segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A TROVA DO DIA

Olho o mar, o céu, a rua.
Vai chegando a tarde ao fim.
O panorama insinua
pôr do sol dentro de mim.
 

SINÉSIO CABRAL

A TROVA DO DIA

Hoje CASA AZUL DA LITERATURA apresenta o seu novo marcador. Uma coluna diária com uma trova, um cantinho de divulgação da trova.
Numa seleção de Maria Thereza Cavalheiro, diariamente a CASA estará apresentando aos seus leitores  e moradores A  TROVA DO DIA.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

ESTA FLOR...

O ADEUS DE MOACIR SCLIAR

O escritor partiu neste domingo.


TROVAS — 34

O teu amor encantado
fez milagres que não viu:
por onde havia passado
todo o caminho floriu.

ANTÔNIO COURI

Seleção de MTC

TROVAS — 33

O orvalho, do céu liberto,
de uma flor se fez amante,
e em seu regaço entreaberto
pôs um límpido brilhante.

AMARYLLIS SCHLOENBACH

Seleção de MTC

TROVAS — 32

É sempre assim a saudade:
luz nas sombras da incerteza,
mal a ferir sem maldade,
pranto a sorrir na tristeza.

FRANCISCO NOGUEIRA

Seleção de MTC

TROVAS — 31

A noiva passa levada
pelas asas do seu véu:
é como estrela enfeitada
para uma festa no céu.

ABGUAR BASTOS

Seleção de MTC

TROVAS — 30

Dou a mão à palmatória
a quem contar a façanha
de ter conquistado glória
vencendo por artimanha.

JOSÉ SIQUARA DA ROCHA


Seleção de MTC

OS LONG PLAYS DE UMA VIDA

— Olhar travesso, lá ia ela numa tarde, que só podia ser de um sábado, quando encontrou o velho amigo Rospo...num sebo...
— Rospo, que faz por aqui? Procurando algum livro?
— Não, Sapabela. Estou olhando as capas dos discos antigos...
— Long Plays?
— Exatamente. E me pus a pensar...
— Sim?
— Você só precisa de doze Long Plays em sua vida. Apenas uma dúzia...
— Tem certeza?
— É um modo de dizer ...
— Sei, você quer dizer que bastariam algumas músicas...
— Isso mesmo, Sapabela. Algumas canções...
— Como bastariam alguns livros...
— Mas a era do Long Play acabou, já passou...
— Sei, veio o CD...
— Não é isso, Sapabela... É algo mais... Acabou, passou a era de um conjunto... Um disco com um conjunto de músicas, isso já passou... Hoje o sapo "consome" apenas uma música... Na verdade, a indústria deveria pensar no disco com apenas uma música, entendeu?
— A internet é a responsável por isso?
— Sem dúvida. Ela mudou o conceito de se ouvir música... Tem sapo que tem arquivo com mil canções...
— Mil?
— Pois é, sei que é uma coisa sem sentido, mas a nossa era está assim, repleta de coisas sem sentido que prevalecem sobre o que seria deveras essencial...
— Como ouvir uma canção com o coração.
— Pois é, em vez de ouvir, o que prevalece é consumir, colecionar, arquivar, ter...
— Mas uma canção está além disso...
— Muito, muito além, mas os sapos não sabem.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 456
Marciano Vasques
Leia também CIANO

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A FESTA DOS AMIGOS

Sábado não tem jeito. A vida explode em luzes de Luna Park, o sorriso de um sapinho viaja nas cores do arco-íris que estão nas bolinhas de sabão, o sol preguiçoso se espalha pelo brejo, e Rospo encontra sua velha amiga Sapabela.
— Rospo!
— Como é bom encontrar uma amiga!
— Às vezes os amigos ficam sem se ver durante um bom tempo...Mas quando se encontram sempre tem a festa...
— Rospo, eu não vejo você desde ontem, mas estamos nos encontrando agora e não estou vendo a festa...
— Ora, Sapabela, claro que está...
— Que festa, Rospo? Não vejo bandeirinhas, não vejo fogos de artifício, não vejo doces nem luzes...
Ora, Sapabela, eu me referia à festa do coração.
— Rospo, isso é verdade. A festa do coração é a festa que brota sempre quando os amigos se encontram...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 455
Marciano Vasques
Leia também CIANO

O SAPO E O PLACEBO

— Sapabela, você costuma dizer que suas roupas não combinam, e que às vezes é meio atrapalhada... Mas é tudo o que mais gosto em você...
— Seus olhos de amigo, tesouros cristalinos em minha vida, Rospo... Mas ligou dizendo que queria falar algo sobre placebo... Bem, aqui estou. Você liga, eu venho correndo... Não se pode deixar um amigo na mão, e essa praça está linda...E o sol irradia toda a imensidão do sábado...Veja aquela rosa! Talvez fira o beija-flor com algum espinho, mas ele sempre será um colibri apaixonado pelas sua pétalas... Ele será sempre o bailarino que irá perambular sobre a rosa...
— Amo a agudeza das suas observações. Bem, devo confessar que esse papo do placebo é o segundo motivo da minha ligação, o primeiro foi o sorvete...
— Rospo, isso você não precisa confessar... A sua ligação já é uma confissão disfarçada. O que mais pode ter de pitoresco e de encantador numa amizade do que um sorvete com uma boa conversa?
— Pois é, vamos ao placebo... Você sabe o que é placebo?
— Sei, e porque quer falar sobre ele?
— Porque quando estive quase a pedir ao governo do brejo uma indenização pelos danos mentais que a televisão com a sua programação causa nos sapos...
— Mas também tem coisas boas na televisão...
— Concordo, mas como o filtro da educação não atingiu a maioria, ocorre que os danos muitas vezes são irreversíveis, principalmente nos sapinhos....
— E o que tem o placebo?
— A televisão às vezes é posta como um remédio para compensar o cansaço e o sofrimento, o desgaste de um dia de trabalho e de insatisfação, então o sapo senta ou deita no sofá, pega o controle remoto e pensa que estará diante de um calmante, uma endorfina... que irá apaziguar o seu cérebro e trazer calma e paz ao seu coração...
— Mas, ocorre que...
— Ocorre que a televisão é um placebo, mas um placebo de efeito contrário...
— Explique...
— Ao invés dela ajeitar a mente do sapo para ele esquecer os problemas e retornar ao novo dia revigorado mentalmente, o placebo de tela o torna mais alienado, e  aí, vai corroendo a sua integridade e a sua saúde mental...
— Nossa, Rospo! Que loucura!
— Pois é.
— E esse livro que está carregando?
— É um antídoto...
— Antídoto para o placebo de tela?
— Para a rotina, para o desgaste mental, para o caos diário, para as perdas...
— Livro é sempre um antídoto?
— Sempre. Contra o veneno do vazio cultural imposto pelos que se convenceram de que o dinheiro tem a força de deformar consciências...

— Chegamos. Já escolheu o seu sabor?


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 454
Marciano Vasques
Leia também CIANO

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO EM BRASÍLIA

TROVAS — 29

Pobreza é não ter um sonho,
não tentar fazer o bem...
Riqueza é tornar risonho
o triste dia de alguém!
 

GISLAINE CANALES



Seleção de MTC

TROVAS - 28

Quisera ser um menino
para rodar meu pião;
soltar balão ao destino,
retendo o tempo na mão...
 

ANTONIO BISPO DOS SANTOS


Seleção MTC

TROVAS — 27

Volto agora à realidade,
depois de tanta bonança...
E as mãos cruéis da saudade
apertam mais a lembrança!
 

MARIA THEREZA CAVALHEIRO


Seleção de MTC

TROVAS — 26

Sempre o que mais me conforta
é cair nos braços dela,
entra o prazer pela porta
e a dor sai pela janela.

JOÃO BATISTA SERRA 

Seleção de MTC 

TROVAS — 25

O Amor, quando é verdadeiro,
não tem peso nem medida:
é maior que o mundo inteiro,
vale mais que a própria vida.

COLOMBINA 

Seleção de MTC 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PEDRAS PRECIOSAS

— Não me supus brinquedo. Ainda não cheguei a tanto... Não tenho vocação para boneca... Eu falo, eu sinto, eu penso...
— Do que está falando, Sapabela?
— Ora, Rospo, já tive um namorado em minha vida, claro...
— Naturalmente...
— E eu reparei que ele queria se divertir comigo, queria apenas me usar para brincar... Um sapo mimado, que desconhece o valor da luta pela vida e a graciosidade de lutar...
— Interessante, Sapabela. Ele só queria brincar?
— Mas eu disse a ele que não havia ainda me imaginando que pudesse ser um brinquedo, que pudesse ser um joguete... Sou uma sapa, e sapa pensa, respira, ama, o coração acelera,  os olhos brilham...
— Ainda bem que mandou esse sapo passear, mas, diga-me: como é a Sapabela? Diga isso em poucas e breves palavras...
— Não precisa temer discursos, Rospo. Sou assim desse jeito: as minhas roupas não combinam, adoro rolar na grama, brinco e amo as crianças, respeito os animais, sofro intensamente se sou enganada, adoro tomar sorvete com um amigo, tenho canções que trago guardadas e protegidas em meu peito, meu coração é quem define o rumo da minha vida...
— Sapabela, que tal...
— Que tal o quê?
— Um sorvete...
— Nem precisa falar duas vezes...
— Sei que demorei um pouco, mas deixe-me falar algo antes do sorvete...
— Claro Rospo, a palavra é a moradia mais sincera do amigo...
— Seu vestidinho lilás está lindo...
— Obrigado, Rospo.
— Uns almejam topazio, outros safira, alguns esmeralda... Mas eu almejo a sua amizade... que é a minha pedra preciosa...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 453
Marciano Vasques
Leia também CIANO

ARTE QUE SE DIZ ARTE

Marciano Vasques
  

ARTE QUE SE DIZ ARTE
 
 

Que distância pressinto na relação estética para com a vida no cotidiano!

A arte e a cultura estão distantes sem ao menos se darem conta de que faz parte da vida a busca pela estética, pela arte.

TROVAS — 24

Benditas mãos caridosas,
com que aconchegas e afagas!
Tirando espinhos às rosas,
vão curando as próprias chagas!...
 


EMÍLIA PEÑALBA ESTEVES

Seleção MTC

TROVAS — 23

Não me fascina o dinheiro,
nobreza não me seduz.
Um humilde carpinteiro
foi também pai de Jesus.
 

JOSÉ NOGUEIRA DA COSTA

Seleção de MTC

TROVAS — 22

Adoro a vida dos pagos:
os cavalos em tropilhas
e o verde buscando afagos
no ondulado das coxilhas!
 

DELCY CANALLES

Seleção de MTC

TROVAS — 21

Quanto mais rápido passa
o tempo a mim concedido,
mais grato eu sou pela graça
de cada instante vivido!

A. A. DE ASSIS

Seleção de MTC

O LIVRO E O ÚNICO LEITOR

— À sombra de um sabugueiro, lá estava o Rospo lendo um livro, quando, flor amarela na mão e vestidinho lilás, surgiu a Sapabela.
— Rospo!
— Sapabela! Que alegria!
— Está lendo esse livro novamente?
— Não, Sapabela, engano seu...
— Sou especialista nisso.
— Nisso o quê?
— Em me enganar.
— Não me faça rir, Sapabela! Ou melhor, Faça-me rir. Afinal, é para isso que existem os amigos, para sempre retornarem devolvendo aquela velha alegria...
— Fico emocionada com as suas palavras, mas, disse que me enganei. Tenho certeza de que não, pois já o vi lendo esse livro uma vez...E foi aqui, à beira do lago sob esse frondoso sabugueiro...
— Um livro nunca encontra o mesmo leitor duas vezes, isto é, ele, cada vez que é aberto, encontra um novo leitor...
— Estou começando a entender.
— Incrível a sua ligeireza...
— O livro transforma o leitor, que depois segue pela vida transformando-se a cada novo dia, a cada nova experiência...Isso me faz lembrar Heráclito...
— Pois é, quando um leitor retorna ao livro, ele é um novo leitor, pois retorna com o olhar modificado, ampliado...
— Sim, é verdade, o livro tem esse privilégio de ser lido apenas uma vez por um determinado leitor... Que maravilha! É maravilhoso cada nova descoberta...
— Sim, Sapabela, cada nova descoberta é um brinde de felicidade pela vida, por isso as crianças se apossam de nossas almas, pois ela vivem em permanente estado de descobertas.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 452
Marciano Vasques
Leia em CIANO

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

NOVA PALAVRA FIANDEIRA

NO AR, 
NOVA EDIÇÃO DE 
PALAVRA FIANDEIRA
COM ROCÍO L' AMAR

Leia AQUI

TROVAS — 20

João-de-barro miudinho,
que mestre da segurança!
Nem furacão destrói ninho,
feito de amor e esperança...
 

KLEBER LEITE

Seleção (MTC)

TROVAS — 19

Andando dias a fio,
debaixo de um sol ardente,
encontro a sombra e avalio
quanto vale uma semente.
 


NEIDE ROCHA PORTUGAL

Seleção  ( MTC )

TROVAS — 18

Chove chove, chuva amiga,
Chove sobre a plantação...
Multiplica o fruto e a espiga,
dá mais vida e força ao chão!
 

JORGE FREGADOLLI

Seleção (MTC)

TROVAS — 17

Mesmo eterno, o tempo some...
E o poema é só um lume.
Vai-se o homem, fica o nome,
morre a flor, fica o perfume.
 

MIGUEL MALTY

Seleção (MTC)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O ESPÍRITO E O TEMPO

— Nem consumado nem consumido...
— Do que está falando, meu querido?...
— Que, se o cansaço chegar, será apenas do corpo, mas nunca da alma...
— Eu entendo, conheço o seu espírito. Já o encontrei por aí...
— Que coisa encontrou?
— O seu espírito... Ele velejava na ventania, e trazia o tempo, e a poesia dos séculos... Angariava tempestades e percorria todos os ais, desde os vendavais aos mais inquietantes temporais... Eu o vi na ciranda dos sapos, nas festas e nas frestas de cada dor... e no cais.
— Sapabela... Pare!
— Eu o vi no rosto de cada criança, em cada sorriso matinal, num ocaso dourado, num crepúsculo de girassóis, eu o persegui por entre as folhagens, nos riachos e na azulada cordilheira pincelada de guache na silhueta do horizonte... Eu fui mais longe, fui com ele como se fôssemos sonhos alados, e estivéssemos em cada verso, em cada querer... Assim é o seu espírito...
— Sapabela, eu diria que você me emociona, mas não sou tudo isso...
— O meu coração disse ao vento que passava: Vento, o que procuras?
— E então?
— Ele respondeu num assovio: "Procuro alcançar o espírito do Rospo!"
— Tudo bem, não liguem, ela é minha amiga.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 451

Marciano Vasques
Leia em CIANO

NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

AVISO AOS PROFESSORES E AOS PAIS

Caros professores, caros pais:
Calma!
CASA AZUL DA LITERATURA não quis causar correria nem tumulto.
Não precisam correr aos cinemas. O CAMINHO DAS GAIVOTAS só estreia no Brasil em Junho.
Obrigado.
Um abraço azul

O SAPO CONSERVADOR

— Rospo! Ouvi dizer que você é um conservador...
— Sim, o mais progressista de todos...
— Fale sobre isso...
— Que lindo vestidinho!... Lilás. A vida é maravilhosa...
— Fale sobre isso...
— Lindo mesmo... E o detalhe são as flores de um lilás um pouquinho mais realçado... Que dão um tom de cinema, de luz de Lunar Park, de conversa à luz de velas...de...
— Fale sobre isso...
— Sobre o seu vestidinho?
— Não! Sobre isso você já fala direto!
— É que a vida tem esse lado maravilhoso... Por isso temos que ser diariamente girassóis... Estarmos com nossa alma voltada para esse lado...
— Nossa, Rospo! Um "vestidinho" merece todo esse discurso?!...
— Um sapo que sabe apreciar um jardim, também sabe apreciar um vestidinho lilás..
— Sei, mas fale sobre aquilo, que já nem é "isso", ficou mais pra lá, virou "aquilo"...
— Aquilo o quê?
— Sobre você ser conservador...
— Adoro preservar, conservar tudo o que merece ser conservado, na memória, no tempo e no coração... Como as imagens de um filme inesquecível, um livro, os traços de uma HQ, o azul de um guarda-chuva, o rosto de um amigo, ou uma amiga, uma caminhada ao sol, uma pintura, uma manhã de chuva fina na vidraça...
— Sei, sei, e um vestidinho lilás... Sei que é um conservador que ama conservar o lado bom das coisas que merecem memória e coração, mas, veja só, e quando um dirigente de um partido acusa um jornal de conservador quando o jornal abre denúncias sobre irregularidades e desvio de verbas?...
— Isso é comum aqui no brejo, Sapabela... Quando um político ou um partido político, como está acontecendo agora com o Partido Comum do Brejo..., é normal isso. O partido, ou o político, ataca a imprensa, tenta desqualificar o jornal, tenta ofender e chamar de conservadora e até reacionária a imprensa que cumpre apenas a sua função, a de informar os sapos sobre tudo...
— Então?
— Que "então" é esse?
— Sobre o jornal ser acusado de conservador por um partido ou um dirigente partidário que teve as coisas obscuras reveladas...
— Sapabela, nada tenho a ver com a conotação política que militantes de mentes limitantes têm a dizer sobre tal palavra. Eu sou conservador de conservar o que é belo e construtivo da estética e da alma dos sapos e das sapas..

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 450
Marciano Vasques
Leia também CIANO

O CAMINHO DAS GAIVOTAS

Solidão e abandono das crianças diante da tela da televisão? Eis algo bem contemporâneo. E no cinema, "O CAMINHO DAS GAIVOTAS"...

O CAMINHO DAS GAIVOTAS

CASA AZUL DA LITERATURA diz:

"Professores! Pais! Tem um novo cinema para as crianças. E trata da solidão delas diante da Televisão, e resgata o contador de histórias. Vamos?"

O CAMINHO DAS GAIVOTAS

O CAMINHO DAS GAIVOTAS

TROVAS — 16

O tempo passou por mim
como se fora uma lança.
Levou tudo, mesmo assim,
deixou em mim a criança!
 


 SILVÉRIO DA COSTA


Seleção MTC

TROVAS — 15

Nos embates desta vida,
quando a aflição nos encara,
do amigo, a mão estendida
é força que nos ampara.
 

ANGÉLICA VILLELA SANTOS



Seleção MTC

TROVAS — 14

Via Láctea, que te espalhas
pelo céu, algo me diz
que és poeira das sandálias
de São Francisco de Assis.


DIAS MONTEIRO



Seleção MTC

TROVAS — 13

As borboletas, são elas,
de asas leves, multicores,
pequeninas caravelas
das quais, os portos, são flores...
 

ORLANDO BRITO

Seleção MTC

O SAPO E OS BLOGS

— Rospo!
— Olá!
— Soube que está muito feliz com o seu blog...
— Sim, Sapabela. Ele foi até destaque no "Papiro Atômico"...
— Que coisa boa! Ser notícia no Jornal do Nosso Brejo...
— Um presente...
— Mas fiquei curiosa com algo...
— O quê?
— Você deveria seguir blogs de escritores, de poetas...
— Eu faço isso.
— Mas segue blog de cozinha, de beleza, de...
— Ora, Sapabela, que visão mais curta...
— Explique-me.
— Os blogs que eu sigo são todos importantes para a Literatura...
— É?
— Claro! Já ouviu falar que o livro é para todos?
— Sim.
— E quem disse a você que um cabeleireiro, por exemplo, não pode gostar de ler? Não pode gostar de Poesia?
— Eu sei, Rospo... Estava só provocando...Além do mais, ao descrever um arco com a sua paixão pela literatura, todos os corações devem estar ao seu alcance...
— Nós vivemos não apenas ao redor do mundo, mas nele, acredite, o que mais tem são sapos e sapas fascinantes...
— Concordo, e quem tem um blog já está no caminho da fascinação...Mas isso também é uma visão pura e romântica...
— Sim, mas uma visão assim é no fundo consciente... Apenas precisa destacar a imensa ciranda de sapos e sapas que têm o coração feito em blog...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 449
Marciano Vasques
Leia também CIANO

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

TROVAS — 12

Sendo o fim de longa espera
sabendo que sou teu dono,
voltou a ser primavera
em minha vida de outono...
 

GILVAN CARNEIRO DA CUNHA


SELEÇÃO DE TROVAS (por MTC)


TROVAS — 11

Seguindo-as pelo infinito
e sem poder entendê-las,
nosso olhar passeia aflito,
mas se encontra nas estrelas!


MARIA THEREZA CAVALHEIRO


SELEÇÃO DE TROVAS (por MTC)


TROVAS — 10

Saudade, de quando em quando,
provoca mágoas e dores,
pois vai de amores matando
quem vive lembrando amores...


MÁRIO BARRETO FRANÇA
 
SELEÇÃO DE TROVAS (por MTC)
 
SELEÇÃO DE TROVAS (por MTC)

TROVAS — 9

No mundo do desamor,
ao poeta, nada importa,
se na saudade e na dor
a inspiração o conforta.

FILEMON F. MARTINS


SELEÇÃO DE TROVAS (por MTC)

E ASSIM TUDO COMEÇOU...

CONNIE FRANCIS - LA PALOMA

LA PALOMA

YO VENDO UNOS OJOS NEGROS

O TESOURO

Na brandura de um ocaso, dois amigos calçada afora dedilham assuntos...
— Rospo, brincou muito de caça ao tesouro quando era um "Rospinho"?
— Algumas vezes, Sapabela. E até cheguei a acreditar no pote de ouro na ponta do arco-íris...
— E encontrou, pelo menos uma vez?
— Encontrou o quê?
— Um tesouro.
— Encontrei.
— Conte-me.
— O mais rico, o mais precioso, o maior deles.
— Que tesouro será esse, Rospo?
— Nenhuma fortuna se iguala a ele...
— Que tesouro é esse, Rospo?
— Pude visitar reinos, viver as emoções de grandes amores, estar no centro de colossais batalhas...
— Que tesouro é esse, Rospo?
— E ele ainda está comigo... Desde a infância eu o carreguei comigo, e ele transformou a minha infância num turbilhão de aventuras, em efusivas explosões de sentimentos, em viagens extraordinárias...
— Já sei, Rospo, já sei...
— Já sabe o quê?
— Esse tesouro, do qual fala com tanto ardor, é a leitura...
— Acertou, Sapabela.
— Claro! Eu li nos seus gestos, nas suas expressões, no seu entusiasmo, na sua súbita felicidade...


 HISTÓRIAS DO ROSPO 2011  —  448

Marciano Vasques
Leia também em CIANO

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ANSIEDADE

A GRANDE ALIADA

— Você tem que ser ética sempre, Sapabela. Profundamente ética, pura, genuína...
— Eu sei.
— Mesmo que encontre alguém por quem vá se apaixonar e entregar o seu coração de sapa...
— Eu sei.
— E vá oferecer a esse alguém o mais sublime, o maior símbolo de confiança...
 — Qual, Rospo?
— Dormir ao lado desse alguém...
— Sim, farei isso um dia...
— E mesmo que com o passar do tempo, através dos anos, esse alguém não pareça tão ético aos seus olhos...
— A convivência vai revelando o outro...
— Mesmo assim, você tem o compromisso com si mesma...
— Qual, Rospo?
— Continue sempre a mesma: pura, ética, autêntica, transparente, verdadeira...
— Compreendo... Mas...
É difícil encontrar alguém certo para o amor, Rospo...
— O amor solicita uma grande aliada, Sapabela, e só ela poderá definir se ele, o amor,  irá se desbotar ou se fortalecer...
— E a que aliada é essa, Rospo?
— A única. É intransferível.
— Quem é ela, Rospo?
— A convivência.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 447
Marciano Vasques
Leia em CIANO

SAPO CAMPEÃO FUMANDO

— Rospo! Eu vi! Eu vi o jogador de futebol fumando!
— Viu o atleta fumando?
— Vi.
— Onde?
— Numa festa.
— Você esteve lá?
— Não! Eu vi pela TV...
— Ora, Sapabela. Ele acabou de se aposentar...
— Rospo, no imaginário das crianças e dos sapos jovens ele ainda é um sapo campeão...
— Um fenômeno...
— Pois é.
— Sapabela, fumar é uma questão de fórum íntimo...
— Questão de fórum íntimo é a Religião, Rospo...
— Entendo a sua "raiva"...Mas cada um faz o que quer da sua vida.
— Mas quando você se torna uma figura pública, um ídolo, você perde esse direito. Não o direito de fazer a besteira que quiser, mas o direito de fazê-la publicamente.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 446
Marciano Vasques
Leia em CIANO

O GRANDE ARTISTA

— Cada sapo é um ator na bonança ou na ventania. O que traz o espírito da dor traz também a alegria...
— Do que está falando, Rospo?
— Do grande artista que nos pinta numa tela infinita...
— Que artista é esse?
— Está vendo aquele musgo na pedra?
— Sim, é uma pedra enorme, e tem muito musgo...E o que isso quer dizer?
— Que o musgo está lá...
— Claro. E a pedra também...
— Pois é.
— Pois é, o quê?
— O musgo se agarrou na pedra, e vai cobri-la...
— Ela não se importa...
— Naturalmente. Pois é uma pedra.
— Então...
— Então, que não somos pedras. Não estamos parados, imóveis. Estamos acompanhando o grande movimento sincronizado do universo...
— Que artista é esse?
— Artista?
— Você que falou.
— Ah!, é o tempo.
— O tempo é o grande artista que nos pinta numa tela infinita, vai tracejando o nosso rosto com pedrinhas de brilhantes que são os refúgios das estrelas, e plantando sulcos, e cravando rugas em nossa face... Espelhando a nossa alma em cada dizer, em cada gesto, em cada querer...
— E não se esqueça...
— ?
— O que traz o espírito da dor traz também a alegria...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 445

Marciano Vasques
Leia também em CIANO

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