quarta-feira, 23 de março de 2011

O TEMPO

COM UM AMIGO QUERIDO


LENDÁRIA

RAINHA DO EGITO

Andy Warhol

A TROVA DO DIA

A flor, por ser perfumosa,
o beija-flor a rodeia,
e traz a uma linda rosa
a cor que logo a incendeia.
 

MARIA SÃO JOSÉ ALVES

LAMENTO DA MÃE ÓRFÃ

 LAMENTO DA MÃE ÓRFÃ


Foge por dentro da noite
reaprende a ter pés e a caminhar,
descruza os dedos, dilata a narina à brisa dos ciprestes,
corre entre a luz e os mármores,
vem ver-me,
entra invisível nesta casa, e a tua boca
de novo à arquitetura das palavras
habitua,
e teus olhos à dimensão e aos costumes dos vivos!

Vem para perto, nem que já estejas desmanchando
em fermentos do chão, desfigurado e decomposto!
Não te envergonhes do teu cheiro subterrâneo,
dos vermes que não podes sacudir de tuas pálpebras,
da umidade que penteia teus finos, frios cabelos
cariciosos.

Vem como estás, metade gente, metade universo,
com dedos e raízes, ossos e vento, e as tuas veias
a caminho do oceano, inchadas, sentindo a inquietação das marés.

Não venhas para ficar, mas para levar-me, como outrora também te trouxe,
porque hoje és dono do caminho,
és meu guia, meu guarda, meu pai, meu filho, meu amor!

Conduze-me aonde quiseres, ao que conheces, - em teu braço
recebe-me, e caminhemos, forasteiros de mãos dadas,
arrastando pedaços de nossa vida em nossa morte,
aprendendo a linguagem desses lugares, procurando os senhores
e as suas leis,
mirando a paisagem que começa do outro lado de nossos cadáveres,
estudando outra vez nosso princípio, em nosso fim.



Cecília Meireles

terça-feira, 22 de março de 2011

UMA CANÇÃO DESNATURADA

CHICO BRASIL

Pelas  lágrimas na  música que escolhi, inauguro em CASA AZUL DA LITERATURA um novo marcador, intitulado CHICO BRASIL
Assim, CASA AZUL DA LITERATURA segue o seu propósito de não perder de vista todas as fontes que possam emocionar ou pelo menos causar reflexão, ou ainda uma pequena pausa.
 

O Casamento dos Pequenos Burgueses

Elis Regina - As curvas da estrada de Santos

Caetano Veloso - As Curvas da Estrada de Santos

O Casamento dos Pequenos Burgueses - Chico Buarque

QUINTA POÉTICA

COM TATIANA BELINKY

A TROVA DO DIA

Nesta casa tão singela
onde mora um trovador,
é a mulher que manda nela,
porém nos dois manda o amor.

 CLÉRIO BORGES

ISOLDA

John Willian

Autor não localizado

Edmund Blair Leighton (1853-1922)


O MERGULHO NECESSÁRIO

— Conheci um amigo que era professor...
— É bom ter amigos professores...
— Precisava ouvir o discurso dele, Rospo! Quanta ética! Quanto zelo pela ética!
— Maravilha, Sapabela! Um sujeito assim eu queria muito conhecer... Mas, mudando de assunto...
— Pode mudar.
— Você sabia que tem dezenas de sites oferecendo um serviço totalmente ilícito? Aliás, uma vergonha para a história do pensamento... Um crime...
— Anunciado em sites?
— E o sapo que "contratar" o serviço, pode pagar com cartão de crédito, ou com boleto bancário...
— E qual serviço é esse?
— A venda de monografias. O estudante que não tem tempo para escrever, encomenda e paga por uma monografia. Isso vale para a graduação e até para o doutorado...
— Incrível! Como é possível que isso esteja acontecendo? Isso é mais do que o plágio, é uma afronta para a Universidade, é um...
— Sapabela, fale mais sobre o seu amigo...
— Rospo! Você por acaso sabia disso?
— Do que está falando, Sapabela?
— O meu amigo professor faz isso, ele vende monografias...
— Por isso vivo a dizer: preste atenção nos discursos, mas não se esqueça de mergulhar além da superfície, pois geralmente o discurso fica flutuando na superfície, fica boiando...
— Nem todo discurso é autêntico...
— Na verdade, Sapabela, a sua validação está no mergulho. O que de fato autentica o discurso está abaixo da superfície, está nas profundezas...
— Então, não basta apenas ouvir e aplaudir, como eu estava fazendo...
— Pode até ouvir e aplaudir, mas não se esqueça do mergulho.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 493
Marciano Vasques
Leia CIANO

SAPABELA ANDA MUITO BRINCALHONA

— Rospo, tomei conhecimento de que você é um estudioso dos símbolos antigos...
— Sou um curioso. Na verdade, além dos símbolos, tenho mais é interesse nas palavras, considero incrível saber que determinada palavra pode ter seu significado transformado através dos tempos... Então, uma palavra que era benéfica, luminosa numa época, pode atemorizar em outra...
— Como "Lúcifer" que significa originalmente "Estrela da alva"...
— Exato, e fico pensando: como é possível, que, por exemplo, o tridente...
— Sei, o tridente é de Poseidon...
— Também de Shiva... Aliás, era com o tridente que ele destruía a ignorância dos sapos...
— Entendo... E todos usavam o tridente como um símbolo de proteção...
— Foi no passado um símbolo da sabedoria, entre os indianos...
 Isso tudo para mim é maravilhoso, Sapabela...
— Acaba de chegar um morador novo no brejo.
— Quem?
— O Belo Zebu.
— É um touro?
— Nem bovino é.
— É um sapo?
— Sim, e vive tentando os outros sapos... Sabe o que ele andou propondo?
Que cada um trocasse o seu amigo adicionado por $. Ele pagava na hora...
Um milionário excêntrico. Entende?
— Que maluquice! É um bom dinheiro. Mas ninguém iria trocar o seu amigo virtual por $...
— Precisa ver a fila que se formou na tenda dele...
— Está brincando, Sapabela! Isso não aconteceu. Deve ter sido um sonho seu...
— Sim, é brincadeira, não tem nenhum Belo Zebu aqui no brejo...
— Ainda bem, pois senão ele iria fazer companhia para o Minotauro. Mas, você anda bem picante, Sapabela... Como pode inventar uma brincadeira dessa? Por acaso, passa pela sua cabecinha que alguém em sã consciência trocaria o seu amigo por moedas? Crê que em sã consciência alguém trocaria amizades virtuais por $?
— Em sã consciência não. Mas, quem falou em sã consciência?


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 492
Marciano Vasques
Leia CIANO


NA ERA PÓS-ORKUT

— Rospo!
— Sapabela! Que surpresa encontrá-la...
— O que pretende fazer agora que o Orkut perdeu a graça?
— Orkut?
— Sim. Lembra?
— Pois é, passou...
— Mas foi importante durante um período, e no começo encantou os sapos e as sapas... Agora tem outro...
— Esse vai além do brejo...
— Então, crê que todos conseguirão sobreviver sem o Orkut? Tem sapo que conseguiu angariar...
— Adicionar...
— Centenas de amigos...
— O que ele vai fazer com tantos amigos agora que o Orkut está perdendo o sentido?
— Não sei. E você, Rospo? O que fará?
— Ora, Sapabela, Não sejamos tão sarcásticos... Ser irônico até que é saudável, mas assim está exagerado...
— Claro que estou brincando, Rospo. Para muitos, o Orkut ainda será durante um bom tempo a única forma de encontrar amigos, mas, e você?
— Ora, Sapabela, eu vou por aí...
— Sei: calçadas, ladeiras, barzinhos, as casas...
— Isso mesmo, Sapabela, talvez os meus amigos ainda estejam nas casas, nos bares, num luna park, num cinema, num...
— Rospo, creio que também irei buscar os amigos lá fora...
— Lá fora?
— É, fora da tela, fora do virtual... Tem vantagens, já vêm aquecidos pelo calor de um abraço.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 491
Marciano Vasques
Leia em CIANO

segunda-feira, 21 de março de 2011

SAPABELA EMOCIONADA

— Rospo, por que eu sou assim?
— Assim como, Sapabela?
— Eu não sei fazer jogos, não consigo nem quis jamais participar de nenhum jogo hipócrita, nenhuma dessas coisas bobas, dessas tolices...
— Precisa falar mais para eu entender, minha doce amiga...
— Essas coisas que muitas sapas fazem...
— Muitas?
— Pelo menos algumas que eu conheço...
— Que jogos são esses?
— Eu não sei fazer isso, não sei fazer essas coisas... Essas coisas não passam pela minha mente, meu pensamento não filtra...
— Ainda não conseguiu arrancar de dentro de você, minha querida. Diga, não precisa se afligir...
— Esses jogos, tipo: "Finja que  você é difícil!", "Finja que não está   a fim...", "Deixe o cara louco de vontade", "Faça o sapo ficar completamente apaixonado", "Não demonstre a ele o que você sente"...
— Entendo. São jogos.
— Eu não sei, Rospo, eu só sei ser eu.
— Seus olhos estão marejando, estão?
— Não, Rospo, é esse vento.
— Então, continue, minha linda.
— Eu só sei ser eu. Não sei como é isso que as sapas fazem...
— Entendi, entendi... Quer parar? Se quiser, deixe como está, não precisa prosseguir...
— Não, Rospo! Quero falar mais.
— Então, estou aqui.
— Eu também não sei o que faz alguém gostar de alguém...
— Estou ouvindo...
— Eu não sei porque uma sapa gosta de um sapo... Eu não sei o que faz com que um sapo goste de uma sapa... Eu só sei que quando eu gosto eu me apaixono... Só isso, e não sei como é essa coisa de me fazer de difícil, não sei como é jogar... Quando eu amo eu amo e não sei nada além disso...
— E nem precisa, não é?
— Sabe, Rospo, isso que algumas amigas fazem não é seduzir... Seduzir é algo diferente... Seduzir tem a ver com emocionar... Entende?
— Entendo sim... Só não entendo porque está desabafando assim agora...
— Sei lá, Rospo, talvez por causa do luar, talvez por que confio em você, talvez por que eu esteja precisando...
— Fez bem, Sapabela. Aproveito para dizer que aqui no brejo, pouquíssimos sapos e sapas me emocionam... E você me emociona...
— Obrigado, Rospo... Sorvete?
— Já.
— Então vamos nós três para um delicioso sorvete.
— Nós três?
— Uai! O Luar não conta?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 490
Marciano Vasques
Leia CIANO

LETRAS SAPECAS

A Edições PAULINAS acaba de informar que o Livro 
LETRAS SAPECAS 
entrou na 2ª Edição.
A obra foi lançada no dia 14 de Agosto de 2010, 
na Bienal do Livro, em  São Paulo.

IBSEN



CASA DE BONECAS 
é uma peça teatral do dramaturgo 
Henrik Ibsen. 


AINDA NECESSÁRIO

SAPABELA E ISOLDA

— Estou bonita, Rospo?
— Nem precisava perguntar... Mas é que não fui ligeiro agora...
— Elogio sincero de sapo faz bem... Diga.
— Está linda. A começar pelo vestidinho... E o penteado...
— Nem tenho cabelo, Rospo!
— Tem sim... Está linda, mas tem algo que não pode esquecer...
— O que é, Rospo? O detalhe do esmalte?
— Isso está bom demais. Lilás...
— Um laçarote azul na cintura? Um batom bem discreto? Diga, Rospo, estou angustiada... Não me deixe uma eternidade esperando...
— Calma, Sapabela! Não se passaram nem 10 segundos, já vou dizer.
— Pois não. Estou ouvindo.
— Não se esqueça do principal. Seja Isolda.
— Isolda? Mas eu quero ser apenas "Eu", Rospo! O que tem a ver Isolda?
— Isolda é simbólico, Sapabela. É apenas um símbolo... "Isolda" é a paixão pela vida, é paixão avassaladora que varre os corações com delicadeza de vendavais... É a paixão que no cotidiano pode ser chamada de aventura. Paixão por tudo, pelas coisas mais simples. Só Isolda arremessa, só Isolda é aventura, travessia, viagem...
— Sabe, Rospo, toda sapa deveria ter um sapo amigo... E eu sou Isolda, sei disso, e sabe por que eu me ponho assim bonita? Sabe por que eu me arrumo, me visto assim?
— Para realçar aquilo que é belo? Para ser atraente? Para despertar admirações?
— Não, Rospo! Porque eu me amo! Eu vivo apaixonada por mim... Por isso tenho tanto amor para espalhar por aí...
— Bem, hoje terei que convidar duas sapas para o sorvete...
— Duas? Você tem que convidar só eu! Quem é a outra? Diga! Não enrole! Quero conhecer essa fulana...
— Calma, Sapabela! A outra está em você mesma, é a Isolda.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 489
Marciano Vasques
Leia CIANO

SAPABELA E A CHAMA

— A chama, Rospo!
— Quem me chama, Sapabela?
— Ninguém, ou melhor, talvez esteja a poesia a chamar por você, mas estou querendo falar da chama... A chama que precisa ser mantida acesa... Como a chama do amor... E outras...
— Uma imensa fogueira, não é? Ao redor do mundo que somos...
— Nada é mais simbólico do que a fogueira, Rospo... E fico imaginando como no passado comemoravam, por exemplo, a passagem dos anos...
— Fogueiras ao redor do planeta...
— Mas a chama é demais, e ela precisa, a todo o custo, ser conservada... ser preservada... Todos temos o dom de Prometeu...
— Promete que me explica isso?
— Sim, na vida, tem coisas que são essenciais... E agora que o Outono está chegando...
— E eu tenho o privilégio da enigmática flor de Outono...
— Pois é... Mas, a chama... Jamais permita que o inverno invada a sua alma...
— É verdade. O inverno é só para o corpo...
— Isso daria um título de livro do Sidney Sheldon...
— Como você me enriquece, Sapabela, mas, fale da chama...
— A chama, ela precisa ser mantida e alimentada diariamente, todos os dias. A chama é a paixão da vida... Falo dos sonhos, do amor, da vontade de fazer as coisas, de correr ao vento, de ler, de viver intensamente... Como tudo requer paixão, então tudo necessita da chama, e a chama está implícita naquilo que diz: "Eu sou a vida!"...
— Sabe, Sapabela, se você for uma vela votiva, já é maravilhoso...
— E você, Rospo, poderia ser o fósforo...
— O fósforo para um incêndio. Bárbaro! Sapabela, eu me declaro o caçador de chamas...
— Outro título...
— Do que está falando?
— Nada. Que vivam todas as chamas! Principalmente as que aquecem os corações.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 488
Marciano Vasques
Leia CIANO

A RÃ

"A rã que está no fundo do poço 
pensa que o céu é do tamanho 
da boca do poço"

LANÇAMENTO

A TROVA DO DIA

Entardece... E a noite mansa,
após os dias tristonhos,
sempre me traz a esperança
de te encontrar nos meus sonhos!

MARIA MADALENA FERREIRA

FLOR

Autora: F de O

domingo, 20 de março de 2011

OUVIDOS COMPANHEIROS DA ALMA

— Rospo, tem sentires que nascem prontos para a poesia... Acontece isso com você?
— Claro, Sapabela! Tem sentires, coisas que penso, que meu coração pensa, que já nascem como se fossem poesia... Mas nem sempre escrevo o poema...
— Comigo acontece isso, Rospo... Tem coisas que sinto e vem à tona de minha alma repentinamente... de tal forma explosiva, que só pode ser a força da poesia que chama...
— Sinto-me tão feliz por estar com você, Sapabela... Passeando ao suave vento que anuncia o Outono...
— Rospo, estive pensando: tem uma bobagem de uma lenda que diz que nenhum sapo consegue entender as sapas... Ninguém sabe o que uma sapa quer... As sapas são difíceis de entender...
— Essa lenda nasceu no bojo do sistema patriarcal do capitalismo...
— Mas tudo é tão simples, Rospo! O que uma sapa quer é tão simples...
— Eu sei, Sapabela, o que ela quer está longe da complexidade do entendimento do sapo, que não consegue alcançar a doçura e a ternura tão facilmente... Ela quer atenção. Apenas isso, mas atenção verdadeira, de olhos nos olhos, de concentração de quereres...
— Sabe, Rospo, eu, Sapabela, quero apenas, e nada mais do que isso, quero encontrar um sapo que me ouça... Só preciso que seus ouvidos
sejam companheiros da minha alma.
— Precisa apenas de algo tão simples e tão verdadeiro, que é difícil para a maioria dos sapos de nossa época entenderem....

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 487
Marciano Vasques
Leia CIANO

UMA SAPABELA SOZINHA NO SHOPPING

Falando em Flor de Outono, lá está ela passeando sozinha no Shopping...
Prestem atenção! Uma Sapabela caminhando no shopping sozinha, numa noite que é de março, que é de quase outono, que seria para quase todos uma noite comum, como outras tantas....
Sapos e sapas que vão ao Shopping, que estão jantando na praça de alimentação, que estão na fila do cinema, que estão olhando as vitrinas das lojas, que estão, muitos, como ela, caminhando no Shopping...
Uma Sapabela caminhando no Shopping sozinha, ao léu, talvez, sem rumo, só para passar o tempo, só para se distrair, só para esquecer coisas, ou para relembrar outras... Uma Sapabela será sempre uma coisa bonita de se ver, mais do que bonita, será uma coisa linda, algo que enfeita os olhos de bandeirinhas colhidas no rastro salpicado pelas estrelas... Cada um tem o seu olhar, mas ela não se importa com isso, ela é apenas uma Sapabela caminhando no Shopping numa noite de fim de verão, numa noite de domingo, numa noite de quase abril... Lá vai ela...
Lá vai ela caminhando pelos corredores do Shopping... Sabe quem é ela? — terá perguntado a brisa.  Sabe algo sobre ela? — Terá perguntado o luar, lá fora, do lado de fora do Shopping.
Ninguém sabe, nenhum sapo sabe... Ninguém, no íntimo, no mais profundo do ser, ninguém sabe nada sobre uma Sapabela que caminha sozinha no Shopping...
Lá fora, no dorso do vento, a noite, lá, onde as luzes do Shopping se dissolvem, lá, a noite assovia uma dor.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 487
Marciano Vasques

Leia CIANO

ROSPO SEM INTERNET

— Sapabela! Alô!
— Rospo! Que alegria! Veja só: o Outono está chegando...
— O  Outono... Sim, o Outono...
— Diga o motivo de tão agradável surpresa, Rospo...
— Estou sem rede de Internet, Sapabela.
— Calma, Rospo! Você vai sobreviver!
— É muito engraçadinha...
— Fique tranquilo, Rospo! Tenha muita calma e não se desespere!
— "Ela só pode estar gozando com a minha cara..."
— Isso acontece, Rospo. Mas, não será grave, e a vida continua, acredite... Você vai se sair bem, Rospo, vai conseguir sobreviver...
— "Não acredito"
— É assim mesmo, Rospo. Fica uma sensação estranha. Você está tendo uma reação normal. Não precisa ficar angustiado... Qualquer coisa, estou aqui, para apoiar você... Fique firme...
— Sapabela! Posso falar?
— Você consegue, Rospo?
— Liguei apenas para conversar...
— Sei, está precisando de consolo, de apoio... Estarei sempre aqui, Rospo... E acredite, ela voltará.
— Ela, quem?
— A Internet.
— Sapabela, você realmente é muito engraçadinha...
— E tenho uma vantagem...
— Qual?
— Sou ao vivo, bem ao vivo...
— Muito bem, dona Sapabela. Está se divertindo às minhas custas, mas saiba que eu me viro bem quando não tem Internet... E adoro ler livros e jornais de papel... Portanto, se quiser saber, meu mundo está além dela... Eu apenas preciso dela para os meus compromissos literários...
— Está reagindo bem, Rospo... Como eu disse, vai sobreviver.
— Bem, quem mandou eu ligar?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 486

Marciano Vasques
Leia CIANO

A TROVA DO DIA



Quem faz o bem tem a paga,
quem é bom nunca está só;
o tempo jamais apaga
o que fica além do pó.

MARIA THEREZA CAVALHEIRO

sábado, 19 de março de 2011

CONTOS DE ÉRAMOS

Uma menina encantada diante da cesta de Natal, a visão de um ferroviário, a travessia na vida de pessoas que subiram a serra, um jovem em crescimento, no confessionário, no consultório médico...
Temores, ansiedades, alegrias, ilusões, felicidade.
Lampiões, circos, a inocência: o espírito de uma época e seus valores.
O autor apresenta ao leitor 28 contos que falam da infância, e de vidas que se foram. Histórias saborosas e delicadas, nas quais nesta obra a alma do livro triunfa: "Ler é viajar!".
Aceite o convite para viajar no bailado dos eucaliptos e acompanhe os personagens que colhiam vaga-lumes.

LIVRO "CONTOS DE ÉRAMOS" 

Novo livro de Marciano Vasques

A TROVA DO DIA

Não sei se irei esquecê-la;
vai dar trabalho, acredito;
pois não perdi só uma estrela,
mas... o meu próprio infinito!
 

JOSÉ OUVERNEY

ARTISTA PORTUGUESA NA PINACOTECA

Exposição da artista portuguesa
PAULA REGO 
na Pinacoteca de São Paulo, 
na Praça da Luz.


O CIO

CHUVA — 11

INVENTÁRIO DA CHUVA

Darei prosseguimento ao 
"Inventário da Chuva" na canção.
Marciano Vasques



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