quinta-feira, 30 de junho de 2011

UM CORAÇÃO

 Um coração magoado recolhe seus estilhaços na calçada, e ninguém repara, o coração tenta agilizar, recolher os fragmentos doloridos, mas todos passam e atrapalham, a indiferença e a insensatez não se dão conta.
Mas o coração é teimoso, e escorre com sua história pela calçada. Lá vai ele, vejam! Lá está ele, tentanto recolher o que restou do tanto que se pisou... Vejam, não deixem, por favor! Ele está descendo os degraus, vai entrar no ralo, está esgotado... Mas é um coração! Por favor! Prestem um pouco de atenção!  Lá vai ele, lá vai... Vai lavar a cidade com as suas lágrimas...

DIVULGAÇÃO CULTURAL REGINA TIEKO

O trabalho de Regina Tieko, que engrandece o sentido da existência dos que produzem cultura pode ser resumido no fato de que ela repassa o que recebe de amigos e outros produtores culturais. CASA AZUL DA LITERATURA  inaugura um novo marcador: DIVULGAÇÃO CULTURAL REGINA TIEKO.
Nele estarão as postagens que divulgarão eventos culturais, de Literatura, Artes, e Arte Popular. A CASA se irmana ao trabalho desenvolvido por Regina, e ajuda a expandi-lo para que mais gente possa conhecer um pouco do movimento artístico e cultural que viceja em Sampa. Regina Tieko realiza por plena dedicação essa difusão cultural, que só nos enriquece. A escolha do nome do marcador, pelo blog, está inserida no reconhecimento daqueles que não só produzem artes, mas não medem esforços para divulgar entre os povos essa produção.

CATAVERSOS E CANTO DÁ POESIA

EM NOVO LOCAL

SARAU CATAVERSOS DA MOÓCA
&
SARAU CANTO DA POESIA

( JUNTOS )

SÁBADO

Dia o2 de Julho às 15 Horas

Novo Local
No Teatro do Colégio João XXIII
Rua José Zappi, 87 - (Largo de Vila Prudente)
Próximo ao Metrô Vila Prudente
Entrada Grátis

CULTURA CAIPIRA

ARRAIAL

SARAU

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ESPERANDO UM AMIGO

Enluarados de não caber mais na alma, lá iam a Sapabela e seu amigo, quando ouvem a conversa de dois jovens num quiosque.
— Tenho mil músicas gravadas...
— Isso não é nada! Tenho 3485 amigos no Facebook...
— O que está acontecendo com eles, Sapabela?
— Não sei. Mas vamos seguindo...
Chegam a um lago onde encontram um sapinho triste, de olhar plangente... E sorriso pungente.
— O que foi, meu querido? — Aproximou-se a Sapabela.
— O meu amigo não veio.
— Você tem um amigo?
— Sim, ele é único.
— E ele sempre vem?
— Um amigo nunca falta. Sempre que quero conversar ou preciso ouvir alguém, ele aparece...
 Mas hoje ele não veio.
— Compreendo. Mas, tem um amigo só?
— Ele é único, é especial, justamente por ser meu amigo...
— Calma, ele virá...
— Não sei, já está indo o luar, a noite está descendo seu manto azul e estou preocupado...
— Ele virá, um amigo nunca falha, lembra?
— O que farei se perder o meu amigo?
— Por que o perderia?
— Não sei, mas ele está demorando...
— Fique firme, olhe para as estrelas, e pense forte que ele virá...
— Tem uma estrela nova...
— Não havia reparado.
— É porque você não perdeu ninguém...
— Sapinho, quer vir conosco?
— Não, prefiro ficar... Aquela estrela pode ser um descuído do firmamento...
— Entendi, prefere ficar esperando pelo seu amigo...
— Sim, faz tempo não adormeço ao luar...
— Virá a friagem, a cerração, o orvalho, os assovios das almas que bailam ao vento da madrugada... Não é melhor ir para casa, Sapinho?
— Como posso ir para casa, se o meu amigo não veio?
— Entendo, espero que a noite seja amiga da amizade...
— Se eu ficar resfriado, tem farmácia, mas se eu desistir de esperar pelo meu amigo, qual o sentido da minha vida?

 HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 626
Marciano Vasques


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DOWNTOWN

DOWNTOWN

NA CIDADE

Um dia, numa tarde, eu estava na cidade, e caminhava ali, no Largo do Paiçandu, quando ouvi uma canção. Canções são trazidas pelo vento, às vezes. Depois, eu a ouvi várias vezes nas rádios.  "Uma canção é sempre mais que uma canção", eu diria.

terça-feira, 28 de junho de 2011

VISTA CANSADA

 TRECHO DA CRÔNICA "VISTA CANSADA", DE OTTO LARA RESENDE
"Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença".

ONDE?

Sabe onde o Rospo e a Sapabela 
estarão  a partir do próximo sábado?

Clque AQUI para saber.

A CIDADE DO FRIO

—Rospo, que frio! E que cachecol bonito! Cor de vinho...
— É pra lembrar...
— O frio sempre me lembra de coisas boas...
— Dos amigos...
— Principalmente...
— Seria bom se pudéssemos encontrar todos os nossos amigos e aquecê-los com uma boa conversa, uma boa música, um bom vinho, um bom livro, um bom filme...
 — Rospo, hoje certas coisas você pode fazer, inclusive com os amigos virtuais...
— Bem sei, filmes, música, isso tudo pode...
— Pode aquecer o coração da amizade com palavras... com poesia... com música...
— Claro que o frio inspira encontros ao vivo...
— Muitos sapos dizem que tal dia, por causa do frio, está propício para a cama...
— É verdade, Sapabela, fazer amor é sempre bom... Comer pipoca vendo algum filme tamhém, ou lendo um livro... A cama com mantas é um bom lugar para se ler um livro... E até escrever...
— Não! Eles falam em dormir... Não falam em camas com mantras...
— Dormir? Espere aí! Eu disse "mantas"...
— Desculpe! É, dizem que o dia está propício para dormir...
— É mesmo?
— É, eles dizem que o dia está prepúcio para dormir...
— Você errou a palavra, Sapabela!
— É mesmo! Então, é isso, propício...
— Sapabela, cada um faz o que quer com o seu dia... Inclusive, dormir...
— Mas com o frio, dormir é o melhor...
— Não vejo essa relação, Sapabela, mas temos que ser democráticos... Quem quiser ir para a cama dormir, deve fazer isso... Quem quiser ver os que estão acordados, deve também fazer isso, eu, bem, prefiro a segunda opção, e vou começar com aquelas flores, que estão bem acordadas...
— Nem sabia que flores dormiam!...
— E nós?
— O que tem nós?
— Como vamos aproveitar o nosso frio?
— Consideramos que somos sapos que não estão desabrigados, deveremos ir ao cinema, mas antes tomar um chocolate quente, ou um licor de cacau, que afinal, merecemos, e depois, vamos passear pela cidade, nossa cidade é rica de livrarias, e revistarias, e ... Nossa! Que cidade linda para o frio! Essa cidade é apaixonante, e a saparia tem mais chances de ver isso no frio...
— Sapabela, vamos que vamos... Eu prefiro o licor...
— E depois do cinema?
— Faz tempo não visito um sebo... Na última vez que fui, não tinha um só gibi antigo...
— Foi tudo para  internet...
— É mesmo!
— Rospo, tem um detalhe...
— Qual, Sapabela?
— Está muito frio...
— Sim, já sabemos, mas, e daí?
— Com um frio desses não tem vestidinho...
— Mas tem Sapabela...
— Iupiii !



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 625
Marciano Vasques

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domingo, 26 de junho de 2011

PRESENTE DE MONTSERRAT


Hola Marciano Vasques:
Le mando a mi amiga Sapabella la foto de este broche que está prendido en una de mis blusas.

Tengo una colección de bichinos en broche.Como una libélula, una jonaninha y esta ranita.

Beijos, Montserrat

O SAPINHO ABANDONADO

Rospo observa um sapo pai passeando no parque com o seu filho. Sente-se feliz ao ver o pai com o filho no gramado, à beira do lago do Parque do Carmo, um de seus lugares preferidos no brejo.
— Que coisa mais bela! Um pai levando o seu filho pela mão, caminhando lado a lado com ele, conversando com o seu filho... Isso sempre me comove. Ver um sapo dedicando o seu tempo a uma criança.... Vou até me aproximar para ouvir a conversa... Diálogo entre pais e filhos sempre me interessam, e não tenho culpa de ser tão curioso. Tive uma infância feliz.... que favoreceu, isto é, criou as condições para um favo, e um favo de mel, lógico, ou melhor, mágico, e assim, nesse favorecimento, que é o desenvolvimento do favo da vida, eu vi desabrochar a curiosidade, que é a mãe do crescimento... Quando não tinha adultos por perto, para eu perguntar, eu perguntava ao vento, à joaninha, às folhas lisas alisadas pelo sol... e também perguntava para a minha imaginação, que sempre me deu as respostas mais criativas, mais fantásticas... E assim sou, por isso quero colher a conversa desse bondoso sapo que passeia com o seu filho...

Então, Rospo vê um sapinho abandonado se aproximar e pedir um pedaço de pão ou algo assim. O pai, bruscamente, tapa os olhos do filho, e responde ao sapinho...
— Suma daqui! Vá embora!Vá trabalhar! Você já tem idade para isso!
— Quem era ele, pai?
— Ele? Ora, um vagabundo qualquer... Nem pai deve ter..

Rospo entristece, mas reage.
— Como é bom, às vezes, ouvir conversa alheia. Como eu amo a minha curiosidade!... Chamei aquele sapo de bondoso porque ele levava o filho pela mão. Vi que ele tem amor pelo seu filho, mas é só isso, pois não conseguiu transformar o seu amor em amor universal, não se sente capaz de amar a todos os sapinhos... Fechou-se, de forma egoísta, em seu mundo, e nem consegue ver que o sapinho abandonado, foi abandonado pela omissão de muitos, pela hipocrisia de uma sociedade... Amar o seu filho é importante, mas se não consegue estender esse amor às outras crianças, seu amor padece de uma imperfeição...

 HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 624
Marciano Vasques
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Grande é a quantidade de eventos que 

FOI ONTEM...


Às vezes, CASA AZUL DA LITERATURA bobeia...

INÉDITO!

Capa do meu novo livro, que será lançado muito brevemente.

EM SAMPA HOJE

OUVINDO GALEANO

PARABÉNS PRA VOCÊ...

Busquei o seu desenho, e fui até a sua festa junina. Encontrei-a na Cidade das Cantigas, como sempre, segurando um gato. Colhi as flores do seu blog. Até a sua Sapabela eu trouxe! E fiquei tão feliz quando você esteve lá, na Bienal do Livro. Precisaria de muitas letras sapecas só para dizer.
E hoje, você esta aqui.  Hoje é o dia do seu aniversário. Até ontem, eu a chamava de "Menina de Nove Anos",  mas hoje, quem diria: você faz 10 anos. Se  "a vida é um sopro" , dez anos "é uma piscada". Se a vida é um "conto ligeiro", a infância é uma poesia para ser vivida integralmente. Parabéns pra você!...

ROSPO ENCONTRA UM AMIGO

Entre silvos e gorjeios Rospo se equilibra e segue vento afora por mais uma noite de outono, sabe bem que cada noite é em si, e lá vai pela calçada do Viaduto do Chocolate quente de noites antigas que assoviavam com suas ventanias nas telhas causando doces assombrações... que espreitavam nos bambuzais...
Por ele passam sapos apressados, que perdem as luzes. Ele reconhece um deles, e girando os braços num escarcéu, segue em passos acelerados o sapo da pressa.
— Olá! Sou eu!
— Sapo! Eu não o conheço.
— Conhece sim! Somos amigos.
— Nunca vi você, Sapo! Qual é mesmo o seu nome?
— Isso! Um nome faz a diferença. O meu é Rospo.
— Piorou! Com um nome assim é que não conheço mesmo.
— Ora, então por que me adicionou?
— Do que está falando, senhor Rospo?
— Sou seu amigo no Facebook...
— Ora, meu velho. Tenho 5000 amigos lá, entendeu?
— Quando eu entrei, tinha 4999 amigos. Que injustiça! Foi se esquecer logo do último!
— Deve estar debochando com a minha cara... Só pode.
— Aposto que é capaz de falar o nome dos 4999, e só não lembrar do meu.
— Rospo, preciso ir, tenho mais o que fazer, tchau!, a noite é uma criança...
— Mas está me tratando como se eu fosse uma criança... Não sou bobo! O senhor é meu amigo! Ei, povo! Encontrei um amigo!
— Pare de fazer escândalo! Vão pensar que somos malucos...
— Não se preocupe, sabemos que somos mentalmente saudáveis...
— E agora? Esse sapo não vai largar do meu pé.
— Aperte aqui a mão do seu amigo cinco mil...
— Olha, você é maluco...
— Meu amigo, dê um abraço...
— Isso não é real.
— Virtual não é, tenho certeza.
— Você leva tudo na brincadeira, sapo... Vá ver se eu estou na esquina...
— Não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. O senhor está aqui...
— E os meus cinco mil amigos estão lá, portanto, não encha! E vá cuidar da sua vida.
— Mas é dela que estou cuidando, aliás, eu só cuido da vida...
— Médico, por acaso?
— Se eu fosse um médico, seria o Epicuro...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 623

Marciano Vasques
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sábado, 25 de junho de 2011

PARA QUE SERVE O PERFIL?

Na manhã que assoviava em beijos de romãs e azul varrido para estontear, lá ia ele, fingindo multidões, mas em sua adorável solidão, e, claro, o sábado despontando no tímido alaranjado de um sol de outono.
— Que sábado! Só falta uma ciranda de poetas num quintal. Quintal? Adoro isso! É tudo de bom. Se for quintal de festa de poetas, então... Mas o sábado está tornando-se dourado, com seus fios de sol aos poucos trançando a vida... Não falta nada. Quer dizer, falta, falta vestidinho.
— Rospo!
— Chegou!
— Falando sozinho?
— Não sapabela, pensando alto.
— Você sempre pensa alto.
— Sapabela, que linda flor amarela nos cabelos!, quer dizer, nos fiozinhos...
— Rospo, não precisa ser tão exato, tão perfeccionista. Mas a flor é para chamar o sol dourado deste sábado friorento...
— Sapabela, preciso conversar algo sobre o Facebook...
— Rospo! Está ficando viciado?
— Não, mas tem uma questão que eles precisam rever...
— Sim?
— Eles precisam mudar, precisam alterar uma "legislação" que diz que você só pode convidar sapos que conhece pessoalmente...
— Questão de segurança...
— Só pode convidar para ser seu amigo quem você conhece pessoalmente...
— É esquisito, não é?
— Sim, você convida quem é seu amigo para ser seu amigo...
— O que aflige você, meu querido?
— Para alguns sapos isso funciona, para outros, como eu, não...
— Explique.
—Adorei o vestidinho. Vermelho. Com babados...
— Explique, por favor...
— O esmalte...
— Por favor...
— Pois é, você fica me distraíndo, Sapabela!
— Eu?
— Vamos lá: eu convido os sapos por afinidades, por interesses comuns. Se o sapo ou a sapa é poeta, ou escritor, ou jornalista, ou editor, ou crítico literário, ou então, se o sapo ou a sapa apenas gosta de poesia, de literatura infantil, etc, então eu convido... Eu vejo no PERFIL, e se encontro interesses iguais aos meus, eu convido...
— Você está certo!
— Mas o Facebook não pensa assim, pois diz que você tem que conhecer o sapo pessoalmente para convidar... Ora, se eu esperar para conhecer alguém pessoalmente, jamais terei novos amigos...
— Você está magoado porque está suspenso e não pode convidar ninguém, visto que andou convidando quem você não conhece...
— Aí que está o equívoco, Sapabela!
— É?
— Veja, todos que eu convidei eu os conheço, não pessoalmente, mas conheço que o sujeito aprecia poesia, escreve livros, gosta de literatura, de artes... A alma, a essência, esses laços eu conheço... Não preciso conhecer pessoalmente um sapo que diz em seu perfil que gosta de artes e de escritas....
—É, Rospo, não dá para desprezar o que você está dizendo...
— Vamos continuar essa conversa?
— Garapa?
— Sim, caldo de cana no sábado logo cedo... Que flor linda!...
— É flor de outono....
— Vamos, que o sábado não costuma esperar...
— É mesmo. Quem bobear, bobeou...



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 622
Marciano Vasques
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sexta-feira, 24 de junho de 2011

SAPABELA RADIANTE

— Rospo! Já olhou a cidade? Veja que tem um aroma de festa no ar...
— Sapabela, fico feliz por vê-la tão feliz...
— A cidade está uma alegria que só ela... Veja, lá está um palhaço dançando ao sabor do vento...
— Não é um palhaço, é um Arlequim... Não vê os losangos?
— Losangos? Isso me faz pensar num poema que acabei de ler, que fala de formas geométricas...
— Leu um poema? Por isso seu coração está festivo, e está transferindo essa festa para a cidade... Olhe, Sapabela! O Arlequim que você aponta é apenas um bêbado que ainda beberica as últimas luzes da noite da cidade...
— Rospo, sabe por que eu gosto das nossas conversas?
— Diga!
— Por que aqui não se mente.
— E onde não se mente, tem semente...
— Veja! Observe o bêbado... Repare os seus olhos...
— Consegue ver daqui?
— Fonte de orvalho eu vejo na distância...
— Sapabela, não sei quem inventou você, mas eu não resisto. Você quando quer festejar a vida, não tem jeito...
— Obrigado, Rospo... Mas eu estou na amizade sincera, na amizade da poesia...
— Eu sei, minha amiga, vamos seguir de longe o seu Arlequim...
— Ele podia ser o Carlitos, não é?
— Vai saber!...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 621
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COLCHA DE RETALHOS



Eu vi! pendurada no varal
A colcha de retalhos que minha mãe fez
Dias e dias a cortar formas geométricas
Eram apenas, retalhos...
Suas mãos hábeis deram forma ao sem forma
Agulha e linha teceram um a um em pontos e nós
Caleidoscópio de cores a girar no tempo
Evocam momentos... Lembranças...
Eu vi! o vento de outono brincar na colcha de retalhos
Passou zunindo por mim
 Soprando histórias que jamais ousei contar...
Eu vi! o fio do tempo na colcha de retalhos
Eram apenas, retalhos... 



Ana Coeli

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CHICO EXCLUSIVO

NUMA TARDE JUNINA

Passeavam por uma tarde junina na cidade, quando a bela sapinha começa uma conversa:

— Rospo, o coração ressurge sempre.
— Eu sei, Sapabela. E é ele que importa, ele move o tempo. Sua chave abre a compreensão de todas as portas. Sua pulsação de amor e de paixão pelas coisas é inquebrantável...
— Rospo, uma flor de outono desbota?
—Não, ela jamais perde as cores...
— Às vezes me sinto só diante da imensidão...
— Eu sei, meu bem, de vez em quando fala sobre isso...
— É que há um eterno ciclo de retornos...
— Uma coisa que me impressiona é que os amigos não se vão, e quando encontramos um deles o coração acende um incêndio de alegria...
— Quero ter amigos, Rospo...
— Você tem, Sapabela.
— Por que esse vazio? Parece uma solidão tuberculosa...
— Não é vazio, minha amiga. É uma infinita ligação com a vida...
— Não sei o que diz, Rospo...
— A vida é alegria, intensa, é um acolchoado de luzes, de conversas, de sapos sorrindo, de sapos buscando seus lugares...
— É também pranto, gritos, esperanças, lutas, brigas...
— Tudo isso é uma festa que traduz a vida no mundo... Então quando você fica num varal, suspensa diante da sensação de solidão e desamparo, na verdade é o grito do seu coração, que se manisfesta, que é arrancado de si, com a brutal força da necessidade; ele mesmo se expulsa para a vida...
— Rospo, devagar! É muita coisa para pensar...
— Por isso que é fascinante...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 620
Marciano Vasques
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ALÉM DA TRILOGIA DE UMA VIDA

SOPA DE LETRINHAS

ARRAIÁ DO SACI

terça-feira, 21 de junho de 2011

AS CORES DO ARCO-ÍRIS

TRAÇO DE NANQUIM — 2

JAYME CORTEZ

IRMÃOS CARUSO


HENFIL


 QUINO

TRAÇO DE NANQUIM — 1

CASA AZUL DA LITERATURA inaugura um novo marcador, intitulado TRAÇO DE NANQUIM...
Nele homenageará os artistas que, antes do advento dos recursos da computação gráfica, ilustravam a vida, com seus traços encantadores. Por aqui, estarão Jayme Leão, Lee Falk, Elifas Andreato, e tantos outros. Dessa forma, A CASA dá mais um passo na construção da memória contemporânea e no registro do acervo da arte, em suas diversas manifestações.

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Já gostei!
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Eu também!
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E eu então?
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Alguém achou que eu ia ficar de fora?

UM CERTO AMIGO

CASA AZUL DA LITERATURA 
bem quis prestar uma homenagem aos corruptos do Brasil, mas diante da extensa lista, desistiu. Em seu lugar, apresenta um personagem da imprensa, que, além de fazer parte da memória cultural do país,  divertiu muitos leitores.  De longe, o humor tem uma importância necessária para levar o leitor à reflexão. Irmão e irmã da crônica, o cartum, e a charge, são os responsáveis também pela construção da consciência esclarecida entre os que sabem que o jornal é a paixão dos amantes da liberdade.

SERVIÇO PÚBLICO — 1

AVISO:
Ninguém deve nem pode morrer nos próximos dias em São Paulo.
Entrará em greve o Serviço Funerário.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

EM QUALQUER LUGAR

Entre as folhas do vento de outono, lá vai o nosso amigo, quando encontra, acreditem, a Sapabela.
— Ora, fomos feitos para os encontros. A vida é só encontros... E vamos fazendo as nossas escolhas... Você tem uma variedade de opções, entre as quais, a ternura. Deixe-me falar com o meu amigo, afinal, metalinguagem é bom, mas conversar assim ao vivo é melhor.

— Pois vá lá, Sapabela.

— Rospo!
— Sapabela!  Vamos ao luar?
— Já estou indo, meu caro... Estive pensando algo...
— Sapa quando pensa gira o mundo... Diga...
— Você é você em qualquer parte do mundo, onde quer que esteja...
— Compreendi. Seja no FB, seja na vida real, você é sempre você, é sempre o mesmo sapo...
— Entendi que a tecnologia, o site de relacionamento, nada modificará você, pois não pode deixar de ser o que é...
— Extamente. Cada qual é por si aquilo que é na vida real, e tanto faz que esteja na vida virtual, quem é jamais deixará de ser...
— Então, o FB jamais será retórica de amizade...
— Isso mesmo. Pois ele não tem o poder de mudar você, de alterar aquilo que você é... Esteja onde estiver, sempre levará consigo aquilo que você é...



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 619
Marciano Vasques
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O SAPO E A HIPÉRBOLE

— Rospo, minha sobrinha me perguntou o que é hipérbole...
 Hipérbole? Ora... Por que deveria eu saber?
— Ora, Sapabela. Todos precisam saber o que é hipérbole...
— Ora, Rospo... As coisas se aprendem na prática, com exemplos concretos... Não posso responder para a minha sobrinha, sem dar um exemplo palpável pela compreensão e pela sensibilidade dela...
— Sim, claro, o ensino da Língua deve ser algo agradável, prazeroso, lúdico... e totalmente inserido na realidade...
— E então, Rospo? Vamos ao cinema? Qual é o filme da vez?
— A Vênus Negra...
— Espera eu me trocar?
— Sim, claro, não se esqueça...
— Esquecer o quê?
— Vestidinho.
— Você não toma jeito, parece a minha amiga, a Sapa Anésia, sempre com brincadeiras...
— Vá lá, Sapabela, que estarei esperando...
— Espere só um minutinho...

Depois de um bom tempo.

— Sapabela! Esperei um século.
— Hoje demorei um pouquinho, mas é vestidinho novo, veja, rosa, e tem também um esmalte que combina com todas as luzes, até com o escuro do cinema. Gostou?
— Gostei antes de ver. Vamos, que a sessão logo vai começar. Mas, esperei um século...
— Já disse isso. Sabe, Rospo, ainda estou tentando saber o que é hipérbole...
— Não sabe ainda?


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 618
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ROSPO E AS CANÇÕES

Sapabela diante do computador, quando o velho amigo liga:
— Alô!
— Sou eu, o Rospo!
— Rospo! Que alegria! Estava justamente vendo o seu blog...
— Está gostando?
— Naturalmente que sim, mas tem uma coisa curiosa...
— Pois diga, minha amiga.
— Algumas canções e alguns cantores que você anda postando...
— Pois não?
— É como se quisesse resgatar um tempo que não volta mais...
— Na verdade, é quase isso... Pela exposição das canções de uma época, podemos compreender o espírito dessa própria época. Considero interessante e proveitoso a juventude de hoje, por exemplo, ter contato com o que os jovens cantavam no passado...
— Sim, claro, mas o povo de hoje não quer ouvir essas canções. O povo está em outra. Os jovens estão cantando e dançando canções com letras aberrantes, que pregam, por exemplo, o machismo...
— Gostei do eufemismo, Sapabela.
— Que eufemismo, Rospo?
— "Canções".
— Ora, Rospo, pare de ser indelicado. A música reflete e traduz o espírito de uma época... É o que vive apregoando por aí, inclusive no seu blog...
— Disso eu não tenho a menor dúvida...
— Então, tem que aceitar o que a moçada anda cantando... Lembre-se, a voz do povo é a voz de...
— Pare com isso, minha querida... Acontece que é mais fácil pôr a culpa no povo...
— Explique isso, Rospo.
— Dizer que o povo gosta é simplificar as coisas. Lembre-se de uma certa sabedoria proverbial...
— Qual?
— "Ninguém ama aquilo que não conhece"....
— Compreendo, Rospo, mas, mesmo assim não creio que os sapos de hoje, principalmente os jovens, queiram ouvir canções assim românticas... Hoje os sapos estão pegando, estão ficando...Seu blog está se tornando o último reduto do namoro...
—  Ainda bem.
— Mas os sapos estão em outra. Porém entendi o que disse sobre pôr a culpa no povo... É mais fácil dizer que o povo gosta, para justificar a música que é imposta goela abaixo pela indústria da cultura, pelas mídias....
— O jovem é levado a gostar daquilo que a ele se apresenta...
— Não é reduzir muito, Rospo? O jovem não é como a criança, que aceita tudo...
— Pois é, aí que está o eixo da questão. A criança tem discernimento, e sabe o que é bom, sabe o que quer... Ela tem poder de escolha, e está sempre acima do razoável nas suas preferências. Criança não é boba, e muito menos bobinha. Mas precisa mostrar para ela. Ela tem que conhecer. A ela tem que ser oferecido o que é de qualidade... Pois está chegando ao mundo... Você só escolhe se tiver opções...
— Tem razão.
— Às vezes, eu tenho.
— E com o jovem acontece a mesma coisa. Ele precisa conhecer, precisa ter acesso, necessita ter as condições para poder comparar, carece saber, para poder escolher... Ainda bem, Rospo, estava pois me parecendo nostalgia somente.
— Mostrar a canção que o tempo produz é compreender a sua alma...
— A canção educa o coração?
— Ou estraçalha, como ocorre atualmente. E tudo se entrelaça, tudo é um amálgama. Nada está solto no ar, nem os acordes e as notas de uma canção...
— Certo. Para se compreender a qualidade da Educação, inclusive na escola, é preciso que compreenda-se a canção que o tempo toca...
— Muito bem, fico feliz ao ver que está em meu blog numa tarde tão azul, mas, que tal um sorvete agora? Naquela velha caminhada de calçada...
— Pronto! Vamos.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 617
Marciano Vasques
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domingo, 19 de junho de 2011

PIOR PRA VOCÊ, BEM PIOR PRA MIM

Martinha 
é uma das cantoras 
de 
CASA AZUL DA LITERATURA

DIA 10

Antônio Marcos - Nunca mais

Antonio Marcos, 
o cantor de São Miguel Paulista, 
é um dos cantores de
CASA AZUL DA LITERATURA

VÊNUS NEGRA — 3

VÊNUS NEGRA — 2

A VÊNUS NEGRA

Mostrando o preconceito europeu no século XIX, surge nas telas do cinema, o filme A VÊNUS NEGRA.
A película conta a história real de uma africana exibida como aberração na Europa no século XIX.
A mulher exibida como atração circense de fato existiu, e o filme é corajoso. Ao mostrar uma africana divertindo as plateias brancas, vem consolidar uma verdade inconteste. O cinema é sim entretenimento, é diversão, mas é também História.

NUMA NOITE NA CIDADE

— Rospo! Por onde tem andado? Faz tempo que não o vejo. Ontem foi sábado...
— É verdade, Sapabela. E agora é domingo, tão melancólico...
— Não me faça lembrar, é fantástico!
— Sapabela, tenho um segredo...
— Diga.
— A felicidade que está dentro precisa ser protegida a qualquer custo...
— Claro que sim...
— E é essa felicidade que dá o direito a você de ser um menino, um sonhador, um solitário, com a solidão escolhida, naturalmente... Andar pela cidade garoando  ou roubando um pouco de luar para ofertar a uma amiga, isso é coisa de cada um, e só a felicidade protegida possibilita isso...  O namoro, por exemplo, é um dos acontecimentos mais espetaculares na vida de uma sapo... Quando estou numa arquibancada ao luar, revejo estrelas infinitamente distantes, mas que me atiçam a alma com o brilho cigano que fura os séculos e séculos... Tenho consciência de que o minuto que passa é igual ao milênio que passa, que é igual ao tempo que o tempo diz...tenho medo de morrer, mas a felicidade protegida me iça do medo...
— Rospo, o outono está indo embora?
— Não, meu bem, o outono apenas está mais sensível...
— Rospo, nada será como antes... Tem canção que já disse isso...
— Mas quase tudo que tem a ver com um antes feliz, será melhorado, isso eu sei... Sou feliz, mesmo que me assuste diante da imensidão que nos observa nesse silêncio de milhares de pontos luminosos...
— Rospo, eu preciso abraçar alguém... Pode ser você?
— Deve ser, Sapabela, e vamos abraçados pela cidade. Somos amigos, e amigos se abraçam...
— Rospo, quero poemas, circos, sorvetes... Quero luares, e sonhos, quero dizeres...
— Sapabela, deixe o mundo lá fora, vamos nos recolher em nossa felicidade protegida e vamos caminhar um pouco...
— O amor não dá conta de sua própria felicidade... E ele surge tal qual o capim que fura o concreto da calçada, sua força se manifesta em gestos de amizade, em circos de luzes... Então, assim vamos nós, que os milênios estejam com sua benção na alegria que cada minuto pode conter.



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 616
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