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sexta-feira, 29 de junho de 2012

CONFESSO




Confesso que já fui
boi de piranha,
Que já estive
à beira de um penhasco.

E na garganta
O asco,
de não poder ladrar
o coito do veneno.

Depois no sereno,
pude fraquejar,
Na sombra do desejo,
de estar nos olhos teus.

Manhãs de desafeto,
um brinde à solidão,
que aos poucos faz morada,
na falta de atenção.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

LÁPIS

Toquinho,
         Pequeno,
                   Meu bonito.
Ainda bem
que passei
por aqui.
Por acaso
és um lápis,
que,
ao ocaso,
encontrei,
na calçada,
onde andei.

Lápis!
    Lápis!
       Lápis!
           Lápis!
Enquanto fores um bem,
haverás de ser
mais além.

Serás o aperto
dos dedos
da mão de alguém.


O que se escreveu, também.


Marciano Vasques

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