quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
NEM PICK-UP NEM FOGUETE
— A vida é uma pick-up , Sapabela.
— Uma pick-up?
— Sim, para quem tem os pés no chão, mas para quem vive "nas nuvens", com a cabeça repleta de ilusões, ela pode ser um foguete...
— Foguete? Eu bem prefiro que a vida seja um sereno barco num mar calmo...
— Mar calmo é impossível, o bom são as tempestades, a fúria das águas, as procelas, as espumas aflitas das ondas lutando com os rochedos...
— Pensando bem, Rospo, a vida é mesmo um foguete...
— É.
— Sim, ela passa ligeiro.
— Principalmente, para os que não aprenderam a arte de viver...
— Não aprenderem a pilotar...
— De certa forma, podemos dizer isso. E, no caso, é um foguete supersônico...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 436
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2011
A DIETA DO SAPO
— Rospo!
— Sapabela!
— Soube que tem uma novidade no ar...
— Lindo seu vestidinho azul...
— Obrigado! Tinha um laçarote, mas resolvi não usar... Era muito grande... Prefiro laços menores, mas fortes e consistentes... Qual é a novidade que paira no ar?
— Novidade?
— Soube que está fazendo dieta...
— É verdade. Dieta mental.
— Dieta mental? E o que vem a ser isso?
— É simples. Só penso coisas boas... E jogo fora os entulhos, os pensamentos negativos, as ideias pré-concebidas... Esvazio a minha mente, jogo fora, retiro todos os excessos e então, com a mente límpida, começo a organizar os pensamentos...
— Uma interessante dieta.
— Realmente, assim a mente não se ocupa com pensamentos desnecessários e improdutivos... E aproveita o tempo para os pensamentos que realmente valem a pena....
— E quando vai começar essa dieta?
— Já comecei...
— Vou segui-la. Por acaso, tem efeito colateral?
— Sim, claro que tem: a mente fica mais ágil, e mais criativa...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 435
Marciano Vasques
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
SONHO NÃO ACEITA DESLEIXO
— Sonho não aceita desleixo...
— Do que está falando, Rospo?
— Estou dizendo que sonho não aceita descaso...
— Por que fala isso, meu amigo?
— Por que é o que mais vejo por aí...
— Descaso? Desleixo?
— E abandono.
— Abandono?
— Sim, os sapos abandonam animais, gatos, cães, abandonam covardemente, e também abandonam sonhos... Outro dia, na beira da estrada vi diversos sonhos abandonados...
— Como foi possível isso, Rospo?
— Vi pelas faces cabisbaixas dos sapos que encontrei no caminho, pelos olhares sem perspectivas, pelos sorrisos desbotados, pelos olhares cansados, pela apatia visual... Realmente, todos aqueles sapos com certeza no caminho abandonaram seus sonhos...
— Que pena...
— Sonho exige zelo, atenção, zeladoria, cuidados... Sonho é o principal numa vida...
— Infeliz de quem não tem mais sonhos...
— É...
— E você, Rospo? Cultiva seus sonhos?
— Sim, com esmero, com prioridade...
— Rospo, vamos tomar um sorvete?
— Sim, viver é tão importante quanto os sonhos. Aliás, viver é a arte de transformar os sonhos em realidade...
— De que sabor quer o seu sorvete? Passas ao rum?
— Quero um de sonhos ao rum...
— E para mim, mais um...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 434
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2011
MARÍLIA CHARTUNE
A ARTISTA PLÁSTICA MARÍLIA CHARTUNE É AMIGA E LEITORA DE CASA AZUL DA LITERATURA
Marília Chartune é um dos expoentes da pintura no Sul do Brasil
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AMIGOS
NESTA DATA QUERIDA
JÉSSICA LIMA
Jéssica Lima é a autora e administradora do blog
e colaboradora de PALAVRA FIANDEIRA
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AMIGOS
TUDO ISSO É A NOSSA AMIZADE
— É um doce com miçangas...
— Miçangas?
— Sim, coloridas e brilhantes...
— É uma fresta de luzes num arvoredo...
— Na aspereza do cotidiano, é um ponto cintilante rasgando o céu...
— É um brilho intenso na suavidade de uma pétala orvalhada...
— É um sonho de se aventurar, um desejo de correr na chuva...
— É um beijo no mormaço, uma caminhada na calçada...
— É uma preguiça ao entardecer, de deitar numa imensa varandona e tomar suco de melancia gelado...
— São os primeiros raios matinais luzindo na jabuticaba...
— É uma colheita de flores lilases, amarelas, azuis...
— São crisântemos róseos, miosótis e a majestade da dália...
— É um sorriso de criança diante das cores e dos reflexos nas bolas de uma árvore de Natal...
Sapabela, não sei quem ganhará esse campeonato, mas a nossa amizade é tudo isso, e é muito mais, é um tesouro que o coração preserva e cultiva na delicadeza dos gestos amorosos...
— É mais que isso, Rospo, é mais do que um tesouro que a memória guarda em palavras e fragmentos de atenção e zeladoria...
É mais, muito mais... É quase um namoro...
— !
— Rospo, o que aconteceu? Você enrubesceu?
— Ora, Sapabela, é apenas o Sol... E ademais, esse seu vestidinho vermelho talvez tenha expandido a cor para o meu rosto... Mas até que...
— Até o quê, Rospo?
— Se depender da torcida, um namoro até que iria bem...
— Rospo, você é um sapo ligeiro... Ora, pense bem... Um doce com miçangas, uma ponta de luz, um mormaço, um brilho orvalhado deslizando numa suave e lisa flor, um profundo brilho azul de bolinha de gude, uma gratidão em forma de noite estrelada, uma piscada da lua num passeio de luar assanhando de prata telhados e copas das árvores... Tudo isso pode ser a nossa amizade... E amizade, acredite, tesouro maior não há.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 433
Marciano Vasques
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
SOB A PRATEADA LUZ DA LUA
— Posso ficar aqui?
— Claro, Sapabela, amigos foram feitos para esses momentos...
— Mas você parece tão pensativo, tão contemplativo... Será que não atrapalho?
— Não. Você jamais atrapalha... Já viu a Lua hoje?
— Confesso que esqueci... Como foi possível que eu caminhasse pela calçada sem erguer os meus olhos uma vez apenas para o alto...
— E ela estava lá, ainda está, deixando o seu rastro prateado, para clarear os corações como o meu, o seu...
— Rospo, mas os rastros prateados são ilusórios. A Lua não tem luz própria. Ela é um satélite... A luz que ela derrama sobre o nosso brejo é na verdade o reflexo da luz do Sol...
— Sapabela! Não faça isso!
— O que eu falei de errado?
— Tudo, minha querida, tudo...
— Rospo, estou confusa...
— Sapabela, quando eu estava falando que a Lua derrama seus raios prateados e transbordam os nossos corações de saudade, de poesia e de amor...
— Você disse isso tudo?
— Às vezes uma frase basta, Sapabela. Ela pode abrigar um mundo...
— Sei. Mas, o que afinal eu disse de errado?
— Sapabela, eu falei de algo que não morrerá jamais, que não desvanecerá de nossos corações nos próximos séculos e séculos e você, ora, você veio falar de Geografia...
— Entendi, Rospo, às vezes é melhor a gente esquecer um pouco do conhecimento...
— Não, meu bem, às vezes é preciso lembrar de um outro conhecimento...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 432
Marciano Vasques
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VOA, PENSAMENTO, VOA!
Sapabela encontrou seu amigo cismando à beira de um enluarado lago. Ao perceber o olhar do sapo vagando mais que a lua, ao léu...
— Rospo, parece tão distante...
—O pensamento voa, Sapabela...
— E não se paga nada para voar nele...
— Ele vai longe... Nos transporta aos mais distantes lugares... É a nave espacial de cada sapo...
— Só tem um problema...
— Que solução?
— Calma! Nem falei do problema...
— Problema que fica esperando solução não aprendeu a valorizar o tempo...
— E se ele, o pensamento, não nos trouxer de volta?
— É mesmo? Pode nos levar para lugares tão distantes e incríveis que poderiam nos afastar do cotidiano... e assim, esqueceríamos de querer voltar...
— Pensamento assim é danado de bom, é alado, com certeza...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 431
Marciano Vasques
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A VERDADEIRA EVOLUÇÃO
— Rospo, onde está o amor? Onde estão os sentimentos?
— Estão em você, Sapabela, estão dentro de cada sapo, estão no coração, o único lugar possível, o lugar onde brotam e crescem os sentimentos...
— Concordo, meu amigo, pois a natureza segue as suas leis. A natureza é neutra, ela só quer existir... Veja esse sapo aqui na fila. Está com uma cobra no pescoço, ela é linda, não é, Rospo?
— Sapabela, só estou aqui para comprar ração para a minha cachorrinha... Não tenho nenhum interesse em ver cobra...
— Não custa nada olhar, Rospo...
— Está bem, mas, o que tem essa "linda cobra" no pescoço desse sapo a ver com a sua conversa sobre sentimentos e natureza?
— Desculpem, vocês estão falando sobre a minha cobra?
— Não, nem pense nisso...
— Estamos falando sim...
— Sapabela, é um cobra! Não ligue, seu moço, minha amiga se enganou. Em nossa conversa não entra cobra. Quer passar na nossa frente?
— Não obrigado, e não precisa ter medo, Sapo...
— Então, diga, Sapabela. Diga sobre o papo de natureza, sentimento...
— Veja só, Rospo. Na minha família tem duas sapinhas, que quando ganharam um hamster, foram totalmente envolvidas pelo sentimento que brotou no coração de cada uma delas.
— E dai?
— Veja os sapinhos desse sapo da cobra. Estão felizes por ele ter comprado quatro hamsters, quatro filhotes de "camundongos"...
— Interessante. Mas estão felizes porque os hamsters representam o alimento da cobra...
— E ela só os comerá vivos, ou seja, se matá-los. Afinal, essa é a sua natureza... E a natureza tem suas próprias leis...
— É assim mesmo, o temporal corta a árvore ao meio, derruba a árvore...E o Sol participa da fabricação dos nutrientes, o sol aquece a vida... Então o sentimento de amor pela árvore só poderá brotar no coração do sapo...
— Isso tudo assusta, não é?
— Não, isso só faz pensar no quanto o sapo evoluiu...O amor, e cada sentimento de amor, são provas inequívocas da evolução do sapo...
— Isso é uma nova teoria da evolução?
— Não sei, sei apenas que só quem ama evolui...
— Bem, a conversa está boa, mas a sapa da caixa está esperando, e essa cobra aqui tão perto está me incomodando. Pague a ração, por favor, e vamos sair daqui...
Na calçada, Rospo comenta:
— Se quiser amar verdadeiramente um camundongo indefeso, não crie uma cobra em sua casa...
— Rospo, mas, veja só, também devemos amar as cobras...
— Sim, Sapabela, só quando aprendermos a amar e a respeitar todas as criaturas do planeta, é que estaremos de fato evoluindo...
— Eu nem sei se amo baratas, Rospo...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 430
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2011
CADA VEZ MAIS ORIGINAL
— Rospo, verdade que só o original interessa a você?
— Absolutamente sim.
— Fale um pouquinho sobre isso...
— Veja, Sapabela, o nosso "espírito contemporâneo" acabou se acostumando a conviver pacificamente e de forma harmoniosa, isto é, da forma como é possível se compreender o que venha a ser harmonia quando uma parte aceita o que a outra impôs, e, bem, temos vários exemplos de coisas que não são originais...
— Melhor mesmo um exemplo, pois ficou meio complicada, rebuscada, essa sua fala... lembrou intelectual chato que se perde no emaranhado de suas frases para dizer algo simples...
— Então vamos lá. Nosso organismo se adaptou e toma suco de fruta que não é original, é absolutamente artificial... E assim vai com a groselha, com doce produzido de forma artificial em laboratórios...
— É mesmo. E também tem os DVDs piratas... Você penetra nos estreitos becos da pirataria e nem se dá conta de que o encanto do cinema, a magia, foi adulterada e até se dissolveu nos meandros da pirataria...
— Sim, Sapabela, você se acostuma e acaba vivendo num mundo onde o artificial é mesclado ao artificial, deixando de lado, ora veja, a certeza de que você nasceu para viver o original...
— Rospo, mesmo numa enxurrada de coisas artificiais, nós, eu, você, e outros sapos, poderíamos ser originais, apenas para azucrinar.
— Do jeito que as coisas caminham, talvez os que forem considerados originais poderão representar um perigo e uma ameaça para a sociedade...
— É temeroso. Melhor ser original sempre, todos os dias, e passar isso para a criança... Todo sapinho tem que aprender a valorizar a originalidade, a autenticidade...É uma missão colossal...
— Se você convive com um pirata, pode se tornar um deles, transforma-se num espectro de si mesmo, uma lembrança ambulante do que poderia ter sido um dia...
— Nossa, que pensamento original, isso assusta.
— Vamos a um sorvete?
— Vamos, desde que o sabor seja original, que não hajam aromas artificiais...
Os dois vão ao sorveteiro.
— Moço, tem fruta gelada?
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 429
Marciano Vasques
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
NADA DE PIRATARIA
— Cada falso poderá levá-la ao cadafalso...
— Do que está falando, Rospo?
— Das falsidades, Sapabela...
— Não me ocupo com elas...
— Mas são as tais, que, justamente, nos incentivam a amar cada vez mais o verdadeiro e o autêntico...
— Falando em autêntico, usa dvd pirata?
— Não! Em absoluto, jamais!
— Está bem, Rospo, não precisa espernear tanto... Mas o original está muito caro...
— Um roubo!
— Então?
— Para quem tem a alma fortemente atrelada ao cinema, levar para casa um dvd pirata é algo impensável...
— E como fazer, então? Como conciliar as duas coisas? DVD pirata é crime, mas o preço terrível nas lojas também...
— Devemos ser contra o preço exorbitante do dvd original, mas comprar um pirata é duplamente ofensivo para nós que nos amávamos tanto no cinema...
— Rospo, vou pensar, vou pensar...Vamos a um sorvete? Garanto que não é pirata...
— Com certeza, tanto quanto o lilás desse seu vestidinho...
— Você ama os meus vestidinhos, não é?
— Um amor original, Sapabela...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 428
Marciano Vasques
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
UM CONVERSA SEM FIM
Enquanto esperava "O Carteiro e o Poeta", lá estava o Rospo contemplando um morro quando ela chegou.
— Rospo, por que olha para o morro?
— É o "Morro dos Ventos Uivantes"...
— Sei. Falando nisso, e aquela sua ideia de viajar?
— "O Vento Levou"...
— Rospo, mudando de assunto, o que direi para a minha amiga Colibrã, que está obesa e quer emagrecer, mas nada faz para que isso aconteça?
— Diga a ela que não pode continuar "À Espera de um Milagre"...
— Entendo, sei que o dinheiro é "O Poderoso Chefão", e certos interesses são "Os Intocáveis" , e tem sapo que age como se fosse "O Advogado do Diabo", mas, seria tão bom se os sapos olhassem para a simplicidade da vida, mesmo que vivam na aspereza e na incoerência do cotidiano...
— "Incrível como ela entra rápido na conversa..." — Todos os sapos vivem "À procura da Felicidade", mas, bem sabe, Sapabela, talvez a felicidade resida "Além do Horizonte"...
— Muitos pensam que a vida é um eterno "Cabaret" e até se comportam de tal maneira que parece que "Quanto mais idiota melhor"... Nem conseguem nem querem resolver simples "Confusões em família" e agem como se a própria vida fosse uma "Doce Trapaça"
— Sapabela, os interesses financeiros invadiram a alma do sapo e esses interesses estão "Velozes e Furiosos", mas ele precisa parar para compreender que " O Amor é Contagiante", e que não é preciso ter " O Sexto Sentido" para encontrá-lo, pois, se "O Céu é o limite", o sapo precisa aprender a ouvir "O Som do Coração"...
— Incrível, Rospo! Essa conversa não terá fim...
— Claro, Sapabela, ela é como o cinema...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 427
Marciano Vasques
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SAPABELA PASSOU NA BANCA
Quando você resolve caminhar, sempre poderá encontrar um amigo.
E Rospo adora caminhar. Sendo assim...
— Sapabela?
— Rospo! Que alegria!
— Como está você?
— Comprei duas alegrias...
— Alegria não se compra...
— Bem, na verdade, alegria se compra. Quando vamos a um parque de diversões...
O que não se compra é a felicidade...
— Porém a alegria pode despertar ou atiçar a felicidade, que está em você... Mas diga, o que afinal comprou?
— Uma revista e um jornal...
— Concordo que sejam motivos de alegria... E são bem mais...
— O fato de que enquanto eu dormia muitos sapos e sapas trabalhavam para que esse jornal estivesse bem cedo na banca é algo encantador... E a revista, com suas fotos, suas cores, representam a felicidade de saber que muitos sapos envolveram-se nessa jornada...
— Realmente, uma revista e um jornal representam mais do que a sua própria aparição na banca. Eles dizem mais, muito mais de um mundo que se movimenta ao redor do grande movimento da vida...
— Pode ser que eu seja a última romântica da Terra, mas descobri que a felicidade está nas páginas...
— Na verdade, a felicidade está nos olhos que percorrem as páginas...
— Rospo, vamos ler o jornal?
— Vamos. Ali está um banco de praça...
— E ainda tem um sorveteiro ao redor...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 426
Marciano Vasques
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AS VOZES NO GALOPE DAS ASAS
Beirando um lago, está o Rospo a cismar e a contemplar. Sapabela, que por ali passava, repara que o velho amigo está com os olhos presos nas montanhas do horizonte.
— Rospo!
— Sapabela!
— Gosta de ficar olhando a serra azulada ao longe...
— Uma cordilheira sempre me faz pensar...
— Sobre que coisas pensa?
— Que no alto das montanhas moram as vozes...
— Que vozes?
— As que viajam no galope da ventania do tempo...
— Nas asas...
— Verdade, no galope das asas...
— Fale sobre elas...
— As vozes da poesia, dos gritos de liberdade, as que declaram amores, as que clamam por ...
— Rospo, essas vozes estariam preservadas numa biblioteca...
— Sim, mas eu as estou ouvindo na grande montanha, no livro da grande montanha...
— Pareceu-me que olhava para a grande montanha...
— Sim, os olhos e os ouvidos sempre vivem em sintonia.
— Posso sentar ao seu lado?
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 425
Marciano Vasques
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
A SAPA E AS LUZES DA CIDADE
Lá vai a bonitinha, cheia de coração, pelas luzes da cidade. Parece beber a poesia que despenca feito cachoeira para as almas esquecidas que resistem no lilás do neón.
No caminho, plena cidade, com toda a solidão que isso representa, encontra um velho amigo, que, como ela, preferiu caminhar pelas noites de domingo, para salvar ou pelo menos recolher o que o mundo aprendeu depressa a desprezar.
— Rospo!
— Sapabela, que alegria!
— Passei numa banca e comprei uma revista... Que felicidade é o silêncio da cidade quando o luar passeia sobre os edifícios... Veja, tantos azuis escapando dos apartamentos...
— É a Televisão, minha nega.
— Que bonito, Rospo! Nunca me chamou assim...
— Sapabela, nunca tomamos um sorvete tão tarde...
— Vamos procurar uma sorveteria... Rospo, veja aqueles sapos. Estão apressados... É para não perder o metrô...
— Que maravilha, Sapabela! Estão vindo do teatro... A cidade tem seus encantos, mas a maioria dos sapos permanece com o controle remoto...
— Rospo, estou tão feliz! Como é fácil ser feliz... Como a felicidade está nas coisas simples...
— Sabe, minha amiga, reconheço que hoje vivemos perigosamente. Mas, mesmo assim, os sapos deveriam às vezes caminhar pela cidade à noite...
— Iriam descobrir que a poesia mora perto...
— Veja Sapabela! Uma sorveteria.
— Vamos!
— Seu vestidinho rosa está lindo...
— Rospo, nunca fiz isso, mas hoje quero dizer: a sua camisa azul está linda, e seu perfume tão discreto...
— As luzes da cidade são mágicas...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 424
Marciano Vasques
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
SÁBADO EXUBERANTE
Lá vai a Sapabela, signo novo, Serpentário, buscar um pouco da tarde de sábado...
Segue a calçada, desce a ladeira, colhe uma flor, vestidinho rosa, e sorriso largo, só falta encontrar...
— Eu.
— Você?
— Sim, Sapabela, estava por aí, e, como sempre, distraído. Então quando a vi colhendo a flor amarela, pensei em me aproximar. Afinal, o sábado merece...
— Estou tão feliz, Rospo. A vida exige intensidade, sempre...
— É verdade, minha amiga...
— Por isso quis sair e vagar...
— Você é um broto que sempre será, Sapa. Deve mesmo viver intensamente a vida, e deve lutar pelos seus sonhos, quando neles acreditar, mas, cuidado, tem alguém que pode impedi-la de realizar os seus objetivos...
— Quem, Rospo?
— Você, Sapabela. Só você pode impedir o seu próprio sucesso...
— E o resto?
— Que resto?
— As amigas que não torcem pelo meu sucesso, a inveja, o ciúme...
— Essas coisinhas? Ora, Sapabela. Se você não atrapalhar, nada vai impedi-la de chegar lá.
— Tudo às vezes parece tão difícil, Rospo.
— Ainda bem, Sapabela. Quanto mais difícil, mas valerá à pena.
— Rospo, com certeza eu não hei de me tornar o meu próprio empecilho. Minha mente é aberta...
— Eu sei. Falando nisso, vamos a um sorvete...
— Com certeza. Agora o sábado está tinindo.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 423
Marciano Vasques
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
CHOVE, CHUVA
Rospo lê o livro "O outro lado de mim", um livro de memórias escrito pelo Sidney Sheldon quando o telefone toca:
— Rospo!
— Sapabela!
— Só liguei para dizer que está chovendo...
— Eu sei, Sapabela. Ouço as gotas no telhado...
— É uma chuva leve... A chuva renova a vida.
— Sim, a chuva, a garoa, o chuvisco, o temporal... É uma renovação da vida...
— Sinto que as pequenas plantas se vergam, mas ficam felizes quando a chuva é leve... Amo a chuva...
— Eu também, Sapabela... Outro dia estive a pensar: tem os desabrigados, mas a culpa não é da chuva, é do próprio sapo...
— Correto. A chuva me faz tão feliz que vou pôr aquele vestido amarelo...
— Aquele tão longo...
— Longo?
— Que mais vai fazer?
— Vou abrir uma malzbier, vou pôr uma música, vou dançar, vou, depois, ver um bom filme ou ler um livro...
— Sapabela, e se aparecesse em sua porta um sapo de guarda-chuva, com um pacote de pipoca, ou uns pastéis assados ou...
— E com uma boa conversa, não é, Rospo?
— A chuva é pura inspiração.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 422
Marciano Vasques
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A SEMIÓTICA DO SAPO
— Nada é mais amplo do que a Linguística no estudo de uma Língua...
— Engano seu, Sapabela!
— Viva! Me enganei! Viva! Um novo engano! Yupiiiiiiiiiiiiiiiiii !
— Pare com isso, Sapabela! Pare com esse escândalo! Eu nunca fiz isso...
— É?
— Bem, posso saber o motivo de tanta euforia?
— Adoro me enganar, Rospo. Cada novo engano é uma comemoração...
— Incrível.
— Então tem algo mais abrangente do que a Linguística?
— A Semiótica.
— Tem razão, ela ultrapassa os signos da palavra escrita... E você aprecia a Semiótica?
— Sim, e a que me interessa é a Semiótica do corpo...
— É mesmo?
— Sim, os gestos, um sorriso, uma expressão facial, um movimento com as mãos, uma curva do corpo, um andar, um silêncio...
— Impressionante... Então o corpo fala, não é?
— E tem um mosaico de signos... Sua Semiótica é uma viagem...
— Sim?
— Veja só: quando você aparece com esse vestidinho amarelo e essa blusinha lilás... E esse maroto sorriso na boca, esse brilho no olhar...
— Rospo, você está vendo tudo isso?
— Sim, e esse brush róseo... levemente retocado...
— Chega, Rospo, chega!
— Ora, Sapabela, só esse vestidinho amarelo já merece uma Semiótica...
— Acertou no amarelo. Ele é lindo, mas "vestidinho"? Ora, meu querido, esse vestido está até um pouco abaixo do joelho...
— É mesmo!... Não entendo. Pleno verão...
— Mas, enfim, qual é a sua leitura semiótica, Rospo?
— Tudo isso que eu falei, incluindo o Pó de Arroz...
— Sim?
— Tudo isso traduz o que você está pensando...
— Rospo! Seu olhar está exageradamente masculino hoje. Apenas quis realçar o que realmente sou: bonita.
— Pode ser que esteja até errado, mas, a minha Semiótica não costuma falhar...
— Rospo, vamos a um sorvete?
— Vamos! Isso não pode esperar!
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 421
Marciano Vasques
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A SAPA ENFADADA
— Rospo, estou fadada a ser feliz...
— Que interessante, Sapabela!
— Ser feliz é sempre interessante...
— Interessante é estar "fadada"...
— Já sei, é a sua "etimologia poética"...
— Isso vicia, Sapabela.
— Eu sei. Mas, fale sobre "fadada"...
— Estar "fadada" a ser feliz remete à fada. Tem algo a ver com fada. Você está fadada, ou seja, está em "estado de fada"...
— Que bonito!
— Mas estar fadado ou "fadada"significa estar destinado, e isso tem algo a ver, ou melhor, tem tudo a ver com fado...
— Sei, o espírito lusitano...
— Sim, estar em "estado de fado" quer dizer que está fadado... Está "predestinado", isto é, pré-destinado.
— O fado é triste, não é?
— É o mais profundo "blues" da alma...
— Mas você está "fadada" a ser feliz... Isso muito me alegra...
— Mas às vezes estou enfadada...
— Enfadada?
— É, em "estado de fada" também. Assim, com o espírito enfadonho... Fada às vezes é chata...
— É?
— Não exatamente, Rospo... Mas uma história para crianças não teria tanta graça se tivesse só fadas, sem as bruxas...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 420
Marciano Vasques
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A NORMA DO SAPO É A POÉTICA
— Qualquer conversa nossa sempre vale a pena.
— Rospo, em sua "filologia" você usa a norma culta?
— Sim, Sapabela. Existe a norma culta...
— Eu sei, Rospo! Mas, você usa?
— Também existe a norma poética...
— Já sei qual você usa.
— Sim, é importante a norma culta, mas a poética traz um novo significado para as palavras, um novo dizer para os sonhares... A poesia e a Literatura necessitam da norma poética... Mas, por qual motivo me pergunta tal coisa?
— Quando você diz que sempre "vale à pena", lembro que na norma culta "valer à pena" significa dizer que "vale o sacrifício, a sentença, a pena, ou seja, é como um condenado pela justiça, que deve cumprir uma pena, então algo pode ser tão grandioso que valerá à pena", mas você, de fato, apresenta outra versão para a origem da expressão, não é?
— Sim, eu apresento a versão da norma poética. "Vale a pena" significa "valer a pena", a pena é a caneta antiga, quando os escribas escreviam usando pena de ganso. Então, algo valer a pena significa dizer que vale ser escrito, vale estar registrado, vale a pena, a caneta, vale estar num livro...
— Sabe, Rospo, a partir de hoje, além da norma culta, vou sempre pensar na norma poética.
— Faça isso, Sapabela. Sempre vale à pena.
— É?
— Sim, e também sempre vale a pena.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 419
Marciano Vasques
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
VIVENDO NO LUXO
— O que mais encontro é luxo...
— Que conversa é essa, Rospo?
— Muito sapo repleto de luxo. Todos vivem luxuosamente...
— Meu amigo pirou de vez...
— Sapabela, todos têm um manancial de talentos naturais, de potências em si...
— Não me faça rir!
— Debochando, Sapabela?
— Brincando, Rospo, jamais debocho. Ocorre que conheço muitos sapos ganhando $ sem nenhum talento. Tem certeza de que não existem desertos?
— Desertos são causados pelas erosões da vida... O desgaste natural proporcionado pelo cotidiano... Naturalmente, todos os sapos são um manancial de talentos... Ocorre também que a falta de uso, de iniciativa, causa uma erosão natural, um desgaste, e aquele sapo que era cheio de talentos se torna estéril. Nada cria, nada produz...
— E o que tem a ver o luxo com tudo isso?
— Quando se dá ao luxo de desperdiçar oportunidades você vive luxuosamente...
— Entendi. Viver de forma luxuosa é exatamente desperdiçar chances... É desperdiçar talentos naturais...
— Sim, Sapabela, viver no luxo é ter o luxo de perder oportunidades...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 418
Marciano Vasques
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
TRANSBORDANDO DE ROMANCE
— Tenho a vida cheia de romance...
— Como assim, Rospo? Plena de romance ou romances?
— Romance, Sapabela. Mas, ficou meio agitada...
— Não me embarace, Rospo... É que não havia entendido...
— Presto atenção na vida... Sou alguém com íntima ligação com a vida que passa...
— Sei, o mundo...
— Deveras. Aprecio o melhor da vida, que é justamente... o simples e o belo imperceptível...
— Fale um pouco sobre isso, amigo...
— A simplicidade das coisas que são, que estão nos povoados, no orvalho de um amanhecer, em nódoas lilases, num ocaso de tímido dourado, numa noite estrelada, num entardecer verdejante, na poeira e nos relâmpagos, no azul que paira entre chumaços de nuvens, no trovejar, e num chuvisco, num menino que ri acho que ri afinal, num filete de água cristalina, e na folha lisa banhada de fotossíntese, num aconchego de fiapos de luz, numa lua surgindo no horizonte de um telhado, nos olhos de um cãozinho, num insistente e acanhado brilho de um rastro na areia...
— Rospo! Pare! Assim você me enche de romance e poesia...
— Mas é para transbordar, Sapabela!
— Quanta riqueza, não é, Rospo?
— Sim, nem sei para que tanta pressa...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 417
Marciano Vasques
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SAPO APRENDE TOCANDO
De fita amarela e vestidinho lilás, lá ia a sapa mais simples do brejo, porém de olhar mais atento e amoroso, quando encontra um velho conhecido tocando sanfona, ou melhor, com uma sanfona.
— Rospo, você não é sanfoneiro! Por que faz isso? Por que está com esse acordeão? Tem sapinhos brincando ao redor e eles estão vendo. Pensarão que você sabe tocar.
— Quero mesmo que pensem isso...
— Por que, Rospo?
— Quando eu era um sapinho, vi um sanfoneiro tocando e fiquei com tanta vontade de aprender...
— Os tempos mudaram, Rospo. Hoje o olhar do sapinho é ligeiro, vertiginoso... E além do mais, na semana passada, você estava com uma flauta, e no mês passado, eu o vi com um violão... Se não toca nenhum dos instrumentos, por que vive perambulando por aí como se fosse um artista?
— Ora, Sapabela, um sapo aprende tocando...
— É verdade, amigo... De tanto andar com o violão um sapo vira violeiro...
— Com certeza. E você? Já está escrevendo seus poemas?
— Estou aprendendo, Rospo. É difícil... Nem sempre encontro a rima, a palavra adequada...
— Não se esqueça, Sapabela: sapo aprende tocando...
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 416
Marciano Vasques
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O GOVERNO PODE?
— Moço, dá licença?
— Não! Outra vez? Outra vez esse Sapo na fila?
— Desculpe. É que eu estava passando e vi a fila...
— Claro, Sapo! É uma lotérica. As pessoas estão aqui porque querem jogar, querem fazer uma "fezinha"...
— Curioso.
— O que é curioso, Sapo? Vá me dizer que nunca jogou?
— Já, algumas vezes... Mas, reparou que o jogo aumentou? Estava $ e aumentou para $...
— Reparei, não sou cego.
— Tem certeza?
— Qual é o problema, Sapo?
— Pergunta maravilhosa...
— Desembuche...
— Que chulo! Foi em família que aprendeu?
— Sapo, diga logo o que você quer...
— O aumento da aposta mínima foi de 50%...
— E daí?
— O governo pode?
— Ora...
— Sei, o Governo pode e a gente se sacode...
— Sapo, vê se me deixe em paz...
— Com certeza. Adeus! Afinal, conflito para quê?
— Você é muito chato...
— Eu sei... Talvez eu viva para sacudir, mas, bem disse você, o Governo pode.
— Eu disse isso?
— Vai pagar, não vai?
— Vou, claro que vou...
— Então você disse.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 415
Marciano Vasques
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A SAPINHA CURIOSA
— Deixe de ser curiosa, Sapinha! — berrava a mãe para a pequena garotinha.
Rospo, andarilho, coração cigano, só observando.
— Pare de ser enxerida, você é muito curiosa! Pare de fazer perguntas! Pare de encher, menina!
Rospo se aproxima.
— Por favor, posso ter uma palavrinha com a menina?
— Por que a minha filha daria atenção para um sapo qualquer?
— Porque eu sou um sapo curioso desde que tinha a idade dela...
— E o que eu tenho com isso?
— A senhora nada, mas a sapinha sim.
— Ora, Sapo, minha sapinha não quer falar com você. Tchau!
— Mãe, eu quero! Deixa eu falar com o Sapo?
— Quem você é, Sapo? Um pedagogo de rua?
— Gostei. Sou apenas um sapo curioso, e senti curiosidade pela forma como a senhora tenta impedir a sua sapinha de se expressar e de expressar os seus sentimentos mais profundos, entre os quais a curiosidade...
— Curiosidade por acaso é sentimento, Sapo?
— Para a criança tudo é sentimento.
— Ora, está bem, pode falar com ele, mas, por favor, sapo: não vá pôr minhocas na cabeça da minha sapinha.
— Mesmo que eu fosse ensiná-la a pescar, jamais poria minhocas em sua cabeça, no máximo poderia mostrar a ela que as minhocas tornam a terra arejada...
— Chega de papo sapo, fale logo com ela!
— Papo, Sapo. Vê como até a senhora sabe rimar?
— Está gozando com a minha cara?
— Menina, preste atenção!
— Já estou prestando. Qual é o seu nome?
— Rospo, e o seu?
— Vamos logo com isso! Já estou ficando impaciente. Se deixei a minha sapinha conversar com você, não é para ficar enrolando...
— Sapinha, seja sempre curiosa. Sempre!
— É?
— Sim, desperte a Sapabela que existe em você, todas as manhãs...
— Tchau, Sapo! Vamos embora, sapinha. Vamos! Que temos mais o que fazer...
— Sapinha, seja sempre curiosa, sempre.
— Está bem, seu Rospo... Mãe, quem é Sapabela?
— Sei lá, não ligue para o que diz esse sapo maluco.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 414
Marciano Vasques
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