sábado, 11 de setembro de 2010

SAPA DE SORVETE E LIVRO, E SAPO CORRENDO?

 Sapabela num banco da praça com um sorvete e um livro, quando passa o amigo correndo.
- Rospo? Está maluco? Correndo pra lá e pra cá...Já passou por aqui duas vezes, e quase sem fôlego de tanto correr...O que está acontecendo, afinal?
- Não posso falar, estou procurando...
- "Bem, lá se foi ele, nem tenho ideia do que está procurando, mas, deixe-me voltar ao sorvete e à leitura, pois a tarde está azul".
Depois de alguns minutos passa o Rospo novamente numa ligeireza tal que a Sapa resolve intervir.
- Pare! Agora você vai me contar o que está procurando. Fica girando, correndo feito um maluco, um foguete...
- Estou procurando o tempo que perdi...
- Bobagem, meu amigo. Está perdendo tempo é agora nessa procura inútil. O tempo que você perdeu jamais será recuperado, ele se foi!, entendeu?, foi embora. Tempo perdido não é tesouro de pirata, que sempre deixa um mapa, tempo perdido é tempo perdido para sempre, então não perca o tempo do momento, o tempo de agora, e trate de viver, de preferência intensamente...
- Sapa, eu sei.
- Então por que corre feito um sapo sem juízo?
- Estava ensaiando...
- Virou ator?
- Não! Estava ensaiando para quando perder algum tempo...
- Interessante. Pois espero que isso não aconteça...
- Mas uma coisa preciso dizer...
- Diga...
- Todo Sapo deveria ter a chance de encontrar uma Sapa sentada num banco de uma praça tomando sorvete e lendo um livro.
- Nos dias em que os Sapos voltarem a procurar as Sapas, isso poderá acontecer com qualquer um, pois muitas Sapas estão por aí nas tardes azuis.
- Sapa, não entendi exatamente o que quis dizer...
- Então invista bem no seu tempo e pense nisso.
- Tentar decifrar o seu pensamento é sempre  um exercício saboroso...
- "Pronto, ele deu o troco".

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 223
Marciano Vasques

O SAPO, O TEMPO E A ROSA


- "Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante"
- Bonito isso, Rospo...
- Está aqui no livro do   Antoine de Sain- Exupéry...     
- Que divertido...
- Do que está rindo, Sapabela?
- Do seu sotaque...
- Também sempre rio quando tento...
- Esse livro, "O Pequeno  Príncipe" já foi lido por milhões de sapos...
- E todos deveriam ler....
- Ocorre que pensei algo...
- Diga...
- Claro, a rosa se torna mais importante na medida em que perdeste um tempo com ela, e esse tempo atribui a importância...O pequeno príncipe tem razão, porém...
- Sempre tem o "Porém" da Sapa...
 - Tempo perdido com a rosa, ou seja, quando você perde um tempo com um sonho, um objetivo, não é exatamente um tempo perdido...
- Sapabela, tive uma impressão de que em algum lugar o Pequeno Príncipe deu um sorriso...
- Foi mesmo impressão, é que a Estrela D' Alva surgiu...
-A nossa amizade é a rosa...
- E cada conversa nossa é...
- O tempo que bem soubemos viver.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 222
Marciano Vasques
     

CARTÃO PARA O ROSPO


Rospo, lá no brejo, agradece sensibilizado. Manda dizer que esse presente tocou fundo em seu coração.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

BREVE MANIFESTO

CASA AZUL DA LITERATURA presta uma homenagem  a todos os que postam no Youtube a música que toca o coração, e com ela a beleza que zela e vela o mundo.
Todos os vídeos revelam uma fonte de amor, pela arte e pela vida.
As canções sinceras com letras que conquistaram a alma do povo sempre terão espaço em CASA AZUL DA LITERATURA,  assim como as canções que com suas letras fazem refletir. Ao incorporar um vídeo, CASA AZUL tem consciência de que está participando de uma corrente universal de amor, de dedicação e de preservação dos mais belos valores do coração.

MINHA HISTÓRIA

EU TE AMO MESMO ASSIM

O SAPO NO MASTRO

- Rospo, você não comparece aos encontros, aos almoços e jantares...
- Pois é.
- Pois é nada, meu amigo. Tem que aparecer, já disse isso várias vezes...
- Acabou o estoque de novidades?
- Não seja irônico nem brinque. Estou preocupado com você. Não basta talento. Tem que aparecer: badalação, confetes, política...Pare de ficar agarrado a esse mastro. Do que afinal tem receio?
- É o canto da sereia, Sapabela. Eu prefiro o outro canto.
- Que outro canto?
- O da cigarra. Ela brota da terra e espalha o seu canto no ar...
- Sei, é o canto dos artistas. Mas não pode permanecer preso a esse mastro o tempo todo. Talvez nem todas as sereias afinal sejam perigosas...
- Quiça você tenha razão, Sapabela.
- Bem, já é um avanço...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 221

Marciano Vasques

CAMÕES


O VALOR DE UMA AMIGA

- Pobre do sapo que não tem uma amiga...
- Pode ter um amigo.
- Mas a amizade oferecida por uma Sapa costuma embelezar a vida de um sapo.
- Você nunca disse isso, Rospo.
- Com uma amiga, o sapo se aperfeiçoa. Às vezes ele está em "estado bruto" e, com a amiga, vem a poesia, a lealdade...O sapo vai melhorando....
- Mas amizades assim geralmente se transformam em amores.
- É um risco, Sapabela, um doce risco que temos que correr.
- Rospo, vamos andar na chuva?
- Mas está sol, Sapabela!
- Então vamos no sol.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 220
Marciano Vasques

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O BLOGUEIRO - 31


TAL GOVERNO...

Passeia o Rospo pelas calçadas quando encontra alguns amigos:
- Olá, meu caro amigo.
- Olá, Rospo.
E conversa puxa conversa. O cordel de novidades corre solto. E diz o Rospo:
- Uma amiga sente orgulho em contar que realiza monografias para estudantes universitários de Pós-Graduação, e se gaba disso.
- Eu também faço isso.
- É mesmo?
- Cobro $$$ o capítulo. Se for da minha área, se for de outra é mais caro.
- Não acredito!
- Faço até para mestrado. Ganho até $$$ por uma monografia. O que houve, Rospo? Ficou tão silencioso!
- Tchau, lembrei-me de um compromisso...Preciso encontrar um amigo.
Algum tempo depois.
- Que faz por aqui?
- Estou esperando uma Sapa. Marquei um encontro.
- Mas você mudou de namorada?
- Que nada, Rospo! Você parece bem antigo. Esse papo de ser fiel já era.
- Sei...Bem, vou indo...
Finalmente o Rospo encontra a Sapabela, que já não aguentava mais de vontade de entrar na história.
E como conversa puxa conversa...

- Rospo, o nosso governo engana o povo. No fundo ele é um...
- Não diga, Sapabela. Seja o que for que ia dizer, uma coisa eu garanto: ele não está sozinho.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -´219

Marciano Vasques

O SAPO E OS COSMÉTICOS

- Rospo, visitei o seu blog.
- Obrigado, Sapabela. Que presença ilustre!
- Postagens diárias. Onde você encontra tempo?
- Encontro não, minha rã. Vou atrás dele e sempre correndo...
- Reparei uma coisa.
- Diga...
- Você também é um "seguidor"...
- Claro, adoro seguir  blogs. Faço parte de uma linda comunidade...
-Mas o seu blog é de poesia, de literatura...
- E também Artes Plásticas, Música...
- Porém...
- Sempre tem o "Porém" da Sapa...
- Você segue alguns blogs de cosméticos, de Sapas que gostam de moda, de produtos caseiros...
- Por isso mesmo.
- Não entendi.
- Amplie o olhar, por favor.
- Engoli seco, mas agradeço o conselho.
- Quem disse a você que Sapas que "curtem" cosméticos ou moda, por exemplo, não podem gostar de poesia? ...
- Não havia pensado nisso.
- A poesia é para todos. Sapa que trabalha com moda também tem coração. Tem sensibilidade poética, também pode gostar de artes...Ora...
- É mesmo! Os universos se entrelaçam...
- A poesia é o cosmético que organiza a alma, a sensibilidade...
- Rospo, você sempre me surpreende...Meu olhar se ampliou repentinamente.
- Só precisava de uma piscadela da atenção.


HISTÓRIAS DO ROSPO - 218
Marciano Vasques

O SAPO E O MOLUSCO

- Sapabela, lá está um sapo que finge que é molusco...
- Fale, Rospo!
- Faz corpo mole...
- Continue...
- É filiado a um partido, exerce a militância...
- Cada um na sua, Rospo...
- Com certeza.
- Não precisa explicar, eu sei.
- Ligeira você!
- Ele costuma fingir que não sabia de nada, nunca viu e é sempre complacente e generoso com os deslizes e os crimes dos sapos que são seus amigos...
- Seus partidários...
- Porém...
- Sempre tem o "Porém" da Sapa...
- Um dia a sua contradição será tão visível, tão medonha, que o brejo inteiro irá despertar.
- Todo molusco deveria prestar atenção na Sapa.


HISTÓRIAS DO ROSPO - 217
Marciano Vasques

MEMÓRIA DA CASA AZUL DA LITERATURA



A TRISTEZA ENFRAQUECE O SAPO


- Estou fraco...
- O que aconteceu, Rospo?
- Fiz algo errado...
- Errar é anfíbio, Rospo...
- Mas eu sabia que era um erro...
- É tão grave assim?
- Não, não exatamente.
- Prejudicou alguém?
- Claro! A mim, à minha consciência. E aí veio a tristeza.
- Tristeza? Não, Rospo! Não, não e não!
- Calma Sapabela.
- Um amigo triste? Nem pensar...
- Mas fui eu que causou a tristeza...
- Pior ainda. A tristeza produzida por nós mesmos, é a pior, é a que enfraquece mais.
- Tristeza enfraquece?
- E como!
- Rospo, mas é difícil me alegrar se fiz algo que não devia ter feito.
- Se não prejudicou ninguém além de você, então siga em frente, e só tem uma forma de acabar com a fraqueza...
- Qual, Sapa?
- Alegria, Rospo, alegria! A alegria devolve a força, restaura a força, aumenta e rejuvenesce a potência.
- Tem razão, Sapabela. O moinho continua a girar e as águas vão passando...
- Claro,  Rospo. Seja alegria. Alegria é quase felicidade...
- Só de conversar com você já me sinto alegre...e forte, sinto que minhas forças estão voltando...
- Mande a tristeza pro ralo, e siga em frente...
- "Assim Falou Sapabela!"

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 216
Marciano Vasques

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O PRESENTE DO SAPO

- Sapabela, fiquei tão feliz com o presente que ganhei de você que vou guardar para usar só no Natal, assim poderei preservar.
- Rospo, está se referindo à caneca?
- Sim, ela é linda, e se eu ficar usando poderei quebrá-la.
- Você não deveria fazer isso. Eu adoraria saber que você usou tanto a canequinha que até quebrou de tanto usar, e ao trincar ela pode ser transformada num vaso de flores. Além do mais, Sapas adoram dar presentes, e é melhor você dar vida ao carinho que recebeu. Sapas preferem assim...
- Mas, se eu usar...
- Rospo, você está querendo discutir com uma Sapa? Uma Sapa que adora presentear?
- Não! Longe de mim discutir, mas tem razão...Presente é para ser usado...
- Sempre, Rospo, é como o dia, nós o recebemos de presente e ele é para ser usado, não para ser desperdiçado...
- Obrigado, Sapa, sempre aprendendo...
- Aprender é um grande presente que cada um dá a si mesmo.
- Que tolo.
- Não, você jamais será um tolo. Você é apenas um sapo, um sapo maravilhoso.
- "Às vezes ela tem um jeito esquisito de elogiar..."

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 215
Marciano Vasques

ROSPO E O JARDIM


Ao avistar o velho amigo, Sapabela se aproxima.
- "Impressionante. Ele está dormindo em pé". Rospo! Abra os olhos.
- Sapabela, você me interrompeu.
- O que estava fazendo, Rospo? 
- Retirando as coisas do jardim.
-Que coisas? Que jardim?
- Os insetos que cortam as folhas, os fungos, os pequenos predadores, a sujeira, o entulho...
- Ótimo! Devemos cuidar do jardim, sempre, mas não estou vendo nenhum jardim, Rospo!
- É o meu jardim interno...
- Há um jardim em você?
- Sim, em cada um de nós, Sapa.
- E por que os olhos estavam fechados?
- Toda a sujeira, as pragas, os entulhos, são mentais. Tudo está em nossa mente, minha querida.
- E numa mente com saúde melhor ter as flores vicejando...
- Posso continuar, Sapabela?
- Pode, Rospo, feche os olhos. "É um bom jardineiro".


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -214
Marciano Vasques


O SAPO E O CÉU

- Rospo, sempre o vejo olhando para o céu...
- Observe que belo azul claro...
- Lindo!, mas queria saber por que você tanto mira o céu...
- Ele revela a nossa evolução, Sapabela.
- Nada a ver, meu amigo.
- Engano seu...
- Viva!
- Viva? Que entusiasmo é esse?
- Outro engano... Adoro me enganar.
- Ora, Sapa..., mas, deixe-me falar sobre o céu.
- Diga...
- Antes, no céu habitavam deuses...
- É verdade.
- Depois, um papai muito bravo que às vezes ralhava...
- Quando o céu trovejava...
- Pois é.
- E hoje, Rospo?
- Ao contemplar o céu, observo o esplendor do universo e isso me transmite tanta energia...
- Realmente, Rospo, uma bela evolução.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 213
Marciano Vasques

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE ITAQUERA

Estação Ferroviária de Itaquera
- 1955 e 1987



Veja AQUI

LUZ DO SOL

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

QUIZAS QUIZAS

CEREJEIRAS

CEREJEIRA DE ITAQUERA

No dia 1º de Agosto foi realizada uma nova Festa das Cerejeiras, em Itaquera, no Parque do Carmo

Veja AQUI

LA VIOLETERA

HOY DARIA YO LA VIDA

TRISTE


"Itaquera é o c. de onde sai a bosta do cavalo do bandido"
Rita Lee, no Twitter, criticando a construção do estádio que abrirá a copa do mundo de 2014, no bairro da Zona Leste de São Paulo.
Rita Lee é cantora do Brasil

DE ARGENTINA


Veja em CASA AZUL DA ARTE

Mavi Spagnuolo
Buenos Aires - ARGENTINA

domingo, 5 de setembro de 2010

ORAÇÃO DOS EDUCADORES


ORAÇÃO DOS EDUCADORES

É preciso dissolver o rancor, deixar escorrer a intolerância pelos túneis da mente até que a luz clara de um campo desfaça a insensatez e a paz floresça entre as pessoas.

Um campo onde os girassóis da compreensão apontem para o sentido ético do diálogo, onde o ouvir seja o tesouro primordial.

É preciso estar atento, sugerir sempre a edificação de uma ponte, encharcar o espírito de tolerância, invalidar a violência e oferecer a nossa voz para a fala que conduz ao desafio da paz: o mais impressionante dos desafios, - a instigante luz da harmonia.
Sim! Tenhamos sempre a vocação da semente, para que possamos resgatar a sabedoria dos povos que escolheram a paz.
Que a nossa presença seja o manto que abriga os corações que buscam, que as nossas asas representem o querer dos homens sinceros e que o nosso coração de giz escreva na lousa da vida a palavra paz e que esta seja soletrada com alegria na cartilha da esperança.

Que cada criança seja educada para o conhecimento e o domínio das técnicas que levem à resolução dos conflitos.

Que não haja omissão, que não haja mudez!
Que cada um recolha em cada gesto, em cada sorriso, em cada fresta da aridez, a certeza de que a paz é o nosso dom, a nossa original vontade!

MARCIANO VASQUES


sábado, 4 de setembro de 2010

COMPAY SEGUNDO

LA LONTANANZA

EM PORTO VELHO

Em Porto Velho, Rondônia, Brasil, Selmo Vasconcellos edita a sua 1ª ANTOLOGIA POÉTICA MOMENTO  LÍTERO-CULTURAL
Na região Norte do Brasil, Selmo é um incansável batalhador da cultura, divulgando valores e personalidades do mundo cultural e literário.
Veja AQUI

SABABELA E O INCENTIVO CRIATIVO

- Sapabela, tenho um propósito de vida, um ideal que não abandono, um querer e uma teimosia, uma persistência, uma vontade...
- Certo, Rospo, pode parar, já compreendi, mas, que ideal é esse?
- Ser íntegro e ético até o último dia da minha vida.
- Não vai conseguir, não vai conseguir, abandone essa ilusão.
- Se alguém tem que ser íntegro durante a vida, que seja o seu melhor amigo...
- Meu lindo, não vai conseguir. Não vai. Seja mais realista. Não conseguirá.
- Engano seu, minha querida amiga...
- Desta vez não é engano...
- Quero sim e serei íntegro e ético a vida toda, até ao final dela...
- Bobagem, não conseguirá, em algum momento cairá em tentação, e irá querer tirar vantagem de alguma situação...
- Sapabela, agradeço de coração esse seu incentivo...
E os dois caem na gargalhada.
- Ainda bem que entendeu, meu querido...
- Dê-me um abraço...
- É pra já, nisso sou especialista, além do mais, amizade regada com abraços cresce e se fortalece...Sem esquecer que hoje é sábado, o Dia Mundial do Abraço...
- Não ouvi falar...
- Eu que decretei.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 212
Marciano Vasques

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ROSPO E A ARTE

No exato momento em que o palestrante dizia que a arte contemporânea é "conceitual", Rospo deixou o auditório e foi para um corredor apreciar uma "performance" de escultura.
- Onde está ela? Onde está ela?
Alguém procura um segurança.
- Senhor, acho que tem um sapo maluco por aqui.
- O que ele fez?
- Está falando sozinho...
- É normal hoje em dia. Milhões fazem isso.
E Rospo permanece diante da obra instalada no corredor principal.
- Onde está ela? Onde está ela?
Eis que surge, glamourosa, a Sapabela, que também desistira da conferência.
- Sapabela! Você por aqui?
- Coincidência, não é? Mas, o que está fazendo, meu amigo?
- Procurando por ela.
- Ela quem? Do que está falando?
- Ela, a arte, onde está ela?


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 211

Marciano Vasques

O SAPO E A POESIA

 ROSPO E A POESIA
( Para Ferreira Gullar)



Sapabela apresenta o Rospo para uma amiga:
- Senhor Rospo, fiquei sabendo que o senhor é um poeta...
- Dizem...
- Poderia escrever um poema para mim?
- Um dia, quem sabe...
- Agora.
- Agora?
- Sim. Qual o motivo do espanto?
- Isso não é possível.
 - Pensei que o Sr. fosse um poeta autêntico.
- Por isso mesmo.
- O que o impede de escrever um poema agora?
- A poesia.
- Explique isso.
- Ele explica, pode ficar tranquila.
- A poesia não surge, não brota, a partir do decreto do querer. O poeta não está o tempo todo disponível para a poesia...
- Interessante.
- Na verdade é a poesia que pede passagem...
- Como assim?
- Ela não é um arranjo mecânico e calculado de palavras. E quando pede passagem, não há porteira que feche o coração.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 210
Marciano Vasques

SAPA NOVA NO BREJO

Com poemas pipocando no coração, Rospo está na Praça Azul jogando pipoca aos pombos e rabiscando os primeiros versos quando ela chega:
- Sapabela! Que surpresa!
- Conheci uma sapa bonita, Rospo.
- Oba! Sapa nova no brejo!
- Que empolgação é essa, Rospo?
- Sempre me empolgo com novos sapos no brejo. Novos sapos, novos horizontes...
- Sei...
- Fale sobre eles, Sapabela.
- Eles? É ela, Rospo. Ela!
- Então, fale-me, Sapabela...
- O problema começou quando ela abriu a boca...
- Gosto de sapos que abrem a boca para soluções, não problemas...
- Hic.
- O que foi isso, Sapabela?
- Solução.
- Engraçadinha.
- Pois é, quando ela se pôs a falar, fiquei decepcionada.
- Conte-me.
- Só falou mal da vida dos outros, nem bem chegou e já veio com fofocas...
- Ora, você havia falado que ela é bonita...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 209
Marciano Vasques

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ANSIEDAD

CHURRASCO E CERVEJA

- Sapabela! Tomei conhecimento de que um político pagou a festa do "Grande Time"...
- Foi boa a festança, Rospo?
- Sim, fiquei sabendo, muito churrasco, muita cerveja...
- Maravilha, Rospo!
- Pois é, mas eu não autorizei...
- E você devia autorizar?
- Veja só: Nada tenho contra a alegria dos torcedores, ainda mais sendo tão fieis, mas ocorre que o dinheiro público é meu também...
- Compreendo, mas ele precisará se eleger novamente...
- Eu sei, mas considerando que é o meu dinheiro que está em jogo, pois pago impostos, gostaria de dizer que eu autorizo para a pavimentação das ruas, a construção de escolas...
- Tem razão, Rospo...Mas, se fosse convidado, você iria? Participaria da festa?
- Sapa, não misture as coisas. Festa é sempre festa. Estou me referindo ao dinheiro público.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 208
Marciano Vasques

UM HOMEM TAMBÉM CHORA...

ROSPO E O CHORO DA SAPINHA

- Pare de chorar, sapinha! - disse a mãe, para a criança que não parava de berrar no ônibus. Não satisfeita, a Sapona ainda disse: - Que coisa feia!
- Rospo, apesar do esforço, não se conteve:
- Por que a senhora mandou a criança parar de chorar?
- Porque é feio e está me irritando.
- Por que ela chora?
- Sei lá, acho que deu uma batidinha com a boca no banco da frente, mas foi no início da viagem, e até agora está chorando...
- Em primeiro lugar, chorar não é feio. Não ensine para a sua Sapinha que chorar é feio... Chorar jamais foi feio.
- Alguém poderia me dizer quem é esse sapo?
- Sou um passageiro que pagou a passagem, mas não cobra nada pelas palavras...Pelas minhas palavras...
- Ora...
- E tem outra coisa: chorar é a única defesa da criança, é a única defesa que ela tem...
- Mas chorar sem parar irrita!
- Choro sem atenção demorar a passar.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 208
Marciano Vasques

SAPOS E A FOFOCA

- Rospo, por que muitas sapas gostam de fofocas?
- Muitos sapos também gostam...
- Por que, para muitos, a fofoca é tão atraente?
- Nenhum espaço pode ficar vago na mente de um sapo, minha linda.
- Então, a fofoca ocupa espaço?
- Sim.
- Qual espaço?
- O espaço dos livros que não foram lidos.
- A ausência de leitura é reponsável pela fofoca?
- Sim, a fofoca só entra na mente se haver espaço vazio, espaço livre...
- Quer dizer que a leitura é solução?
- Pois é...
- Que coisa, Rospo. Uma solução que causa tanto prazer é assim desprezada...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 207


Marciano Vasques

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DIO, COME TI AMO

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