terça-feira, 29 de junho de 2010

NA CASA DO RIO VERMELHO

BOLERO DE RAVEL

MEGA ARTESANAL 2010

MELISSA DESENHOU

FLOR DO CAFEZAL

O SAPO QUE NÃO TEM NADA



Rospo conversa com um velho conhecido.
- Não tenho nada, Rospo, nunca tive nada.
- Nada?
- Nada, Rospo, nada.
- Por acaso, reparou nas estrelas ontem à noite?
- E por acaso eu tenho tempo de ficar vendo estrelas? Tive mais o que fazer ontem. Sou um sapo muito ocupado.
- Veja que gramado! Verdejante que só ele. E olhe aquele jardim! Veja aquela flor amarela!
- E eu sou sapo de ficar olhando para jardins?
- Que bonito aquelas crianças brincando ao redor de uma árvore...
- Rospo, não me fale em crianças... Não suporto a algazarra que elas fazem...
- É, meu amigo, de fato você tem razão. Você não tem nada, nada mesmo.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 100


NINGUÉM ACREDITA EM MIM

Rospo encontra um velho amigo, triste e cabisbaixo.

- Ninguém acredita em mim...
- Não diga isso, meu amigo.
- É verdade, Rospo, mas, o que posso fazer? A vida é assim...
Mudando de assunto: vai fazer aquele curso?
- Não!
- Desistiu?
- Sim.
- Por que?
- Não tenho tempo de estudar, e não aprendo mesmo. Além disso, eu nem passaria no vestibular. Inútil tentar. Não vale a pena.
- Meu jovem, sinto te dizer uma coisa...
- Pode falar, Rospo.
- Realmente, ninguém acredita em você.

MARCIANO VASQUES

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 99


O SAPO E O NOVO AMOR



- Veja Sapabela, lá está o meu amigo, o sapo Agradel, com seu novo amor.
- Que bonito, Rospo! De mãos dadas..., mas não é uma nova paixão, é a Serãnata, a mesma namorada.
-Engano seu, Sapabela. Conheço bem o Agradel. Para ele, cada dia é um novo dia...
- Para mim também.
- Você ainda não entendeu.
- Às vezes eu demoro um pouco...
- É que o amor dele se renova diariamente. A Serãnata será sempre o seu novo bem. Ele não deixa o sentimento envelhecer...
- Uau!
- Pois é: novo dia, novo amor. Mesmo amor igual novo amor.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 98


O BLOGUEIRO 28

segunda-feira, 28 de junho de 2010

SAPO ENTENDE DE AMOR



- Por que o amor é difícil, Rospo?
- Por que ele exige algo que a maioria teme.
- E o que causa tanto temor, Rospo?
- Envolvimento, Sapabela, é uma exigência natural do amor. Amor é sinônimo de envolvimento.
- Quem ama se envolve?
- É fácil dizer "Eu te amo!". Qualquer sapo faz isso.
- Entendi. O amor não é feito apenas de palavras.
- Mas todos querem palavras...
- O amor apenas de palavras é ilusório...
- Não é autêntico. Isso significa que há outras formas de dizer o amor, há outras maneiras de dizer "Eu te amo!" . Com o envolvimento, é mais fácil dizer.
- Então, nem sempre as palavras dizem tudo...
- Às vezes substituem o verdadeiro dizer.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 97


O SAPO É RADICAL

- Rospo, você é radical.
- Obrigado, Sapabela. Bondade sua.
- Não me agradeça, não é um elogio.
- Não?
- Não devemos ser radicais.
- É o contrário, minha querida, a política deformou o sentido da palavra radical. Radical é buscar a raiz. A maioria dos sapos permanece na superfície.
-- Claro. Assim não precisa mergulhar.
- O radical vai até as profundezas. Ele gosta da essência das coisas. É preciso ser radical sempre, suavemente, com delicadeza.
- Rospo, retiro a crítica e faço um elogio. Você é radical. E tem mais: isso é um sintoma da sua bondade.
- Sapabela, você me surpreende sempre.

Depois que os dois se despedem, Rospo se põe a pensar:
"Ela é uma adorável radical!"

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -96

O SAPO ADORA FICÇÃO



Colibrã e Sapabela passeiam.
- Descobri que o Rospo adora ficção.
- É mesmo, Sapabela?
- Verdade, Colibrã, ele adora bons livros de ficção, e também filmes.
- Que tipo de ficção?
- Todas.
- Sapabela, que pequena multidão é aquela?
- É um comício do candidato do brejo.
- Vamos até lá?
- Tenho mais o que fazer.
- Veja, lá está o Rospo!
- Então vamos.
- Rospo, o que faz por aqui? Não sabia que apreciava comício.
- Estou ouvindo as promessas.
- Não falei que ele adora ficção, Colibrã?


MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 95


PALAVRA FIANDEIRA 34



PALAVRA FIANDEIRA NO AR!

EDIÇÃO 34
APRESENTA:

JORGE RETAMAL VILLEGAS
DO CHILE

Leia Aqui


sábado, 26 de junho de 2010

O SAPO E O DESTINO



- Rospo, acredita no destino?
- Sim, Sapabela.
- Estou estranhando você, Rospo. Era para responder "Não".
- Mas eu acredito no destino, Sapabela!
- Rospo, você não é o mesmo. O destino não existe. Somos nós que traçamos os nossos rumos, que construímos a nossa história. Espere! Um sapo vem se aproximando.
- Sapabela, quero apresentar um amigo.
- Prazer, Sapabela.
- Prazer, Destino.
- Como é mesmo o seu nome?
- Destino.
- Pois é, Sapabela, ele é um amigo sincero. Nunca mentiu para mim, por isso acredito nele.
- Também acredito em você, meu caro Rospo.
- Obrigado, Destino.
- Ora...

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 94


SAPABELA FRUSTRADA



- Rospo, estou chateada.
- O que aconteceu, Sapabela?
- Não consegui realizar algo que eu queria...
- É mesmo?
- Até tive entusiasmo, mas nada deu certo.
- Entendo.
- Estou me sentindo frustrada, até triste.
- Não fique assim.
- Queria tanto ter conseguido realizar...
- Sapabela, tem algo que pode te deixar melhor.
- Fale, meu amigo.
- Faça como a maioria.
- O que devo fazer, Rospo?
- Ponha a culpa nos outros.
- Está falando sério, Rospo?
- Sim, sempre os outros são os culpados do nosso fracasso.
- Devo mesmo fazer isso, Rospo?
- Claro que não, Sapabela.
- Que alívio.
-  Apenas quis mostrar como a maioria resolve suas frustrações.


MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 93

sexta-feira, 25 de junho de 2010

LA VITA MIA

LUZES DA RIBALTA

O SAPO E O PRAZER



- Rospo, por que temos dois ouvidos e apenas uma boca?
- Para ouvirmos os dois lados.
- Como assim?
- Sempre precisamos ouvir os dois lados.
- Por que somente uma boca?
-  Para ouvirmos mais e falar menos.
- Devemos falar menos, Rospo?
- Apenas o essencial.
- Está exagerando, meu amigo. Também gosto de falar o que me dá prazer.
- O prazer é refinamento, é estética da alma, a evolução dos olhos, do paladar, da audição, do olfato, prazer é evolução dos sentidos... Portanto, prazer também é essencial.
- Devemos viver apenas para o prazer, Rospo?
- Incrível, Sapabela! Você não para. Não, não devemos viver apenas para o prazer, mas devemos sentir um prazer imenso em viver.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 92

O SAPO E OS AMIGOS



- Rospo, você é tão atencioso, sempre tão gentil comigo...
- É lógico, Sapabela, você é minha visitante, é minha visita.
- Eu? Ora, Rospo, ficou maluco? Eu estou sempre com você, estamos sempre juntos.
- Por isso mesmo.
- O que está querendo dizer, meu amigo?
- Por sermos amigos, e estarmos sempre juntos, quase que diariamente, é que devo tratá-la como visita, como se você fosse verdadeiramente minha visita.
- Sei...
- Devemos tratar as pessoas com quem convivemos como se elas fossem visitas, pois sempre tratamos as visitas com cortesia, com gentilezas, com atenção...

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 91

FUJO DE MIM

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O SAPO E AS NOVIDADES




- Alguma novidade, Rospo?
- Sim, Sapabela, veja aquela flor.
- Isso é novidade, Rospo? Ela estava ali ontem.
- Mas está hoje.
- E dai?
- A novidade continua.
- Ora...
- Veja o Sol dourando o azul.
- O Sol nasce todos os dias, Rospo.
-  Viva! Uma novidade que não se apaga !
- Rospo! Quero novidade!
- Veja, Sapabela, aqueles sapinhos correndo.
- Ora, Rospo, vejo crianças todos os dias.
- Mas cada criança é uma novidade.
- Para você tudo é novidade?
- O mundo é uma novidade, Sapabela, uma eterna novidade.
- Eu sou uma novidade, Rospo?
- Você e a sua amizade são como as flores de um jardim. Novidades permanentes que renovam o olhar.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 90

OS ESPINHOS DA ROSEIRA



- Rospo! Por que a roseira tem espinhos?
- Porque ela tem rosas.
- Não entendi.
- As rosas necessitam dos espinhos.
- Quem disse isso?
- Isso está dito desde sempre pela natureza, que, aliás, é tão sábia que pôs os espinhos na roseira.
- Mas por qual motivo ela dotou a roseira de espinhos?
- Por causa das rosas. A rosa é delicada, e por aqui a chamam de rainha das flores. Tal a sua formosura, e beleza.
- Compreendi: tanta beleza e delicadeza precisam de proteção.
- Sim, a rosa , que é uma rainha, precisa de defesa, isto é, necessita de um exército para protegê-la. Os espinhos formam o exército da rosa.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 89



SARAMAGO


SARAMAGO



Ouvi a sua voz. Eu estava num deserto, talvez, ou num sonho. Mas hoje, um dia de triste notícia, compreendi que a vida se renova a cada amanhecer, a cada final de entardecer.
As árvores que passam, as folhas a se despreenderem, o pólen lançado na ventania executando valsas invisíveis para os olhos embotados de cotidianos. Plantas percorrendo distâncias em suas genealogias poéticas e verdes. Plantas que atiçam sorrisos sob a chuva leve.
A vida se renova. O que morre renasce, e esse é o mistério. Renasce noutros corpos. A ideias serpenteiam num fluxo lampejante cobrindo de verbos as almas que almejam embelezar o mundo. O pensamento vaga e voa, sobre capinzais, bambuzais e varais.
A vida se renova. O que morre renasce noutros sonhos, germina, e morre para renascer.
Seu nome há de ser pronunciado em aldeias, em vilarejos, em acordes, em rabiscos, e será esquecido e relembrado e você estará presente no ciclo das palavras doces e esfomeadas.
E seu rosto será redesenhado com toda candura, todas as chuvas leves, toda a doçura, e a meiguice tardará, e virão temporais, e arrogâncias, e novos quebrantos, e sinas serão passageiras nas vidas insensíveis e nas transbordantes, e sinos badalarão. E temporais de incertezas, de amarguras, de rotinas estéreis...
E a louça, o vidro, o odor das flores banais, das orquídeas efêmeras, e das flores inesquecíveis, e o café requentado, a sopa quente, o pão saboroso saciando a fome, as calçadas...
E o cacto, e a fragilidade de miosótis, e dirão: aquele que ganhou o Nobel, e o seu idioma sobreviverá e se fortalecerá com o sangue pulsante nas feiras, nos mercados, nas gôndolas, nos mocambos, nos barcos, nas festas, nas estações ferroviárias, nos amantes nos quartos de motéis, nos encontros casuais, nas crianças correndo, rompendo o vento, abrindo passagens, rasgando capinzais, saltando valetas, cortando canaviais como vultos incandescentes faiscando em cerrações, em neblinas.
E só por uma gota de orvalho deslizando suavemente na folha lisa, e só pela fumaça do forno, pela poeira nos olhos, pelo manjericão exalando seu frescor, e só pela lentidão das azaléias, só por essas coisas valeram as suas palavras.


MARCIANO VASQUES


terça-feira, 22 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O BLOGUEIRO 27




A CARTA DO ZANOTO


A CARTA DO ZANOTO



Num mundo de miudezas e grandezas, no dia frio em que morreu José Saramago, a voz lúcida da ilha, cumprindo um dos meus rituais literários fui até a minha caixa postal, a mais antiga da agência dos correios de Itaquera.
A televisão respirando copa do mundo, a "alegria" sendo enfiada goela abaixo, mas nesse dia, ela estava lá: a carta do Zanoto.
Sim, o Zanoto ainda escreve cartas, e que alegria a minha receber uma delas!
O cronista de Varginha, de alma universal e amor poético no coração, conta sobre a sua saúde, relembra o nosso encontro, quando, num dia de janeiro, fui a Varginha apenas para abraçá-lo. "Viagem maluca", ele disse. Ir e voltar no mesmo dia. Certas viagens curtas se tornam longas na memória do tempo.
Também fala sobre os seus "Diversos Caminhos", página que manteve durante anos e anos no jornal "Correio do Sul", na qual sempre divulgou poetas consagrados ou em início de carreira, e até os que apenas escrevem poemas, sem pretensão de fama ou carreira.
A lenda viva entre escritores e poetas do Brasil é uma pessoa especial, como Rosemary Lopes Pereira em Apucarana. São radares, caleidoscópios da alma, entrelaçam-se nos diversos caminhos da rua longa.
E eu, em plena era cibernética, tecnológica, aperto entre os dedos a carta do Zanoto. É a minha riqueza.


MARCIANO VASQUES


domingo, 20 de junho de 2010

LIVROS PARA CRIANÇA MORAR

Marciano Vasques
  


  LIVROS PARA CRIANÇA MORAR
 

 
 



Uma criança escreve a ele dizendo que para ela a oitava maravilha do mundo é o Sitio do Pica-pau Amarelo. Dentro de poucos anos a obra do escritor de Taubaté cairá no domínio publico, o que significa que poderá sofrer todo tipo de adaptações e modificações, tal como Disney faz com os clássicos. Já podemos sentir essa nova realidade em algumas publicações do mercado e na moderna versão televisiva. Mas, quem foi esse homem grandioso? Desde que apareceu com a sua primeira obra escrita para adultos: o Urupês, o mais importante livro de contos publicado no Brasil em todos os tempos, que entre outras coisas, ampliou o universo lingüístico brasileiro, e no qual surge seu mais polêmico personagem, o Jeca Tatu, o fecundo escritor tornou-se a mais importante personalidade do Brasil, a presentear com a sua linguagem universal as crianças no triste período entre as duas guerras mundiais.
O autor das mais belas cartas jamais escrita no país. Nenhum brasileiro, em qualquer época, manteve uma correspondência de tal porte; isso numa época sem computador e sem as facilidades da vida contemporânea.

O sitio é a infância. É o mais rico modelo pedagógico erguido no país. Representa a escola com que sonhou Lobato, que então para as crianças com uma fé inabalável se voltou, escrevendo livros encantados.
Em 1936 promoveu um dos maravilhosos encontros no Sitio. Lá estava a comer bolinhos numa varanda, simplesmente o “D.Quixote das crianças”. Dona Benta começou a ler o livro, mas como a leitura era difícil, resolveu interrompê-la e, para a delícia dos pequenos, contar a história. O fato tornou-se o grande acontecimento naquele dia no Sitio.
Milhares de crianças chorando naquela tarde nos arredores do cemitério da Consolação no adeus do grande amigo.

"Pode dizer-se que nenhum homem, em nenhuma época, recebeu como ele tantas cartas infantis. Somente em 1940, quando, por defender a liberdade, o que é o mesmo que defender as crianças, foi condenado a um ano de prisão, mais de um milhão de cartas lhe foram enviadas pelos seus pequenos amigos de toda a América. Essa, mais do que nenhuma outra, foi a sua grande recompensa” Palavras pronunciadas em sua despedida naquela dolorosa tarde em São Paulo.
Quando esteve na Argentina, confessou: "Escrevo para as crianças, porque, depois de amanhã, elas construirão o mundo com que hoje sonhamos".

No cemitério da Consolação, O ator Procópio Ferreira, visivelmente emocionado, pronunciou as seguintes palavras ao microfone: "A sem-vergonhice nacional está de parabéns com a morte de Monteiro Lobato, grande homem, grande espírito, grande artista. Não sabemos o que mais admirar nele: se o homem de bem ou se o artista perfeito. Em meu nome e no de todos os atores do Brasil, trago aqui o nosso adeus comovido."
Segundo palavras do governo do Estado, Lobato, encarnando a reação ao espírito inconformado, transformou sua pena maravilhosa numa espada fulgurante e pontiaguda que lhe serviu de combate aos hipócritas. Assim era o homem que criou uma outra floresta, não a européia, repleta de castelos, duendes, e seres mitológicos das tradições culturais estrangeiras, mas a do Brasil, a do saci.
Lobato mostrou que ser infantil não é ser ridículo. A criança não é um débil mental. Desgostoso com os adultos passou a conviver com as suas crianças internas. Eis as palavras da Academia Paulista de Letras no dia da sua despedida: “Sabemos que eras, no fundo, uma grande ternura desejosa de exercer-se em benefício dos homens”.
Animado com as perspectivas na área da literatura infanto-juvenil, em 1926, já no Rio de Janeiro, para onde se mudara após a falência da sua Companhia Gráfico-Editora, Lobato confidencia a um amigo que enjoara de escrever para marmanjos, "bichos sem graça". E, lembrando-se do impacto que a leitura do Robinson Crusoé lhe causara, prometia, numa frase que se tornaria célebre: "Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. Não ler e jogar fora; sim morar, como morei no Robinson” No volume de Fábulas, lançado em 1922, que reunia 77 narrativas, ele advertia que estas constituíam um alimento espiritual tão importante quanto o leite na primeira infância. Nos serões de Dona Benta os horizontes se ampliam e o universo invade o sitio.
Graças ao pó de pirlimpimpim ele levou a infância para viagens no tempo e no espaço.
Numa sociedade patriarcal, que mantinha a opressão da mulher, injetando nela as “características femininas” próprias à época, como a obediência, o servilismo e a humildade, a boneca Emília escandaliza os setores mais conservadores e tradicionalistas na primeira metade do século passado.
Por mais que se diga, sempre será pouco o que possamos falar a respeito dessa ternura desejosa de se exercer em beneficio da humanidade.






sábado, 19 de junho de 2010

VOZ


BEATRIZ COSTA - CANÇÃO DA ROUPA BRANCA

BETRIZ COSTA - UMA CASA PORTUGUESA

NEM AS PAREDES CONFESSO

PALAVRA FIANDEIRA 33

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No ar, nova edição de 
PALAVRA FIANDEIRA
****
DIRETAMENTE DE PORTUGAL

CAROLINA CARRIÇO
Entrevista realizada por Carmen Ezequiel

Leia Aqui

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18 DE JUNHO DE 2010


MAIS QUE MIL PALAVRAS




- Sapabela, tenho mais que mil palavras para você.
- Que bom, Rospo! Estou pronta.
- Espere um pouco que já retorno.
Sapabela sozinha se põe a pensar:
- "Aonde ele terá ido? Onde está agora? O que terá ido buscar? Não estou entendendo. Ele tem para mim mais que mil palavras, mas o Rospo não é tão tagarela assim..."
- Voltei!
- Pronto, Rospo, pode começar a falar.
- Falar?
- É. As mil palavras...
- Sapabela, trouxe para você botões de rosas.
- Rospo! Como são belos! Obrigada. Mas, você não tinha que me falar...
- Ora, Sapabela, nunca ouvir dizer que "Uma rosa vale mais que mil palavras" ?

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -  88


BETO FANTOCHE



BETO FANTOCHE



BETO FANTOCHE, amigo de Marciano Vasques, visitou a CASA AZUL DA LITERATURA real, e também a virtual.


FEMINA ARTE


quinta-feira, 17 de junho de 2010

A ESCOLHA DO SAPO



- Rospo! Você por aqui?
- Pois é, às vezes apareço.
- Estive pensando...
- Isso é bom demais da conta, Sapabela.
- Então: andar de mãos dadas com alguém...
- Sim, Sapabela?
- Tomar um sorvete, ir ao cinema, ao parque de diversão, contemplar a natureza, ler um livro, viajar de trem...
- O que você está tentando dizer, minha amiga?
- São formas de felicidade. Como vê, é fácil encontrar a felicidade...
- Concordo.
- E você? Poderia dizer algo sobre isso?
- Ser poeta. Eis uma forma de felicidade.
- Rospo! Por que você sempre escolhe o mais difícil?


MARCIANO VASQUES

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 87

O SAPO E A ARROGÂNCIA



- Rospo, conversei com uma amiga que é diretora da creche "Sapinho Feliz" e ela me falou de uma coisa estranha.
- Então nem toda conversa é boa.
- Ele me disse que não quis mais receber uns cantadores na creche
- É mesmo?
- Sim, e por um motivo muito esquisito. Eles cantavam para as crianças.
- Isso é ótimo.
- Suas músicas, além de divertidas, eram pedagógicas. Os sapinhos aprendiam cantando.
- E porque ela tomou essa decisão inesperada?
- Perdeu o interesse neles apenas porque eles não tinham o diploma de Pedagogia. Não tinham formação acadêmica. Fiquei surpresa. Que absurdo!
- Não é absurdo, Sapa. É somente um tipo de arrogância intelectual.
MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 86


quarta-feira, 16 de junho de 2010

O CÓDIGO DO SAPO



- Rospo, é verdade que ninguém consegue entender as sapas?
- É que os sapos criam as condições para impedir esse entendimento.
- Então é uma lenda?
- Isso! É uma invenção.
- Como é essa coisa de "criar as condições", Rospo?
- Toda a Sociedade, toda a vida aqui no brejo converge para o complicado...
- Está ficando interessante...
- Então originou-se a lenda de que ninguém entende as sapas.
- Explique isso.
- As sapas querem as coisas que são simples, naturalmente óbvias, sem complicações...
- Exemplos, por favor.
- Companheirismo autêntico, amor, fidelidade, sinceridade...
- Rospo, que visão!
- Pensa que é só Da Vinci?
- Rospo, esse seu código parece tão fácil, tão claro de entender e assimilar...
- Mas ninguém quer "perder tempo" pensando nas coisas simples e naturalmente óbvias.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 85



O AUTOR NA PRAÇA


terça-feira, 15 de junho de 2010

O SAPO LIGEIRO



- Rospo! Continua parado!
- Parado? Sapabela, acho que  precisa apurar o olhar.
- Você não está parado, Rospo?
- Necessita observar melhor, Sapabela. Prestar mais atenção nas coisas que são essenciais.
- Ora, Rospo. Noutro dia eu o vi sob uma árvore escrevendo. Ontem, estava sentado à beira do lago lendo.
- Isso mesmo, Sapa! Um dia eu estava escrevendo um poema, e ontem estava lendo um livro. Como pode dizer que estou parado?
- Não está?
- Cada vez que alguém escreve um poema, é um salto para  a frente, e quando esse alguém lê um livro, avança vários passos. Ainda acha que estou parado?
- Ao contrário, Rospo. Você é bem ligeiro.
MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 84



IL TANGO DELLE CAPINERE

A CONVERSA CONSERVA



- Rospo, adoro conversar com você.
- Também aprecio as nossas conversas, Sapabela.
- Conversa é terapêutica, não é?
- Conversa conserva.
- É verdade. Ela resgata o prazer de ouvir.
- De olhar para a face do outro.
- Conversa é coisa valiosa. Mesmo a mais despretensiosa não é coisa para se jogar fora.
- Nem para fazer boi dormir.
- Rospo, conversa é nutriente, adubo, fertilizante para a planta mais preciosa.
- Que planta, Sapabela?
- A planta chamada Amizade.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 83


SAPABELA E OS CANTADORES




Sapabela conversa com uma amiga que é diretora da creche "Sapinho Feliz".
- Querida, por onde andam aqueles cantadores que apareciam por aqui e cantavam lindas canções infantis?
- Sim, e até proferiam palestras para as funcionárias.
- É mesmo? Estou sentindo a falta deles. Para onde foram?
- Preciso contar algo, Sapabela.
- Diga.
- Eu não os quis mais por aqui.
- É mesmo?
- Perdemos o interesse por eles.
- As crianças perderam o interesse?
- Não! Os sapinhos não. Nós, os diretores, os coordenadores...
- Qual o motivo da súbita perda de interesse?  Afinal, eles produziam encantamento nos pequenos. As canções eram tão pedagógicas...
- Aí é que está o problema, Sapabela.
- Tem problema?
- Eles não eram formados em Pedagogia. Não tinham o diploma, a graduação.  Já imaginou uma coisa dessa?

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO - 82

PALHAÇOS DO NOSSO POVO




Lançamento do livro “Palhaços do nosso Povo”.
Dia 24 de junho de 2010, Quinta-feira, a partir das 18h30 - Entrada Franca.
Centro de Memória do Circo – Galeria Olido
Av. São João, 473 – Térreo – Centro – SP
 
 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O BLOGUEIRO 26




CICAS




CICAS 
- CENTROINDEPENDENTE 
DE CULTURA E ALTERNATIVA SOCIAL

Sob um centro comunitário abandonado há anos pelo descaso social e político, um grupo de jovens artistas, em busca de espaço para desenvolver e apresentar seus trabalhos, recupera o local transformando-o num Centro Cultural, proporcionando acesso a arte alternativa, em seus mais diversos formatos, gratuitamente para a comunidade e convidados.


                                                      
CICAS –  AVENIDA DO POETA, 740 – JARDIM JULIETA – ZONA NORTE – SP – SP - BRASIL


PALHAÇARIA MUSICAL




domingo, 13 de junho de 2010

O CRAVO BRIGOU COM A ROSA

Marciano Vasques
  


O CRAVO BRIGOU COM A ROSA
 

 
 





A mais fecunda briga de amor aconteceu num jardim debaixo de uma sacada.
Já tive os olhos marejados em Juiz de Fora ao ouvir as vozes das professoras participantes da minha oficina cantarem com tanta suavidade a bela cantiga: “O Cravo Brigou com a Rosa”, que não posso me furtar ao prazer de cantarolá-la enquanto escrevo.
Como eu era feliz na rua larga! Ah, se essa rua fosse minha, não a teria deixado ir embora, com certeza teria impedido os tratores, teria impedido o asfalto e teria impedido os automóveis.
Hoje na distância compreendo que talvez naquela rua morasse um anjo que roubaria para sempre o meu coração, e a roda girava e a mão delicada de algum anjo que também já cresceu segurava em minha mão de menino frágil a cantar as cantigas da infância.
Sempre agradeço por ter escapado das apresentadoras de programas infantis, por ter escapado dos jogos eletrônicos e por ter escapado da falta de quintais.
E eu brincava de roda, e eu passava o anel, e eu cantava as cantigas, e o pirulito que bate-bate, e o gato da menina malvada que atirou o pau.
Cantigas maravilhosas... Algumas não politicamente corretas para o coração engessado do adulto, mas ricas e com forte e inabalável presença no coração infantil. Amo-as como um patrimônio que o tempo não destrói.
Tenho um amor profundo pelos animais. Sofro ao lembrar do primeiro cavalo que vi sendo chicoteado, sofro de verdade quando penso no coração do boi na hora da morte. Nenhuma cantiga prejudicou a minha formação, aliás, o boi da cara preta nunca me assustou de verdade.
Como elas fazem falta para as duas meninas que vi no metrô a pedir. E a outra que vi no semáforo. E como me emociono ao ver uma professora a cantar “O Cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido e a rosa despedaçada.”
A briga de amor despedaça o coração. A rosa é como qualquer mulher, o cravo é como qualquer homem. Quisera poder ver a compreensão no coração de todos a respeito da sobrevivência das canções de amor. O amor chamado de brega que pode simbolizar um romantismo alienado, mas está profundamente cravado na alma lusitana, sem dúvida resiste nas canções porque homens e mulheres se amam, e temos um jeito de ser que não nos abandona. Temos o coração e a alma sujos de boleros de amor. E às vezes nos despedaçamos numa briga de amor...
Mesmo com doutorado, lá no fundo, lá no íntimo de nosso coração estará sempre a herança dos povos que nos colonizaram. O amor que veio de longe...
Seja numa cena de “O Poderoso Chefão” ou numa de “A Casa dos Espíritos” sempre há de me emocionar ouvir e ver gente dançando ao som de “La Paloma”, porque a minha alma é assim...

E as cantigas resistem através dos tempos porque a criança insiste em continuar existindo. Numa ciranda gigantesca queria vê-las cortando de ponta a ponta o meu país, embaladas num acalanto de amor. Mãos delicadas e pequenas numa roda infinita a cantar e a cantar.
O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo ficou ferido e a rosa despedaçada...

O amor da cantiga é o amor que não se vai...



sábado, 12 de junho de 2010

Gigliola Cinquetti - Fatalità

MENINOS

ABORDAGENS SOBRE O AMOR

NOVA EDIÇÃO DE PALAVRA FIANDEIRA NO AR!
SEGUNDA EDIÇÃO TEMÁTICA
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AUTORES CONVIDADOS: 
CARMEN EZEQUIEL (Portugal); MARIA THEREZA CAVALHEIRO (BRASIL); MARÍLIA CHARTUNE (Brasil); MONTSERRAT (Espanha); NORMA LUGO (Argentina); JÉSSICA LIMA (Brasil); REGINA SORMANI (Brasil); PAULA LARANJEIRA ( Brasil); ROCÍO L' AMAR ( Chile); DANILO VASQUES (Brasil)

CAMINHOS DA DIVERSIDADE

NÚCLEO CORPO CONTEMPORÂNEO
apresenta
ARTE & CULTURA – CAMINHOS DA DIVERSIDADE
 O CONTEMPORÂNEO SOB OLHARES LATINOAMERICANOS
19 DE JUNHO 2010          20 hs       entrada R$10

ARTES VISUAIS
MARCIA SZÉLIGA - Curitiba
Pinturas e poemas - “Trajestórias” (através dos trajes da história).
Os poemas levados às telas  trazem  influência da literatura e traduzem o significado do conjunto de cada obra.
As imagens surgem a partir do poema, mas também ocorre o caminho inverso. As duas linguagens se somam aos objetos orgânicos.
JORGE PEREYRA – Argentina
Desenhos e poesias – “Impressões sobre o momento"
DANIEL MORAY – Brasil - Paraguay
Fotografias - "Ruínas de Utopia "Símbolos e Conceitos do Universo Maia.
ESPAÇO RASA  Rua Heitor Penteado, 220/236 estúdio 16. (a 4 min do Metrô Sumaré) - São Paulo - SP

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