital Brasil, 911- Butantã, São Paulo. 



XII FEMINA ARTE

sábado, 17 de abril de 2010

LADY LAURA

CONVITE CORTEZ

CONTOS DA LUA

POEMA DE CAMÉLIA B. MORENO



Não seja ingrata,
Olhe pra mim,
Meu tesouro.

Você é a prata.
Eu sou o ouro.




Poema de:
Camélia B. Moreno

sexta-feira, 16 de abril de 2010

SARAU NO BELLA

terça-feira, 13 de abril de 2010

FÓRUM SM DE EDUCAÇÃO

ENCONTRO DE UTOPIAS NO SATYROS

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O SAPO E A FELICIDADE




O SAPO E A FELICIDADE

- Rospo, parece entristecido.
- Sapabela, eu quis repartir a felicidade.
- Qual felicidade, Rospo?
- A minha.
- Tentou dividir a sua felicidade com alguém?
- Sim, mas ninguém quis.
- Muitos não quiseram?
- Alguns amigos.
- E como é a felicidade que você quis compartilhar?
- Spinoza, Erich Frohmm...
- Entendi, Rospo, entendi. Acontece que nem todos querem a sua felicidade. Sei que sofrerá, mas é melhor deixar que cada um busque a sua própria felicidade.
- Sapabela, você às vezes parece um bússola.
- Que de vez em quando aponta direções um pouco amargas.
- Amarguras que fazem crescer, minha querida.

MARCIANO VASQUES
 HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 59


SAPOS NO COMÍCIO



SAPOS NO COMÍCIO

- Rospo e Sapabela foram a um comício.
- Adoro comícios!
- Não conhecia esse seu lado masoquista, Rospo.
- Bem, vamos ouvir. Por que trouxe um livro, Sapabela?
 - Para dar de presente.
A conversa é interrompida com o início do discurso do político.
- Eu prometo! eu prometo! Eu prometo! Eu prometo o melhor, eu prometo tudo para o brejo.
Ao final do comício, Sapabela se aproxima do político e entrega o livro.
- Um presente? Obrigado! Adoro presente de eleitor! Mas...É um dicionário...
- Sim. Tem um verbete interessante. O significado da palavra "Promessa".
- Mas eu sei que "Promessa" significa "prometer".
- Tem mais a ver com "cumprir".

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 58

domingo, 11 de abril de 2010

O BLOGUEIRO 18





O BLOGUEIRO



Argumento: Marciano Vasques
Arte: Danilo Marques

O SAPO E A ROTINA



O SAPO E A ROTINA

-Sapabela! Sapabela! Desceu pelo ralo. Pelo ralo, Sapabela!  Escorreu, escapou, foi-se, perdi...
- Meu amigo, está apavorado. Calma! Estou aqui. Diga o que aconteceu. O que escapou pelo ralo...
- Uma ideia brilhante, Sapabela. Dissipou-se, entrou pelo ralo e Adeus!...
- Poderia ser transformada numa poesia?
- O que tem a ver a poesia com isso?
- Rospo, se uma ideia puder ser transformada numa poesia, então é uma ideia brilhante.
- Daria para escrever um conto.
- Então é brilhante mesmo.
- Um romance, Sapabela, um romance...
- Então é um fulgor, um esplendor, uma alvorada radiante, dourada...
- Mas a perdi, escapou pelo ralo.
A culpa é da criatura, Rospo.
- Que criatura, Sapa?
- Ela, a mais terrível de todas, a Rotina.
- A rotina?
- Sim, Rospo, a rotina massacrante, que faz com que ideias brilhantes venham a escoar pelos ralos da vida, ela, que acaba com os mais profundos relacionamentos, derruba casamentos, vive a descolorir grandes amizades, fuja dela, meu amigo, fuja sempre!
- Realmente, Sapa, a minha vida nos últimos tempos é uma verdadeira rotina.
- Pois é,  para preservar as suas ideias brilhantes, precisa desprezar a rotina. Ela é sempre mais fácil. Basta por exemplo, ligar a TV...
- Sapabela, como tenho tanto que agradecer a você...
- Ora, Rospo, Sapabelas são para isso.


MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 57

MEMÓRIA DA NOSSA CANÇÃO 30 - CAVALO PRETO -TONICO E TINOCO

A CAVERNA DO MONSTRO

  


A CAVERNA DO MONSTRO


- Olá, Rospo, parece preocupado. Aconteceu algo?
- Estou angustiado, Sapabela.
- Desabafe, aqui você tem uma amiga.
- São medos que eu já tive, pensamentos tortos, erros que cometi na vida, oportunidades que perdi, amizades bonitas que deixei escapar,  que desprezei, não soube cultivar. Até ideias preconceituosas...
- Caro Rospo, ora, meu amigo: "Errar é anfíbio"
-"Não sabia dessa herança genética dos humanos..." .  Não sei se suportarei viver com essas lembranças...
- Rospo, é fácil. Leve para a caverna.
- Caverna?
- No subsolo da sua mente tem uma caverna. Leve tudo isso para lá. Enfie o monstro das suas lembranças nessa caverna e feche a entrada com pedras enormes e pesadas. Pronto!  Esse "monstro" que tanto o atrapalha estará aprisionado, e você poderá seguir em frente.
Dias depois.
-Sapabela, tranquei o monstro na caverna.
- Ótimo, Rospo, agora busque uma vassoura.   
- Para que?
- Para varrer os porões da mente e eliminar de vez alguns resíduos de entulho.


MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 56


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