—Com licença, senhora!
—Eu o conheço, Sapo?
—É Rospo o meu nome.
—E daí?
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
AS GARATUJAS DA SAPINHA
—Sapabela! Sei que adora pintura e é uma grande apreciadora da arte, mas não entendi esse quadro.
—Qual, Rospo?
—Qual, Rospo?
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013
ANUNCIANDO A DESINTOXICAÇÃO
—Desintoxicar a alma. Urgente! Nova modalidade: 2013.
—Rospo, aonde está indo com essa tabuleta? Por acaso está vendendo algum produto? Algum elixir? Um livro novo?
—Não estou vendendo nada, Sapabela. Estou apenas anunciando...
—Desintoxicação da alma? O que é isso?
—Rospo, aonde está indo com essa tabuleta? Por acaso está vendendo algum produto? Algum elixir? Um livro novo?
—Não estou vendendo nada, Sapabela. Estou apenas anunciando...
—Desintoxicação da alma? O que é isso?
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
AGUARDANDO A VIRADA
—Rospo!
—Sapabela! Que alegria! Hoje é o último dia do ano! Vamos começar logo cedo a comemorar?
—Estou com você, Rospo.
—Sapabela! Que alegria! Hoje é o último dia do ano! Vamos começar logo cedo a comemorar?
—Estou com você, Rospo.
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domingo, 30 de dezembro de 2012
NO ÚLTIMO DOMINGO DO ANO
—Rospo, cá estamos no último domingo do ano.
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Que alegria, meu querido!
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Que alegria, meu querido!
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domingo, 2 de dezembro de 2012
NO CAMINHO DA PADARIA RUBI
—Rospo!
—Sapabela, toda florida!... Que bonito vestido. Saudades!
—Eu também, meu amigo. Tomei uma garapa geladinha e pensei em você...
—Por causa da cor verde da garapa?
—Não! Por causa de nossas conversas, a doçura que elas destilam...
—Sapabela, toda florida!... Que bonito vestido. Saudades!
—Eu também, meu amigo. Tomei uma garapa geladinha e pensei em você...
—Por causa da cor verde da garapa?
—Não! Por causa de nossas conversas, a doçura que elas destilam...
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domingo, 11 de novembro de 2012
NA BOCA DA NOITE
— eeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Repita, querida.
—eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Que alegria é essa, Sapabela?
—Estamos na boca da noite do domingo.
—Repita, querida.
—eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Que alegria é essa, Sapabela?
—Estamos na boca da noite do domingo.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
O JARDIM E A AREIA MOVEDIÇA
—Rospo! Vamos abrir a semana?
—Vamos! Um chocolate com menta, pode ser?
—Uau! Vamos lá. E então, que me diz de novo?
—Uma rara descoberta.
—Vamos! Um chocolate com menta, pode ser?
—Uau! Vamos lá. E então, que me diz de novo?
—Uma rara descoberta.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
SOBRE OS ATRIBUTOS DO AMOR
A CONVERSA ESTÁ SÓ COMEÇANDO
(Sobre os atributos do amor)
— Rospo, qual é o mais egoísta dos sentimentos?
— É o amor entre um sapo e uma sapa...
— Tem certeza?
— Além disso...
— Tem mais?
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
O TEMPO DO TEMPO DO SAPO
—Rospo! Saudades! Estou tinindo por uma conversa.
—Yupiiii!
—Está bem, está bem, mas, sem escândalo. O que pensa da amizade?
—Riqueza!
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domingo, 12 de agosto de 2012
ALMAS MOVEDIÇAS
ALMAS MOVEDIÇAS
Sapabela encontra
uma amiga.
—Olá, amiga! Que
noite bela de domingo.
—Acabou,
Sapabela. Só penso no amanhã. Ter que acordar cedo, trabalhar.
Domingo à noite é melancólico, triste. Não suporto. Já tem o
cheiro da segunda-feira...
—Movediça.
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sábado, 28 de julho de 2012
SAPABELA, SOL E LUA, FELIZ...
SAPABELA, LUA E SOL, FELIZ
—Sapabela,
está tão feliz! Por acaso, está matando a saudade de algo?
—Eu?
Não mato nem formiga... Por acaso, iria matar a saudade? Não
cometeria esse crime. Saudade, que venha, quero vivê-la
intensamente.
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
TABLETE E ABRAÇO
TABLETE E ABRAÇO
—Sapabela!
—Rospo! Que alegria!
—Rospo! Que alegria!
—Pensou
que
eu
não
iria
aparecer
hoje?
—Já
é
muito
tarde.
Já
é
quase
um
novo
dia.
—Cada
dia
é
uma
nova
página.
—Gostei.
Página
me
lembra
papel...
—Por
enquanto...
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
AS PORCENTAGENS DA SAPA
Num eterno encontro casual...
—Rospo!
—Sapabela!
—Estava com saudades dos dois.
—Que dois?
—O chocolate expresso e a conversa...
—É?
—O três, não é, Rospo? Você também.
—Rospo!
—Sapabela!
—Estava com saudades dos dois.
—Que dois?
—O chocolate expresso e a conversa...
—É?
—O três, não é, Rospo? Você também.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
VAMPIRO CULTURAL
VAMPIRO CULTURAL
—Gosta de
histórias de terror, com vampiros?
—Ora, Sapabela.
Saiba, pois, que tem uma espécie de vampiro que realmente existe, e
aqui em nossa cidade é o que mais tem.
—Falando sério?
—Sim, é o
Vampiro Cultural.
—Nunca ouvi
falar.
—Mas cuidado com
ele.
—Que vampiro
cultural é esse, Rospo?
—Tem aos montes.
—É? O que é um
vampiro cultural, meu querido?
—Alguém que se
alimenta da influência, do cargo, da posição de outro sapo para
escalar, subir de posto, vencer na vida, ficar em evidência, ser
promovido,
—Realmente,
Rospo, até ouço as asas desses morcegos. Esse vampiro cultural é
bom de sugar, não é?
—Sim, ele está
em todas as partes, nas empresas, no mundo da cultura, no Facebook,
em todos os cantos. Onde tiver uma brecha, lá vem ele, o vampiro
cultural.
—Rospo, aprendi
uma coisa desde que era uma sapinha...
—Você deve ter
sido tão bonitinha...
—Aprendi, Rospo,
que só fica para a história quem realmente tem valor, ou seja, quem
trabalha e produz... O resto é só trânsito, é tudo passageiro...
—Mas o vampiro
cultural às vezes se dá bem...
—Mas é um bem
temporário, amigo, pode acreditar.
—Sapabela, hoje
está muito frio. O que isso lembra?
—Vampiro?
—Pare com isso!
—Estou brincando.
Lembra chocolate...
—Yupiiii!
—Rospo, eu já
falei. Pare com essa algazarra!
—A Algazarra nem
começou, Sapabela!
—Então vamos
começar. Moço!, dois chocolates expressos. Por favor.
—Yup...
—Rospo!
— ~~~~~~~~~~
—Não fique tão
jururu, meu amigo. Vamos os dois?
—Vamos: um, dois,
três... Já!
—Yupiiii!
Yupiiii!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 797
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
NO CENTRO DO RODAMOINHO UNIVERSAL
NO CENTRO DO RODAMOINHO UNIVERSAL
—Quando
se sabe que vai morrer, o sapo se liga às coisas que realmente
importam, que são as imensas, aquelas que estão na simplicidade da
vida, e nas coisas boas, como doce caseiro de abóbora e amizade
sincera, de risos e gargalhadas.
—Rospo,
estou estremecendo. Que papo é esse de “se sabe que vai
morrer”?...
—Fique
aflita não meu bem. O que estou a dizer é exatamente isso. A vida,
seja de quem for, necessita e clama por uma mitologia, que é “a
que faz falta”...
—Continue.
—Com
essa mitologia, que é feita de mecanismos de defesa interior...
—Sei,
a palavra “Aqui”...
—Palavra
curandeira de expressiva força...
—Prossiga.
Quero chegar no “morrer”.
—Pois
bem, é sabedoria compreender a finitude múltipla da vida.
—Vamos
com calma, Rospo. Estou assimilando. Aliás, está vendo aquela
padaria?
—Sim,
estou, durante anos tive um sonho de que o dia começaria mais feliz
se eu pudesse estar numa padaria tomando um chocolate expresso...
—Então,
Rospo, eu descobri, perplexa, de que assimilo melhor as ideias com um
licor de anis...
—Yupiiii!
—Está
bem, está bem, sem escândalo, sem alaridos... Vamos lá. Já que o
convite foi lançado como naipe à mesa, lá você poderá continuar
esse seu papo de lunedi.
—Exibidinha.
—Pronto,
amigo. Pode prosseguir.
—Nessa
mitologia pessoal, que depende e interessa a cada sapo, de forma
específica, pode, além dos mecanismos de defesa interior...
—Um
livro, uma janela arejada, uma canção da mocidade...
—Nem
se usa mais essa palavra, Sapabela: mocidade... Aliás, diz-se que em
algumas metrópoles usa-se mais o seu antônimo: bandidagem.
—Não
seja cruel, Rospo.
—Estou
brincando. É quando era menino brincava muito de mocinho e bandido.
Era muito bom, cada um se escondendo com aquelas armas de forquilha,
eu, sempre atrás de um pé de poejo ou de hortelã, ficava de
tocaia...
—Realmente,
sapinho entre as folhagens teve uma infância e tanto... Mas, fale
sobre essa tal mitologia pessoal.
—Que
licor de anis gostoso!
—Sempre
é. Mas, vá em frente. Vá fundo, Rospo.
—Não
exagere, Sapabela.
—Você
só me faz rir, Rospo! Por isso sua amizade brilha em meu coração.
—Pois
bem, um das pedras preciosas dessa tal mitologia é ter a consciência
de que se vai morrer...
—Entendi,
ao dizer, “quando se sabe que vai morrer”, está se referindo à
consciência da finitude da vida, de sua condição de efêmera.
—Vamos
para outra “ótica”?
—Estou
lá, mande dizer.
—A
finitude da vida é apenas um conceito, pois pensamos em categorias
conceituais o tempo todo.
—Quando
falei “vai fundo”, não quis dizer para exagerar, Rospo. Deixe de
lado esses termos acadêmicos e da Filosofia, e pelo que entendi,
está dizendo que “a finitude da vida” é relativa?
—Lembro-me
de quando chegou à periferia essa expressão : “tudo é
relativo”...
—Sei,
essa expressão é filha da PUC.
—Posso
continuar?
—Claro,
Rospo! Reparou que aqui tem um chocolate expresso?
—É
o “Pós drinque” para o licor de anis.
—?
—É,
quando é comida, é sobremesa, quando é bebida, é “ Pós
drinque”...
—Está
certo. Então, prossiga. Vai... na sua.
—Pensei
que iria falar diferente.
—Iria,
mas fiquei desconcertada com esse olhar.
—Falando
em olhar guloso, adoro a arte...
—Rospo,
atenha-se! E prossiga. Ninguém falou em gulodice. E já nem consigo
parar de rir.
—Pois
bem: finitude da vida é apenas um conceito, pois ela, a vida,
prossegue nas coisas boas que se planta e nas ondas mentais que
atravessam os casarões, os vilarejos numa polinização espetacular,
de riqueza infinita. Sempre que você expressa um sentimento ou um
pensamento poético, por exemplo, ele se irmana em feixes invisíveis
a algum outro poeta, em algum canto do mundo.
—Acredita
mesmo nisso, Rospo?
—Naturalmente,
então, a vida é infinita. Ela apenas finge que termina, pois estará
sempre nas coisas imensas que movem os corações e as almas na
multidão.
—Nesse
sentido, Rospo, saber que se vai morrer é ter a consciência de que
a vida sempre pede passagem... E é infinita, e...
—Prossiga.
—Foi
uma pausa para a emoção.
—Pois?
—Ter
a consciência de se que vai morrer é participar de algo imenso, é
estar sintonizado com a força mais expressiva da vida, é estar no
centro do ciclone universal. Na verdade, é abrir o coração para
viver intensamente, é participar da vida com felicidade...
—Sim,
estar no centro do turbilhão. Ser a profusão de luzes no torvelinho
do universo... —Por isso amo a nossa amizade, Rospo: o melhor do
amigo cada um de nós leva na conversa, que transportamos conosco, em
nossa mochila dos tesouros insondáveis. Moço! Traga dois chocolates
expressos...
—Yupiiii!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 796
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
SER O QUE É, SEMPRE
—Sapabela, como vai?
—Vou nas asas da amizade sincera, do amor, da delicadeza, da ética. Como vê, vou alada.
—Interessante.
Estive pensando: não é justo o que você faz.
—Do
que está falando, Rospo?
—Ora,
Sapabela. Está querendo aumentar o índice de ataques cardíacos, de
AVC, de neuroses, de doenças somáticas, de...
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O BUQUÊ DE CADA UM
—Sapabela, que noite fria!
—Estava
fria.
—Tem
razão. Esse encontro de sapos amigos aquece qualquer noite.
—Eu
já sou feliz só de pensar que no acaso posso encontrar um amigo.
—Sapabela,
seu espírito é um ramalhete.
—Que
bonito, Rospo! Sempre desconfiei que tinha um buquê dentro de mim.
—Esse
buquê é um feixe de luzes. É ele que devemos proteger...
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 7 de julho de 2012
A ARTE NÃO SE COMPRA
—Estou muito feliz por você ter aceito o meu convite, Sapabela. Faz tempo não vinha ao museu.
—Eu
também estou feliz, Rospo. Recentemente, me pus a pensar no preço
que pagam por telas clássicas...
—Curioso
isso, Sapabela.
—O
que tem de curioso? Quem tem dinheiro pode adornar a sua morada com
coleções de arte...
—Isso
não me parece simples, de imediato.
—Rospo,
eu o conheço. Diga o que está pensando.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
OBVIEDADES NÃO EXPLÍCITAS
—Sapabela!
—Rospo! Saudades!
—Temos tanta conversa atrasada.
—Vamos quitar essa dívida hoje.
—Eu começo.
—Só se for já.
—Fiquei pensando nas obviedades não explícitas.
—Rospo, isso é contraditório.
—É nada, Sapabela. Saiba que tem tantas coisas óbvias, que estão diante dos olhos da multidão e quase ninguém repara.
—Ninguém tem tempo.
—Já pensou se tempo fosse vendido em supermercado? Que longas filas!
—Ninguém teria tempo para as filas, Rospo. O tempo seria gasto nas filas das lotéricas....
—Tem fila que eu gosto.
—Tem?
—Fila de cinema.
—Ula lá! Mas fale de uma obviedade não explícita.
—"A partícula de Deus".
—Muito difícil, Rospo, mas obviamente eu já sabia que não iria escolher uma fácil, seu danado.
—Sapabela. Assim que é bom.
—Fale então sobre isso.
—É a expressão em Português, é curioso. Só em nosso idioma ela surgiu assim. Em Inglês, é a "Partícula Deus", então, esse "de" que entrou em nossa versão para a expressão, para a alcunha...
—Alcunha?
—Sim, é o apelido que inventaram para bóson de Higgs...
—Muito bem, mas, sabe, Rospo, hoje é sexta-feira. Queria um papo assim com mais leveza.
—Uau!
—Você faz isso?
—Não, eu faço Yupiiii!
—Sei, foi pura distração.
—Sapabela, eu a convido para...
—Aceito!
—Como adivinhou que era sorvete?
—É sorvete?
—É, vamos?
—Yaupiiii!
—O que é isso?
—É a convivência.
—Mas você adaptou.
—Aperfeiçoei, Rospo, Ficou mais charmoso um Yaupiiii! do que um Yupiiii!
—Sapabela, sobre essas obviedades não explícitas, uma solução é você abrir as janelas...
—Gosto da palavra janela em vários mundos. Ventana, finestra.
—Mas...
—Diga, amigo,
—Abra a janela, onde estiver, e irá compartilhar a alegria da visão das coisas que necessitam de atenção.
—Ou seja, tudo que está no mundo. Mas, se estou na calçada, como agora, como posso abrir uma janela?
—Sapabela, refiro-me à janela que há em você, em cada um de nós.
—Sim, as nossas janelas, que podem nos deixar ensolarados, enluarados, arejados...
—Preciso dizer algo, Sapabela.
—Pois diga.
—Eu...
—Diga!
—Sabe... Eu... Eu... Nada, vamos tomar o nosso sorvete.
—Rospo, você acaba de me mostrar algo imenso.
—Mostrei não, Sapabela!
—Seu engraçadinho. Estou falando do seu jeito, esse acanhamento, essa indecisão, essa face ruborizada. Essa sua ruborização facial é altamente reveladora...
—Do que está falando, Sapabela?
—Das obviedades por demais explícitas.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 791
Marciano Vasques
—Rospo! Saudades!
—Temos tanta conversa atrasada.
—Vamos quitar essa dívida hoje.
—Eu começo.
—Só se for já.
—Fiquei pensando nas obviedades não explícitas.
—Rospo, isso é contraditório.
—É nada, Sapabela. Saiba que tem tantas coisas óbvias, que estão diante dos olhos da multidão e quase ninguém repara.
—Ninguém tem tempo.
—Já pensou se tempo fosse vendido em supermercado? Que longas filas!
—Ninguém teria tempo para as filas, Rospo. O tempo seria gasto nas filas das lotéricas....
—Tem fila que eu gosto.
—Tem?
—Fila de cinema.
—Ula lá! Mas fale de uma obviedade não explícita.
—"A partícula de Deus".
—Muito difícil, Rospo, mas obviamente eu já sabia que não iria escolher uma fácil, seu danado.
—Sapabela. Assim que é bom.
—Fale então sobre isso.
—É a expressão em Português, é curioso. Só em nosso idioma ela surgiu assim. Em Inglês, é a "Partícula Deus", então, esse "de" que entrou em nossa versão para a expressão, para a alcunha...
—Alcunha?
—Sim, é o apelido que inventaram para bóson de Higgs...
—Muito bem, mas, sabe, Rospo, hoje é sexta-feira. Queria um papo assim com mais leveza.
—Uau!
—Você faz isso?
—Não, eu faço Yupiiii!
—Sei, foi pura distração.
—Sapabela, eu a convido para...
—Aceito!
—Como adivinhou que era sorvete?
—É sorvete?
—É, vamos?
—Yaupiiii!
—O que é isso?
—É a convivência.
—Mas você adaptou.
—Aperfeiçoei, Rospo, Ficou mais charmoso um Yaupiiii! do que um Yupiiii!
—Sapabela, sobre essas obviedades não explícitas, uma solução é você abrir as janelas...
—Gosto da palavra janela em vários mundos. Ventana, finestra.
—Mas...
—Diga, amigo,
—Abra a janela, onde estiver, e irá compartilhar a alegria da visão das coisas que necessitam de atenção.
—Ou seja, tudo que está no mundo. Mas, se estou na calçada, como agora, como posso abrir uma janela?
—Sapabela, refiro-me à janela que há em você, em cada um de nós.
—Sim, as nossas janelas, que podem nos deixar ensolarados, enluarados, arejados...
—Preciso dizer algo, Sapabela.
—Pois diga.
—Eu...
—Diga!
—Sabe... Eu... Eu... Nada, vamos tomar o nosso sorvete.
—Rospo, você acaba de me mostrar algo imenso.
—Mostrei não, Sapabela!
—Seu engraçadinho. Estou falando do seu jeito, esse acanhamento, essa indecisão, essa face ruborizada. Essa sua ruborização facial é altamente reveladora...
—Do que está falando, Sapabela?
—Das obviedades por demais explícitas.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 791
Marciano Vasques
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