sábado, 31 de julho de 2010

BREVEMENTE



JÉSSICA LIMA, publicitária, participa da nova edição temática de PALAVRA FIANDEIRA.
brevemente


DESENHO DE DELANO ASSIS


sexta-feira, 30 de julho de 2010

FEMINA

SAPO SAPOETANDO AO LUAR

Sapo enluarado é poesia na certa e lá estava um no banco da praça terminando um poema quando avistou alguém:
- Sapabela! Venha ler o meu poema.
- Rospo! Que alegria vê-lo, como sempre sapoetando. Quero ler sim.
Após a leitura, ela comenta:
- Incrível! O seu poema está enluarado. O luar ajudou. Ele é todo luar. Se tivesse  um temporal eu estaria lendo um poema diferente. Se fosse ao dia ele seria ensolarado ou chuvoso...
- É mesmo?
- Em noite nublada ou fria o poema nasceria de um outro sentir.
- Acredita nisso?
- Há um intercâmbio profundo entre o poeta e a natureza, isto é, o clima, as condições climáticas. Isso se aplica também à Literatura e à Filosofia...
- "Sapabela falou, o sapo pensou" e eu pensarei.
- Recentemente, nas areias da praia, um sol incrível, um azul radiante. "A Filosofia é desnecessária", pensei.
- Sapa, meu poema inspirou você...
- Rospo, vamos tomar um sorvete?
- Sorvete ao luar? É pra já.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 173
Marciano Vasques

O SAPO E OS CANAVIAIS

Sábado ensolarado, sapinhos na garupa de um caminhão, Rospo e Sapabela tomando garapa na calçada.
- Adoro caldo de cana gelado...
- E eu adoro canaviais...
- Canaviais? O que tem isso a ver?
- Recentemente falei a um menino que passei a infância entre eucaliptos e ele riu.
- Qual o motivo da graça?
- Ele só conhecia eucaliptos no desinfetante...
- Entendo. O que tem a ver os canaviais?
- Quando alguém toma a garapa longe dos canaviais  e se esquece da nascente do caldo de cana, talvez perca o essencial...
- Isso é belo, Rospo.
- Seria bom se todos se dessem conta de que além de garapa, muito além, existe sempre um canavial.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 172
Marciano Vasques

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ROSPO NA PASTELARIA



- Ele não paga - disse o pasteleiro ao funcionário que cobrava o sujeito que tomava um caldo de cana.
- No balcão, com seu copo de garapa, o sapo mais curioso do mundo  perguntou:
- Por que ele não paga?
- Ele é o nosso candidato.
- Candidato?
- Será o nosso futuro governador. Já foi nosso prefeito...
- Espere um pouco! Agora eu o reconheço. Não é aquele que foi acusado de desviar verbas públicas e receber propinas? - cochichou o nosso amigo ao pé do ouvido do pasteleiro.
- Sim, é ele mesmo.
- Espere um pouco! Eu que nunca roubei da cidade, jamais recebi propinas, pago pelo caldo de cana e ele não paga? Isso é um insulto! É um ultraje! Um desrespeito! Um escândalo! 
- Calma Sapo! Você está nervoso...
- Meu nome é Rospo, e não estou nervoso. Apenas estou dizendo o que incomoda...
- Está bem, não precisa pagar pela garapa.
- Mas eu vou pagar, eu quero pagar. Tome as moedas.
- Obrigado...
- Agora vá cobrar do candidato, por favor!...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 171

Marciano Vasques


O GUARDA-CHUVA AZUL DO SAPO

Sapos ensolarados adoram conversar.
- Rospo, recentemente você falou sobre os canaviais.
- Tomávamos um caldo de cana.
- Mas canaviais me lembram usinas de açúcar.
- Sim?
- Os cortadores de cana são explorados.
- Isso nada tem a ver com o verde dos canaviais... A ventania dos canaviais é uma extraordinária força poética.
- Tem razão, Rospo...
- Às vezes eu tenho...
- Não seja modesto.
- Ora, Sapabela...
- Rospo, temos um compromisso para o sábado.
- Verdade, Cinema e caldo de cana.
- E um sorvete.
- Sim, é lógico.
- Mas parece que choverá.
- Que ótimo!
- Ótimo? Chover no nosso compromisso?
- Poderei usar o meu guarda-chuva azul,
- Você gosta muito dele, não é?
- Sapabela, imagine um sapo na chuva com guarda-chuva azul tomando sorvete com sua melhor amiga.
- Não havia pensado nisso. Sorvete na chuva...
- Quando se tem um guarda-chuva azul...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 170
Marciano Vasques

CONVITE AEI-LIJ PARA A BIENAL



quarta-feira, 28 de julho de 2010

LETRAS SAPECAS NA BIENAL


OS DEZ MOTIVOS DO SAPO


Sapabela adora provocar o amigo:
- Rospo, viver vale a pena?
- Ora, Sapa, a vida apresenta momentos de tristeza, dissabores...No mundo externo tem muita agressividade, mas vale sim a pena...
- Dê pelo menos dez motivos. Apenas palavras.
- Fácil, Sapa, fácil.
- Então, comece.
- O nosso sorvete; o vinho; os amantes e os namorados; o livro; a beleza natural do planeta com suas paisagens; os animais com suas plumagens  e cores e a elegância de cada um; a amizade; a poesia; a criança; a música...
- Obrigado, Rospo.
- Sapabela, por que não pediu cem?


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 169
Marciano Vasques

LETRAS SAPECAS NA BIENAL DO LIVRO


BIENAL DO LIVRO



A ILUSÃO DO TEMPO



- Sapabela, está chegando o dia 03 de Agosto.
- E o que tem de especial essa data?
- É o primeiro aniversário de CASA AZUL DA LITERATURA.
- Você também conhece?
- Aqui no brejo quase todos conhecem...
- Impressionante como o tempo corre...
- O tempo é o mesmo de sempre, como sempre foi desde o início do tempo...
- Então, por que essa sensação de que não temos mais tempo?
- Sapabela, essa sensação é ilusória. O tempo não se modifica, o dia ainda tem 24 horas, a semana sete dias, e assim por diante...
- Mas tudo passa tão ligeiro... O calendário dispara...
- Essa ilusão nada tem a ver com o calendário. A Terra cumpre a sua translação ao redor do Sol, e também a sua rotação, a vida se renova  a cada instante, num incrível ciclo...
- Mas ninguém tem tempo!... Veja que já estamos na metade do ano e parece que o Natal foi outro dia...
- Mas como eu disse, essa ilusão nada tem a ver com o próprio tempo, e muito menos com essa invenção humana, o tal calendário...
- De onde vem essa ilusão então, Rospo?
- Uma das invenções que contribuiu para ela é a Televisão...
- Entendo, e agora tem o celular e a Internet...
- Pois é... Além da exploração do sujeito, que trabalha, trabalha, trabalha, e à noite só resta para ele a Televisão... Quando se dá conta o tempo passou, o que ocorre na verdade é que quem está passando não é o tempo, é a vida de cada um...
- Como nos livrar dessa ilusão?
- Vivendo intensamente. O curioso é que a maioria das invenções, como o liquidificador, o carro... estão aí para que sobre tempo...Mas ocorre o contrário, e muitos quando têm o tempo livre não sabem o que fazer com ele...
- Bem, Rospo, mas vamos esquecer tudo isso agora e aplaudir...
- Sim, um ano de vida é um bom tempo, embora não pareça, não é?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 168

Marciano Vasques


terça-feira, 27 de julho de 2010

O LIVRO E AS BONECAS


- Colibrã! O Rospo lançou um livro.

- Que novidade maravilhosa hoje!

- Não vejo a hora de ele dar o meu.

- Não entendi, Sapabela.

- O meu. Sempre ganho um e sempre sou a primeira a pedir.

- E ele?

- Sempre me dá um, com autógrafo e dedicatória. Como é bom ter um amigo escritor!

- Sapabela! Que história é esta de o  Rospo sempre dar um livro para você?

- É errado isso?

- Que bonecas são essas?

- São as bonequinhas de pano que estou fazendo.

- São lindas. Não conhecia essa habilidade sua.

- Pode chamar de talento.

- Você é bastante criativa.

- Sempre recebo encomendas. Aqui está o último modelo que lancei. Estou vendendo a dez reais. Quer comprar uma?

- Sim, depois que você comprar o livro do seu amigo.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 167

Marciano Vasques

SAPAQUARELA



Sapabela conversa com a nova moradora do brejo.
- Sapaquarela! Que nome lindo!
- É o meu nome artístico.
- Nunca conheci uma pintora. Tenho um amigo escritor e uma amiga bailarina.
-  Sapabela, quem convive com os artistas, convive com a arte. E você? Nunca pensou em pintar?
- O Rospo vive a dizer que eu pincelo cores em nossas conversas.
- Rospo? Quem é ele?
- O meu amigo que escreve.
- Escrever, pintar, dançar...A arte é a zeladora do mundo. Viva o artista! Viva a arte!
- E viva os seus amigos.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 166

Marciano Vasques


O SAPO E O BLOG



- Rospo, soube que está feliz com o seu FrogBlog.
- Blog é um espaço emocionante.
- Eu sei.
- Nessa moderna forma de felicidade conheci sapos que se ocupam com a arte de embelezar o mundo. Contra a Depressão? Blog!
- É também um espaço privilegiado de denúncias das injustiças.
- Espaço de amor e luta.
- Podemos afirmar que é um substituto para aquela outra forma de felicidade?
- Qual?
- A Revista, o Jornal, O livro, O gibi: O fantástico quarteto da felicidade.
- Não, Sapa. O cheiro da tinta no papel da revista nova e a nostalgia da antiga; folhear o jornal, entrar num livro, aventurar-se num gibi... Nada disso pode ser substituído. O blog veio para enriquecer o coração do sapo que sempre está aberto às novas formas de felicidade, mas não despreza as outras.
- Então, são as múltiplas formas da felicidade numa vida...
- Sim Sapabela, pena que, quase sempre, não as percebemos no cotidiano.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 165
Marciano Vasques

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A AMIGA DA SAPABELA

Sapabela encontra a velha amiga Sapaoca.
- Oi, Sapabela, você engordou um pouco...
- Não diga!
- Faça hidroginástica.
- É bom?
- Entre numa academia. Sempre ajuda.
- Vou pensar...
- Precisa ficar em forma, precisa se cuidar... Na nossa idade...
- Estou tão mal assim?
- Nada tão grave que um bom exercício não resolva. Aposto que só vive tomando sorvete.
- Eu gosto.
- Também deve adorar uma macarronada...
- Acertou.
- Essa sua roupa, minha querida, está ultrapassada. Não tem um vestidinho mais moderno? Se tivesse cabelos, o certo seria pintá-los.
- Impressionante!...Qual a cor?
- Sei não, mas uma cor deve combinar com você. Bem, preciso ir, tchau, minha amiga.
- Tchau, "amiga".
Logo aparece o Rospo.
- Sapabela, veja o livro de poesia que estou lendo. Se quiser, eu empresto...
- Rospo, vamos tomar um sorvete?
- Vamos!
- Adoro o seu olhar. Ele sempre surge nas horas certas...
- Do que está falando?
- Nada. Depois me empreste o livro. Agora, vamos ao sorvete.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 164

Marciano Vasques

SAPOS REGREDINDO?



Exagero de azul ensolarado no céu. O sábado invade o brejo. Bons amigos, de sorvete, passeiam na calçada.
- Rospo, às vezes sinto que os sapos estão regredindo...
- Vão se tornar humanos?
- Não brinque, Rospo, mas tem sapo batendo em companheira...
- Tem rã apanhando?
- Tem, e tem até sapo espancando sapinhos...
- Não pode ser!
- Tem sapo enganando o outro, tem sapo político mentindo. Tem sapo disseminando o medo, tem palavreado estéril...
- Sapabela, então, está pior do que eu pensava...
- Tem muita corrupção, tem até prostituição infantil...
- Sapa, não quero estragar o nosso sorvete, mas o brejo está ficando "demasiado humano".


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -  163
Marciano Vasques

domingo, 25 de julho de 2010

MEDO DA CHUVA

UM TREM PARA AS ESTRELAS

O PORTA-JOIAS DO ROSPO

Sapabela e Colibrã se encontram.
- Colibrã, fiquei sabendo que o Rospo ganhou um presente e está muito feliz.
- É verdade.
- É um carro?
- Não, Sapabela, dizem que é um Porta- Joias.
- Um Porta- Joias? Nem sabia que o Rospo usava joias.
- Eu ainda não vi...
- Estou curiosa.
- Veja! Lá vem ele!
- Olá, meninas.
- Rospo, estamos ansiosas, queremos ver o seu presente.
- Aqui está ele.
- Rospo, mas isso é um livro...
- Eu sei disso...
- Mas disseram que era um Porta-Joias...
- E o que é afinal a Poesia?
- É um livro de Poesia?
- Sim.
- Tem razão: é um Porta-Joias.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 162


Marciano Vasques

SÃO MARTINHO DO PORTO

São Martinho do Porto - Foto: Carmen Ezequiel - (Portugal)

BARCOS






Barcos na Praia Nazaré - Foto: Carmen Ezequiel (Portugal)

UMA LEITORA DO ROSPO



 - "Gosto muito das histórias do Rospo."
                                      Melissa Vasques

O SAPO E A PROFESSORA




Um vaso de violetas e uma viola. É tudo o que o Rospo precisa para homenagear a valiosa amiga e lá desce ele a viela com a viola na valise. Ninguém avalia a sua felicidade.

Num instante percorre a vila, saltando valetas, e entre vôos de borboletas e o borbulho das águas, bate à porta.

A sorridente Vanda aparece na varanda.

Diante da rã ele se emociona.

- Como sou seu fã, trouxe violetas e uma moda de viola.

Moda de viola? Que romântico!- exclama a amiga com a face cor de romã.

O sapo desenlaça um bolero, e com o coração ofegante, diz um sincero e elegante verso.

- Decorei!

A rã, corada, diz:

- Você decorou a minha vida!

- É que hoje é o seu dia!

E assim, num só coro, os dois comemoram o Dia do Professor.

Ele, com a primeira professora.

Ela, orgulhosa por ter amizade tão antiga.

E na varanda, entre boleros, violetas, uma cantiga, um verso e uma história, o Rospo e a Vanda penetram no universo da memória.



HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 161
Marciano Vasques
Arte: Daniela Vasques

O MENINO E O CORREDOR

Sábado ensolarado e aparece o Rospo, como sempre com uma história a tiracolo.
- Sapabela! Você me paga um sorvete e eu conto uma história.
- Sorveteiro! Venha cá!
- De sorvete em punho, Rospo desfia a história:

" O menino ia pelo corredor principal da escola quando pisou no rabo de um asno.

- Cauda de asno uma ova. Eu sou a strega e estou procurando meu namorado!

Ainda atordoado, encontra duas criaturas apressadas.

- Olá, gnomos!

- Não somos gnomos! Somos duendes! Estamos indo para o reino da princesa dos sete sapatinhos. 




Sem entender nada, de repente, encontra uma menina com uma cestinha.

- Cha... Cha...peuzinho Ver...melho???

- Estou indo para a casa da vovó...

- Quando o menino pensou que estava mesmo piradinho ou sonhando, eis que, no corredor surge outro alguém também apressadinho: o gato de botas.

- VOCÊ!!!

- É... estou procurando o castelo do Rei para levar estas perdizes.

“Só posso estar sonhando!!!” – pensa o menino, quando alguém se aproxima suavemente como uma gata, aliás, uma gata borralheira.

- CINDERELA???

- Estou indo para a floresta, estou atrasada!

- Fazer o quê na floresta?

- Eu disse floresta?

- É...

- Baile! Estou atrasada para o baile.

Ele resolve segui-la e então a vê entrando na Sala de Leitura.

- Então é aí o baile da Cinderela? Reino, floresta, castelo...Só podia ser!- comenta consigo, sorridente."

- E então, Sapabela? Gostou da história?
 - Melhor que ela, só outro sorvete.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010  - 160
Marciano Vasques
Arte: Daniela Vasques
 

CONVERSANDO SOBRE SAPOS



- Falta sapo!

- Muito bem, Rospo, mas já tem sapo demais no brejo.

- Quem falou em brejo? Estou falando da Literatura Infantil, dos contos de fadas. Acho que deviam explorar mais os nossos amigos anfíbios.

- Compreendi. Tem o ciclo da raposa, tem muitas histórias com pássaros, com leões, com ratos, mas sapo mesmo, quase não tem.

- Engraçado. Sabe que eu nunca tinha reparado?

E assim continuava a conversa entre o Rospo, a Sapabela e a Colibrã.

- Pois os escritores deviam ser mais criativos. Está na hora de produzir mais histórias com sapos.

- Apóio. Sapo tem tudo para agradar. Vamos começar um movimento pela renovação da Literatura Infantil...

- No século XXI?

- A criança sempre será criança...

- Eu proponho um slogan: “Para cada história criada, uma terá como personagem um sapo”.

- Seu slogan é um pouco radical, Sapabela.

O bate -papo cada vez mais animado, quando passa por eles, velozmente, um sapo carregando uma bola.

- Amigo, aonde vai com tanta pressa?

- A princesa! A princesa! Onde está a princesa? – responde o apressado.


 HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 159

Marciano Vasques

Daniela Vasques


sábado, 24 de julho de 2010

AS REFLEXÕES DA GATINHA





- Sapabela, hoje quero contar uma história com gatos. Ulisses e...
- Penélope!
- Por favor, poderia ouvir a história?
- Sim, é lógico. Mas não tem sapo?
- Não, só gatos. 
- Então vamos lá: pode começar:

"Alvinha e Ulisses passeiam nos telhados quando o assunto começa:

- Ulisses: hoje estou com a minha porção Alvinha.

- Que negócio é esse?

- Estou refletindo as questões mais profundas...

- Agora entendi, isso é a porção Alvinha.

- Comecei! Ulisses: por que no mundo dos humanos tem tanta gente passando fome se a Terra é tão rica e farta?

- Porque os humanos são esquisitos gatinha. Uns repartem a riqueza entre si enquanto outros nada têm.

- Mas o mundo não é para todos?

- Seria, mas a coisa não é bem assim. Uns têm e outros não. E alguns só pensam em si, vivem na ostentação sem reparar que os outros estão completamente desamparados...

- É, um humano jamais será um gato.

- Como assim, Alvinha?

- Enquanto ele é alvo de sua própria ganância, o seu coração jamais será salvo porque jamais será alvo.

- Alvo?

- Sim, cândido, puro, claro como...

- Como uma gata chamada Alvinha...

- Claro!"

 - Rospo, gostei da história. Mas, se tivesse sapo seria melhor.
- Felinos são interessantes, Sapabela.
- Concordo, se todos imitassem os gatos...
- O que está tentando dizer, Sapabela?
- Gatos não fazem jamais o que o dono quer.
- É verdade, mas sapos e humanos não têm dono.
- Ora, Rospo, tudo aquilo que escraviza se torna naturalmente dono do outro. E veja como tem gente escravizada pelo dinheiro.
- É... Alvinha tem uma concorrente..."- pensa o Rospo, enquanto ouve a amiga.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 158

Marciano Vasques

Arte: Daniela Vasques

A PROFESSORA ENGESSADA



Entrou em alta velocidade, atirou longe a mochila e foi logo contando a descoberta, toda ofegante...
- Tia! A minha professora está com gesso! Eu olhei para a perna dela.
- Sua professora está engessada, Amélia?
- Sim, tia, os braços também...
- " Pobre professora, deve ter sofrido um acidente... Amanhã irei visitá-la..." - pensou a Sapabela, enquanto a agitada sobrinha já se punha na mesa para fazer a lição de casa.
- Não quer lanchar primeiro, querida?
- Não, tia. Prefiro fazer logo a lição para ver se sobra um tempinho para brincar. A professora mandou fazer tudo isso de cópia! - disse a pequena, mostrando o livro.

No dia seguinte, lá está a Sapabela com a professora.

- Acho que é imaginação da sua sobrinha. Você sabe, criança de hoje tem muita imaginação, é um horror. Aproveito para dizer que o meu método de alfabetizar é o tradicional, pois não acredito nessa história de construtivismo... O meu planejamento é o mesmo todos os anos...
- É estranho que a pequena Amélia tenha falado do gesso...
- Certamente é uma visão que ela teve...Sabe como são essas crianças de hoje...
- "Uma visão...Sim, uma visão do futuro diante do passado..." - meditou a Sapabela.
- Em casa, quando a pequena chegou.
- Minha querida, você está certa. A sua professora está mesmo engessada.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 157

Marciano Vasques
Arte: Daniela Vasques

A FLOR LILÁS E OS NAMORADOS



- Rospo, feche os olhos...
- Uma flor, Sapabela? Você me ofereceu uma flor?
- Com todo o meu afeto.
- Seu coração me pegou de surpresa.
- É que ele fica assim, meio tímido, escondido, como se estivesse guardado numa caixa de bombons...
- Eu nunca ganhei uma flor, ainda mais lilás. Posso saber o motivo de tanta gentileza?
- Entrei no clima...
- Clima?
- Do dia dos Namorados...
- É verdade! O Dia dos Namorados está justamente no mês do frio...
- Para que todos se lembrem que é preciso aquecer o coração...
- Ainda não entendi, Sapabela. Eu não sou seu namorado. Por que a flor?
- Não tenho namorado atualmente, e lembrei que nós somos enamorados pelas mesmas coisas, quero dizer que há muitas coisas pelas quais somos apaixonados, como a Poesia, a Literatura Infantil... De certa forma, somos namorados da vida...
- Tem razão, e uma flor lilás assim ofertada deixa qualquer um feliz...
- Fico feliz por você ter gostado, e gostaria que todos os namorados encontrassem a felicidade nos gestos simples..., na simplicidade da flor lilás...
- Sapabela, você me mostrou que um coração guardado numa caixa de bombons é capaz de se emocionar, é capaz de coisas incríveis... Graças a você, aprendi que cada um pode viver um sonho...
- Um sonho de valsa, meu amigo...
- Sapabela, essa flor lilás jamais murchará.
- Claro, certas flores jamais murcham...
- Pensava que tudo isso fosse brega...
- Gostar de alguém é brega? Ofertar uma flor lilás é brega? Quem pensa assim precisa evoluir muito, meu amigo...
 - Sapa, aproveitando o momento preciso falar algo...
- Diga, Rospo, pode falar...
- Nada...Nada...Que flor bonita, não é?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -156

Marciano Vasques
Arte de Daniela Vasques

INTRIGÃO NÃO TEM NADA PRA FAZER


Rospo conversa com Intrigão, um sapo conhecido seu.
- Não tenho nada para fazer.
- Não tem?
- Não tenho, Rospo. Nem sei porque acordei cedo hoje.
- Caro Intrigão... Veja só: se não tem um livro para ler, um poema para escrever, um bom filme para assistir, uma boa música para ouvir...
- Nada disso me interessa, Rospo...
- Pois é, se não tem mesmo nada para fazer, que tal ocupar a mente com algo que muitos fazem...
- De que forma? O que poderia eu fazer?
- Reclamar dos outros.
- Que ideia, Rospo! Vou pensar nisso...
- Com a maioria funciona... Ocupa um tempão.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 155
Marciano Vasques


NOVA PALAVRA FIANDEIRA


Está no ar a nova edição de 
PALAVRA FIANDEIRA.

Nesta edição: 

Diretamente de PORTUGAL,
ANA DE ORNELAS

LEIA AQUI

PIPA

PIPA - Baia da Guanabara - Rio de Janeiro

CORUJA


CORUJA - Baia da Guanabara em direção ao Aeroporto Santos Dumont - Rio de Janeiro

GARÇA




Garça - Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro

MONTANHAS DE HISTÓRIAS




FESTIVAL DA SARDINHA


sexta-feira, 23 de julho de 2010

AS MORADAS DO SACI

- Rospo, onde posso encontrar um saci?
- Numa roda de conversa.
- Ainda existe isso? Quase nem tem fogueira, nem varanda...E está todo mundo no computador.
- Mas as rodas de conversa sobrevivem, embora seja quase uma raridade aqui no brejo. Sobrevivem por causa do "Espírito do Saci"...
- Que coisa é essa?
- É a imaginação. A morada do saci.
- Antigamente ele morava na floresta.
- Pois é, o mundo está mudando. Twitter, Orkut, Blogosfera, Facebook...
- Rospo, tem outro lugar onde podemos encontrar o saci...
- É?
- Um livro.
- Pois é, Sapa, a imaginação procura os meios para se preservar...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 154

Marciano Vasques

SAPO CULTIVANDO SONHOS





Rospo, fiquei sabendo que você anda trabalhando muito.
- Pois é, Sapabela. Estou cultivando sonhos.
- Soube que escreve para revistas, envia artigos para periódicos, participa de antologias, e até de concursos...
- Cultivando sonhos...
- Sonhos? Ora, Rospo! Você está trabalhando, e muito, como tem tempo para sonhar?
- Engano seu, Sapabela.
- Estou colecionando enganos.
- Ocorre que estou trabalhando pelo meu sonho. Trabalhar é uma forma de cultivar...
- Quer ser famoso? Qual a vantagem?
- Sapa, não entendo esse negócio de vantagem...
- Deixe pra lá.
- A necessidade não pode ser engaiolada.
- Que necessidade? Do que está falando?
- A necessidade de escrever.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 153

Marciano Vasques



O SAPO E AS FLORES



Rospo recolheu dinheiro entre os amigos para comprar uma coroa de flores para a família de um sapo que falecera.
- É uma família muito pobre Rospo, também quero ajudar.
- Obrigado, Sapabela. Hoje mesmo comprarei a coroa de flores.
- Ele era um sapo muito querido.
- Sim, jamais o esqueceremos. Bem, preciso ir para buscar a coroa.

No dia seguinte:
- Rospo, fiquei sabendo que você não entregou a coroa de flores. E deu o dinheiro para a família, para ajudá-la.
- Pois é, Sapabela. As flores são importantes, preciosas e simbólicas, mas, às vezes os vivos precisam mais do pão.
- Rospo, você sempre me surpreende. Mas, e ele?
- Ele era um sapo que amava muito a família...
- O que você está fazendo?
- Colhendo uma flor para você. A flor da amizade.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 152

Marciano Vasques

O NOVO LUGAR DO SAPO





Lá ia o velho Rospo de sorvete num sol de sábado quando encontrou alguém:

- Sapabela! Estou tão feliz!
- Que ótimo, Rospo! Mas, posso saber o motivo?
- Encontrei um novo lugar. Maravilhoso e encantador.
- Meu amigo, às vezes você exagera. Onde fica esse lugar?
- Eu mostro a você. Quer vir comigo?
- Eu sempre vou...

Depois de caminharem um pouco, chegam ao local.

- Ora, Rospo. Aqui é sua casa, é o seu quintal. Você disse que era um lugar novo...encantador...
- Pois é, Sapa. O lugar mudou.
- Sei o que aconteceu.
- Sim?
- Você espalhou o seu olhar no quintal. O lugar reflete o seu modo de ver. É o seu olhar refletido que produz o encanto.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 151
Marciano Vasques


O MUNDO E OS MUNDOS DO SAPO



- Rospo, sempre o encontro com o seu "Frogblog" ou lendo o "Papiro Atômico" , e às vezes à beira do lago observando a natureza ou escrevendo. Não tem ocupação?
- " Hoje ela está provocativa", pensa o Rospo, enquanto se prepara para responder.
- Ora, Sapa, você citou três das minhas ocupações principais:  com o "Frogblog" comunico-me com o mundo, com o "Papiro Atômico" atualizo-me sobre o mundo, à beira do lago contemplo o mundo e escrevendo o traduzo.
- Mundo? ...Rospo, o mundo é imenso! Não cabe num blog ou num jornal...
- Engano  seu, Sapa...
- Adoro me enganar.
- Engraçadinha. O mundo é feito de mundos.  Em cada sapo há um. É uma infinidade de mundos, um emaranhado. Quando o seu mundo interior está bem, o exterior fica melhor, e cabe sim num blog, no jornal que leio, na música que ouço e na minha escrita...
- Mas o mundo está repleto de injustiças! Disse que o traduz, mas usar a escrita para denunciar as injustiças é tradução?
- Você pode denunciar as injustiças com leveza poética...
- Eu sei.
- Além do mais, é tradução livre. E eu não "uso" a escrita, sou um instrumento dela, um veículo...
- Sim, como acontece com a pintura, com a fotografia...Rospo, realmente você é muito ocupado.
- "Ela é a sapa!"

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 150

Marciano Vasques


EXPOSIÇÃO DE ROBERTO MACHADO ALVES

Local:  Sesc Santa Luzia         Abertura: 28 de julho às 17hs
Visitação: 29 de julho a 27 de agosto  -   Para maiores informações, clique no convite. 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O SAPO E A ARTE DE VIVER



-Tem mais coisas que não fiz do que coisas que fiz.
- Isso é vantagem, Rospo?
- Vantagem? O que é isso?
- É...Deixe pra lá. Você se arrepende das coisas que não fez?
- Se tive as chances, as oportunidades e as condições para fazê-las e não as fiz, muito me arrependo...
- Então, você errou?
- Claro, sou um sapo. Errar é anfíbio.
- Sei. Gostaria de ter uma segunda chance?
- Sapabela, acredite. Para as coisas realmente essenciais não há uma segunda chance.
- Viver então é uma arte?
- É um aprendizado diário.  Se você tiver consciência vive intensamente.
- O que é viver intensamente?
- É compreender as chances, as oportunidades para as realizações e não perdê-las.
- É reduzir os erros e os arrependimentos?
- Arrependimentos são benéficos quando não se tornam castigos mentais.
- Gostei, Rospo, gostei!  Tchau!
-- Não vai dizer Uau! ?
- Uau!
- "Encontrar Sapabela e não conversar é cultivar arrependimento puro."


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 148

Marciano Vasques

quarta-feira, 21 de julho de 2010

DECORAR E APRENDER



- Rospo, quando você era um sapinho aprendia ou decorava?
- Depende. Tem coisas que se decora e tem coisas que se aprende. O que se aprende jamais se esquece.
- Decorar é prejudicial?
- De forma alguma! As coisas decoradas são importantes.
- Mas, o que é decorado pode ser esquecido?
- Depende.
- Explique, por favor, esse "depende".
- Ora, Sapabela. Se você decorar de coração, a coisa pode até se tornar uma decoração em sua vida.
- Uau!
- Sapa, você está corada?
- Estou emocionada, acredite, é de coração.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 147
Marciano Vasques


QUEM É

ROSPO E AS AMIZADES CONSTRUTIVAS



Céu azul, sorvete e conversa para festejar o sábado.
- Rospo, o que é, para você, um amigo?
- É um tesouro, uma preciosidade...
- Uma necessidade?
- Um sapo sem amigos fala sozinho...
- Rospo, podemos magoar um amigo?
- Que pergunta, Sapabela! Lógico que não!  Isto é, depende da mágoa.
- Tem mágoa benéfica?
- De certa forma, sim.
- Dê um exemplo.
- Tenho um amigo que escreve, e sempre que me mostra um texto dele, quer elogios. Mas os seus textos precisam crescer, amadurecer, melhorar...
- Sim?
- Eu sempre sou sincero, e ele sempre se magoa.
- Entendo. Isso é uma mágoa benéfica?
- Sim, pois ele aprendeu a merecer os elogios. A cada dia, trabalha mais os seus textos.
- Compreendo. Amizade autêntica é sempre construtiva.
- Mesmo que tenha "mágoas" no alicerce.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 146

Marciano Vasques


terça-feira, 20 de julho de 2010

SAPO TEM QUE SE PRESERVAR



Rospo e Sapabela passeiam num sorvete de sábado.
- Rospo, jamais se exponha  além do necessário.
- É perigoso, Sapabela?
- É arriscado, meu amigo.
- Diga.
- Ao se expor demasiado, você acaba se revelando integralmente.
- E isso não é bom?
- Não.
- Sempre pensei que fosse.
- Você pode ser transparente sem se expor totalmente.
- No que a exposição pode prejudicar alguém?
- Ao se revelar por inteiro, se torna frágil. Na medida em que o conhecem integralmente, você será facilmente destruído se alguém assim quiser fazê-lo.
- Nossa, Sapabela! É assustador.
- Guarde algo de você para si próprio. Afinal merece ficar com uma porção preciosa sua.
- E você? Não se expõe totalmente?
- Rã já tem seus mistérios naturais, não é, Rospo?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 145

Marciano Vasques


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