terça-feira, 9 de novembro de 2010

NA FILA DE AUTÓGRAFOS

Rospo acaba de lançar um livro e está autografando. Chega a vez da Sapabela.
- Rospo! Impressionante.
- O que, Sapabela? O meu livro?
- Não, Rospo! Ainda não li. O que me impressionou é a sua paciência, a sua dedicação nos autógrafos. Você fica horas numa fila e conversa com todos, com cada um. Não se cansa?
- Não, Sapabela.
- Qual é o segredo? Por que, afinal, tanta paciência, tanta atenção? Por que se dedica tanto nos autógrafos?
- Ora, Sapabela, descobri algo precioso...
 - O que?
- Essa é a melhor parte na vida de um sapo escritor...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 338

Marciano Vasques

Leia também em CIANO

O EXPRESSO POLAR

NA BIBLIOTECA NACIONAL


SÓ PRA LEMBRAR...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O OLHAR DA SAPABELA

- Sapabela, na verdura dos seus olhos...
- Meus olhos nem são tão verdes, Rospo. Aliás, eles possuem um verde bem claro...
- Clareza é o que mais tem no seu olhar.
- O que está acontecendo, Rospo?
- Na verdade, eles são verdes... Espero que quando amadurecerem, continuem verdejantes... para o mundo.
- Meus olhos não estão maduros, Rospo?
- Estar verde é como estar em inflorescência, em permanente desabrochar. Para mim, eles representam o broto, o brotar para a vida, para a visão das coisas que passam...
- Rospo, você está inspirado, ou é uma cantada?
- Temia que perguntasse isso.
- Por que, meu amigo?
- Nenhuma sapa suporta um elogio.
- Ora, Rospo, elogio sincero de sapo faz bem, muito bem, mas quando é exagerado...
- Às vezes um sapo derrama um pote de melado por uma migalha...
- Rospo, sem potes de melado, ofereça-me apenas uma flor.
- Sapabela, é você que precisa aprender a colher flores...
- Não disse que havia clareza em meus olhos?
- Sim, mas eles precisam aprender a distinguir as flores banais das essenciais...
- Rospo, não sei bem aonde você quis chegar, mas uma flor do seu jardim jamais será banal.
- Por que sempre essa cortina, Sapabela?
- Que cortina? ...
- A cortina que corta a visão do seu coração...
- Verduras às vezes precisam de proteção, Rospo...
- Excesso de proteção também pode significar medo de viver, Sapabela. Por que não abre os olhos para as coisas que realmente importam?
- Diga uma dessas coisas.
- Quando mergulho no meu jardim interior e busco uma flor para você...
- Compreendo, Rospo, prometo que vou aperfeiçoar o meu olhar...
- Viva! O meu jardim irá florir intensamente.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 337

Marciano Vasques

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SAPOS E SAPAS E A ARTE DE VIVER

- Alguns sapos passarão uma vida inteira tentando possuir suas sapas e terão delas apenas a obrigatoriedade matrimonial, ou o que há de pior, a ausência da própria feminilidade.
- Rospo, que coisa profunda. Por que disse isso?
- Por causa das sapas que vivem as suas revoluções pessoais...
- Você acredita que um sapo e uma sapa podem ser felizes?
- Claro, Sapabela, mas o amor jamais deverá ser usado como desculpa para que um seja anulado pelo outro...
- Outro dia falou sobre as sapinhas...
- Sim, toda menina sapinha é esperta, de uma esperteza pura, não tem no brejo e no mundo criatura mais esperta e feliz do que uma sapinha... e no entanto...
- Sim?
- Depois, crescem, e muitas se tornam alienadas, bobocas, submissas... 
- Por que será que isso acontece? É a religião, a sociedade?
- Marido...
- Mas nem todos os sapos são iguais...
- Concordo, tem sapos que com seu modo de ser  fazem da sua companheira uma sapa realizada, dona do seu futuro e do seu querer...
- Eles fazem?
- Eles participam desse fazer, que nasce da união dos dois...
- Sabe, Rospo, fiquei pensando, a melhor coisa para uma sapa é o namorido.
- Namorido?
- Mistura de namorado com marido... Namorido.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 336


Marciano Vasques

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domingo, 7 de novembro de 2010

AMORES

ANTÔNIO MARCOS e VANUSA - VALEU A PENA

ANTONIO MARCOS

FILHO DE SÃO MIGUEL PAULISTA

O cantor Antonio Marcos nasceu em São Miguel Paulista. Neste bairro da Zona Leste, cuja maior concentração de moradores é de origem nordestina, tem uma Praça com o seu nome: Praça Antonio Marcos. A Casa de Cultura de São Miguel Paulista leva o seu nome. Nas festividades dos 385 anos do bairro, a Casa de Cultura de São Miguel Paulista passou a chamar Casa de Cultura Antonio Marcos. ... em homenagem ao artista, nascido e criado em São Miguel Paulista. Os moradores da Região têm por ele um imenso carinho.
O artista foi office boy, vendedor de loja de calçados, e sempre batalhou pela vida artística.

CARINHO

AMIGA QUERIDA

ROSEMARY LOPES PEREIRA
Apucarana - Paraná - Brasil

PROFESSORES DO VALEU PROFESSOR

VISITA- FIBRIA 
(Professores vencedores do VALEU PROFESSOR, em Piracicaba)

sábado, 6 de novembro de 2010

RETRATO DE MONTEIRO LOBATO

Óleo pintado pelo artista plástico Marchi 
para a Revista do Círculo do Livro.

VEIO E PARTIU EM NOVEMBROS

Cecília Meireles - Poetisa do Brasil

II ENCONTRO DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL

O SAPO, A LEITEIRA E A LEITURA

Toda criança, todo sapinho, precisa da leiteira e da leitura.
- Leiteira e leitura?
- Leiteira, Sapabela, é para guardar o leite... que alimenta o corpo.
- E a leitura?
- A leitura é o outro leite.
- Que outro leite?
- O leite que alimenta a alma, o espírito...
- Então, o sapinho precisa de dois leites?
- Sim, os dois são igualmente importantes...
- A leitura é o leite do espírito do Sapo, que está no papel.
- Atualmente, está mais na tela...
- Ora seja, mas o leite que alimenta o sapinho pertence ao bezerro...
- Bem, Sapabela, nem tudo é perfeito, mas o que importa é que para o pleno desenvolvimento do sapinho, os dois leites são necessários...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 335

Marciano Vasques


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HÁ UMA ESTRANHEZA A CAMINHO?



Escrevo hoje porque a vida é imensa.
Quero me ocupar de um assunto que tanto me incomoda por ser em si tão estranho.
Seria bom se no mundo inteiro todos os povos pudessem saber de algo que está querendo acontecer no Brasil.
Pessoas que se dizem educadoras estão querendo banir da escola um clássico da Literatura Infantil pioneira no país, um livro de Monteiro Lobato. Parece que é isso mesmo. Caçadas de Pedrinho. Meu Deus!
O argumento: Dizem que é racista.
Nietzsche fazia experimentos com o pensar. Scarlett Marton. Sim, é isso mesmo. Veja como a memória é generosa com o bonito acadêmico.
Meu Deus!
Eu era apenas um menino, bem mais menino do que agora, e amava, adorava Tia Nastácia. Que maravilha! Sim, é isso mesmo. Tia Nastácia era tudo de bom. Lembrar daquelas leituras sob a árvore do quintal é trazer de volta o aroma da canela na rabanada dos dias felizes. Como tenho tanto que agradecer a esse homem...
Tia Nastácia...
Que aventura! Como aprendi... Que menino privilegiado fui, graças às duas mulheres inesquecíveis e amorosas para com a infância. Dona Benta e Tia Nastácia. Viajei tanto com elas...
Proibir Monteiro Lobato nas escolas? O homem que ergueu o mais bonito e duradouro diálogo com a infância? Aquele que ofereceu o seu coração para a mais grandiosa contribuição contra o preconceito e a ignorância?
Autor de um belo conto intitulado Jeca Tatu, de extraordinária força poética (Que texto lindo!),  foi o maior inspirador contra a estupidez e a ignorância, como eu disse agora, e assim o escritor fecundo que tanto contribuiu contra o racismo e o preconceito, pensares que só florescem nas trevas.
Ao reproduzir o coloquial, o autor pode ser mal interpretado por uma leitura frágil.
Ao reproduzir o coloquial, ao pôr o espírito da época na boca de seus personagens, pode realmente ser confundido pela fragilidade de algumas leituras.
E falando em espírito da época, eis Emília, a personagem revolucionária de Lobato, transgredindo com sua voz os ditames de uma sociedade patriarcal e abrindo as frestas por onde o sol viria a escoar na nova mulher.
A mulher que encontrou não apenas os primeiros fiapos, os primeiros rascunhos, os primeiros esboços do seu grito na insolente voz da boneca serelepe, mas sim a primeira coragem: irônica, atrevida, esperta, desafiadora.
Todavia os nossos educadores, alguns, estão pensando nesse crime de proibir Lobato nas escolas... Bem, espero que a lucidez possa prevalecer e então que todos venham a compreender que o que precisamos mesmo é de uma reforma no pensamento para que Lobato seja leitura obrigatória em todas as escolas. Com elas: a boneca, a Dona Benta e a tia Nastácia. Que trio!

MARCIANO VASQUES

EVENTO EM URBELÂNDIA

SELO AMIGO

Ofertado por Michelle Trevisani, 
CASA AZUL DA LITERATURA 
recebeu este belo selo.

O ABSTRATO

Ao ver o sapinho com os olhos latejando de brilho diante do pudim, Rospo abriu a palavra.
- Sapabela, estive pensando na ideia do abstrato.
- Abstrato?
- Substantivo abstrato. Veja só: são os sentimentos que não podem ser representados, pois não existem por si só. Dependem de um ser para existir., como a saudade, o amor...
- Se depender de mim o amor vai existir até transbordar...
- Disso eu tenho certeza...
- Fale mais.
- É por ser diferente para cada um que o amor não pode ser representado, pois todos sentem de uma forma específica, muito particular.
Mas, penso que não é bem assim, Sapabela...
- Rospo? Vai querer discutir com a gramática? Ela é uma senhora, uma dama. E com uma dama não se discute, ainda mais quando ela é de ferro.
- Ora, Sapabela, não quero contrariar nenhuma dama, mas veja o caso da felicidade...
- Sim?
- Ela pode ser representada por um pudim...
- Até concordo, meu amigo, mas pode ser representada para aquele sapinho.
- Verdade, como o gibi do Lee Falk que embalou a minha infância...
- Então, a partir disso que é abstrato... Pois pode ter milhões de representações... Eu não li esses gibis, mas para você isso sempre será a felicidade...
- O que é para você a felicidade, Sapabela?
- A nossa amizade.
- Tem razão. Existe coisa mais concreta em nossas vidas, Sapa?
- ?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 334

Marciano Vasques

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

JOSÉ E PILAR

O SAPO E O DOM DA ARTE

- Rospo, qual é para você o mais triste poema da Língua Portuguesa?
- "Vou-me embora pra Pasárgada". Eu sempre choro...
- Sapo chora?
- Quem falou que as lágrimas são privilégios da Sapa? Além do mais, nem todo choro é visível... Alguns precisam de um certo olhar... E também precisam ser decifrados...
- Que poema triste Manuel Bandeira escreveu...
- Sim...
- E para você, qual é a música de letra mais triste?
- "A Via Láctea"...
- Quem canta?
- Renato Russo... Um jovem que comoveu com o seu talento e a sua coragem...
- É deveras uma música emocionante... E o cinema, Rospo?
- O que tem o cinema, Sapabela?
- Para você, qual o filme mais triste?... Ou o mais belo?...
- Alguns filmes são inesquecíveis... Doutor Jivago...
- Rospo, ser tão sensível não combina... com a nossa época... Veja só, é a época do celular, da tecnologia, da rapidez, do pragmatismo veloz...
- Sapabela, a Arte, e só ela, tem o dom de perfurar os bloqueios de quaisquer épocas... Ela ultrapassa o tempo e tem mais...
- Tem?
- Sim, só ela pode de fato nos educar... A Educação é o amor da Arte...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 333

Marciano Vasques

Leia também em CIANO

VOU-ME EMBORA

UMA CASA PORTUGUESA

UMA CASA PORTUGUESA

ROSPINHO E A POESIA

Quando Rospo era um Rospinho...
- Rospinho! Quero que me diga cinco coisas que não têm preço, que não podem ser vendidas...
- Cinco coisas?
- Sim.
- Fácil. Primeiro, o amor; segundo, a amizade; terceiro, a saudade; quarto; a sabedoria...
- E a quinta?
- A poesia.
- Ora, Rospinho. Você errou.
- Por que, professora?
- A poesia pode sim ser vendida. Aqui está um livro de poesia. Veja! Ela é uma mercadoria como as outras, diferente, claro, mas pode ser vendida.
- Professora, a senhora está boiando.
- Posso saber por que?
- O livro é um objeto que transporta e guarda a poesia, mas ela em si não pode ser vendida. Ela está na alma. Está no coração, e o que brota no coração não tem preço...
- Mas a poesia pode ser transformada em produto visual. O universo digital consegue tudo...
- Não importa. Poesia é a essência de si, e tal coisa não se vende.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 332

Marciano Vasques

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CHEGOU CIANO!

NOVO BLOG NO AR!

ESTÁ NO AR O BLOG 
CIANO
Blog do escritor Marciano Vasques
Para ver, clique AQUI

AQUELA CANÇÃO

CIANO

Sapabela decide caminhar ao amanhecer e encontra o Rospo, olhos erguidos para o alto.
- O que faz por aqui, Rospo? Está olhando para o céu?
- Faço isso todas as manhãs.
- Olha para o céu todas as manhãs? Por qual motivo faz isso?
- Por causa dela.
- Ela quem?
- A cor.
- Cor?
- É a cor do céu nas primeiras horas da manhã.
- Já sei! É ciano.
- Sim, o meu azul preferido.
- Gosta de ciano?
- Claro, é uma mistura de verde-água com o azul da manhã. Um azul suave e claro como a clareza dos seus olhos.
- Rospo, também farei isso. Como tenho o hábito de acordar cedo, não quero perder o ciano um só dia.
- Será um exercício simples, Sapabela. É só erguer os olhos pelo menos por um minuto...
- E os que acordam tarde?
- Que pena! Perdem o ciano da manhã.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 331

Marciano Vasques

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Procol Harum - A Whiter Shade of Pale

O USO EXAGERADO DAS PALAVRAS

Rospo estava de Bonanza! caminhando numa calçada do sol quando encontrou a Sapabela, bem mais sapa do que sempre.
- Rospo, que maravilha!
- O que aconteceu, Sapabela?
- Irei ao baile sábado.
- Baile?
- Minhas amigas de "ginásio" promoverão um baile da saudade. É o reencontro de velhas amizades.
- Isso é uma coisa boa, Sapa.
- Veja! Que absurdo! - exclama a bela sapa.
- O que, Sapabela?
- Um sapinho descalço num dia tão friorento.
- É algo preocupante. Eu diria, triste.
- É um absurdo!
- Sapa, você me fez pensar no uso que se faz das palavras.
- Diga.
- Ir ao baile virou maravilha, sapinho descalço no frio é absurdo.
- Não estou entendendo, Rospo.
- Precisamos usar as palavras com mais critérios.
- Por exemplo?
- Um sapinho nascendo é uma maravilha, e um cachorro voando é um absurdo...
- Compreendi. As palavras podem se desgastarem se forem usadas a granel, sem critérios...
- Ótimo, Sapabela! Você entendeu. Que maravilha!
- Ora, Rospo, você usou de forma inadequada.
- Será?
- Como, "Será"?
- A capacidade do sapo de entender é de fato uma maravilha.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 330

Marciano Vasques

O SAPO DECIDIU

- Não farei isso! Não vou! Não vou! - dizia, agitado, o sapo amigo do Rospo.
- Ora, amigo. Calma! Pense antes.
- Já pensei e não quero. Não tomarei jamais nenhuma dessas pílulas. Não quero saber de remédios.
- Qual é o problema em um sapo contar com a ajuda da Ciência? Veja, você usa óculos. Muitos sapos não têm dentes...
- Não me importa, Rospo.
- Ora, Sapo. A Ciência já nos ajuda diariamente. Antes morávamos numa caverna. Hoje, ao simples toque acendemos as luzes.
- Eu sei, Rospo, eu sei...
- E também na saúde. Veja que um comprimido pode curar seu resfriado ou interromper uma enxaqueca...
- Sei disso tudo, mas não quero...
- As sapas sempre me pareceram mais corajosas...
- Do que está falando?
- As grandes revoluções foram promovidas pela Ciência... A primeira foi o surgimento da pílula anticoncepcional, e agora, mais recentemente, a pílula para disfunção sexual no sapo. E não tem nada de vergonhoso nisso, Sapo.
- Você acha?
- Não uso essa palavra para dizer o que penso.
- Você pensa assim como me disse?
- Se um dia eu estiver precisando, usarei com tranquilidade. Não há nenhum problema nisso.
- Talvez tenha razão. A Ciência já nos ajuda tanto! Mas vou morrer de vergonha.
- Se morrer será uma pena, pois é um bom sujeito. Mas é assim: uns morrem de fome, e outros de vergonha.
- Obrigado, Rospo! Você me encorajou, revolucionou a minha cabeça.
- É para isso que servem as amizades. Milhões de revoluções acontecem diariamente.
- Bonanza! Irei sim, Rospo..
- E não se esqueça!
- Sim?
- Faça feliz a sua sapa.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 329


Marciano Vasques

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A SUPREMA FELICIDADE

AMARCORD

A REVOLUÇÃO DA SAPABELA

- Olá, Rospo. Como vai você?
- Sapabela! Reparei que está falando baixo.
- É  a minha revolução, meu amigo.
- Falar baixo?
- Com certeza.
- Interessante.
- Cada um deve ter a sua revolução pessoal, eu tenho a minha.
- Fale um pouquinho sobre essa sua "revolução pessoal" Sapabela, mas, baixo, claro.
- Pois é, num mundo motivado por barulheira infernal e tanta gritaria, falar baixo é a minha revolução...
- É o seu toque feminino?
- Ultrapassa isso, meu querido. É a minha revolução para o bem do brejo, do mundo... Estou fazendo a minha parte, sou o passarinho da fábula...
- E se sente bem assim, falando baixo, competindo com o barulho e com a gritaria atual?
- Aprendi com você, Rospo, que jamais devemos competir... Não estou competindo com nada nem com ninguém, apenas essa é a minha forma de estar no mundo, e quero "gritar!" sempre baixo, a dizer: "Ei! Eu estou aqui! Eu, aquela que fala baixo, aquela que fala suave"...
- Suave! Sim, é isso! Você não fala baixo, fala suavemente. Essa é realmente uma grande revolução, minha querida.
- Podiam ser dois revolucionários. O que acha?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -328

Marciano Vasques

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O LUGAR MAIS DEMOCRÁTICO

- Um dia estarei lá, Sapabela - disse o Rospo, apontando para o cemitério.
- Eu também, Rospo. Todos nós.
- Ele espera por todos. Que lugar democrático!
- Democrático?
- Sim, ele não faz distinção de classe, de raça, de cor... Todos têm o seu espaço, seja pobre ou rico...
- Realmente, Rospo, é bem democrático. A vida devia ser um cemitério...
- Cruzes, Sapabela!
- Eu quis dizer: todos deveriam seguir o exemplo do cemitério. Um lugar justo, democrático, onde o poderoso tem vez, e o miserável também...
- Esse assunto está muito tétrico... Que o cemitério seja o mais democrático dos lugares não resta dúvida, mas, vamos parar de falar sobre ele?
- Concordo, vamos mudar de assunto.
- Sobre o que falaremos?
- Crematório. Que tal?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 327

Marciano Vasques

ROSPINHO E A LENTIDÃO

Quando Rospo era um Rospinho sempre participava das aulas. Certa vez a professora pediu para que ele falasse cinco coisas lentas. E ele começou.

- Lesma.
- Muito bem. Continue.
- Caracol.
- Ótimo! Só faltam três.
- Caramujo.
- Excelente! Vejo  que está afiado, Rospinho, Continue.
- Tartaruga.
- Isso! só falta uma.
- Escola.
- Escola? A escola não  é lenta! Ela é...
- Parada.
- Parada? Sim, claro. Ela é um prédio.
- Eu não falo do prédio, professora.
- Rospinho, está muito esperto para a sua idade.
- Isso não é esperteza, professora, é observação, conhecimento.
- Pois é muito conhecimento para a sua idade, Rospinho.
- Viu?
- Viu, o que?
- Não falei que a escola é lenta?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 326

Marciano Vasques

BLOG BLOG BLOG

- "Blogo, logo existo!"
- Não é bem assim, Rospo.
- Estou treinando, Sapabela.
- Treinando?
- Para quando ele voltar.
- Ele quem?
- O blogueiro.
- Sei. Aquele personagem... Ele voltará?
- Não sei, mas espero que sim.
- Quero treinar também.
- Manda ver.
- " Quem bloga seus males espanta".
- Gostei, Sapabela, e reparei uma coisa.
- O que, Rospo?
- A alma do blogueiro está presente em cada um de nós.
- Verdade. Podemos hoje dizer que o mundo é um blog.
- Não exagera, Sapabela.
 - É, acho que me empolguei.
- Veja, Sapa, aquelas montanhas, e o céu tão azul. Que blog maravilhoso!
- Creio que não estou sozinha na empolgação.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010  - 325

Marciano Vasques

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