terça-feira, 31 de maio de 2011

TUDO É RELATIVO?

— Sapabela!
— Rospo!
— Já se vão três décadas que desconfio desse tal relativismo. Na realidade, nunca aceitei isso...
— Quando esse vento escapou pelos muros acadêmicos e atingiu as periferias, trazia uma novidade, não é?
— Que eu não acatei. Veja só, o relativismo nos trouxe a esse mundo, tão confuso e de questionáveis valores.       
— Rospo, não acha que esse assunto é muito complexo para uma história infantil?...
— Curiosamente, até dá um livro infantil, uma boa história... Mas é verdade, Sapabela. Tudo passou a ser relativo, e veja que agora o Ministério da Educação do brejo, por exemplo... Diz que a norma culta é fator de discriminação, então o segredo, a grande mágica, é nivelar por baixo... Em vez de elevar o aluno para o domínio da Norma Culta da Língua, é melhor que cada um de nós sejamos desestimulados... Entendeu? Afinal, se tudo é relativo,vamos também relativizar o idioma...
— Relativismo é algo perigoso, não é?
— De extremo perigo... Ora veja, é fácil o relativismo desembocar no autoritarismo... Como você relativiza as verdades, que existem sim, e ao mesmo relativiza o mundo, o outro, então alguns, os que detém o poder político, que é apenas uma das ramificações do poder, esses alguns se tornam detentores da verdade, mas a verdade que se impõe, a verdade que é a deles... Parece complicado, mas é simples....
— A renúncia ao dever de ensinar, que seria uma prerrogativa do Ministério da Educação do brejo, é um dos sintomas do tempo que o relativismo fez...Foram anos de "tudo é relativo", e agora estamos nesse desastre... Eis que, até o idioma, a Língua, que é a paixão, o namoro, o amor, o tesouro de um povo, até ela, a Língua, sofrerá esse açoite... do relativizar...
— Quero conversar mais sobre isso...
— Sim, eu também, pois afinal, quando a verdade das coisas que são, a realidade do mundo, da verdade, ameaça ser substituída por uma visão de mundo totalmente pautada por critérios políticos, beiramos ao mais terrível dos governos autoritários, que é o governo das consciências relativas...
— Nossa, Rospo! Isso é tão profundo assim?
— Sapabela, a negação da verdade, pois ela existe sim... Somos feitos de verdades e cada verdade espelha o mundo, o mundo de cada um, que é feito de realidades, o mundo que é o outro, que é o mundo no qual me movimento, e aí nascem as verdades, pois é o mundo uma inesgotável fonte de verdades a tal ponto que não podem ser relativizadas. Quando a negação da existência da " verdade" é imposta, corremos sim um grave perigo.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 593
Marciano Vasques

Leia em CIANO

domingo, 29 de maio de 2011

WALK THE LINE

ANDANDO NA LINHA

Sapabela passeia de domingo quando avista o velho amigo.
— O que está fazendo, Rospo, olhando para o alto?
— Tentando localizar um amigo meu que foi para o espaço...
— Já sei, a namorada dele cansou.
— Como soube?
— Intuição. Uma coisa que só as sapas têm. Por viverem num mundo opressivo para elas, desenvolveram essa habilidade, isso é um sentido que você só encontra nas fêmeas. Ficou com inveja?
— Ora, Sapabela. Deixe de zombar de mim...
— Você nunca fez isso com ninguém, não é, Rospo? Nem com o seu amigo que foi para o espaço?
— É brincadeira sem maldade...
— Tenho uma intuição de que seja, mas, quando eu tiver um namorado, ele terá que andar na linha.
— Andar na linha? Walk the Line? Adoro!
— Eu também gosto de Johnny Cash...
— Como você é esperta!...
— Para uma sapa?
— Não! Justamente por ser uma sapa.
— Mesmo quando desliza você alisa o meu ego...
— Quando somos meninos pensamos cada coisa! Eu, quando era um sapinho, queria subir pela linha da pipa e chegar ao azul e às nuvens... Sempre me imaginei andando na linha e quando chegava na pandorga...eu era o rei, o rei do maior azul... Uma vez num entardecer de verde oliva lá estava eu de braços abertos e a pandorga me levava na viagem da valsa do vento...
— Rospo, você me faz muito feliz com a sua amizade... Mas agora me diga, eu estou bem de domingo?
— Está linda! Seu vestidinho é a coisa mais lilás que já vi...
— Sempre começa pelo vestidinho...
— Mas eu vou andando na linha e chego aos brincos.... Ao batom...
— Você não toma jeito, meu querido.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 592
Marciano Vasques

Leia em CIANO

HOMENAGEM

A DAMA DO PALCO

ELA VEM AO BRASIL

CASA AZUL DA LITERATURA
tem um carinho especial pelas atrizes.







"Felicidade permanente seria um tédio" 
Catherine Deneuve

sábado, 28 de maio de 2011

ÉBANO

PÁSSARO

JULIANA

VIDA MARVADA

NETUNO

FONTE DE NETUNO, na Praça das Virgens, em Valência, Espanha — 
Autoria: Montserrat

A CANTORA

MONTSERRAT

Montserrat,
Uma das primeiras leitoras e moradoras de 
CASA AZUL DA LITERATURA
Amiga além do Atlântico, da família Vasques

MUSEU DO IPIRANGA

MUSEU DO IPIRANGA

PINACOTECA DO ESTADO


PINACOTECA DO ESTADO
Endereço: Largo General Osório, 66 - Luz - São Paulo-SP 
http://www.pinacoteca.org.br

Adriana Partimpim -- Ciranda da Bailarina

CIRANDA DA BAILARINA

SAPOS DE ADEUSES

Rospo encontra o amigo...
— Rospo, por favor... Sem gozação...
— Fique em paz. Sei o quanto é triste ser arrancado do coração de alguém... Lá, você estava hospedado... Viva feliz e encontrava o seu seguro cais... Então, repentinamente você foi despejado... O inquilino amado foi retirado, extirpado... E o coração ficou vazio, sem você...
— É triste, Rospo, é por demais dolorido... Nem imagina o quanto é duro um Adeus, que chega assim do nada, de repente,
— Quisera assim fosse, mas não é... Bem sabe que não é. O Adeus não nasce assim num determinado momento, como se fosse uma fatalidade, um acontecimento inesperado, um fulgor repentino... O Adeus não nasce num estalo...
— Do que está falando, Rospo?
— Lembrei de uma conversa que tive com a Sapabela...
— Mas quero entender...
— O Adeus nasceu bem antes, muito antes... Ele apenas se manifestou em sua conclusão... O Adeus é feito de fragmentos, de momentos... MIlhares de momentos, às vezes. Ele tem uma história, repleta de descasos, desatenções, maltratos, omissões...
— Omissões?
— Sim, omissões. Quando você ver o seu amor com os olhos tristes e sombrios, aguados de lágrimas furtivas, e nada faz, nenhum sorriso atenuante que seja, nem uma pausa no olhar metálico...
— Metálico?
— Exatamente. Diante de um olhar dilacerado, triste... desamparado, quando você nem se toca, e abandona o seu amor à deriva no emaranhado do cotidiano, e se acostuma com desprezos, desatenções... Você está, mesmo sem saber, dando forma ao Adeus, modelando o Adeus, alimentando, nutrindo, abastecendo, e quando se der conta será tarde demais, o Adeus já é algo real, consistente... E você nada poderá fazer... Talvez ir para o espaço...
— Rospo, estão o Adeus dela começou faz tempo?
— Exatamente, isso mesmo! A rotina dos descasos é o alojamento do Adeus, é a porta de entrada... Quando você estava no aconchego, na balsa do amor, no melhor tom, você se descuidou, nem ao acaso reparou que o seu alguém pudesse estar sofrendo por algum motivo, e fez-se de surdo aos chamamentos da alma, do coração...
— Rospo, aprendi a lição, embora seja tarde, aprendi...
— Você não refaz um décimo de amor depois de um Adeus, porque o coração dela, da sapa, é assim mesmo... Um Adeus só vem depois de muito sofrimento e desilusão... E nada poderá ser refeito... Que a lição possa ajudá-lo a tratar melhor os que dependem do seu amor...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 591
Marciano Vasques
Leia em CIANO

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CHIQUINHA

Ô Abre Alas

FLOR BELA

CLARICE

AISHA

Afegã mutilada por desobedecer o marido, símbolo da opressão contra as mulheres.

Foto: Jodi Bibier

PAGU

VIDAS MULHERES

O marcador ROSTOS inspirou esse novo marcador, intitulado VIDAS MULHERES, que tentará retratar apenas através de imagens a dor, o sofrimento, a alegria, a luta, a jornada de vidas femininas, que contribuíram de alguma forma  com  as mudanças de paradigmas de uma sociedade e edificaram  rumos para o olhar. Serão fotos, encontradas no espaço virtual, que obviamente dificultam o imediato crédito de autoria, porém, naturalmente, aguarda a colaboração dos leitores, para que sejam indicados os autores de tais imagens.
Independente do fato de que todas as imagens representem um momento que precisa ser registrado na memória dos povos... A presença dos rostos dessas mulheres certamente traduzirá, um pouco que seja, a longa jornada de coloridos, de dores, e de opressão. No cenário do coração e da memória sincera e azul, todas terão importãncia com seus olhares, seus sorrisos e seus rostos marcados.
Cada postagem terá um título, mas sob as imagens não haverá texto, apenas possivelmente uma legenda.
Espero que em sua simplicidade esse marcador possa fornecer subsídios para um estudo e uma pesquisa futura sobre a trajetória, a poesia e muitas vezes a tragédia do feminino nos últimos tempos através das imagens, ou seja, através da fotografia. Finalmente, o marcador contemplará artistas, poetas, militantes, guerreiras, tudo o que traduz as "vidas mulheres" no mundo.
Marciano Vasques

QUEM AFINAL ARRANCOU O SAPO?

Rospo encontra o seu velho amigo que levara um fora.
— Rospo, como vai?
— Uai! Ainda não foi para o espaço?
— Ora, Rospo, pare de brincar... Veja o que aconteceu comigo... Fui brincar na hora inadequada e perdi o meu amor...
— Como é fácil perder um amor!
— Amores morrem, meu amigo...
— O que aconteceu?
— Ela disse que estava me arrancando do coração dela.
— E foi fácil?
— Foi, Rospo. ela me arrancou do seu coração...
 É, vivia dizendo que eu era a alegria dela, mas então ficou chateada e furiosa... E decidiu me arrancar assim do coração dela... Não sabia que era dessa forma...
— Ora, meu amigo... Tem um segredo aí, um detalhe...
— Qual, Rospo? Qual?
— Isso é o que eu posso chamar de uma curiosidade sapabélica...
— Do que está falando, Rospo?
— Nada, nada. Mas deixe-me contar o que realmente aconteceu...
—Quero ouvir, quem sabe poderei me consolar...
— Ela não arrancou você do coração dela. Uma sapa não faz isso...
— Então?
— As raízes do amor no coração de uma sapa são profundamente fincadas, não podem ser extraídas assim sem mais nem menos,,, Não podem ser arrancadas por ela. Geralmente ela não tem forças para tal. Pois seu amor é especificamente forte de nutrientes e de sinceridade...
— Mas ela arrancou! Ele me arrancou do coração dela!
— Engano seu.
— Ora, Rospo...
— Ora mesmo. Quem arrancou você do coração dela foi você mesmo. Você que forneceu a ela a força necessária.
— Mas eu não fiz nada!
— Exatamente. Por não ter se dado conta das tolices e indelicadezas que fez, é que não percebeu que estava arrancando a si mesmo do coração dela...
— Rospo, você me arrasou!
— Você teve uma opção, mas preferiu ficar no brejo...
— Que opção?
— O espaço.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 590
Marciano Vasques
Leia CIANO

O ZELO LÚDICO

Rospo e Sapabela passam diante de uma escola...
— Como são altos os muros!
— É o espírito da época, Sapabela...E assim também os sapinhos crescem aprendendo... a conviver com muros...
— Estive pensando uma coisa...
— Diga, minha querida...
— Educar um sapinho é incendiar um mundo...
— Certamente... E para causar esse incêndio o educador tem que expandir o seu olhar... da alma...
— Sim, além de educar a dor, para a dor do mundo, tem que se mover num trânsito que o leve para o mundo da alegria, da magia e do belo...
— Tem algo que não deve faltar na Educação...
— Diga o que é, Rospo.
— O zelo...
— Certamente, sem zelo pelo aprendizado do sapinho, pelo conteúdo pedagógico...
— Mais além, Sapabela... Mais além...
— Então diga... Por favor.
— O zelo lúdico... O zelo lúdico...
— Que bonito, Rospo! Nem sabia que isso existia...
— Até a alegria deve ser ensinada...
— Mas o sapinho já nasce com a alegria no coração...
— Sim, mas ensinar a partilhar a alegria é um dom...
— Entendo, e o educador não pode se ausentar dessa sua condição maior... Ele deve zelar pelo lúdico... O tal zelo lúdico realmente existe e é necessário...
— Naturalmente. O zelo lúdico deve acompanhar as primeiras garatujas, os primeiros contornos, e quando o olhar pousar nas páginas de um primeiro livro,  esse olhar deverá ser lambuzado de cores, então, no contato com o sapinho, o educador não deverá se emaranhar nas apostilas desprovidas do lúdico... Pois o zelo para com o desabrochar da leitura está além delas.



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 589
Marciano Vasques
Leia CIANO

CONTADORES DE HISTÓRIAS EM CUBATÃO

quinta-feira, 26 de maio de 2011

VÁ PARA O ESPAÇO

Rospo encontra um amigo cabisbaixo.
— O que houve? Está triste?
— MInha namorante está brava e me mandou para o espaço...
— É mesmo? E ainda não foi?
— Pare com isso, Rospo! Nem imagina como as sapas às vezes ficam bravas sem motivo aparente...
— Concordo. Veja você, é um sapo tão bonzinho...
— Ora, Rospo, sinto que está debochando...
—Ora, amigo, tudo depende do estado de ânimo, do espírito do momento. Às vezes, a mesma sapa que diz que o adora porque você a diverte com o seu humor e com as suas brincadeiras, noutro momento pode ficar brava e considerar deboche qualquer manifestação sua intencionalmente divertida... É complexo.
— E o que faço?
— Eu sei, o espaço é muito longe. Mas lembre-se: no mundo, tem espaço para todos...
— Ora, Rospo, você está se divertindo comigo... O que eu faço? Diga! Você sempre diz tudo...
— Por que você não a leva?
— Como é?
— Ora, se ela o mandou para o espaço, leve-a junto...Vão os dois para o espaço...Garanto que sua namorante fará concorrência com o brilho das estrelas...
— Será? Mas como eu faço isso?
— Se ao menos o seu coração fosse a espaçonave...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 588
Marciano Vasques
Leia CIANO

MAS EU LIGUEI!

Na cadência do dia lá vai a Sapabela quando encontra uma velha amiga, que, por hábito, já chega reclamando.
— Você não responde as minhas mensagens no site de relacionamentos... Eu mando direto, mas você nunca responde...
— Outro dia, Colibrã, eu liguei para você...
— O que tem uma coisa a ver com a outra?
 — Só para ouvir a sua voz... Saudades do seu timbre...
— Mas não responde as minhas mensagens...
— Recentemente quis me encontrar com você, para tomarmos um sorvete e atualizarmos a conversa...
— Não tive tempo, Sapabela. Ando muito ocupada...
— Mas fica teclando e teclando... E mandando mensagens...
— Que você não se dá ao luxo de responder...
— Talvez eu não me dê mesmo ao luxo, talvez tenha preferência pelo simples...
— Ora, Sapabela, mando mensagens com aplicativos, com enfeites, com bonequinhos...
— Ora digo eu, se eu responder às mensagens que me envia com tanto entusiasmo, sei que estarei fazendo um bem imenso para o seu ego... Sei que se respondesse você iria ficar satisfeita, pois manda os bonequinhos e outras coisinhas bonitinhas, e espera que eu responda sempre... Mas foi tão bom ouvir a sua voz naquele dia em que liguei... Que tal se saíssemos um pouquinho hoje? Um sorvete, uma conversa...
— Está chuviscando...
— Por isso mesmo.
— Sapabela. Ando mesmo ocupada... Mas responda as minhas mensagens que mando com flores, com bonequinhos, e assim iremos conversando....
— Vai esperando, vai esperando...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 587
Marciano Vasques
Leia CIANO

quarta-feira, 25 de maio de 2011

MARTINHA CANTA

NUMA NOITE DE LUAR

Outono enluarado só promove encontros entre amigos, e na praça mais praça do brejo, estão duas almas de poesia numa conversa de esticar varal...
— Sapabela, fale um pouco de você, por favor.
— Quer que eu fale um pouco de mim?
— Sim, conhecer um pouco mais do amigo é aprofundar tesouros...
— Sou simples, Rospo, e às vezes me sinto uma miosótis... E tenho boca de alfenim, alma que almeja e por isso se estende nos cordeis da vida... Se às vezes fico brava, olho ao redor e procuro, mas já é tarde, a raiva passou, mas na luta pelos meus direitos sou brava...
— Continue...  Quero ouvir mais...
— Esse sapo não existe!
— O que disse?
— Nada, pensei alto. Rospo, não tenho muito o que dizer. Como sabe, sou meio atrapalhada, minhas roupas não combinam, mas meu coração combina com as flores, tem noite que olho estrelas e cato sonhos piscantes, pirilampos da imensidão... Como já reparou, adoro vestidinhos...
— O olhar do sapo é direcionado, minha cara. E cá entre nós, os seus vestidinhos são imperdíveis...
— Adoro ler... Principalmente romances, ou seja, livros que nunca acabam em nossa memória... Amo amar, e brincar com sapinhos, às vezes quero até correr na ventania, chegar primeiro ao fim do arco-íris... 
— Você é fascinante...
— Sou acima de tudo fiel, aos meus princípios, à poesia, às amizades...
— Você é uma amiga especial... Vamos tomar um sorvete?
— Já estou lá!
— Sapabela, qual é o segredo da felicidade?
— Estar aqui, estar ao mesmo tempo que o mundo... esbaldar-se de mundo, ser apenas o que você é, e compreender que jamais deverá ofender as suas asas, caso o voo seja adiado.
— Que noite de luar! Esse luar que sobre mim derrama as palavras de uma amiga... Isso não tem preço, não é?
— Não tem, Rospo, nunca teve... Quem não reparou ficou sozinho olhando o trem sumir no horizonte.



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 586
Marciano Vasques
Leia CIANO

MEMÓRIA DAS ANDANÇAS

O CIO DA TERRA

terça-feira, 24 de maio de 2011

VALEU, PROFESSOR!

ORQUESTRA JOVEM DE SÃO CAETANO

AMARRAÇÃO DE AMOR

Sapabela na calçada quando encontra um velho amigo defronte a uma tenda.
— Rospo!
— Sapabela! Veja só que curioso. Taróloga, búzios, cartas, cartomante... Ela faz "Amarração de amor"...
— Eu também faço, Rospo...
— Do que está falando?
— É simples e fácil, isto é, é um pouco difícil. Quer a receita?
— Quero!
— Por acaso, quer "amarrar" alguma sapa em seu coração?
— Não! Mas penso que devemos conhecer um pouco de tudo.
— Engraçado, Rospo. Quando você era de Virgem, tinha umas características, agora que é de Leão, continua igual...
— Diga, Sapabela, qual é a sua receita de "Amarração de amor"?
— Um sorriso autêntico, um olhar puro, palavras sinceras, um afago, uma amabilidade às vezes faz bem, um gesto suave, uma generosidade, muita tolerância...
— Interessante.
— Ser amoroso, franco, honesto... Companheiro... Evitar brutalidades, constrangimentos, ofensas, e ter sempre na ponta da língua uma voz de mansidão, uma alegria, uma poesia explícita no rosto...
— Sapabela, não pensei que você fosse tão sabida nessas coisas de amor... E nem precisa consultar forças do além...
— Claro que não, Rospo, mesmo porque o amor não está além, está bem diante de nós, às vezes, ao nosso lado...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 585
Marciano Vasques

Leia CIANO

O CURRÍCULO INVISÍVEL

— É ele que manda,Sapabela.
— Ele quem?
— Ora! Acaba de me contar sobre o sapo seu conhecido que conseguiu mais um diploma, mais uma formação acadêmica.
— Ele está construíndo um belo currículo.
 E isso é muito bom na carreira de alguém... 
— Naturalmente, mas, na vida, o que realmente manda é o currículo invisível... Que não é feito de títulos nem de diplomas...
— Que currículo é esse, Rospo?
— O da alma.
— Melhor explicar um pouco isso...
— As suas ações em favor da humanidade do sapo... Em favor do outro, do sapinho, dos animais, o seu amor pelo próximo, e também pelo distante... O próximo merece amor, sempre...
— Nem sempre.
—  É?
— O próximo tem que merecer o amor... Não consigo amar um sapo que vende drogas no portão de uma escola onde estudam sapinhos, um sapo que tortura o outro, um sapo que ofende e maltrata a sua companheira, não consigo amar... Não consigo amar ditadores, nazistas, fascistas...
— Entendo, Sapabela... Entendo... Mas assim é o currículo invisível... Ele é feito de boas ações, que nem precisam ser visíveis, mesmo porque esse tipo de currículo às vezes, ou quase sempre, nem obtém o reconhecimento público, e nem almeja isso... Fazer o bem é para si mesmo... para a sua própria consciência... Quando você ajuda a melhorar os que estão ao seu redor... Você está contribuíndo com a melhoria do mundo...
— Rospo, então o verdadeiro currículo não é feito de diplomas, de certificados, de títulos...
— Exatamente. O verdadeiro currículo é invisível...
— Invisível aos olhos?
— Isso!
— Eu sempre botei fé naquele principezinho...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 584
Marciano Vasques
Leia em CIANO

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O CIENTISTA É MALUCO?

— Doutor Silvana, Professor Pardal, De Volta para o futuro...
— Ficou maluco, Rospo?
— Não, Sapabela. Estou pensando num estereótipo...
— Agora complicou mais...
— É o estereótipo do cientista...
— Entendi, é sempre o mesmo preconceito... Inventaram que o cientista é sempre maluco...
— E assim ele aparece nos gibis, no cinema, nas histórias... O cientista é sempre louco...
— E quase sempre quer dominar o mundo... A quem interessa tal visão? Qual a raiz desse estereótipo?
— Incrível! Certamente isso vem desde sempre... E talvez seja motivado por uma desconfiança da Ciência...
— O mundo deve muito aos cientistas... A Ciência nos livra do obscurantismo, nos livra da ignorância... Onde havia demônio, há vacinas, onde havia escuridão, há um interruptor, onde havia sonho de voar, há um avião... Nada se compara ao extraordinário bem que o cientista causou ao mundo... Nós, sapos, devemos sempre agradecer ao trabalho extenuante do cientista, que tantos benefícios trouxe ao mundo...
— O cientista não é louco... Louco é o mundo que descrê da Ciência...
— Então já sabemos: cientista maluco só no gibi, só no cinema...
— Mas e a bomba atômica?
— A bomba atômica é uma invenção do espírito do poder...Jamais devemos neutralizar e tentar abafar os benefícios que o cientista causa ao mundo...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 583
Marciano Vasques
Leia CIANO

MARCAS NO CAMINHO

URBANADOR

Atrocidade?
Atroz  cidade!

Marciano Vasques

ONDE ESTÁ O SEU CELULAR?

— Onde está o seu celular?
— Que celular, Rospo? Estou na valsa da brisa, boca de versos e de beijos, e de suspiros e de alfenim... Hoje o sábado está pra mim...
— Mas é segunda feira, Sapabela, é lunedi... é Monday...
— Que exibido, Rospo! Mas adoro o dia da Lua... Porém faz de conta que é sábado e também porém, estou sem celular...
— Eu não quero celular, Sapabela!
— Mas você perguntou!
— Não! É que eu estive numa estação ferroviária e vi um anúncio, um alerta pop assim: "Onde está o seu celular?"...
— E daí?
— E daí que o anúncio é um aviso para os sapos tomarem cuidado com os seus pertences... Pois sempre periga  um assalto... Então deve cada passageiro proteger as suas coisas...
— Naturalmente...
—Mas o curioso é que seja o celular, esse objeto que se tornou um fetiche, um culto, parte integrante do sapo, uma mitologia... Tem mais celular no brejo do que telefone fixo...
— Finalmente encontraram um objeto que pode ser utilizado numa propaganda assim, para chamar a atenção dos sapos. Ainda bem.
Antes do celular o objeto de adoração era o carro... Como ninguém consegue levar um carro na bolsa, uma aviso desses não poderia utilizar o objeto central na vida de alguém, mas agora o celular... Mas falando nisso, onde será que eu deixei o meu celular em casa?
— Sapabela, você é a única sapa que eu conheço que anda sem o celular... Como consegue isso? Ei! Ela é mágica, ela sai sem o celular... Venham conhecer essa criatura!
— Rospo, pare com essa algazarra! Pare de se divertir às minhas custas... Pare com esse estardalhaço... Não vê que estou quase gargalhando?
— Que joia!  Gargalhar sem o celular... 
— Você está sendo muito radical... Eu sempre saio sem celular... Principalmente se for céu de luar.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 582
Marciano Vasques
Leia CIANO

ROSTOS

Foto de Madalena Schwartz

PROPAGANDA ANTIGA DA FOLHA

SWASTIKA

Está no ar o filme "Swastika", do judeu Philippe Mora. 
A película, na realidade um documentário com filmagens caseiras realizadas por Eva Braun, e outras, preservadas em arquivos, como o arquivo militar americano, mostra Adolph Hitler em sua intimidade.

domingo, 22 de maio de 2011

ROSTOS

NÃO PARA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM

Geraldine Chaplin tem 66 anos.
O que é nela será sempre 
a mesma lindeza


O titulo da postagem é um verso da canção tema de CASA AZUL DA LITERATURA

AFINAL HOJE É DOMINGO

REENCONTRO

Foto: Danilo Vasques

VOCÊ ME VÊ?

Foto: Danilo Vasques

SEBOS, CANÇÕES E UM ESPANTALHO POR AÍ

SEBOS, CANÇÕES E UM ESPANTALHO POR AÍ


Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada
Roberto&Erasmo

Quando tudo começou? Quando o desmanche da emoção deu seus primeiros passos sem que prestássemos atenção?

HOJE É DOMINGO

HOJE É DOMINGO

HOJE É DOMINGO

sábado, 21 de maio de 2011

CANTANDO CORA CORALINA





Show realizado no Teatro Juarez Machado,em Joinville,pela comemoração do Dia Internacional da Mulher.No palco a cantora Mari Rebelo e a percussionista Karlinha Reis.Rafaela Ventz declama trecho da poesia "Todas as vidas" de Cora Coralina.Cenário de Caren Negrelli.Projeto Original de Mari Rebelo.Imagens de Gabriel Chati.

PELOS CAMINHOS DE CORA

"Core, Coralina,
torne-se corada de correr.
Então, corra.
Num coral
de vozes doces
Nos doces de um mágico coral.
Cora, num recife de coral...
Você passa com seus doces...
Cada doçura numa estrofe!

Corra pelas ruas coloridas de poeira
Cá poeira, cá, onde o vento leva os seus cabelos de
Menina Ana doceira
Adoçando almas que atravessam a ponte velha.
Uma concha
O vento
No aconchego
Chego
Para saborear
O doce aroma
De um verso simples
vestido de ternura e mansidão"


Marciano Vasques 

UM POUCO DELA



"O saber a gente 
aprende com
os mestres e com os
livros.
A sabedoria, se aprende
é com a vida e com
os humildes."

CORA CORALINA

O SAPO NÃO É VIRTUAL

Numa calçada, Sapabela encontra o seu amigo e percebe a sua aflição.
— Rospo! O que está acontecendo?
— Eu não sou google, minha amiga.
— Eu sei, você é um sapo.
— Sou mais que um sapo apenas. Sou um contador de histórias... Ou as histórias me contam...
— Você é o encantador dos espíritos que não morrem...
— Mas não sou o google!
— Rospo, o google é um espetacular instrumento de pesquisa, mas você é um sapo, eu já disse, um sapo diferente, mas é... E isso o deixa triste?
— Não exatamente, porém é uma sensação estranha você acordar e sentir que não é virtual, você não é uma internet ambulante... Isso não a deixa abismada?
— Ora, Rospo, nunca me incomodei em ser uma sapa ao vivo, que pode ser tocada e acariciada diariamente...
— Quem acaricia você diariamente?
— Deixe-me terminar. Acariciada diarimente pelo vento... E ouvir histórias ao vivo é fascinante...
— Mas será que uma sapinha ou um sapinho irão querer ouvir?
— Entendo, ficam o tempo todo na Internet... Se ao menos fossem ao quintal... Não, quintal eles não conhecem... Porém poderiam sair, circular pelos campos, vales e mares do apartamento, afinal, a imaginação não precisa de repouso...
— Às vezes penso que se eu tivesse um site todos iriam me procurar... Todos iriam me "baixar"... Diriam: " — Vejam, encontrei um site encantador!".
— Rospo, pare com isso! Deve estar delirando. Você não precisa ser virtual, basta ser virtuoso. Não exagere, Rospo. Tem uma multidão de sapos que andam ao léu, na beira do vento, querendo ouvir um contador de histórias...
— Sapabela, melhor ser mesmo um sapo "ao vivo"... Pois só numa calcada poderíamos encontrar uma sapa assim tão arremessadora...
— Arremessadora?
— É, que arremessa o nosso coração para um grau de entendimento e de sentimento que só faz o sábado nos invadir com toda a sua luz...
— Rospo, ainda é outono. Vamos?
— Vamos. Faz tempo que um sorvete não aparecia em nossas conversas.
— É incrível que uma coisa tão gelada como o sorvete possa aquecer amizades e corações... Mas é simples, Rospo: não somos virtuais.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 581

Marciano Vasques
Leia CIANO

A ARTE DOS CARTAZES DO CINEMA — 1

A ARTE DOS CARTAZES DO CINEMA

Aconteceu um tempo em que as pessoas colecionavam selos, 
e também gibis.
Alguns certamente ainda o fazem, 
mas uma boa parte coleciona através da Internet, 
coleciona as imagens...
Entre as artes tantas, as gráficas, temos os cartazes do cinema. 
Os filmes de todos os tempos estiveram expostos nos posteres e nos cartazes em anúncios de estreias... 
CASA AZUL DA LITERATURA
inaugura um novo marcador, 
intitulado A ARTE DOS CARTAZES DO CINEMA. 
E assim 
homenageia o artista
cujo nome é desconhecido do grande público
das filas dos cinemas.

BREVIDADES

 POEMETO PARA A BREVÍSSIMA


A vila
    A vala
        A vela.


O lume
    O leme?
        A lama!

O cume
    A cama
        O coma!

O creme
    O crômo? 
         O crime.

 O grama 
    Te dão?
        A gratidão!

O vento
Avulso...
A valsa.


O manto?
    Eu minto...
        O mato!




Marciano Vasques


Pesquisar neste blog