terça-feira, 5 de abril de 2011

DANÇAR NA PRAÇA?

— Rospo! Estou tão feliz!
— Posso participar dessa felicidade, Sapabela?
— Você é parte integrante dela, meu amigo, por sua autenticidade, sua transparência...
— Mas fale-me do motivo dessa sua súbita felicidade...
— Eu não minto, Rospo, para nada. Não minto para o sapo, para conquistar um sapo, não faço jogos...
— Já disse isso outro dia...
— Não faço tipos... Não sou difícil nem sou fácil... Sou eu mesma, e não imagina a alegria que sinto em ser eu mesma. Não tem coisa melhor...
— Nem doce de abóbora? Nem bolo de cenoura?
— Rospo! Suba para o coração... Mania de sapo de descer para o estômago...
— Ele também conhece as coisas gostosas...
— Rospo, não finjo, não engano, não demonstro o que não sou. E você sabe, minhas roupas não combinam... Mas eu adoro me vestir de Sapabela...
— Os vestidinhos são os meus prediletos... É uma beleza tudo isso.
— Nada se compara, Rospo, a sair por aí, e procurar a vida, ela está no ar, e a felicidade explode...
— O mundo também explode em guerras e dores...
— E cada vez que eu souber de uma injustiça usarei a minha voz para gritar e denunciar...
— Usará a sua doce voz feminina para denunciar?
— Ora, Rospo, a voz feminina é a voz que acusa o mundo de poesia, é a voz que diz luz, é a voz que denuncia os poetas bêbados de luzes e com a alma profanada por boleros de amor... É essa voz que quer o amante sincero, que quer as crianças felizes, que quer o abraço mais puro...
— Pare, Sapabela! Você está fazendo um inventário da voz feminina, mas quero que me diga apenas sobre a sua felicidade...
—É que não posso perder nenhuma oportunidade, Rospo...
— Então, continue, se quiser... Por favor.
— Você é um cavalheiro... O que sei é que a sapa tem mesmo que ser vaidosa, é um requisito do seu Ser. Ela tem que ser linda acima de tudo, e buscar a beleza, pois afinal quando ela busca a sua própria beleza está contribuindo com o embelezamento do mundo... Mas ela tem sim que ser a primeira a gritar e denunciar as injustiças do mundo...
— Posso aplaudir?
— O melhor aplauso é caminhar ao meu lado, estar junto, e isso você já faz...
— Adoro estar perto da elegância, não é? E também da sinceridade.
— Então, viva a minha felicidade! Rospo, vamos dançar?
— Onde é a escola de dança de salão?
— Quem falou em salão, Rospo? Estou me referindo a dançar na praça...
— Nunca dancei numa praça, Sapabela!
— E quando fará isso?
— Sapabela, aqui não é um filme de Fellini...
— Filme? Aqui é mais que um filme! Vamos! Eu conduzo você.
— Disso eu tenho certeza.
— Eu ensino você a dançar.
— Eurídice!
— O que disse?
— Eu disse: Eureka! É uma expressão que revela uma descoberta, uma novidade, um insight...
— E qual é a sua descoberta?
— Que praça, Sapabela, dança, felicidade, voz... Tudo isso são raios de aperfeiçoamento no meu coração. E sinto que falta muito ainda para eu melhorar...
— Não se preocupe, Rospo. Uma Sapabela jamais desiste.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 515
Marciano Vasques
Leia CIANO

CRIANÇA: A ALMA DO NEGÓCIO

VIDAS — 5

VIDAS — 4

VIDAS — 3

segunda-feira, 4 de abril de 2011

VIDAS — 2

VIDAS — 1

É MELHOR VIVER ASSIM LOUCAMENTE APAIXONADO

MY LOVE

THIS IS MY SONG

O CORAÇÃO NÃO TEM IDADE

BIBLIOTECA NACIONAL

QUE FOGUEIRA É ESSA?

Lá vinha o Rospo todo agitado...
— Rospo, que alarde é esse? Você está eufórico ou angustiado? Conte! O que aconteceu? Parece que viu algo que o assustou...
— Eu vi a fogueira...
— Fogueira? Que fogueira?
— Enorme! Imensa! A maior de todas. Jamais vi fogueira tão grande...
— Onde está essa fogueira, Rospo? Por acaso é alguma festa junina? Nem tem isso mais aqui no brejo. Seria um incêndio na floresta? Pois o que tem de desamor gerando queimadas...
— Não, não, não!
— Então, diga, meu Rospo. Sapabela não gosta de ver seu melhor amigo assim tão agitado... Onde está essa fogueira?
— Eu participei de um congresso de Poesia...
— Que bom! Encontrou seus parceiros escritores...
— E foi lá, Sapabela...
— Foi lá? Diga Rospo... O que foi lá?
— A fogueira. Ela é diferente...
— Ora, Rospo, toda fogueira é igual. Tem fogo, tem fumaça, e tem muitos sapos querendo pôr lenha na fogueira...
— Não, Sapabela, essa é diferente. Além de imensa, é bem diferente...
— Diga.
— Ela, com suas labaredas, tenta queimar o brilho alheio, quer dizer, apagar...
— Que mais?
— É ela, com suas chamas, que isola o outro, aquele que, por acaso, não pertence a tal grupo... Quer dizer: entre os poetas, assim como entre todos os artistas, existem grupos, aos montes...
— Tem mais?
— É ela que faz com que cada um se julgue melhor do que os outros, se julgue até o melhor de todos...
— Que fogueira terrível é essa, Rospo?
— É a fogueira das vaidades...
— Tem razão, meu amigo. Essa precisa muita água para apagar...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 514
Marciano Vasques
Leia em CIANO

O PRIMEIRO POEMA DA SAPA

— Rospo, minha amiga Colibrã está triste...
— O que aconteceu com ela?
— Ela escreveu um poema.
— E isso é motivo para tristeza?
— Ela publicou o poema...
— Numa revista, num livro, num jornal?
— Não, Rospo, num blog.
— Que coisa boa.
— Ela divulgou numa lista de amigos escritores e poetas...
— Que maravilha!
— Aí que surgiu a tristeza...
— Não entendi.
— Ela esperava que todas as amigas e os amigos comentassem e até elogiassem o seu poema...
— Já sei, só a metade elogiou...
— Só uma amiga...
— Ora, Sapabela, é muito difícil para a maioria se despir de um fardo tão pesado...
— Nem sei o que você está falando...
— Nunca foi fácil, minha amiga...
— Fale logo, Rospo!
— O orgulho e as vaidades... São vestes pesadas demais... Elas grudam no corpo, quer dizer, no corpo da alma...
— Entendi, mas ela não sabe disso...
— Às vezes, Sapabela, é melhor apenas conhecer a obra de um autor...
— Mas será que o motivo talvez possa ser outro? A falta de tempo, ou a timidez para comentar a obra de um amigo...
— Claro, Sapabela, outros podem ser os motivos também... Mas tenho um conselho para a sua amiga.
— Quer que eu o leve para ela?
— Sim, o conselho é o seguinte: diga a ela que em vez de ficar triste, o melhor que tem a fazer é escrever outro poema...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 513

Marciano Vasques
Leia CIANO

O FAZ DE CONTA NO BREJO


— Parece que o governo do brejo aprecia Literatura Infantil...
— Que loucura está dizendo, Rospo? Por acaso, ele envia muitos livros para as bibliotecas?
— Ele adora crianças...
— Por que diz isso?
— Ele gosta tanto de crianças que nos trata como tais...
— Vai ter que explicar.
— Para a criança existe o mundo do faz de conta...
— É importante para o crescimento dela.
— Então, veja só, para todos os brejeiros...
— Brejeiros?
— Nós, que vivemos no brejo...
— Pensei que fosse brejeliense...
— Pois bem, para nós existe também o mundo do faz de conta, que é o mundo que o governo cria...
— Tudo bem, o governo cria um mundo de faz de conta para nós, que somos adultos... Mas, o que vem a ser isso?
— Veja, Sapabela, ele faz de conta que não existiu o grande escândalo no governo passado...
— Isso é verdade.
— Pois então, está nos tratando como crianças... Acontece que...
— O que acontece, Rospo?
— Que nem todos acreditam nesse faz de conta...
— Mas você tem alma de sapinho, Rospo...
— Porém, nem todo faz de conta é benéfico, e esse é por demais prejudicial...
— Até quando  ele irá persistir?
— Por mim, esse faz de conta já era, ou seja, nesse caso, para mim, nem "Era uma vez"...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 512
Marciano Vasques
Leia CIANO

domingo, 3 de abril de 2011

CANÇÕES QUE O SAPO GOSTA

— Rospo, por que você gosta de música brega?
— Gosto de música que emociona, Sapabela... Nesse sentido, não faço diferença entre a música erudita, a clássica, e a popular. Sendo bom e autêntico, isso me desperta e me interessa em primeiro plano, mas se emocionar, pegou o sapo...
— E brega é apenas um título, um apelido preconceituoso...
— Sapabela, se falar ao coração, é o que me importa... Claro que aprecio o melhor da nata musical... A elite também comove, mas a música que é cantada no quintal do poeta, a mim muito atiça, a minha alma se assanha e quer ser feliz...
— Por que o "brega" resiste?
— Pelo mesmo motivo pelo qual resiste a cantiga "O Cravo Brigou com a Rosa"...
— Sei, enquanto existirem brigas de amor...
— Enquanto houver um só sapo e uma só sapa sobre a Terra, haverá boleros chorosos... E tangos... e doces e bregas canções de amor...
— Sapo e sapa sempre irão se apaixonar, não é?
— Claro, mesmo se a Lua um dia for habitada...
— Já deve ter imobiliária de olho...
—Para o sapo e a sapa o luar será sempre o luar...
— Rospo, o mundo ainda será dos românticos?
— Sapabela, coisa mais doce não há, do que um sapo e uma sapa se encontrarem...
— Então, a música brega é mesmo uma alegria... num coração que ama e sonha?
— Sapabela. O coração tem suas próprias razões...
— Canções, você quis dizer.
— É... Canções bregas, canções que tocam na alma, no coração... Isso não tem cura...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 511
Marciano Vasques
Leia CIANO

MOLHANDO A CONVERSA

— Rospo, por que os sapos costumam beber quando conversam?
— Muitos fazem isso. Na verdade, é um costume, faz parte da cultura...
— Mas, por quê?
— Isso quer dizer que quando eles se encontram a conversa não pode ser seca...
— O que é uma conversa seca?
— Desprovida de emoção, talvez...
— Mas, o que significa beber?
— Beber é para molhar a conversa...
— Mas não corre o risco de a conversa se embebedar?
— Sabe, Sapabela. Desconfie de alguém que diz odiar vinho... Ocorre, que até para molhar a conversa tem que haver um aprendizado, uma educação...
— O sapo precisa aprender a beber?
— Naturalmente! Para ter o direito de ter o vinho como parceiro numa conversa, o sapo necessita viver uma etapa de aprendizado... Pois senão é capaz de, em vez de molhar a conversa, encharcar, afogar a conversa num dilúvio...
— Rospo, no nosso caso...
— Que caso?
— Eu quis dizer que nós sempre tomamos um sorvete em nossas conversas...
— Está aí um caso interessante de inversão de sentido...
— Explique.
— O sorvete é para aquecer a nossa conversa...
— Ainda bem, pois se fosse para gelar...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 510
Marciano Vasques
Leia em CIANO

JOGANDO CONVERSA FORA

— Rospo, vamos jogar conversa fora?
— O que é isso, Sapabela! Pare com isso! Não diga uma coisa dessa nunca mais! Não faça isso!
— Calma, Rospo! O que deu em você? Pare de se agitar, pare de chacoalhar os braços... Todo mundo está olhando, isso aqui é um blog, perdão, é uma praça... O que eu disse de errado?
— Você disse o indizível... Não se diz uma coisa dessas... Jamais...
— O que foi, Rospo? Estou me sentindo uma sapa perigosa.
— Você fez uma proposta monstruosa, imperdoável...
— Quem tem uma amigo Rospo, tem que passar por cada uma...
— Ora, Sapabela, não se joga conversa fora. Uma conversa jamais será em vão, e portanto, jamais deverá ser jogada fora. Já pensou? Uma conversa descendo pelo ralo, pelo esgoto, no cesto de lixo, nas calçadas, escorrendo em direção ao nada? Já pensou, uma pobrezinha de uma conversa virando fiapo, fumaça, um resto, uma coisa miúda, indo embora, sumindo, desaparecendo, para sempre...Não, Não, Não! Isso não pode acontecer! Isso não pode.
— Rospo, pare de chorar, e eu nem trouxe guarda-chuva... Foi apenas uma expressão popular. É claro que jamais jogarei uma conversa fora...
— Ainda bem, Sapabela... Conversa é algo muito precioso, um tesouro... Não pode ser jogada fora assim sem mais nem menos.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 509
Marciano Vasques
Leia CIANO

NÃO É SÓ VERSEJANDO QUE A ALMA VICEJA

NÃO É SÓ VERSEJANDO

QUE A ALMA VICEJA



Versejar, pois é domingo! Eis o grito de paz do meu coração. Mas, acontece um detalhe: sou poeta, dizem, e amo a literatura, essa irmã da filosofia. Porém, esse porém é inevitável: estou no mundo, e veja, se tiver alguém que acredita que a literatura está fora do mundo, enganou-se.

SÓ PRA LEMBRAR

NO JARDIM DE INFÂNCIA

"Direitos Humanos têm de ser ensinados no Jardim de Infância"

Margarida Pressburger
Subcomitê de Prevenção de Tortura da ONU

sábado, 2 de abril de 2011

LILI MARLENE

SMILE

SMILE — ELE

SMILE — KING

SMILE — OLODUM

SORRIA

EU DISSE ADEUS

PIOR DO QUE ESTÁ NÃO FICA

O deputado Tiririca, titular da Comissão de Educação e Cultura, da Câmara dos Deputados, em Brasília, viajou ao Ceará, para visitar parentes, e pagou o resort com dinheiro público.

NEM MILHÕES DE TENTATIVAS

— Você pensa que tudo o que um sapo tentar ele consegue?
— Tudo, Sapabela, tudo...
— Engano seu, Rospo!
— Que ar maroto de felicidade é esse, Sapabela?
— Você se enganou...
— Devo ter me enganado, tudo bem, mas diga-me, Sapabela. Que coisa deve o sapo tentar que não adiantam as tentativas? Ora, pois que um sapo, acredite, consegue tudo o que quer, basta tentar, e tentar várias vezes, ser mais persistente que o soldadinho de chumbo...
— Viva Andersen!
— Viva! Mas, diga, Sapabela: o que não adianta tentar?...
—  O Sapo tirar da cabeça o que nasce no coração... Não tem jeito... Milhões de tentativas serão inúteis, pois o que está no coração não pode ser retirado da cabeça... Falando nisso, sapo também sofre por amor?
— Ora, Sapabela, só o sapo é capaz de romper reinos e desbravar tempestades por um fio de cabelo da sapa amada...
— Isolda!
— O que disse?
— Nada, mas tem razão, o sapo quando ama e perde o seu amor, sofre muito...
— Nem imagina o tamanho dessa dor, Sapabela.
— Rospo, mas, então, me diga: confessa que se enganou? Confessa que tem algo que não adianta tentar?
— Tem razão, Sapabela, não se expulsa da cabeça aquilo que está no coração...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 508
Marciano Vasques
Leia CIANO

PALAVRA FIANDEIRA NO AR

Primeira Edição Temática do Ano.
Literatura Infantil.
CONVIDADOS:
Angela Leite; Carmen Ezequiel; Cáthia Abreu; 
Edson Gabriel; Marília Chartune; Naomy Kuroda; 
Paula Laranjeira; Regina Sormani
 Leia AQUI

A SAPINHA QUER PRESENTE

—Rospo, aconteceu uma coisa interessante com a minha amiga Colibrã.
— O que aconteceu, Sapabela?
— Ela pediu um presente de aniversário para a tia dela...
— Nada mais natural.
— E ficou o dia inteiro falando nisso...
— Criança é assim mesmo: você tem que prometer nos olhos...
— Então aconteceu a coisa curiosa...
— Diga, que curioso estou eu.
— De tanto a sapinha falar, a Colibrã ficou impaciente, e disse que não daria presente nenhum...
— A impaciência tarda mas não falha.
— E disse para a sapinha que não daria o livro que ela tanto queria...
— E o que tem de curioso nisso?
— A resposta da sapinha...
— Então conte, ou pensa que eu tenho a paciência dos leitores?
— Quando a tia disse que não daria o livro para a menina, ela respondeu:
— Eu estou falando de presente, tia! Não de necessidade.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 507
Marciano Vasques
Leia CIANO

EU FAÇO VOCÊ RIR!

O deputado Tiririca emprega os amigos,
que ficam em São Paulo, 
sem precisar dar expediente em Brasília, 
com salários de R$8 mil.

IMUNIDADE

"Tenho imunidade para roubar ou para falar?
Para corromper 
ou para emitir opiniões?"


Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ)

OS AFRICANOS

"Os africanos são amaldiçoados!"
 Citando texto teológico
Pastor Marco Feliciano
Deputado — (PCS-SP)

LÉLIA ABRAMO

CARTA DO ZANOTO 2

CARTA DE ZANOTO - 1

2 DE ABRIL

sexta-feira, 1 de abril de 2011

NO JORNAL CORREIO DO SUL

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