sexta-feira, 11 de junho de 2010

CANTIGA DE RODA AO VIVO

CUIDADO COM O OGRO







Estava em minha Sala de Leitura, onde atuava como contador de histórias, quando uma professora, que também era psicóloga, veio a mim eufórica dando a notícia de um novo filme no cinema, que "é espetacular", tratava-se do Sherek. A novidade e o motivo da euforia era o fato de que o filme estava de acordo com a época.  Extremamente atual, debochava, brincava e desmoralizava com os contos de fadas. Era o próprio Século XXI chegando às telas.
Fiquei desconfiado.
Fui ao cinema. Claro.
Nas primeiras piadas, percebi que era uma película para adultos, mas disfarçada de infantil. As crianças também riem de algumas tolices. É evidente. O filme era divertido? Lógico que sim, Isso é inegável. Até o segundo deu para se dar risadas, o terceiro perdeu a graça, é como se o filão tivesse sido extinguido.
Ocorre que a fala da Psicóloga não me saiu da cabeça: desmoralizar os contos de fadas. Bem, há quem os renegue. Há quem os ataque. E há os que adoram contos de fadas. Mas eles estão aí, até hoje, fazendo a cabeça da criançada, e encantando com os seus castelos, as suas florestas, seus príncipes e suas princesas. E um detalhe, são para adultos também.
Quando a floresta deixa de ser um mistério, o homem lança o seu olhar para as estrelas, e o conto de fadas do século XX nos traz o ET, mas essa é outra parte da história.
Sherek é politicamente correto? Claro que não! O filme, de uma empresa chamada Dreamworks, de Spielberg e George Lucas, foi feito para concorrer e desbancar a empresa Disney, que ergueu o seu império graças aos Contos de Fadas, além da ajuda do ratinho. Sim, sim.
O que tudo isso tem a ver com o amor, com os namorados, com os sonhos? Tudo a ver. A psicóloga que também era professora estava certa. Sherek debocha e desmoraliza os contos de fadas, que para ela, representam o passado, o mais atrasado para as crianças, que já não são mais bobocas. Muito bem.
A desmoralização começa com o príncipe, o tal princípe encantado. E de que forma debochar e desmoralizar o príncipe? Fácil. Transforme - o num príncipe afeminado, num homossexual, num príncipe gay, assim o príncipe estará desmoralizado, e a criança irá dar gargalhadas, pois é desde cedo que os homens são ensinados e estimulados a rirem e a zombarem dos homossexuais. O Brasil talvez seja o campeão de piadas de gays, de mulheres, sobretudo loiras, e também de negros, claro que com o avanço e a persistência dos movimentos de luta dos negros, e as conquistas na legislação, poucos atualmente, pelo menos nas metrópoles, têm coragem de contar em público piadas de negros. Os hábitos estão mudando, uma nova cultura está se impondo, mas isso não significa que o Brasil deixou de ser um país onde o racismo ainda sobrevive. Sobrevive sim, não escancarado, mas disfarçado, sutil.
Está ai a receita de Sherek para desmoralizar os "atrasados" contos de fadas. O príncipe é Gay. E como ser Gay ainda é motivo de piadas e de deboches, principalmente nos programas humorísticos da TV, a criançada se esbalda de rir. Vamos desmoralizar o príncipe! Isso passou na cabeça dos que escreveram o filme. E o pequeno aprende que tem algo de vergonhoso na homossexualidade, algo de sempre muito cômico. O preconceito para ser incubado precisa ser estimulado desde cedo.
Mas o príncipe encantado está inserido num universo de sonhos e ilusões que são necessários para a vida. O príncipe encantado, assim como a princesa, são necessários para a criança, e a criança os compreende como arquétipos, como mensagens de uma utopia, de um ideal de virtude. Sim, príncipe encantado é um símbolo, nada além disso, Um ideal virtuoso, é nisso que reside a sua força e a sua presença.
A indústria cinematográfica não contribui em nada ao desmoralizar o príncipe e abalar um dos pilares do encantamento da criança. Recentemente uma jovem professora disse: "Quem não espera o seu príncipe encantado?" Não vejo nisso nenhuma alienação, pois o que se espera é o símbolo virtuoso, o príncipe representa a virtude, isso é o que importa. Não tem importância se na vida real os príncipes de verdade não tenham sido tão virtuosos. O que importa é que seja algo que ultrapasse, que transcenda o cotidiano e sobreviva no reino do simbólico.
Como posso falar de príncipe encantado e de princesas apaixonadas num mundo tão machista como o nosso! Veja como a América Latina é machista. Veja que no Brasil ainda homens espancam e dominam mulheres, alguns agem como coronéis, e as mulheres são submissas, muitas são assassinadas. Isso é uma anomalia, isso é um desvio. Todas as atrocidades são desvios. Tragédias como a Guerra do Paraguai e tantas outras, tudo contribui para que as anomalias prevaleçam. A verdade é inconteste: homens e mulheres nasceram para o amor.
A indústria cinematográfica quase sempre agiu de acordo com a mente do adulto. Apresentar Branca de Neve grávida de sete filhos, uma Cinderela boboca, para ela é fácil. E resumo aqui a minha defesa do príncipe, e também da princesa, e muitas são encantadas, dizendo que esperar por um ideal virtuoso não representa permanecer como uma idiota esperando, esperando. Nâo é isso. Principes e princesas vão à luta. Em Isolda, um único fio de cabelo desencadeia uma aventura extraordinária. Sempre foi assim. O rapto de uma Helena desencadeou uma guerra terrível. Mas príncipe ou princesa, por serem simbólicos, podem ser algo além da representação, da personificação, ou seja, podem ser um ideal de vida, um sonho, algo a se conquistar. O sonho de um escritor é a sua literatura. É a sua princesa.
Essa reflexão me pareceu necessária em pleno dia dos namorados. Independente de como venha a ser o sonho e o ideal de cada um, estou por aqui torcendo para que todos alcancem ou contemplem a chegada de seus príncipes e de suas princesas.
E quanto à Indústria Cinematográfica, é bom ficar de olho nela. Pensar sempre é bom.


MARCIANO VASQUES


MARCIANO VASQUES

NO CINE SATURNO

Marciano Vasques
NO CINE SATURNO
 
 




No cabide da parede caiada da sala ficava pendurado o velho boné da CMTC. Isso significava que ele estava em casa. Que era dia da sua folga. Folga, eis uma das primeiras palavras que se instalaram em mim como sinônimos de felicidade. Quando eu a ouvia sabia que ele estava ao redor.
Um dia ele chegou com uma bicicleta. E falou para a minha mãe que havia arrumado um novo emprego, isso o deixou cheio de alegria. Um bico. Entregador de jornais para assinantes.
Só havia um mundo para mim: de cigarras e eucaliptos, onde eu podia brincar por trilhas e labirintos verdes. Mas a partir do dia em que ele retornou com um jornal algo na vida mudou.
Ele abriu o jornal na página dos quadrinhos e o deixou no chão da sala, sobre os tacos. Abaixei-me, sentei em cima do papel e curioso que só eu, percorri com olhos e dedos cada tira, cada quadrinho. Não sabia ler as palavras, mas lia as aventuras. Um novo mundo surgia, algo extraordinariamente belo me invadia o coração, uma súbita felicidade tomaria conta dos meus dias.
Quando ele surgia na esquina trazendo a bicicleta com as mãos, pois não dava para subir pedalando, eu disparava para apanhar um jornal. Entrava como um relâmpago e deitava sobre a página dos quadrinhos, não tardou muito para que eu passasse a cortar as tiras com uma tesoura e depois de um tempo estava colando-as sobre a enorme folha do papel de pão, fazendo revistas.
Não sei como aconteceu, mas um dia me peguei lendo, com uma certa vagareza, mas lia palavra por palavra, a assim me alfabetizava. Estremeci e o meu coração bateu muito forte quando li numa parede a palavra Firestone. Letra por letra. Sílaba por sílaba.

Dividi-me entre dois mundos.
De um lado os eucaliptos e os quintais, todos os quintais, porque não havia para nós diferença entre um e outro, não tínhamos ainda a noção de dono, e bastava que nos abaixássemos um pouco para passar por uma cerca de arame farpado.
Do outro lado os quadrinhos, um novo universo que me alfabetizava. Eram os dois mundos no qual a minha infância se movimentava. Dois eixos condutores da minha vida, a natureza e a criação humana nas folhas de papel jornal.
Um dia a mãe me levou à feira, e parou comigo diante de um monte de revistas espalhadas no chão. São gibis, ela disse. Não havia ainda ouvido aquela palavra, mas na hora ela grudou em minha mente. "Escolhe um".
Escolher um? Ela nem tinha idéia do bem que estava fazendo, ou tinha?
Escolhi um, um menino careca. Ela comentou. Esse está bom para você, ainda não sabe ler. Escolhe outro.

"Outro? Dois de uma vez?"
"Deixe que eu escolho pra você".
Ela pegou um gibi do Reizinho. Descemos a rua da feira. Ela carregando a sacola e eu com os meus primeiros gibis apertados nas mãos, feliz que não cabia em mim. O Reizinho e Pinduca.
Entrei na escola. Num instante estava lendo a cartilha da Branca Alves de Lima.
Um dia, corri muito mais para chegar em casa, levava comigo o meu primeiro livro de leitura, um com capa dura, de papelão forte, tinha um rinoceronte na capa. Era um livro de Monteiro Lobato.
Aí não teve mais jeito, a leitura me pegou pra valer. Um novo prazer em minha vida.
Uns quatro anos depois eu vivia o dia inteiro trocando gibis. Andávamos em todas as ruas, entrávamos em todos os quintais, era uma atividade cansativa, mas valia a pena, para toda a molecada da vila. Ao chegar o final do dia sempre tínhamos alguns gibis a mais, pois o bom era trocar dois por um, enfiar um dentro do outro, almanaque por dois ou três, e assim por diante.
Criança se vira de qualquer jeito. Foi por essa época que comecei a sentar horas seguidas no quintal na terra de areia e pó, e me pus a desenhar longas coleções, e a criar novos personagens. Quantos gibis nasceram na terra daquele quintal!
Um dia entrei pela primeira vez num cinema com a minha mãe para assistir ao filme "A Paixão de Cristo". Depois de alguns dias lá estava eu novamente em frente ao cine Saturno, numa fila esperando a venda dos ingressos para assistir a um faroeste.
Tinha uns onze anos, talvez. Após insistir tanto, meu pai consentiu, desde que fosse acompanhado por alguém de maior. Não tinha ninguém de maior, ele ficou num dilema, ou ia comigo ou não me deixava ir. Foi junto, resmungando até a metade do caminho, depois seguiu em silêncio, mas quando chegou em frente ao Saturno, ficou calmo e no seu rosto brotou um sorriso.
Desconfiei que era tudo encenação aquela chateação dele por ter que ir comigo ao cinema.

Entramos. E foi ali no Cine Saturno que reencontrei o gibi. Na tela. 


BALÃOZINHO

BEIJA- FLOR

quinta-feira, 10 de junho de 2010

NA NOITE EM QUE MORREU JORGE AMADO

Marciano Vasques

NA NOITE EM QUE MORREU JORGE AMADO



Na noite em que morreu Jorge Amado, perguntava para um grupo de cinqüenta pessoas adultas, alunos do oitavo termo de suplência, se alguém sabia quem foi Paulo Freire. Ninguém sabia.
É coisa nossa. Nordestino, brasileiro. Considerado um dos maiores educadores do mundo, aplicou seu método educativo, sua teoria pedagógica do oprimido embaixo de árvores, ao ar livre em regiões distantes, na África, em países de fala espanhola. Ninguém sabia.
Na noite em que morreu Jorge Amado, o Brasil não teve tempo para refletir a sua falta de cuidado para com os seus escritores, e um país que não ama os seus escritores é um país torto. O escritor é o sujeito que entra na sala de aula em forma de livro. 
Jorge Amado é uma prosa diferente de Graciliano Ramos, diferente de Guimarães Rosa. A sua importância está no seu amor pelas coisas da terra, no seu jeito de mostrar a Bahia e ele se encerra nessa cortesia, mostrou o corpo suado do baiano, o vigor do negro, a beleza da mulher, o candomblé, enfim, isso é amado por todos que o leram com o coração aberto. 
Seus capitães de areia não concorrem com os meninos abandonados em São Paulo. A vida real que se apresenta atualmente é mais forte ainda do que suas páginas, mas, a maioria não aprendeu, como queria Paulo Freire, a ler o mundo, a ler a vida, e pode tranqüilamente dizer que Capitães de Areia é uma historia de um livro escrito por um escritor baiano, sem verificar que a história continua...

Na noite em que morreu Jorge Amado o Brasil já estava mudado,  já era movimentado pelo controle remoto. Não foi apenas Jorge Amado que morreu, algo com ele também se vai, algo que já estava partindo, no verde semelhante ao vômito do palavreado estéril, da divagação sem rumo, da intelectualidade infrutífera, um amarelo amarelecido, como jornais abandonados.

Na noite em que morreu Jorge Amado, talvez pensando nas suas mulheres, as que são mais amadas pelo público, como Gabriela, e outras, pouco conhecidas, como Mariana, fiquei pensando no olhar da mulher, diferente do olhar masculino, - olhar difuso, espalhafatoso, sem cuidados, sem lapidação, desorganizado.
O olhar da mulher é o olhar organizado. Então me pus a pensar essas coisas na noite em que Jorge Amado morreu.

O MONOCÓRDIO DE PITÁGORAS


OLHA O TREM

PRIMEIRO ENCONTRO BRASILEIRO DA CANÇÃO INFANTIL


quarta-feira, 9 de junho de 2010

COMEÇOU! (MENINA BONITA)

COMEÇOU! (A FESTA)

ROSPO NO PAÍS DA FILA



Rospo vive num brejo que está dentro de um país feito de filas. Mas não compreende porque tantos implicam com ele.

- Olá, gente boa! Que fila maravilhosa!
- Ah! Não! Esse sapo não!
- Eu o conheço, o senhor é o Rospo.
- O "Senhor" não, mas eu sim. Muito prazer.
- Onde está vendo prazer, Rospo? Estamos aqui chateados, e você só aparece para debochar.
- Eu!? Que injustiça! Venho aqui só para apreciar.
- Apreciar o que?
- A fila.
- Sapo, melhor você cair fora! Veja se tem alguma coisa mais interessante para apreciar.
- Sapo, como vai aquela sua amiga?
- Isso! Por onde anda, como é mesmo o nome dela? Lembrei! Sapabela.
- Sapabela? É mesmo! Preciso ir. Estou com saudades de uma conversa saudável. Tchau! E boa fila para vocês.
- Bem, parece que ele se foi.
- Então já sabem, tem uma palavra mágica.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 81


terça-feira, 8 de junho de 2010

VINO MORAIS



OBRAS DO ARTISTA  VINO MORAIS



ARTISTA PLÁSTICO
ANGOLANO 
EM PORTUGAL

O blog do artista 
recebeu o Selo 
Casa Azul da Literatura 

ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA PEDAGÓGICA



NA FILA DA LOTERIA





Tem coisa mais incômoda que um sapo impertinente numa fila de loteria? Pois aconteceu.
O sujeito já estava irritado, quando Rospo surgiu.
- Até para ficar milionário tem que pegar fila, não é?
- Sapo, eu já ouvi falar de você, portanto, não venha com gozação, pois não estou para brincadeiras.
- Perdeu!
- Qual é a sua? Caia fora, senhor "doutor das filas"!
- Se quer mesmo ganhar na loteria tem que criar as condições mentais para isso.
- Estou irado, saia de perto de mim! Loteria é sorte.
- Mas a sorte não é idiota, não iria escolher um sujeito que não fez por merecer...
- Gente! Alguém me ajuda! Vá para o inferno, Sapo!
- Viu? Vai perder. Espere! Para onde o senhor me mandou?
- Para o inferno, entendeu?
- Tem que ser original.
- Do que está falando?
- Sempre que estou aqui, alguém me manda para esse lugar.
- Também pudera. Mas, por que não foi ainda?
- Dizem que está lotado lá. Bem, vou indo, conversar com alguém nervoso é muito chato. Se o senhor melhorar, pode até ficar rico.
- Tirem esse sapo daqui!
- Tchau, já vou indo, pobretão.
E assim, finalmente, Rospo se afasta.
- "Será que ele tem alguma razão?" - pensa o apostador.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 80




O SAPO E A APOSTA



- Sapabela! Você por aqui?
- Que surpresa, Rospo! Quase a gente não se vê, não é?
- Mas, o que faz numa casa de loterias?
- Estou comprando carne. Não, espere! Não fique chateado, é apenas uma brincadeira. Estou apostando, é lógico. Também poderia estar pagando uma conta, mas, e você ?
- Adoro ver os outros apostarem.
- Está brincando?
- É verdade! E fico pensando: Seria tão bom se cada um fizesse a aposta principal.
- E que aposta é essa, Rospo?
- Apostar em si mesmo.
- Interessante.
- Pois é, aposte em você, Sapabela. Verá que vale a pena.
- Rospo, você é uma figura.
- Vai apostar em você?
- Claro, e acredite, é aposta ganha.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 79


CASA MÁRIO DE ANDRADE

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ROSPO E O MAPA



Rospo encontra um velho conhecido.
- Estou procurando um tesouro, Rospo.
- Que tesouro é esse?
- Um amigo.
- Tenho um mapa. Pode ajudar. Quer?
- Mapa?
- Mapa do tesouro.
- Está brincando...
- É sério! Tome-o pra você.
- Aqui diz: Como encontrar um amigo.
- Dê uma espiada.
- Vejo um deserto, uma montanha, um mar...O que isso tudo significa?
- Para encontrar um amigo talvez você necessite atravessar um deserto de arrogância, de ciúmes, coisas assim...
- Prossiga.
- Escalar uma montanha de afetos, de gentilezas, de atenção...
- Continue.
- Mergulhar num mar de dedicação, de sinceridade...Você realizando essas proezas, certamente encontrará um amigo...
- Obrigado, Rospo, mas não será fácil...
- E quem disse que seria?

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 78


PHOLHAS - 1


Veja em  BAÚ DO VELOSO

O SAPO OFTALMOLOGISTA



- Rospo, ouvi dizer que você agora é oftalmologista.
- Pois é...
- Adoro o seu Pois é, mas estou curiosa. Ouvi até falar em oftalmologista da alma. Do que se trata afinal , meu amigo?
- É simples, Sapabela. Sou um fortalecedor de olhos. Melhor dizendo: do olhar.
- Fortalecedor de olhos? E como faz isso?
- Simples, simples...
- Para você tudo é sempre simples, mas, dê alguns detalhes.
- Com uma simples receita.
- De vitaminas?
- Colírio, minha querida, colírio...
- Também quero!  Preciso fortalecer os meus olhos. Como funciona?
-  Basta olhar para certas coisas.
- Adoro olhar!
- O sorriso de uma criança, o rosto do companheiro, da filha, o olhar do ser amado, uma montanha, o azul, o sol, as estrelas, as flores, uma pintura, ou então uma exposição de artes plásticas...
- Rospo! Eu já faço essas coisas! Portanto, creio que, mesmo sem saber, já estou seguindo fielmente a sua receita faz um tempão.
- Sapabela, por isso sempre achei seus olhos tão lindos...
- Hã?...



MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 77


ZABUMBANDO


domingo, 6 de junho de 2010

O BLOGUEIRO 25


SAPABELA LEU NO PAPIRO ATÔMICO


SAPABELA LEU NO PAPIRO ATÔMICO

- Rospo, leu a história da meninina?
- Li, Sapabela. Saiu no "Papiro Atômico".
- Que papo é esse de loira burra?
- Isso é preconceito, estereótipo.
- Como surgiu isso? Quem inventou essa onda?
- Não sei, é um preconceito já antigo entre os humanos. Só sei que o cinema, e até a música contribuíram para ampliar e divulgar essa ideia. É uma pena que a arte às vezes cometa esses deslizes.
- Ainda bem que aqui no brejo ninguém anda rindo de piadas de loiras burras, mas sei que essa tal menininha loira demonstrou com a sua inteligência e o seu talento que é papo furado essa história de loira ser burra. Quem inventou essa bobagem afinal?
- Pois é, Sapabela, só os que vivem no " Jurássico Mental " ajudam a disseminar, a propagar ideias preconceituosas.
- Rospo, parece que para os humanos é uma tarefa um pouco árdua ter que se livrar de todos os preconceitos.
- Limpar a mente às vezes dá trabalho, Sapa.


MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 76

EXPOSIÇÃO DE PINTURA NO SUL DO BRASIL


Exposição coletiva exibe pinturas 
dos artistas plásticos gaúchos:



Marília Chartune  e mais trinta artistas estão na Exposição Coletiva de Pinturas.


Inauguração: 9 de junho de 2010
Visitação: 9 a 25 de junho
Local: Grêmio Náutico União – Sede Petrópolis



Obras de Marília Chartune

EXPOSIÇÃO COLETIVA de PINTURAS no GNU

Realização:
Gravura Galeria de Arte


sexta-feira, 4 de junho de 2010

PALAVRA FIANDEIRA COM PETER O' SAGAE

@@@@

Está no ar a nova edição de PALAVRA FIANDEIRA!


NESTE NÚMERO: PETER O' SAGAE
Veja AQUI





quinta-feira, 3 de junho de 2010

NOITE ILUSTRADA

TONICO E TINOCO

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL

BAÚ DO VELOSO



BAÚ DO VELOSO recebe o 
SELO CASA AZUL DA LITERATURA.


Para conhecer o trabalho do artista, e de outros cartunistas, artistas gráficos, e gente desenhadeira, veja AQUI


ILHA DE LIVROS

Com bom humor e valorizando a cultura brasileira, a Turma do Xaxado, de Antonio Cedraz, venceu seis vezes o HQ MIX, o "Oscar" brasileiro dos Quadrinhos.

Todos os livros da Turma do Xaxado estão disponíveis no site http://www.ilhadelivros.com.br/ , site oficial do autor.

Divulgado em BAÚ DO VELOSO, blog do artista Juvêncio Veloso


O SAPO E O TÉDIO



-Sapabela! Descobri um remédio para o tédio!
- Que remédio, Rospo?
- Viver intensamente.
- Isso eu sei. É a coisa mais óbvia. Mas você só fica perambulando.
- Sapa, eu vivo intensamente.
- É mesmo?
- Claro! Contemplo as belezas e as novidades diárias do mundo, penso, sonho, recordo, imagino, cultivo a alegria, a felicidade...
- Você é feliz, Rospo?
- E muito.
- Mas não participa do mundo social! Não vejo você em encontros culturais, nunca o vi num encontro de escritores. Lembre-se: badalar, estar presente, ser visto, tudo isso é muito importante.
- Mas escrevo, Sapa.
- E daí?
- Tenho um encontro diário com os meus leitores.
- É verdade, então você vive intensamente, porém, acredite, é bom circular um pouco.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 75


SALÃO DO LIVRO

ROSPO E SAPABELA



- Já leu MARGOT?
- Sim, Rospo, e adorei essa menininha. Vou acompanhar todas as histórias.
  - Ótimo! Elas também serão publicadas no jornal " Papiro Atômico"

FEMINA ARTE

Venha compartilhar desse olhar mais gentil e delicado, onde  mulheres e homens procuram se despir dos estereótipos impostos pela cultura de massa e ajudar na reconstrução de um outro mundo, mais pacífico e menos "idiotizante". 

MARGOT 1



MARGOT 
Personagem inspirada em Margot de Castillo Müller 



MENINA NOVA NA VILA

Dois rapazes conversam numa lanchonete:
– Chegou uma nova menina na vila. Dizem que é uma pintora.
– Oba! Quero conhecer essa artista!
– É loira!
– Mais uma?
– A menina adora ler. Seu nome é Margot.
– Lê ou apenas circula com um livro para impressionar?
– Não! Ela não imita você.
– Devagar! Eu adoro ler!
– Diga então o nome de um livro que leu recentemente.
– Livro? Ora! Livro..., já li tantos, que nem dá para lembrar de um...
– Fale o nome de um autor.
– Essa é fácil.
– Manda ver.
– Harry Potter.
– Interessante...Bem, você vai ter que batalhar muito para impressionar a menina nova.
– Como é mesmo o nome dela?
– Margot.
– O que ela faz além de pintar e ler?
– Toca guitarra, estuda Inglês e Espanhol, desenha, adora cinema e teatro...
– Acabou, né?
– Não. Além de fazer natação, aprecia ler jornais, discute política e ainda escreve poemas. Quem já leu, diz que cada poesia é mais supimpa que a outra.
– Chega! Tem certeza que é de uma menina que você está falando?

MARCIANO VASQUES
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quarta-feira, 2 de junho de 2010

O SAPO E O MOSQUITO



- Sapabela, a boca é para beijar.
- Obrigada pela lembrança.
- Falo sério. A boca foi feita para beijar, comer, falar...
- Eu sei, Rospo. E adoro tudo isso.
- O último verbo é muito importante.
- Eu uso bastante.
- Eu também. Além de falar, gosto muito de ouvir.
- Onde você quer chegar, Rospo?
- Já cheguei. Aqui no brejo tem um ditado: "Em boca fechada não entra mosquito".
- É para manter os sapos calados.
- Mas falar é bom! É terapêutico. Falar faz bem para a democracia. E só entra mosquito se você falar coisas pantanosas, esgoto, entulho...
- Nossa, Rospo!
- É verdade. Se você fala coisas saudáveis, transparentes, positivas, produtivas, alegres, arejadas, o mosquito não entra, pois não terá ambiente para ele.
- Entendi. O importante é falar coisas boas.
- Lógico. Jamais ficar calado, amordaçado. E não se esqueça: com a sua fala você mesma pode expulsar o mosquito.
- Isso mesmo, vou fazer da minha boca um inseticida.
- Sapa, hoje você está muito espirituosa.

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 74


NOVA EDIÇÃO DE PALAVRA FIANDEIRA


LEIA PALAVRA FIANDEIRA


Apresentando MARGOT DE CASTILLO
Diretamente do CHILE

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIA DE FORMATURA

MEU BOM JOSÉ

O COMPLEXO DE ADÃO


- Rospo e Sapabela passeiam quando percebem um casal de namorados brigando. O jovem, exaltado, esbraveja:
- Eu não queria! A culpa é sua! Foi você quem provocou. Por isso perdi o controle. Mas eu não queria, foi você quem forçou.
- Veja, Sapabela, mais um com o "complexo de Adão".
- Rospo, eu não sei o que é esse tal complexo de Adão.
- Bem, lá no paraíso Adão veio com aquele papinho de que não queria comer o fruto proibido, que foi tentado pela Eva, e não conseguiu resistir, pois a tentação foi muito grande.
- Interessante, Rospo, mas, não entendi ainda exatamente o que é complexo de Adão.
- É fácil, Sapa. É sempre mais fácil pôr a culpa na Eva. Coisa dos humanos. 
- E entre os sapos, Rospo? Algum complexo parecido?

MARCIANO VASQUES
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 73



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