Em Novembro de 2010, no Brasil, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo proíbe entrega do livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" a estudantes da 6ª a 9ª Série do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Um dos contos do livro, que motivou a proibição, é o conto "Obscenidades para uma dona de casa", de autoria do escritor Ignácio de Loyola Brandão.
sábado, 20 de novembro de 2010
BREVÍSSIMA HISTÓRIA DA LITERATURA - 1
Escrito em 1857 na França, por Gustave Flaubert, Madame Bovary resultou num escândalo e quase o autor foi condenado à morte pelas autoridades da moral e dos bons costumes.
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BREVÍSSIMA HISTÓRIA DA LITERATURA
NA EMEI PAULO FREIRE
Marciano Vasques, você é puro talento e encanto! Gracias por vc ter enchido a todos aqui com a sua doçura.
Professora Cristiane Ferreira
18/11/2010
EMEI Paulo Freire
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PALAVRAS AZUIS
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
A VIDA É ELA MESMO
Rospo encontra a sua amiga Sapabela.
- Sapabela, você se lembra que certo dia, bem recentemente, contei que havia encontrado uma parceira para o meu projeto de um livro didático?
- Lembro-me: você estava empolgado e feliz.
- Sim, hoje em dia é difícil encontrar uma parceria que dê certo, não é?
- E para você, é tão importante fazer esse livro didático, Rospo, que só posso dar os meus Parabéns por ter encontrado a sapa certa para tocar em frente esse sonho.
- Não deu certo, Sapabela.
- O que houve, Rospo?
- Ela não pode.
- Por que, meu querido?
- A mãe dela está doente, ela precisa ocupar o seu tempo cuidando da mãe...
- A mãe é a primeira fonte na vida de alguém... Tudo começa na mãe...
- Eu sei, Sapabela. É justo. Mas é claro que eu queria que ela pudesse...
- Mas às vezes recebemos alguns recados da vida...
- Por exemplo...
- A vida costuma dizer assim: "A Vida é ela mesmo".
- Que bonito, Sapabela!
- Você parece que vive correndo atrás do tempo, Rospo...
- Estou vivendo pela primeira e única vez... Quando você tem a consciência de que está vivendo pela última vez, e que a vida é curta...
- Sei, você quer fazer aquilo que já existe em forma de sonho...
- Arrebatou, Sapabela! Por isso você é minha linda amiga.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 348
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
O SAPO E O DESFILE
A convite da escola da sobrinha Joelminha, no dia da Bandeira, Rospo e Sapabela assistem a um desfile militar.
- Rospo, você é um artista.
- Não é hora de falar, Sapabela. Depois diz que sou eu que não sei me comportar.
- Falei baixinho, Rospo.
- Está bem, mas, procure assistir ao desfile. Senão a Joelminha ficará triste.
- Você faz arte...
- Eu sei. Convivo comigo.
- É uma cabeça pensante.
- Sei, sei.
- Engano meu?
- Não! Você está certa, mas, por favor, não é momento de falar.
- Nesse sentido tem razão. Um desfile qualquer que seja é como uma peça de teatro ou uma apresentação musical. Exige e merece silêncio. Mas...
- Mas o que, Sapabela?
- Faz arte para a paz.
- Isso é verdade.
- Não consigo me enganar hoje.
- Sapabela, eu não posso rir agora, portanto, fique quieta.
- Vive para a paz, produz para a paz.
- Sapabela, está me emocionando...
- Oba! Estou chegando lá!
- Não existe uma sapa igual a você no brejo.
- Faz arte para construir um mundo de paz...
- Sapabela, por que os militares foram necessários no mundo?
- Por que o mundo nunca teve artistas o suficiente.
- Sapabela, vamos assistir ao desfile?
- Vamos, estou caladinha.
- Consegue?
- Viemos aqui para isso...
- Assim é a vida, Sapabela. Cada momento é para si.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 347
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
QUE HÁBITO SERÁ?
- Rospo, você vai ter que descobrir o que é.
- Adora essas brincadeirinhas, não é, Sapabela? Pois então, comece.
- É um hábito.
- Dê mais uma pista.
- É um hábito que causa uma sensação de conforto, de bem estar... De satisfação...
- Comer bombons? Tablete de chocolate?
- Não! É algo que dá mais prazer, causa uma sensação de conforto e de realização maior...
- Ouvir música...
- Mais que isso. Deixe-me ajudar: é um hábito que tem, que ocorre nos mais variados lugares.
- Por exemplo?
- Na escola, entre os professores, e também nas conversas dos alunos. No serviço público entre os funcionários, nas empresas, em casa, em família, e no casamento, principalmente... Também nas relações de amizades e nas rodinhas dos amigos... Nas baladas e até nos namoros...
- Sei não, Sapabela, que hábito será esse?
- Falar mal dos outros, criticar, reclamar do outro...
- É mesmo?
- Principalmente reclamar do outro.
- Sapabela, então não é um hábito!
- Não?
- Não! É um vício.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 346
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
UM NOVO LIVRO INFANTIL E A CRIANÇA
- Soube que o Rospo está escrevendo um novo livro infantil, Cobibrã?
- Sim, Sapabela.
- Vai tratar do assunto "morte"... e também estará presente na história o assunto "Política"...
- Ele não pode fazer isso, Sapabela!
- Por que não?
- Certos assuntos, como Religião, Política, Morte... Não podem ser tratados na Literatura Infantil...
- E agora? " O lobo comeu a vovó!".
- O que você disse?
- Nada. Foi uma nova expressão que inventei.
- Ora, Sapabela, muitos temas são proibidos para crianças. Literatura Infantil não pode tratar de sexo, de violência, de Morte, de Religião, de Política, de...
- Colibrã, minha querida, não sei em que brejo você vive, nem em que época, mas já faz tempo que as crianças são tratadas como seres inteligentes...
- Devemos proteger os sapinhos de muitos assuntos... Devemos esconder certas verdades...
- Colibrã, devemos agradecer aos autores que sabem que a criança é capaz de entender de tudo, e se ela tem a sua própria lógica, que é mágica, é através dela, a magia da infância, que a Literatura Infantil poderá ajudá-la a crescer, mas jamais a tratando como imbecil ou idiota, ao contrário, respeitando-a como um ser autônomo, capaz de discernir e de entender as mais variadas coisas... A criança está no mundo, e por isso o mundo precisa ser levado até ela, e é preferível que a arte e a Literatura façam isso... Você nem imagina como um sapinho e uma sapinha são espertos, curiosos e inteligentes... Vou comprar o livro do Rospo para o meu sobrinho.
- Ele ainda não lançou o livro, nem escreveu...
- Tem razão, o meu sobrinho pode esperar.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 345
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
POLÊMICA NO BREJO
- Rospo, soube da novidade?
- Conte, Sapabela.
- Um comandante dos bombeiros aqui do brejo emitiu uma ordem polêmica.
- Sim?
- Proibiu crucifixos e símbolos católicos em todas as unidades do bombeiro, alegando que a exibição de símbolos de uma única religião em repartições públicas causa constrangimento nos sapos que professam outra fé.
- Isso vai dar fogo!
- Ele se valeu da Constituição do brejo, que estabelece que o Estado é laico, e a exibição de símbolos é ilegal, e inconstitucional.
- Teve reação?
- Os vereadores.
- O que eles fizeram?
- Um documento repudiando a iniciativa do comandante, dizendo que ela é arbitrária...
- Isso vai causar muito barulho, Sapabela...
- Os vereadores estão indignados...
- É realmente uma atitude rara... O tal comandante é audacioso.
No dia seguinte, lá está o Rospo diante da Câmara Municipal.
- Sapo! - dizia o segurança - Não pode deixar esse símbolo aqui...
- Por que não?
- Porque é proibido. Não pode deixar uma imagem de Iemanjá aqui na Câmara.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 344
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
SAPABELA E O ESCRITOR
- Rospo, você é o meu escritor favorito.
- Sei disso, Sapabela.
- Convencido! Mas, preciso falar algo...
- Quando uma sapa precisa falar algo, o mundo que fique atento...
- Posso falar?
- Jamais peça permissão para isso...
- Mas temos sempre que esperar o momento certo...
- O momento é agora...
- Você só escreve poesia, contos de reflexão, histórias de amor...
- Reparei isso...
- Acontece que precisa atingir ao público contemporâneo... Principalmente o jovem.
- Sim?
- Deve escrever intrigas, histórias policiais, de suspense, de aventuras, numa linguagem rápida, de muita ação, e preferencialmente, com algum sangue, pelo menos um morto. Você precisa acompanhar o ritmo, meu amigo.
- Entendo.
- Tem que escrever histórias pensando que elas deverão se tornar séries de televisão, coisa assim...
Pense também em jogos eletrônicos, cinema, em todas as mídias. O escritor hoje, ao escrever, não pode pensar apenas no livro. Ele precisa ter "todas as mídias" na cabeça... Tem que estar "antenado". A cabeça tem que ser polivalente, múltipla...
- Meu coração também?
- Entendo como se sente, mas precisa evoluir...
- Talvez tenhamos ideias distintas do que seja evoluir.
- Talvez, mas o tempo que passa é o que você vive...
- Uma coisa eu sei...
- Diga.
- Todo sapo escritor deveria encontrar uma "Sapabela".
- Como você encontrou a sua?
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 343
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
É PROIBIDO ESTACIONAR
Rospo e sua amiga passeavam quando, ao ver uma placa na calçada, o sapo começou:
- Essa é a minha placa predileta, Sapabela.
- É mesmo, Rospo?
- Sim, Sapabela. "Proibido estacionar". Adoro isso na minha vida.
- Masoquismo?
- Engano seu, querida.
- Uau!
- Nossa! Por que tal alegria?
- Um novo engano. Não é qualquer um que pode se enganar todos os dias.
- Pare com isso! Acontece que "estacionar" deveria ser mesmo proibido na vida de qualquer sapo. Estacionar é ficar parado, retroceder, caminhar para trás, pois afinal o velhão segue em frente, sempre renovado.
- Velhão?
- É. O velho mundo.
- Sempre renovado?
- Sim, o mundo é uma cebola.
- Será que é por isso que tem tanta gente chorando?...
- Ora, Sapabela... Uma cebola é coberta por camadas de cascas. Assim é o mundo, um palimpsesto. A cada camada que retira, é como se estivesse se despindo e numa lousa branca reescrevesse a sua história, ou seja, escreve um novo capítulo. Camada sobre camada, na nudez da memória. Ele apaga uma página e ressurge renovado...
- Ele não apaga, mas põe em conserva na memória.
- Não se deixa abater e segue em frente.
Assim é o nosso mundo... Uma infinita esperança que gira no celestial.
- O cosmo agora virou celestial?
- O céu é o nosso ponto de vista, a nossa visão, o nosso foco, a nossa referência, a nossa ilusão de ótica...
- Entendo... E um sapo já idoso? Não pode estacionar?
- Sapabela, principalmente esse...
- E como ele deve fazer?
- Aprender um idioma, procurar uma namorada, ler um poema, caminhar no campo, redescobrir as flores, as gargalhadas, ficar emocionado diante do mar e também da montanha azulada...
- Rospo, com tanta vivacidade de pensamento não haverá estacionamento em sua vida...
- E você, Sapabela?
- Eu? Estacionar? Nem pensar! Agora que estou aprendendo a dirigir?
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 342
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
A INVENTORA DE DIAS
- Rospo! Inventei mais um dia...
- As condições para isso existem. O Sol nascendo, o ar, o céu, a claridade, a natureza. Só compete a cada um de nós inventar o dia...
- É tão fácil inventar o dia...
- Será?
- Esse "Será?" me incomoda...
- Inventar o dia parece apenas fácil...
- Parecer é um bom começo...
- Mas o começo é apenas o ponto de partida.
- Sou uma inventora de dias.
- Isso eu já percebi. Por isso gosto tanto de você.
- Não falei?
- Não entendi.
- Inventei o "Dia da Declaração", e você acaba de declarar que gosta de mim.
- E isso é preciso declarar? Mas...
- Lá vem o "mas"...
- Quando falei que vocé é inventora de dias quis dizer: viver intensamente, em dias plenos de novidades e de fazeres.
- Nisso sou especialista, ou melhor, fiz doutorado.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 341
Marciano Vasques
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- As condições para isso existem. O Sol nascendo, o ar, o céu, a claridade, a natureza. Só compete a cada um de nós inventar o dia...
- É tão fácil inventar o dia...
- Será?
- Esse "Será?" me incomoda...
- Inventar o dia parece apenas fácil...
- Parecer é um bom começo...
- Mas o começo é apenas o ponto de partida.
- Sou uma inventora de dias.
- Isso eu já percebi. Por isso gosto tanto de você.
- Não falei?
- Não entendi.
- Inventei o "Dia da Declaração", e você acaba de declarar que gosta de mim.
- E isso é preciso declarar? Mas...
- Lá vem o "mas"...
- Quando falei que vocé é inventora de dias quis dizer: viver intensamente, em dias plenos de novidades e de fazeres.
- Nisso sou especialista, ou melhor, fiz doutorado.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 341
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
O SAPO E A VELOCIDADE
- Sapabela, a velocidade das transformaçõoes é algo que muito me impressiona.
- Trasnformações, para o bem e para o mal, acontecem a vida inteira. Não se pode fechar os olhos para elas.
- Nem penso nisso. Mas, é impressionante. Quando me vejo diante da tela escrevendo direto no computador, digitando pensares, aventuras e poemas, fico boquiaberto.
- Entendo. Escrevia com a caneta, e jurava que sempre escreveria primeiro no papel. O esboço estaria direto na folha, e havia um calhamaço de palavras escritas, rabiscadas, apagadas... Mas hoje, produz o esboço direto na tela, não é?
- O que é esboço?
- É, bem, deixe pra lá... Mas, hoje, não temos mais a trajetória do texto. A tecnologia engoliu a memória. O texto já nasce praticamente pronto, acabado, na tela. Um texto não tem mais história, isto é, a sua própria história.
- Verdade. Efetuamos apenas alguns acertos, pontuações, etc... O " apagar " e o "refazer " se foram...
- São transformações profundas... E você já sabe, quando sentir saudades...
- Vá até o YouTube. Será, minha amiga, que isso é bom?
- Uma coisa eu digo, Rospo, viver sem isso não mais é possível...
- Avançamos séculos e séculos em poucos anos... Por isso dizem que a criança já nasce esperta...
- É, o sapinho chega ao mundo respirando velocidade...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 340
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
ROSPO, SAPABELA E A CHUVA
- Sapabela, alô!
- "Ele sempre liga na chuva" - pensa a sapa, ao atender.
- Qual é a novidade, Rospo?
- Está chovendo.
- Isso é novidade?
- Os telhados e as folhas das bananeiras estão molhados, e o poejo, e até um beijo hoje estará molhado...
- É por causa da chuva, meu amigo...
- Tem uma sapa com capa e um guarda-chuva lilás...
- Entendi. Você está vendo pela vidraça da sua janela...
- Gotas do arco-íris refletem numa teia de aranha, um dourado besouro desliza na lisa folha...
- Está vendo tudo isso?
- As calçadas estão molhadas, a grama foi penteada, e o ar respira o frescor do renascimento...
- Que mais?
- Um sapinho bebe a chuva e uma sapinha sorve o néctar de um livro no aconchego de seu quarto, vejo pela lâmpada acesa. Sei quando ela está lendo... Uma sapa chora e suas lágrimas prateadas se perdem nas gotas de chuva...
- Tanta coisa na chuva, não é, Rospo? Mas anda espionando muito a vida alheia. Sabe até quando uma sapinha está lendo...
- Sou um escritor, lembra? Se a lâmpada está acesa, eu a faço ler...
- Um livro de poesia, certamente...
- Ou um romance, que também combina com a chuva...
- Tudo é tão bonito, Rospo, tem muita vida saltitando na chuva, mas, cadê a novidade?
- É a poesia, Sapabela.
- A poesia?
- É. A chuva devolve a poesia aos nossos corações. A poesia renasce nas coisas que chovem, nas coisas que se molham...
- Vou agora mesmo para a vidraça !
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 339
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
O AMOR NÃO SE ESGOTA NUMA CONVERSA
- Rospo, qual é o mais egoísta dos sentimentos?
- É o amor entre um sapo e uma sapa...
- Tem certeza?
- Além disso...
- Tem mais?
- Sim. É o mais exigente.
- É mesmo?
- Diferente do amor materno e do fraterno, ele exige fidelidade, doação, que são atributos naturais dos outros amores, como o materno, por exemplo, que nada exige para si, mas ama o filho integralmente, de forma incondicional...
- É muito exigente o amor entre sapos e sapas?
- Sim, pois ele é um tipo de amor que depende do outro...
- É um amor que envolve e necessita do outro para se completar, e se concretizar?
- Sim, o materno não depende do outro. A mãe geralmente ama o filho de forma absoluta, mesmo que ele seja o pior filho do mundo...
- Por depender do outro, o amor entre sapos e sapas é frágil?
- Ao contrário, é uma força motriz. Na sua fragilidade está a sua fortaleza...
- Isso merece outra conversa. Vamos continuar amanhã?
- Claro, o amor não se encerra numa conversa.
- ?
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 338
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2010
O AMOR ROMÂNTICO
- Rospo, que acha do amor romântico burguês?
- Não uso a palavra "acho". Considero que nem tudo o que nasceu no seio da burguesia deve ser desprezado...
- No seio?
- É, no bojo.
- O amor do componês é diferente?
- Hoje, o amor do camponês é o romântico burguês... com a diferença de que ao camponês cabe mais sonhar...
- Todas as músicas, os filmes e os livros. Tudo aquilo que o amor romântico produziu, é válido?
- Claro que sim.
- O que mais caracteriza o amor romântico burguês?
- A idealização da sapa pelo sapo.
- Mas a sapa também idealiza o sapo...
Tudo acaba no casamento?
- O casamento é apenas simbólico. O amor ultrapassa as convenções.
- Um casal pode ser eternamente namorante?
- Sim, o amor romântico burguês pode até se tornar amor romântico universal, mas...
- Chegou o "mas". Esse é o mais profundo momento em qualquer conversa...
- Pois é: manter a chama acesa é uma arte. O casal tem que enfrentar o tempo, aceitar o desafio do cotidiano...
- É difícil, não é?
- É só remar o barco com prudência, com tolerância, com persistência, e não se deixar abater nem levar pelas ondas...
- Barco? Seria melhor um transatlântico! As ondas são fortes.
- Transatlânticos também afundam. A resistência do barco está no querer.
HISTÓRIA DO ROSPO 2010 - 337
Marciano Vasques
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SAPABELA CORPO E MENTE
- Olá, Rospo, estou de dieta, e entrarei na academia...
- Parabéns, Sapabela! Academia é uma boa... E a dieta, que não deve ser exagerada, só fará bem a você...
- Verdade, Rospo, nada de exagero. Mas reduzirei as pizzas, os sorvetes... Preciso cuidar do corpo...
- E a mente, Sapabela?
- O que tem ela?
- O corpo e a mente são parceiros. A mente, que podemos chamar de alma, funciona em parceria, em cumplicidade, em sincronia, com o corpo. Precisa cuidar dela, também...
- Farei isso, Rospo, já escolhi um livro para ler, e irei mais ao cinema... Também farei palavras cruzadas, e até estou pensando num novo idioma. Gosto demais de Italiano...
- Tudo isso é bom, para ativar e manter o cérebro em bom funcionamento, pois é um órgão com suas próprias leis, Sapabela: quando mais se usa, mais ele se torna aperfeiçoado. Mas não me refiro às essas coisas...
- A que se refere, Rospo?
- A mente está além do cérebro. Tudo o que você falou é importante: ler, cruzadas, ouvir música, cinema... Você assim fortalece a memória e organiza o lazer, imprescindível para a vida, mas...
- Lá vem o "mas"...
- É preciso uma varredura. Veja como está o céu... Límpido, claro, azul, nítido, como se tivesse sido varrido pela vassoura do infinito celestial, a vassoura cósmica.
- Sei, está mesmo assim, mas, o que tem a minha mente com isso?
- Deve proceder da mesma forma, Sapabela. Varrer significa retirar o excesso de entulhos, que são as ideias acomodadas, os pensamentos improdutivos, as conversas que não acrescentam, os sonhos estéreis...
- Nem sabia que existiam sonhos estéreis, mas, como devo fazer isso?
- A vassoura é simbólica, ela é a sua vontade, o seu querer. É difícil, pode usar também uma peneira, para filtrar o que realmente engrandece a sua mente...
- Às vezes um pensamento "desocupado" faz bem... A vida não é só aperfeiçoamento...
- Engano seu, Sapabela...
- Viva! Consegui!
- Conseguiu, o quê?
- Enganar-me só no final da história...
- Ora, Sapa, o que eu quis dizer é que a vida é mesmo um constante aperfeiçoamento... Todos os pensamentos devem nutrir essa vontade de se lapidar...
- Ou seja, não se pode abandonar a vassoura...
- Não mesmo. Seja a sua própria zeladora...
- Rospo, cuidar da mente pode ser até divertido...
- Mesmo que no começo você estranhe o acúmulo de entulhos...
- Corpo e mente. Esperem por mim. Aqui vou eu!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 336
Marciano Vasques
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CASA FERNANDO PESSOA
Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa agora estão disponíveis gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa.
Com o site, bilíngue (português e inglês), e disponível em ( http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt) em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.
Com o site, bilíngue (português e inglês), e disponível em ( http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt) em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.
Inaugurada em Novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.
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EVENTO
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
CINEMA, VESTIDO E BRINCO
Rospo e sua amiga Sapabela vão ao cinema. Enquanto espera por ela, Rospo pensa:
- "É tão bom ter uma amiga... A amizade é realmente uma bela forma de amor... Mas, como ela está demorando..."
Depois de esperar um pouco ele resolve agir:
- Sapabela, está demorando! Faz um século que estou esperando...
- Sapo é tudo igual, Rospo. Alguns minutos viram séculos...
- Sapos adoram hipérboles, mas você está demorando, está certo que não um século...
- Ainda bem...
- Apenas algumas décadas...
- Rospo, pare de ser chato! Que filme iremos ver?
- O filme da hora, é um belo documentário. José e Pilar.
Passando alguns "eternos minutos" Sapabela aparece...
- Sapabela! Que lindo!
- O que, Rospo?
- O vestido, você está usando um vestido. Precisava de uma digital para registrar...
- Não exagere, Rospo. Sapas ainda usam vestidos...
- Nada se compara ao vestido... Séculos foram necessários para que essa beleza adquirisse tal veracidade. O vestido é tudo, é tudo de bom...
- Rospo, fico feliz e encabulada...
- Que é isso?
- O que foi?
- Um brinco! Você está usando um brinco!
- Rospo, parece bobo, Sapas usam brincos, e até sapos usam... Mas pelo jeito, você está aprendendo que vale a pena esperar pela Sapa.
- Que lindos!
- Rospo, deve estar brincando...
- Sim, brinco.
- Brinca?
- Brinco reluzente, brinco brilhante, colorido. Que forma de alegria, de felicidade ver uma sapa usando brinco... É um detalhe que nenhum sapo pode deixar escapar. Não se ignora um brinco nem por brincadeira...
- Rospo, você está muito eufórico, muito exaltado. Sei que o cinema é escuro, mas terá um filme na tela, lembra?
- É verdade, vamos indo, que o Saramago e a Pilar não podem esperar...
- Rospo, deixe-me contar um segredo.
- Fale...
- É tão bom ter um amigo...
- É tão bom ter uma amiga Sapa que aprecia cinema, usa vestido e gosta de brincos...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 335
Marciano Vasques
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
ROSPO E O APLAUSO SILENCIOSO
Rospo anuncia numa lista de escritores que lançou um novo livro, mas diante do silêncio, resolve procurar a Sapabela.
- Sapabela! Sabe aquela lista que eu participo?
- Sei.
- Estou feliz. Recebi o aplauso mais importante.
- É?
- Verdade, o aplauso silencioso...
- Ora, Rospo. Você deve estar ressentido, aplauso silencioso não diz nada... O que importa são os escritores amigos que o aplaudiram de verdade diante da novidade.
- Engano seu, querida.
- Até que enfim!
- Até que enfim?
- Sim, já estava com saudades de me enganar.
- Ora, Sapabela. Mas, quero falar do aplauso silencioso...
- O que ele diz a você?
- Sabe, minha querida amiga, o aplauso dos amigos é muito grato, mas aprender a interpretar o silêncio é uma boa.
- Então diga, estou curioso por esse aplauso silencioso...
- Sempre que comunico algo e obtenho como resposta o aplauso silencioso, fico todo orgulho e sei que estou no caminho certo...
- Não estou entendendo...
- O aplauso silencioso quer dizer que você é um vitorioso...
- Mas, que coisa esquisita...
- Só parece. O aplauso silencioso é a melhor conquista...
- Conquista?
- Sim, quando você conquista o aplauso da inveja, significa que está mesmo de parabéns...
- Bem, se é você quem diz...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 334
Marciano Vasques
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