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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A PROPAGANDA É A ALMA DA ÉPOCA

Propaganda é a alma do negócio. E é a alma da época. Essa segunda afirmativa inventei nos velhos idos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

RELENDO COM A ALMA ARREBITADA



RELENDO COM A ALMA ARREBITADA


Naturalmente que leio vários livros ao mesmo tempo. Um para o Metrô, um para o amanhecer, e assim por diante. Faço de meu prazer uma novela, é a estética da leitura que o cotidiano me impôs. E agradeço por isso, pela chance de transformar minha vida numa doce disciplina.
Comecei a ler, novamente, após tantos anos, o “Narizinho Arrebitado”, do Lobato. Como ler um livro de Lobato é o mesmo que ler um de Jorge Amado, ou seja, um acontecimento extraordinário em nossas vidas, de fácil e vibrante felicidade... cá estou. No meu caso, felicidade indisfarçável. Ponho-me num sorriso largo, na largura das letras.
Impressionante como Monteiro conseguiu pôr no papel a peraltice das crianças, a algazarra de doçuras.
Esse livro, Reinações de Narizinho, eu tomei emprestado da “Gibilândia”, a Gibiteca que as crianças formaram e que por falta de amplas doações de gibis, está virando uma Livroteca.
A peraltice encantadora das crianças, quando Lúcia se refere às pedras negras do limo, como “Tias Nastácias do Rio”. Lobato teve esse toque de genialidade, algo que foi alcançado por Andersen, quando transformou caixas de fósforos, pequenos objetos e brinquedinhos, em Literatura de imortal encantamento.
Como aprendi a dividir a felicidade quero escrever um pouquinho sobre esse “Narizinho Arrebitado”. Só um pouquinho. Estou celebrando um acordo de cavalheiros com o tempo.
De fato, no Natal de 1920 as crianças receberam um presente extraordinário quando esse livro surgiu. E Lobato trouxe para a mente fecunda e ensolarada da criança, os doces da Tia Anastácia, trouxe também o Gato Félix para o sítio da Dona Benta, que se tornou o sítio de todas as crianças. Dona Benta, a “Vovó mais feliz do mundo”.
Dependendo de certa ótica, certo prisma, hoje, ao observar todos os dependentes tecnológicos atuais, as nossas crianças sem avarandados, penso e ouso afirmar o óbvio: nenhuma criança deveria, jamais, passar a infância sem ler um livro de Monteiro Lobato.
Lobato, que tão magistralmente soube interpretar a oralidade, que em sua época era a tradução da alma, do espírito da época, como sempre será.
O que mais me surpreendeu é que na minha idade eu possa me emocionar e sentir tanta alegria diante de seu texto. Ou estou virando menino novamente ou desde aquele dia, naquela tarde fria quando em minhas mãos segurei o primeiro livro desse autor, estava condenado a crescer de forma lobatiana.

MV

domingo, 8 de julho de 2012

O MENINO E O FANTASMA




O MENINO E O FANTASMA
(Originalmente em Italiano, como o título: IL BAMBINO E IL FANTASMA)

O velho cigano, quando menino, queria sempre ler “O Homem Mascarado”, ou ver na TV um filme policial, sempre depois da meia-noite, quando se supõe que o silêncio impera na Floresta Negra.
Na noite de 26 de agosto de 1964, lia o gibi, quando sentiu um estranho rumor. Levantou-se da cama e andou em direção à janela. O governador era o pirata.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DANÇANDO NO TEMPO

Quando a valsa surgiu causou um escândalo. Como era possível tal coisa? Homem e mulher dançarem tão próximos? Furor. Assombro. Assim aconteceu.
O tempo seguiu e eles continuaram dançando. Boleros, sambas. Veio o twist, o Rock And Roll, e chegou a época em que homens e mulheres passaram a não dançar juntos.

sábado, 17 de março de 2012

O GALINHEIRO

O GALINHEIRO



Lá estava eu pulando de poleiro em poleiro dentro do galinheiro, brincando de locutor de rádio.
Cada salto um novo "reclame". Sabonete Palmolive. Alka-Seltzer. A lambreta...

JACY

JACY


Jacy era uma menina branca como a neve. Branca de lua, como costumava dizer o povo do morro Mumuru, onde ela corria com os meninos de Pandorgas. A pequena vendedora de

O ELEFANTE VERDE

O ELEFANTE VERDE

“Um elefante incomoda muita gente...”


O elefante verde tão bonito é de plástico e menor do que uma xícara. Na verdade dentro de uma xícara cabem dois. Quando eu o vi confesso que fiquei sem espaço no pensamento para pensar em outra coisa. Só pensei nele.

O ELEFANTE VERDE


O ELEFANTE VERDE

                                   
                                                                                        "Um elefante incomoda muita gente..."

sábado, 18 de fevereiro de 2012

FRAGMENTOS

Mastigando mágoas em vez de buscar um alimento mais nutriente para a alma. Assim se comportam alguns.
Mal sabem que talvez devesse ser melhor desbloquear a audição e passar a ouvir o que está além das asperezas.
Seria bom resistir aos insensatos confrontos do cotidiano, às intempéries inócuas, aos desacertos, e olhar no pasmo das coisas que realmente importam o desassombro da alegria que espreita e vela pelos nossos almejares.
É mais fácil se perder ou perder aquilo que jamais deveria escapar entre os dedos. Por isso é preciso firmeza e audácia.
O que já foi sonho, o que já foi ilusão. Nada disso deveria se desfazer nas nódoas diárias.
Voltar ao que sempre nos alegrou. Ao que nos trouxe a alegria particular. O que foi colhido nos momentos mais solitários, aquilo que jamais nos irá trair. Pois fez-se parte integrante do que somos e do que seremos sempre.
Tem algo que a multidão não leva,  que a arrogância não consegue desbotar, que o tempo não conseguirá desfazer, destecer. Algo que não escolhemos, mas nos foi agraciado, nos foi ofertado na infância, e nos mais íntimos encontros  com nossa existência.
Sou o que fui. Fui o que serei. O exato querer do recolhimento, das escolhas e da alegria. Só essa alegria como vela votiva, só essa alegria me persegue, me protege.
Anos foram necessários para que eu compreendesse que jamais estive na multidão.




Marciano Vasques

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

PROPOSTA?

Como Cartésius, deveríamos reduzir tudo ao grau zero. Explico-me: pôr em dúvidas cada provérbio, cada ditado popular, e peneirar, apurar, filtrar, examinar. Até ficar apenas com os que engrandecem o Ser e trazem benefícios para a consciência; e assim com todas as piadas, todas, as de loiras, enfim, e examinar uma por

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CAVALO, MENINA...

Cenas da minha infância contribuíram para que eu viesse a me tornar o homem que sou: o cavalo que atolou a carroça numa valeta e foi chicoteado até tombar ao chão

LIVRO DE OURO

 DO LIVRO DE OURO DOS TESOUROS DE SANTOS


Quando você vai para Santos, assim que desce a serra, passa por Cubatão. No trajeto até a cidade brilhante, passa sobre um rio chamado Casqueiro. Um homem

domingo, 13 de novembro de 2011

PROPAROXÍTONA MÁGICA

PROPAROXÍTONA MÁGICA



Acordei pensando numa proparoxítona mágica. Não sei ao certo o que invadiu a minha alma portuguesa nesta manhã. Talvez haja uma palavra que exprima com exatidão, como sempre houve, desde quando surgiam feito terremotos, entre os lilases dos corações das bananeiras e as crinas na lonjura esvoaçando, no vento que roçava meu rosto e agitava as águas.

domingo, 16 de outubro de 2011

ESQUECE NADA, PASSARINHO!

Pode um homem viver sem sua mulher? Perguntou o passarinho ao espinho, só para lembrar um conto.
Um conto que chorei numa Sala de Leitura, e tavam aquelas pessoas, impregnadas de Paulo Freire, de Jorge Amado, de Gonzação, que ela só pensa, só pensa em namorar.  Será que alguma delas se lembra, uma só daquela gente daquela noite do canto do espinho e do passarinho? Sei não! Hoje tá tudo farto de esquecimento. É tanta fartura de esquecimento, mas será que nem aquela moça que foi embora para Pernambuco? E tem mais, interromper um conto por causa das lágrimas, é culpa do conto.
O que é uma noite de conto de cotovia nesse montão de noites? Dê corda para menina pular, dê carvão pra riscar amarelinha, dê anel para passar de mão em mão, faça só o que é da sua obrigação, e vai ver como a vida vai florescer numa felicidade só, mas não quero me desviar da pergunta do passarinho.

Pode não, um homem não pode viver sem sua mulher. Ninguém pode viver sem o abraço do outro, e eu fico às vezes em todos os tempos pensando: O que seria do homem se não tivesse mais a mão da mulher que ele ama passeando em seu rosto com a suavidade que só ela analgésica pois nasceu para analgesicar as dores do caboclo? Quero dizer assim: meu rosto tem barba, eu sei, é para o vento, as agruras da vida, para as intempéries, os temporais, mas ele foi feito para a mão da mulher amada, não é? Eu não me canso de não dizer, pois nem é preciso, mas quando chego em qualquer lugar sei que meu rosto necessita da mão da mulher que amo, é assim também com meus ouvidos. Pode um homem ouvir todas as canções que o mundo tem, mas já pensou se ele não pode ouvir o timbre da voz da mulher que ele ama?
Assim, quero dizer que a mulher é uma bobona se pensa que vai ser esquecida. Até pode, mas antes vai doer tanto! A verdade é que ela jamais poderá ser totalmente esquecida. Ela não entra nessa fartura do esquecimento que falei. Da mesma forma que não se esquece o aroma do doce feito em casa na infância,  que não se esquece o perfume daquela flor, que nem nome mais tem, pode ter sido dália ou jasmim, só importa é que foi flor que perfume deixou.
O homem não esquece a mulher do amor; se o sujeito diz que esquece e não quer nem saber desse papo de amor, pode crer, é um simulacro de coração o que ele tem no peito.
Mas é errado dizer que tudo gira em torno da mulher. E nem é uma coisa de ficar idealizando, poetizando, glorificando. Não é nada disso. Se você não entendeu, dá licença que quero um vinho, para me aquecer. Eu estava falando da vida, do amor. A culpa é daquele passarinho que me perguntou.
Vou indo, não precisa nem atabaques nem viola, nem apito de navio, nem neblina nas docas, só vou indo... 
Prestar mais atenção em passarinho perguntador, não.


MARCIANO VASQUES

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O LÁPIS VERMELHO

Oal Aul Ial Lá estava eu, quem diria, com ele em minhas mãos. Entre tantas coisas tão importantes, como o pião, as bolinhas de gude de translúcidos verdes e azuis de pedrinhas iguais aqueles olhos.
Aquela menininha que segurava em minha mão na "O cravo brigou com a rosa", e agora, já homem sei porque os olhos já marejaram nessa cantiga mais de vez.
E eu, que já havia sido tudo: um palhaço de circo de quintal, o mocinho, o bandido, o índio, e corríamos e as palavras iam surgindo aos montes, em nossos corações, e então, porque se fizera assim tal menino, as palavras quando chegavam já iam direto para o coração. 
E nos escondíamos atrás do anis, do poejo, já falei dessa miudeza toda. 
Estou me arriscando escrever direto aqui pois está ameaçando chuva forte e até já andou trovejando, e se faltar a energia elétrica tenho receio de perder tudo, mas vou em frente. Então vou para o Blog, é mais seguro. É uma casa azul, não é? Com alguém que já está na janela.
Pois então eu ficava bobão mirando para ele, e falei das palavras, e elas vinham aos montes: romã, rã, mamona, mas naquele momento eu esquecia todas elas, porque não era um momento de palavras. E se pudesse laçar cada momento desses que passaram!, que não eram momentos de palavras. Como eu ficava com os olhos de nuvem diante da menina que eu queria namorar. Sardentinha, vestidinho, um anelzinho de vidro que ela exibia demais. Meu Deus! Mas eu estava lá, com ele, em minhas mãos. Hexagonal, um lápis tão grande, tão bonito, que lindo era! O meu primeiro lápis de cor, um lápis vermelho. Eu nem sabia como segurar um lápis assim daquela formosura e encanto.
De tudo que me encantava, começando pelos gibis e as manhãs nas trilhas dos eucaliptos, e ver sempre uma menina tão linda, que passava e nem sorria quando era perto do portão mas lá na ponta da rua ela se virava e acenava com um dos braços dando Tchau, e  era de lua africana nos cabelos, era toda áfrica aquela menininha e nunca soube ao certo se era um truque de fada africana que a mandou só para embelezar mais aquela rua, e outras tantas coisas que encantavam, pois o que mais tinha era encantamento, era diferente, não tinha esse prazer de ficar dedilhando joguinhos, era uma coisa viva. Se o tempo era melhor? E eu sei lá! Isso tem que perguntar pro tempo. O que sei é que naquele dia, que era frio, e então, para ficar tudo mais bonito eu estava resfriado, pois não obedecia e isso agradeço muito quem fingia que eu obedecia e então lá estava no caule da goiabeira e varando ventos e capinzais zarpando no vento frio que era de tremer, e na chuviscada até que não tinha jeito e entrava em casa, naquela casa rica de folclore.
Mas quero falar dele. Ele, de madeira, a madeira da árvore, que nos acompanha vida toda, e até naquele dia, que agora é melhor afastar pensamento e falar dele, não só da formosura, que isso nem precisa dizer, pois todos sabem, ou deveriam saber que um lápis é a coisa mais bonita que tem na mão de um menino, inda mais um lápis vermelho todo geométrico. Quero é falar da felicidade, essa coisa que sempre surge e adulto nem sabe direito o que é, e ela é feita de momentos, de riscos, de traços, tudo coisa passageira, mas vale tanto, meu bem...
E ele estava lá, em minhas mãos, e eu apertava forte para que ele não escapasse. Que lápis maravilhoso! Como me arrependo por não ter guardado nem um pedacinho dele. Já pensou?
E foi assim. Nada importou mais naquele dia. Nem a nuvem de tanajuras, nem os gansos fazendo escarcéu nas ruas, nem os alaridos das crianças, nem sequer as histórias com rabanadas ou bolo de fubá. Nada, só ele. Lindo, dono de minha alma. Ah, se essa alma tivesse sido desenhada e eu colorisse com ele!
Mas acho que fiz isso, sem saber, afinal menino é uma estrutura maravilhosa. E como me lembrava que eu o beijava naquele dia de tão feliz que estava, lápis vermelho, hoje, um beijo. Faz bonito com as outras crianças,


MARCIANO VASQUES

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ALMAS SECANTES

Tá tudo secando. Aquelas almas todas. Dá só uma espiada, moço!
Tem almas até na cerca de arame farpado,
Tem almas quarando,
Torricando...
Também pudera! Tudo mulheres maltratadas,
E homens explorados,
Até tirarem a última gota de suor, sangue e dignidade do sujeito.
Isso acontece —Chega mais pra ouvir — isso acontece nas fábricas. Então, essas almas todas desaprenderam de chorar.
Tem umas mulheres bobas que só querem homens valentões, e o bobão faz essa valentia para mostrar que
tem algum poder.

Pobres homens, infelizes mulheres...

Mas valentia mesmo, de boa, autêntica, é aquela daquele caboclinho que tá se achegando na moça com lua prateada nos cabelos.

Ele tá propondo para a enluarada de andar na chuva, sem travesseiros, nada, só na simplicidade de viver. Isso sim é travessura da boa.
Depois a vida acontece naturalmente. E quando acontecer esse tecer...
Como a vida é curiosa, moço!
Deixe não essas almas secando. Faz alguma coisa! Rabisca uns versos.


MARCIANO VASQUES

sábado, 8 de outubro de 2011

SANTOS

Ressentimentos, como aqueles corações armazenavam ressentimentos, mas também, saudades, agonias de saudades, vontade louca e repentina de amar, de buscar corpos, de deitar a mulher na areia. E donas, de se entregarem de corpo e alma ao peito do homem do coração, e estavam lá, aquelas pessoas, aquela gente. Vento cortando almas como chicotes luminosos, cortando águas, implorando oceanos, temporais castigando, deixando marcas e cicatrizes e sulcos em cada rosto, e uma alegria de bom-dia de aroma de pão quente, de leite, de menina molhando chumaço de pão no copo de café, e por favor, jamais um homem falte o respeito com uma menina, e os trilhos da ferrovia, e o trem era um esboço azulado, aquelas nódas indefinidas eram vagões que deixavam o túnel da serra trazendo corações encharcados de histórias, de amores, de separações, e fotos amarelecidas que a menina mandou, um compadre, a mulher que não suporta a saudade e alguém mandou cartas, algumas com batom marcando lábios, e outras de garranchos, mas o menino pedindo a benção, e toda aquela gente despejada na ferroviária, e o tio está lá no meio, aquele de chapéu azul bem claro. Onde? Olhe! O Montserrat está todo iluminado! Que vai ter nesta noite de tão especial? E Rosema Branca, e Arlete, e aquela gente só sabia ser feliz, e no meio da dor cozinhavam, e costuravam e jogavam bilhar, e almas aprisionadas nas docas ao final de cada entardecer voltavam correndo para os seus cadarços de amor, e abraçavam suas mulheres com tal ferocidade, com tal animalidade que o amor explodia no cais, e nas ruas de céu refletido nas poças de água, e se amava muito mais.
E falava-se o Tu com tanta clareza e gosto, e o feijão preto, e as luzes numa sonoridade de ondas que invadiam cada ser com tal força que só havia uma alternativa, compreender que ali era Santos, em seu inexorável tempo da memória.
E algumas pessoas decidiram que jamais subiriam a serra. Outras, erraram e foram para São Paulo, e um ferroviário enlouqueceu ao ver uma flor azul na serra e gritou o nome de Rosema Branca, mas estava influenciado pelas conversas que ouvira nos bares do porto. A história era repetida diariamente na hora do almoço por aqueles homens de almas estraçalhadas e corpos explodindo de desejo por suas mulheres.
E Marinha passeava nas ruas com brinco bonito de pedra amarela, e vestido azul para combinar, nunca soube ao certo o que era para combinar, e lá ia de talco e Cashemer Bouquet, e lá ia, como iam as mulheres e as moças, e Helenice preparava moqueca de peixe, e um dia, que coisa horrível, os políciais giravam um rapaz contra um poste até que... e não era o melhor dos tempos, mas havia uma fonte de poesia para quem quisesse recolher, e sobre o ferroviário enlouquecido, é que cismou que a imensa flor azul lá da serra era a doce criança Rosema Branca, pois o que se dizia com convição nas mesas era que algo tinha acontecido com a menina.
Eu sei que nada será como antes. Mas quero morrer em Santos. precisamos sempre retonar às nossas próprias origens. O eterno retorno existe sim. Todos os que disseram isso, todos, a começar por Campbell, se ele disse tal coisa, mas o eterno retorno existe sim. E é nele que temos que nos posicionar. Por isso só me resta a alternativa de descer a serra. Não para morrer, pois isso será no tempo que virá, mas para andar, simplesmente, caminhar pelas ruas, na simplicidade e com paz no coração, e procurar avistar só com meus olhos de enxugar águas, as almas que assoviam nos passeios de Santos, e que o vento liso da brisa leva e leva...
Quem pensar que isso é nostalgia, só saudades, tá mais errado e é bobo de alma, pois é literatura.

MARCIANO VASQUES

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DEPOIMENTO

Sei porque não combino muito. Agora entendo: eu nunca estive preparado para tanta maldade. Sempre terei muita dificuldade em lidar com a arrogância. Você pode realmente escrever coisas lindas e até comoventes. Mas quando essencialmente o coração é arrogante, de nada adianta. Durante um bom tempo, romântico que sou, mantive em mim uma visão extremamente pura que não combina com os dias atuais. Defendia eu, e disse isso em muitas conversas entre os amigos, defendia pois que o poeta deve viver de acordo com o que escreve. Depois fui estendendo o meu pensamento e ele se tornou mais abrangente. Não apenas o poeta, mas também o artista da "Televisão", o ídolo das massas. Todos deveriam viver de acordo com o que

DEPOIMENTO

Sei porque não combino muito. Agora entendo: eu nunca estive preparado para tanta maldade. Sempre terei muita dificuldade em lidar com a arrogância. Você pode realmente escrever coisas lindas e até comoventes. Mas quando essencialmente o coração é arrogante, de nada adianta. Durante um bom tempo, romântico que sou, mantive em mim uma visão extremamente pura que não combina com os dias atuais. Defendia eu, e disse isso em muitas conversas entre os amigos, defendia pois que o poeta deve viver de acordo com o que escreve. Depois fui estendendo o meu pensamento e ele se tornou mais abrangente. Não apenas o poeta, mas também o artista da "Televisão", o ídolo das massas. Todos deveriam viver de acordo com o que

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CORONÉIS E SUAS MULHERES

CORONÉIS E SUAS MULHERES
Recentemente, conversando com uma atendente de uma biblioteca do Shopping Penha, disse-me ela que seu namorado a proibiu de ter o Facebook.
Preciso repetir. Seu namorado a proibiu de ter o Facebook.
Palmas para o idiota.
Também hoje tomo conhecimento de que a minha amiga saiu do Face, por ter seu marido, um machista terrível, proibido. Ele a proibiu de ter um Facebook, de estar numa rede, e ela acatou. As mulheres acatam.

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