quinta-feira, 12 de maio de 2011

TUDO PELA ROSA

— Como a roseira tem espinhos, Rospo!
— Acredite, Sapabela. Os espinhos não são um enfeite da natureza...
— Espinho tem função?
— A rosa é uma rainha, Sapabela. Os espinhos são a sua proteção...
— Já falou isso certa vez...
— Es espinhos protegem a rosa, fazem a sua defesa... Eles estão no caule para impedir que a rosa seja alcançada, pois é preciso proteger a rainha das flores...
— Os espinhos protegem e defendem a delicadeza? Defendem a beleza?
— Nada é por acaso na natureza, minha amiga. Veja só, nós, os sapos, temos barba...
— Nem todos, não é, Rospo?
— A barba é para proteger o rosto do sapo das agruras, das intempéries, da força rústica da vida... Mas não gostei do seu risinho, Sapabela. Por acaso está insinuando que não tenho barba? Não reparou sequer um fiozinho?
— Veja o que eu trouxe, Rospo.
—O que é isso? Uma lupa?
— Exatamente. Ando sempre prevenida.
— Para que a luva, Sapa?
— É como se eu tivesse adivinhado que hoje teria que procurar uma barba.
— Já me dei conta, Sapabela. Quem tem amigos tem tudo...Não me faça rir, ou melhor, faça.
— Rospo, você quer a rosa?
— Todos sempre querem a rosa.
— Então, Rospo, prepare-se, pois sempre encontrará os espinhos no caminho...
— Que venham os espinhos! Quem tem a rosa no coração, é como um Tristão.
— Explique isso, Rospo.
— Vai atravessar mares, rasgar países, percorrer terras, enfrentar vendavais e temporais, tudo pelo seu amor...
— Pois é, a rosa virou Isolda...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 570
Marciano Vasques
Leia CIANO


quarta-feira, 11 de maio de 2011

SENTIDOS PREGUIÇOSOS

-Rospo!
-Sapabela! Que saudades!
-Também pudera, Só ficava naquele aeroporto...
-Tem alguma novidade?
-Descobri uma coisa...
-O quê, minha verdinha?
-Tá cheio de sapos com os sentidos preguiçosos...
-Exemplos, por favor, exemplos...
-Ouvidos preguiçosos...Ninguém parece querer mais prestar atenção em nada, ninguém parece mais querer ouvir a voz dos ventos...
-De fato.
-E também olhos preguiçosos... Ninguém parece se interessar em ver as belezas da natureza...
-Concordo... E nem parecem ter olhos para a arte...
- Até o tato anda preguiçoso, pois ninguém abraça fortemente...
-Mas batem as portas com força... Porta do carro, da geladeira...
-Chega de preguiça! Vamos reaprender a ver, vamos reaprender a ouvir... Vamos à luta...
-Estou sentindo que você se tornou uma guerrilheira dos sentidos...
-Sabe, Rospo, precisamos reativar o gosto da conversa, o retorno à varanda, conversa verdadeira, saborosa, feito doce de abóbora caseiro...Feito aroma de cravo no ar...
- E também ouvir com os ouvidos, com as orelhas, ouvir mesmo... Ouvir com os olhos...
-Ouvir com os olhos?
-Sim, olhando para os olhos de quem fala... As expressões dos olhos revelam que realmente o sapo está ouvindo...
-Rospo, vamos tomar um sorvete? Pois falou em coisas saborosas...
-Sapabela, já estava sentindo falta do sorvete...
-Ainda bem que se tocou. Pensei que não voltaria mais daquele aeroporto...
-Sapabela, adorei o seu vestidinho...
-Rospo, seu olhar é ligeiro... Não é nada preguiçoso...
-Não me faça rir, Sapabela.
- Faço sim... Mas, durante o sorvete poderia me contar sobre as personalidades que encontrou no aeroporto...
-Está bem, minha querida. Vamos.
- Tudo pode ser lindo, mas o retorno de um amigo é algo indescritível para uma alma como a minha, que de preguiçosa não tem nada.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 569
Marciano Vasques
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ROSPO ENCONTRA UM CANTOR

Rospo está no aeroporto e encontra um sapo cantor bem famoso...
-Olá, meu cantor! É verdade que tudo é celestial e encantador?
-Quem é você? Um fã?
-Você é a voz do brejo. Todos os sapos são seus fãs...
-Pois estão diga...
-O que achou de a sua prima conseguir $1,3 Milhões para fazer um blog de Poesia?
-Está com inveja, Sapo?
-Meu nome é Rospo...
-Prazer...
-Estou tão feliz...
-Rospo, aproveite. A felicidade é um uma coisa rara, hoje em dia...
-Eu perguntei do blog de Poesia, adoro poesia...
- Gosta de Poesia?
- As suas letras, meu rei, são verdadeiras poesias...
-Obrigado, tenho que subir. O avião daqui há pouco irá decolar...
- Mas, e o blog?
-Ora,Ora, transformaram o prestígio de minha prima em bode expiatório... esses anões!
-Como fala bonito! Por isso é poeta.
-Obrigado, mas preciso ir...
- Como vocês são apressados!
-É um absurdo total...
-O quê, meu poeta? Um cachorro voando?
-Não! Essas críticas...
- O povo é assim mesmo. Outro dia criticaram um compositor que cobrou $1 Milhão só para cantar numa noite de passagem de ano numa praia...
-Pois é...
-Bem, fiquei feliz de conversar,,,
- Espero não vê-lo mais...
-Quase não venho em aeroportos...Mas adoro a sua voz...Eu amo demais ser seu fã...O brejo tem você...Tudo é lindo...
-Tchau, Sapo, tchau...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 568
Marciano Vasques

Leia CIANO

terça-feira, 10 de maio de 2011

ROSPO NO AEROPORTO

— Deputado! Deputado!
— Quem é esse sapo? Eu o conheço?
— Sou o Rospo. Estava passando aqui pelo aeroporto e...
— É jornalista?
— Não. Nem precisa sorrir nem ser simpático... Já está indo?
— Já, e se ficar perdendo tempo, perco o avião...
— Para aonde vai, deputado?
— Por que devo lhe responder?...
— Deputado, eu votei! Juro! Sou um eleitor.
— Mas não deve incomodar os outros...
— Para aonde está indo, meu nobre deputado?
— Para a minha cidade... No final de semana não fico na capital federal...
— Mas ainda é quinta...
— E você quer que eu trabalhe até sexta? Não sou professor, não sou bancário, não sou operário... Logo vai querer que eu seja também caixa de supermercado...
— Entendo, senhor deputado.
— Posso ir, senhor?...
— Rospo, deputado, Rospo...
— Meu avião já vai decolar...
— E nós?
— Nós quem?
— O povo do brejo, nós, os sapos e as sapas...
— O que tem?
— Quando iremos decolar?
— Ora, senhor Rospo... Cada qual cuida de si...
— Entendo, senhor deputado, boa viagem...
— Ora...
— Bom final de semana....
— Não amole.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 567
Marciano Vasques
Leia CIANO

segunda-feira, 9 de maio de 2011

NO AEROPORTO COM A MINISTRA

 -Boa noite, ministra!
 -Eu por acaso o conheço, Sapo?
 -Claro que não, mas eu a conheço. É a ministra da cultura do brejo...
Para onde está indo?
-Ora, Sapo, se estou no aeroporto, certamente irei tomar um avião...
-Mas é sexta-feira à noite.
 -E qual o problema?
- Meu nome é Rospo!
-Eu perguntei?
- Não consigo entender...
- Diga o que não consegue entender...
-Sou um sapo informado. Leio jornais.
-Parabéns!
 -Se a senhora marca compromissos no Rio de Janeiro nas sextas e nas segundas, se tem esse hábito, por que então vai levantar voo na sexta à noite?...
-Isso é problema seu?
-Naturalmente. Sou um cidadão do brejo, e também contribuínte... E adoro cultura... Por isso fico de olho...
 -Ora, seu... Como é mesmo seu nome?
- Rospo, para os íntimos também...
-Tchau!
-Espere um pouco! Fiquei muito feliz quando soube que uma sapa ia ser ministra, ainda mais da cultura... Tem tudo a ver... As sapas são mais sensíveis...
-Não amole!
-Elas entendem mais os problemas e os dramas dos artistas...
- Pois saiba que isso é verdade.
- Por que vai para o Rio na sexta à noite e recebe diárias no sábado e no domingo, sem ter expediente, sem cumprir agenda, sem ter um só compromisso marcado?...
- Sapo, você está me incomodando.
- Eu sei, mas, além de não ter compromissos, ainda tem casa, tem imóvel, tem moradia lá no Rio, então não vejo sentido nisso, de a senhora receber do governo uma verba para diárias nos finais de semana... Como explica isso?
-O senhor é por acaso algum deputado? Alguma autoridades? Ora, me deixe em paz...
- Rospo não consegue deixar ninguém em paz.
-Tchau, seu chato.
-Será, senhora ministra, que isso faz parte da loucura geral que hoje assola o  brejo? Loucura que se instala em todas as almas...
 -Vou indo, Sapo. Adeus! Seu importuno... Não quero perder o avião...
-E eu não perco o trem da história...



HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 - 566
Marciano Vasques
Leia CIANO

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MOMENTOS DA ATRIZ

SOFIA LOREN

A atriz Sofia Loren foi homenageada pela 
Academia de Hollywood 
numa bela cerimônia que relembrou a sua carreira. 
O evento ocorreu em Los Angeles.
Atriz Sofia Loren, homenageada, está com 76 anos.

A ATRIZ E O TEMPO

A ATRIZ E O TEMPO


Dizem que ele é ingrato,
Que seduz e se vai.
Sem licença
Passa
Voa
Risca o azul
Com sua luminosidade.
E logo se desmancha
E se recompõe
Na foto
Amarelecida...

No picadeiro
É o primeiro a partir
E volta num aroma
Num frescor
Numa revoada de ser
Numa vontade de chover.
De brincar feito 
pétalas
de outono
Numa infinita gangorra.
Num atrevido silêncio.
Em gargalhadas...
Veja! Lá está ele! Lá vai!

Talvez umedecer os olhos
Num riacho...
Corra!
Mesmo em passos lentos,
Corra...
Banhe-se na imensa cascata de luzes!
Ele é seu ainda
Demasiado parco
Como sempre foi para qualquer remador
Do barco
Mas é seu!
Num parque
Com uma roda gigante
A girar
Girar
Girar
Ou num cinema
Chamado você.


MARCIANO VASQUES

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DUAS CANÇÕES

GIGLIOLA CINQUETTI

OS VESTIDOS DA CANTORA — 7

O SAPO E OS GAMES VIOLENTOS

Passeava pela calçada quando viu pela vidraça o seu amigo numa loja de games. Entrou, claro.
— Rospo! O que faz por aqui? Pelo que me consta, não suporta os games...
— Mas sou o eterno curioso, Sapabela.
— E qual é a curiosidade agora, Rospo?
— Preciso sempre estar atualizado, sempre sintonizado, nada além disso. Por isso ando lendo os cadernos de informática dos jornais, por isso estou aqui...
— Quer ver os novos lançamento de games, Rospo?
— Exatamente.
— Mas está diante da estante de games violentos...
— Por isso mesmo, quero ver se lançaram o game do atirador do colégio do Rio...
— Que loucura, Rospo! Por que fariam isso? Por quê?
— Ora, Sapabela, pelo que estou vendo, nada entende da lógica dos games violentos...
— E nem quero, Rospo!
— Mas veja só, Sapabela. Eles , os games violentos, nasceram a partir da realidade, foi a realidade que forneceu a concepção, a ideia para cada um deles. Ou seja, primeiro tem que acontecer na realidade: é um atirador, é alguém que atropelou vários jovens, e assim por diante. Sendo assim, a ficção que nasce a partir de algum exemplo ocorrido na vida real, leva os usuários dos games violentos a introjetarem em sua alma, em sua consciência, o gosto pela coisa, e é possível que depois o cerébro venha a estar predisposto a alguma ação maluca...
— Nesse caso, se um usuário de games violentos sair por aí atirando, deveria ter uma pena mais branda, não é? Pois poderia ser clinicamente provado que ele estaria sugestionado pelos games... E nesse caso, o cérebro agiria movido por um processo químico que o levaria aos atos de brutalidade...
— Pois é, Sapabela, é justamente um ciclo. A realidade forja a "imaginação!" do game violento, e o game carrega em si a possibilidade de levar o usuário para as ruas, disposto, mesmo que não de forma cognitiva, ou seja, mesmo que não de forma autônoma, poderíamos assim dizer, e ele iria disposto a realizar alguma atrocidade, alguma diversão mórbida...
— É terrível, não é, Rospo? Aquele personagem do Machado de Assis, o Alienista, teria um prato cheio em nossa sociedade...
— E o Erasmo de Rotterdam teria material de sobra para escrever um novo "O Elogio da Loucura"...
— Bem, vamos sair daqui? Ali na esquina tem uma sorveteria. Vamos tomar um sorvete?
— É por isso que eu sempre digo, Sapabela: Numa esquina você pode encontrar a lucidez.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 565
Marciano Vasques
Leia CIANO

OS VESTIDOS DA CANTORA — 6

A CANTORA DO BREJO

— Gosta muito da cantora, Rospo?
— É a mais talentosa do brejo, Sapabela...
— Que voz gostosa, não é?
— Sim, a voz combina com tudo, com o jeito maroto de se apresentar, com sua ligação com a brejeirice popular, pelo resgate que faz da auténtica e saborosa música do brejo...
— Sim, veio para ficar...
— E se tornar a estrela maior da música do brejo na nova geração de artistas... Não aguentava mais os gritos de algumas cantoras...
— Às vezes, tinha mais coxas no palco do que um canto genuíno...
— Não precisa ser tão indiscreta, sapabela... Vamos içar o nível. A cantora é a maior revelação dos últimos anos e não precisamos falar das outras...
— É que recentemente estava difícil...
— Tem um pouquinho de estranheza aí, Sapabela. Pois também no palco atual podemos encontrar algumas artistas de muito valor e com senso estético...
— Em nenhum momento negarei isso, meu amigo, mas estou apenas me referindo ao excesso do nada e à exacerbação da arrogância... Tem muitos artistas que se tornam por demais arrogantes...
— Com certeza, mas agora temos uma cantora que desempenha de forma maestral a dignificação do cancioneiro do brejo...
— E se acontecer, Rospo?
— Se acontecer o quê, Sapabela?
 — Se acontecer de com a fama ela também assinar aqueles contratos milionários e fazer propaganda de cerveja?
— Sapabela! Pare de ser agourenta!
— Tudo pode acontecer, Rospo.
— Mas temos que nos agarrar numa esperança, minha amiga.
— Eu vivo sempre pendurada num ramo de roseira tentando alcançar a rosa, pois é ela que eu almejo, ainda que tenha que galgar todos os espinhos... mesmo que tenha que fazer todos os sacrifícios, lutarei de forma magistral pelo meu objetivo puro e róseo. Se acontecer isso, da cantora, no sucesso, fazer propaganda de cerveja, vai ficar muito decepcionado, não é, Rospo?
— Ora, Sapabela, vamos esquecer isso, e por enquanto, apenas apreciar o canto encantador da cantora. Interessa?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 —  564
Marciano Vasques
Leia CIANO

A CONSCIÊNCIA DOS ANIMAIS

No zoológico, Rospo e Sapabela conversam.
— Sapabela, os cientista estão comprovando que alguns animais pensam. Começaram pela cognição dos chimpanzés.
— Fantástico. Aquilo que já sabíamos está sendo demonstrado. Os animais pensam, apresentam um congnitivo desenvolvido. Não são apenas os sapos que têm consciência de si mesmo e da realidade na qual se inserem... Os animais pensam, têm consciência. Isso é demais!
— Que euforia, Sapabela!
— Sempre suspeitei disso, Rospo, sempre olhei para o macaco, para o cavalo, e para algumas feras, como o tigre, a onça, sempre olhei para eles com desconfiança... Sempre pus em dúvida o fato consumado de que eles não pensam, não têm sentimentos e não apresentam algum nível cognitivo... Sempre considerei isso uma balela dos sapos, uma invenção...Essa ideia de que os animais não pensam... No passado até diziam que os animais não tinham alma, isto é, consciência.
— Diziam isso dos índios também... E dos negros...
— Sim, a humanidade dos sapos é terrível.
— O fato de um animal ser dominado e escravizado, como o caso do cavalo, não exclui a possibilidade de ele ter consciência...
— Também andei pensando que um animal só não desenvolveu um código de linguagem porque os sapos não deixaram...
— Será que se um dia for definitivamente comprovado que os animais têm consciência e pensamento, a humanidade dos sapos irá pedir perdão por tanta crueldade?
— Nem pense nisso, Sapabela. Eu só tenho um receio...
— Qual?
— De que os animais, tendo consciência, evoluam a tal ponto que cheguem a criar partidos políticos, religiões, e aprendam a fazer guerra, tomem gosto por games violentos... Ou seja, temo que uma evolução dos animais possa criar concorrência com a estupidez dos sapos...



HISTÓRIA DO ROSPO 2011 — 563
Marciano Vasques
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

OS VESTIDOS DA CANTORA — 5

OS VESTIDOS DA CANTORA — 4

CONVERSA PARA SE AVENTURAR

— Rospo, estou pensando em entrar numa academia, correr 7 quilômetros diários numa esteira...
— Sapabela, fico feliz quando você decide algo em sua vida, pois somos amigos, mas sabe que essa sua fala me fez pensar?
— É para isso que servem as conversas... Mas, o que você pensou, afinal?
— Quando um sapo realiza uma ação por obrigação, certamente viverá uma ilusão...
— Vai ter que explicar, Rospo.
— A ilusão de que qualquer ação realizada por obrigação acarreta benefícios para a vida de alguém...
— Rospo, agora complicou tudo!
— Por quê, Sapabela?
— Muitas crianças nas escolas e nas cirandas das pedagogias realizam as atividades escolares por obrigação...
— Sapabela, sinto que essa conversa, se alguém der linha, vai léguas e léguas... mas, veja que interessante: Muitas vezes os sapos são desviados de coisas realmente essenciais e fundamentais em suas vida, com conselhos populares e até doutorais... E acreditam que assim serão mais felizes ...
— Por exemplo?
— Aqui no brejo tem toda uma indústria da dieta... É algo impressionante... O que se gasta dinheiro com revistas que trazem receitas de regimes! E corta a gordura ou os carboidratos totalmente da alimentação...
— Rospo, mas a boa forma é essencial... É uma maneira de se viver saudável...
— Sim, mas sem equívocos, Sapabela. Malhar e malhar pode causar a impressão de que tem sentido, mas quando o caboclo descobre que ao realizar uma atividade prazeirosa de visitar um amigo, de encontrar amigos, de caminhar na calçada sem medir seus passos e seu ritmo, certamente ele se sentirá mais realizado... E pode até tomar as decisões de modificar a sua alimentação, o que pode revelar bom senso às vezes, mas fazer algo por obrigação é um engodo terrível. Algo pode de fato trazer melhorias para a saúde, mas é questionável se trará para a felicidade...
— Não é muito radical isso, Rospo?
— De imediato pode parecer que sim, mas quem se aventurar nos meandros do pensamento...verá que os reais benefícios para uma vida estão e virão nas coisas e atitudes voltadas para o simples, para o belo, para o prazer e a alegria de uma conversa sem hora de acabar, uma dança, um encontro com amigos, uma caminhada sob o sol...ao vento, em sintonia com o ar azul do dia...Sem cobranças... E pode acreditar, tem sapos cientistas estudando e pesquisando tudo isso... Basta você procurar que encontrará os autores de grandes pesquisas sobre o assunto...
— Rospo, como aventura é o meu forte, acredite, irei sim entrar nos tais meandros...

História com referências ao trabalho desenvolvido pelos cinetístas  Howard Friedman, e Leslie Martin, pesquisadores da Universidade da Califórnia,

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 562
Marciano Vasques 
Leia CIANO

NA BIBLIOTECA NACIONAL

MORRE FUNDADOR DO ARENA

Fundador do Teatro de Arena 
e um dos diretores mais fecundos e fundamentais 
para se compreender a alma da dramaturgia nacional, 
José Renato morreu neste início de Maio.

OS VESTIDOS DA CANTORA — 3

OS VESTIDOS DA CANTORA — 2

OS VESTIDOS DA CANTORA — 1

NO BARCO DA CASA AZUL

Na leveza do barco, a CASA AZUL resolveu seguir a carreira da cantora Roberta Sá, por uns bons motivos. E iniciará um novo marcador, intitulado OS VESTIDOS DA CANTORA, que, naturalmente, tentará registrar ao máximo os vestidos que a artista usa nos palcos em que canta e promove o resgate da poesia musical do Brasil.
Fiel ao seu príncipio de levar a magia da poesia, da arte e ao mesmo tempo, das brincadeiras, pois entende que o direito de ser feliz é inalienável e inerente ao Ser humano, ao contrário do que já deve ter sido dito  em contrário, quem entrar na CASA poderá, se quiser, acompanhar as cores, a brejeirice e a beleza dos vestidos da cantora.

CONVERSANDO NA CALÇADA

— Rospo, entrei num site de relacionamento...
— O Orkut?
— Não. O outro.
— E então?
— Reparei que as pessoas adicionam e adicionam e adicionam amigos...
— Interessante.
— Sempre escrevo algumas mensagens, poucas palavras...
— É assim que tem que ser... Poucas palavras...
— Mas não consigo manter uma conversa regular...
— Conversa?
— Sim, como aqui, na vida real...
— KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
— Não acredito, Rospo. Até você? Essa risada é ridícula.
— Não, Sapabela, a risada não é ridícula, mas sim a sua representação...
— Mas não é motivo para rir. Queria mesmo encontrar alguém entre todos os adicionados, para manter uma conversa regular...
— Sempre admirei você, Sapabela.
— Por que, Rospo?
— Você é pretensiosa, sonhadora, persistente, altruísta, gosta de ilusões...
— Não sou tudo isso, meu amigo...
— Sapabela, se quiser uma conversa venha aqui, onde as amizades florescem, aqui, em nosso mundo real, de garapa e céu azul, de andanças, de calçadas, de chuvas e solares. Venha sim, estarei sempre aqui... Desde aquela tarde inesquecível em que você, num encontro casual, me adicionou em sua vida para uma amizade rara e duradoura...
— O encontro não foi tão casual assim. Eu estava no Largo São Francisco, desci uma alameda e você foi por outra rua e para a minha surpresa estava lá na ponta. Pensei: "Tenho a impressão de que vi esse sapo há pouco tempo."
— Eu disse alô.
— Eu nem liguei. E você reapareceu lá no Largo São Bento. Não sei como foi tão ligeiro. Naquele dia eu quis caminhar pela cidade, sentir a saudade de quando isso era mais romântico e menos perigoso...
— Coincidência. Eu também estava caminhando...
— Eu sei, reapareceu lá na galeria da 24 de Maio.
— É porque não me viu lá no Largo Paiçandu.
— E veio novamente com aquele "Oi" bobinho... E eu segui em frente, atravessei a Ipiranga. Tomei um sorvete na Praça...
— Naquele momento jurei que era o último sorvete que você tomaria sozinha.
— Sei que estava na Consolação em frente à biblioteca Mário de Andrade...
— O patrono da cidade...
— E lá surgiu você, sentando na escada lendo um livro... Aí foi difícil escapar... E lá veio aquele "Oi"... Eu respondi  e você veio com aquele papinho de Sapo no ócio, repleto de coisas pra dizer...
— Perguntei se queria tomar um novo sorvete...
— Só então me dei conta de que estava me seguindo...
— Seguindo não! Organizando o encontro casual... Emagreci um quilo de tanto andar ligeiro...
— Rospo, inventamos o nosso primeiro encontro. Ele não foi bem assim... Mas, que conversa imaginosa...
— Pois é, é tão bom conversar, basta um sapo e uma sapa se encontrarem casualmente numa calçada... Às vezes basta apenas um olhar para adicionar.
— E o que faço no site de relacionamento?
— Vai levando, vai levando. Afinal, não pode mesmo ficar de fora...Tem que participar do espírito da época...
— Mas com um pé fincado na calçada, não é?
— Todas as calçadas do mundo, Sapabela... Vamos a um sorvete?
— Só se for agora.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 561
Marciano Vasques

Leia CIANO

terça-feira, 3 de maio de 2011

ROSTOS DA POESIA

UMA CANÇÃO DESNATURADA

MÃE, DE POEMAS, DORES E LUZ


MÃE, DE POEMAS, DORES E LUZ


Diz o poema da Cecília Meireles: “reaprende a ter pés e a caminhar” Terá havido poema mais triste e mais doloroso na alma da Literatura do Brasil? “Vou-me embora pra Pasárgada”, talvez. Mas a dor de uma mãe!... Quando o filho se vai, é a mãe que fica órfã, diz a Cecília neste poema.

DOIS LIVROS DE CORDEL

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CHITA FINA

DIA DA BIBLIOTECA NACIONAL

CONVITE

NASCE UMA AMIZADE

 Um dia os dois se encontram pela primeira vez:

— Oi Sapa!
— Oi!
—  Quero ter a sua amizade...
— Você é aquele sapo que outro dia no Largo São Francisco fez um escarcéu para chamar a minha atenção...
— E consegui.
— Eu nem liguei.
— Sapa, quero ter a sua amizade de verdade, real, verdadeira, não do tipo Facebook ou Orkut, mas amizade mesmo. Real, concreta...
— Você parece um sapo sincero.
— Adoro bolero.
— Ah, então é sincero...
— Você gosta de ouvir Fagner?
— Qual é o seu nome?
— Rospo, e para os íntimos, Rospo... Poderá continuar me chamando de Rospo quando formos intimos...
— Bonito nome. Claro que podemos ser amigos simplesmente... Mas essa história de íntimos é delírio, não é? Ou já percebi que gosta de brincar...
— Você pode me adicionar... em... sua vida?
— Pronto! Já adicionei.
— Seremos amigos?
— Já somos.
— Poderíamos inaugurar essa amizade com uma garapa bem gelada? E depois...
— O que tem depois?
— Que tal um sorvete?
— Já topei. Sobre o que você gosta de conversar?...
— Não faça essa pergunta...
— Estou intrigada com uma coisa...
— Diga.
— Li no jornal que um atentado matou o filho de um político, e também os seus netos...
— Sim...
— Não importa quem seja esse político e qual papel ele desempenha no tabuleiro mundial, mas a perda de um filho ou a perda de um neto será sempre algo de muita dor, não é?
— Sapabela, já vi que as nossas conversas serão supimpas... Qual é mesmo o seu nome?
— Sapabela.
— Nem precisava dizer. Veja! Um quiosque. Lá tem garapa...
— Gosta de ler?
— Viu como valeu a pena você procurar? Acabou me encontrando. Por isso vivo a dizer: Jamais desista...
— Do que está falando, Rospo? Eu não estava procurando ninguém...
— Ora, Sapabela, todas as sapas e todos os sapos com conteúdo sempre esperam encontrar alguém que aprecie a boa música, adore ler um bom livro, não dispensa um cinema...
— Como sabe que eu tenho conteúdo?
— Tem bom gosto.
—  É?
— Naturalmente. Tem coisa mais linda que este vestidinho?
— Seu olhar é ligeiro, não é?
— Meu olhar é caçador do belo...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 560
Marciano Vasques
Leia CIANO

domingo, 1 de maio de 2011

PARA O DOMINGO

SOBRE LAR E AMAR

— Vi no Canal Disney, ou melhor, ouvi, pois estava na cozinha fazendo rabanadas, e minha sobrinha na sala... E apreciei uma canção que dizia: "O seu lar é o melhor de todos, é o melhor do mundo, pois é o seu". Alguma coisa assim.
— Compreendo. Quisera fosse mesmo assim...
— E não é? O nosso lar não é o melhor lugar do mundo?
— Se um sapinho mora num  barraco com telhas de zinco, no qual chove dentro e corre o risco de deslizar... E espancado pelos pais, bêbados ou drogados...
— Rospo, tem uma pequena confusão. A letra da tal canção fala de lar... Lar, entendeu?
— Ora, Sapabela, lar é lar...
— Por isso mesmo. Para ser um lar, uma residência tem que apresentar as condições mínimas de habitação...
— Então, um barraco não é um lar?
— Sim, um barraco pode ser um lar, da mesma forma que a floresta pode ser e é um lar para os que quiserem morar ao relento do luar...
— Está um pouco confuso...
— Reparou que falou  em sapinho espancado? Em pais bêbados? São essas coisas que impedem que uma residência seja um lar...Para que um palacete ou uma mansão ou uma casa de reboco ou um barraco seja um lar, é preciso primeiramente que haja um sentimento chamado Amor...
— Mas os pais sempre amam os filhos...
— Essa é uma ideia universal, Rospo. Já teve sapinha voando pela janela, já teve pai violentando a própria filha... Mãe espancando seu menino... Um lar é um local de amor. Se o amor imperar, as telhas de zinco serão consertadas, e até a pobreza extrema poderá ser traduzida como alegria e felicidade.
— Isso é relativo, pois às vezes a fome e o sofrimento acabam com qualquer amor...
— Entendo. Mas o amor a que me refiro não é de passividade, de conformismo, de imobilidade... Não é um amor que espera e não produz... Aliás, é um amor de transformação, que gera mudanças, um amor que atua, que se faz presente no gesto da luta...
— Bem, eu só entendo o amor assim...
— Portanto, um lar depende de quem se predispõe a amar.
— Então até o amor requer esforço...
—  Pensou que o amor brotaria assim do nada? Ora, para se construir um lar, só amar, só amar...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 559
Marciano Vasques
Leia CIANO

MORRE ERNESTO SÁBATO

O escritor Argentino morreu ontem.
Ernesto Sábato foi um dos mais influentes autores no século XX.


PRINCESA EM SÃO PAULO

Uma exposição em São Paulo apresenta fotos e objetos da atriz e princesa de Mônaco, Grace Kelly.
Intintulada Os Anos de Grace Kelly, Princesa de Mônaco, o evento é organizado pela  FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e o Grimaldi Forum de Mônaco e acontece  entre os dias 05 de maio e 10 julho, em São Paulo.

 

É DOMINGO!

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