terça-feira, 12 de outubro de 2010

EVENTO NO PARAGUAI

EXPOSIÇÃO COLETIVA PINTURAS DO SUL DO BRASIL NO PARAGUAI 2010

 Quadro de Marília Chartune,
participante do evento


A GALERISTA E ARQUITETA, REGINA GALBINSKI TEITELBAUM, FOI CONVIDADA PELA EMBAIXADA DO BRASIL NO PARAGUAI PARA SER A CURADORA DA EXPOSIÇÃO COLETIVA “PINTURAS DO SUL DO BRASIL” QUE SERÁ INAUGURADA NO DIA 14 DE OUTUBRO DE 2010, EM ASSUNÇÃO.

O ARTISTA PLÁSTICO, ANTONIO SORIANO IRÁ PINTAR DURANTE A ABERTURA DA EXPOSIÇÃO UMA OBRA QUE SERÁ DOADA AO PARAGUAI, PELO BRASIL EM HOMENAGEM AOS 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA DO PARAGUAI.

A exposição coletiva exibirá obras de 20 artistas. O evento acontece na Embaixada do Brasil no Paraguai. Artistas participantes: Andrea Schul, Antonio Soriano, Clara Pechansky, Claudia Zirbes, Corali Cardoso, Eliane Magnani, Erico Santos, Flavia Antoniolli, Lorena Steiner, Maria Luiza Cangeri, Marília Chartune, Marion Lunke, Rosali Plentz, Rosane Heck Theisen, Roseli Deon, Susana Luft, Suzi Etchepare, Vânia Kwitko, Velcy Soutier e Victor Hugo Porto.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONVERSANDO SOBRE AMIZADE

Num 11 de Outubro, a Sapinha bela passeia de calçada quando encontra o ensolarado.
- Como vai, Sapabela?
- Melhorei agora.
- Estava triste?
- Não! Estava querendo ser mais feliz.
- E cabe tanta felicidade assim em você?
- Felicidade é como a leitura, a cultura e o pensamento. O espaço é infinito.
- Bom que a amizade promova a felicidade.
- Promove alegria, e alegria é irmã da felicidade.
- Interessante.
- A amizade é de um conforto ímpar na insegurança e na tristeza, e um sol a festejar a vida.
- Dizem que no sucesso e na riqueza nossos amigos nos conhecem, e na pobreza e no fracasso conhecemos os nossos amigos...
- Pode ser, mas não parei para pensar nisso, pois não tenho necessidade de pensar certas coisas. O meu melhor amigo está sempre comigo.
- Um sorvete, Sapabela?
- Ótimo convite! É o que faltava para o nosso sábado.
- Mas hoje é Segunda Feira!
- Que o Sábado fique com inveja, mas a nossa Segunda Feira é um sábado disfarçado.
- Sapabela, consegue ser tão feliz com tanto sofrimento no mundo?
- Sim, pois a minha felicidade não é egoísta. 
- Como assim?
- Sou a primeira a denunciar as injustiças do mundo...Se não fizesse isso, como poderia ser feliz? Tenho consciência de que não poderei sozinha mudar a realidade do sofrimento dos povos, mas sei que posso e devo fazer a minha parte. E a minha parte é sempre denunciar, jamais bobear. É isso o que eu posso fazer. 
- Denunciar o sofrimento dos povos é muito pouco.
- Mas denunciar a omissão e a covardia de políticos e poderosos pode ter algum efeito. Vamos ao sorvete?
- Vamos, e tenho uma dica: jamais deixe um sorvete esfriar.
- Isso mesmo! E não se esqueça: mesmo com tanto sofrimento no mundo tem sapo  escrevendo histórias para as crianças.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 278

Marciano Vasques

domingo, 10 de outubro de 2010

AOS BLOGUEIROS

Cuando te metes en este mundillo de los blogs, se va haciendo poco a poco una transformación muy notable. Al principio es indudable que escribes para ti, a medida que se van metiendo personas en nuestros blogs y nos comentan....escribimos ¡como no, para nosotr@s! pero ya esperamos a esas personas que van formando parte de nuestro círculo de amistades y escribimos para ellas también.
Esperamos su visita como se espera a alguien querido, porque así son ya para nosotr@s esas personas.
Nos alegramos de sus alegrías y lloramos con sus penas. Se crea un lazo muy fuerte con personas que quizás estén a miles de km. pero que las tenemos tan cerca gracias a este gran invento que es Internet, que si se hace buen uso de el es excelente.
Verónica Oliver

AFINAL É DOMINGO


UM BOM PRESENTE


NO AR, PALAVRA FIANDEIRA

Nova Edição de 
PALAVRA FIANDEIRA

Edição Temática: CRIANÇA
CONVIDADOS:
Para ler, clique AQUI

sábado, 9 de outubro de 2010

PIOVE 1959

PIOVE

PARABÉNS!

ANUNCIANDO O NOBEL

A BANCA DE JORNAIS

A Sapinha bela, a Sapabela, passeia pelas calçadas do Sol quando avista na contemplação da banca de jornais e revistas o velho conhecido chamado Rospo.
- Rospo!
- Sapabela! Agora a cidade ficou mais importante...
- Sempre tão gentil comigo, não é?
- Temos um tesouro só nosso: a nossa amizade. E você sabe, temos que tratar os amigos com esmero e zelo...
- Você gosta de ficar apreciando os jornais... e as revistas, não é? Está sempre diante de uma banca...
- Tem coisas que sempre estarão em nós, em cada coração....de nossa geração...São coisas que atravessam o tempo...
- O circo, a feira livre...
- E a banca de jornais...
- Será que a geração futura ficará contemplando a tela de um computador?
- Que nada! Basta cada pai passear com seu sapinho e mostrar uma banca de jornais, apontar para os gibis, as revistas....E o sapinho estará pego para sempre... Ninguém esquece uma banca de jornais...
- Rospo, no fundo você é um romântico...Será que o mundo pode se transformar, mas você não muda?
- Não é bem assim. Nós mudamos diariamente, o nosso olhar vai sendo lapidado, aperfeiçoado, vendo as coisas com mais clareza e mais delicadeza...Um banca de jornal, com o passar do tempo, fica mais bonita,  um local de maior aconchego. Continuo sim apreciando as coisas boas que merecem ser conservadas, mas elas adquirem a cada dia um novo tom, um novo colorido, uma nova luz...
- Rospo, veja que coisa interessante. Sempre que eu passar por uma banca de jornal lembrarei de você...
- Antoine de Saint - Exupéry tinha razão...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 277
Marciano Vasques

SÓ PARA LEMBRAR


70 ANOS

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2010

 

Mario Vargas Llosa

Divulgação: AE

O Escritor ganhou o 

Prêmio Nobel de Literatura

O POVO DA FILA

 Rospo passa diante de uma fila de lotéricas e não resiste. Em fez de fazer um jogo, começa a se divertir com o povo da fila.
- Está gostando da fila?
- Não! Esse Sapo outra vez!
- Quem é esse Sapo?
- Rospo, ao seu dispor.
- Vai jogar, Rospo?
- Não tenho vocação...
- Vocação para jogo?
- Não, para ser bobo...
- Então, senhor Rospo, raspe-se daqui...
- Rápido e ríspido você, não é? Só porque vai perder, já ficou rude?
- Desapareça daqui...
- Calma, pessoal! Você podem perder tempo e moedas, mas não percam a paciência...
- Suma, Sapo! Suma!
- Tchau, pessoal. Já vou indo, não posso ficar perto de sapos que não têm "esportiva".
- Tchau, Sapo, tchau!
- Meu camarada, não se preocupe. Na semana que vem você tenta outra vez...
- Vou bater nesse Sapo...
- Ora, para mim é demais. O cara gosta de fila, de perder dinheiro e ainda fica nervoso. Adeus, tenho mais o que fazer...
- Já vai tarde!

Sapabela, que se aproximava e a tudo observava, louca para entrar na história, diz:
- Rospo! Pare de provocar o povo da fila. Qualquer dia você apanha. Quem fica tanto em fila não gosta de brincadeiras...
- Eu não queria fazer isso, Sapabela, mas fila sempre me diverte muito...
- Vamos ao cine?
- Vamos, Sapa. Estava demorando o convite...
Mais tarde, estão na fila do cinema...
- Rospo, veja quantos casais, que fila imensa...
- Sapabela, enquanto tiver fila de cinema, significa que nem tudo está perdido...
- Pelo jeito você aprecia fila de cinema...
- Dá gosto ver.
- Rospo, você não tem jeito.

HISTÓRIAS DO ROSPO - 2010  - 276

Marciano Vasques

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SAPOS E BEIJOS

Rospo encontra a velha amiga.
- Rospo! Estou lendo um livro muito joia.
- "Ela é assim desde pequena!"
- Agora me lembro: encontrei a Colibrã e ela mandou um beijo.
- Cadê?
- Cadê o que?
- O beijo!
- Ora, ela mandou.
- Mas você não trouxe. É sempre assim: trouxe apenas a palavra, mas beijo que é bom nada. Mandou um beijo, mandou um beijo, mas beijar o Sapo, que é bom, nada.
- Ora, Rospo...Anda meio atrevido, um pouco assanhado, viu?
- Ora digo eu, Sapa. De que adianta alguém mandar um beijo se o beijo não vem?
- Ora, Rospo, vá cobrar da Colibrã...
- Sapa, estou brincando. O beijo que mandam é simbólico, representa um compromisso de carinho, de afeto, de amizade...Beijo mandado é amizade selada.
- Eis algo que eu gosto em você... A maneira como as ideias fluem...
- É bom receber elogios de uma amiga...
- Elogios de Sapo, quando é sincero, também faz bem...
- Fale do livro que anda lendo...
- O título é "Sapo Versus Príncipe"...
- Conte sobre ele.
- É a história de um sapo que não é encantado...
- Sou eu.
- E então...
- Diga mais.
- Rospo, juro que eu empresto o livro para você...
- Aceito. O meu é de chocolate.
- O livro?
- Não! O sorvete...
- Eu convidei?
- Não, hoje você está um pouco lenta.
- Mas, vamos, Rospo. Adoro sorvete...
- Sapa, estive pensando sobre a história do beijo simbólico...
- Sim?
- Um beijo natural e ao vivo ainda é preferível...
- Todos concordam com isso, Rospo...Rostos e lábios necessitam de beijos...
- Sabe que andei pensando...
- Diga.
- Todo beijo que mandam deveria ser uma promessa...
- Você hoje está inspirado... Qual é mesmo o seu sorvete?
- Chocolate com bolas de beijo.
- É creme, Rospo, bolas de creme!


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 275

Marciano Vasques

NO TERCEIRO ENCONTRO COM A SAPABELA

Num dia ensolarado, Rospo, o sapo mais tímido do planeta, encontra a Sapabela pela terceira vez, e tentando atrair a atenção da jovem para iniciar uma amizade...
- Não! Não pode ser! Essa sapa está maluca!
Boquiaberto, a Sapa fica desconcertada...
- O que está acontecendo? Você é muito barulhento! Já o vi antes?
- Claro que já. A primeira vez foi diante de uma floricultura. Lembra? A flor que andava...Mas, será que não reparou que o dia está muito quente? Está caloroso demais...
- Reparei, mas não tenho culpa. Não mando na natureza...
- Mas não encubra a natureza tanto assim...
- Do que está falando, seu maluquinho? Pare de gesticular tanto! Tem sapos olhando. Se continuar, logo teremos um montão deles ao nosso redor...Esse povo do brejo é muito curioso...Portanto, comporte-se. Sabe se comportar, não é? Ou como sempre, uma sapa terá que ensinar?
- Que olhem!...
- Sapo! - não lembro seu nome - Que coisa mais atrevida! Está quente sim, mas, por que o escândalo!? Se quer chamar a minha atenção, já chamou, mas pare de fazer escarcéu...Os Sapos evoluíram, sabia? O Jurássico ficou lá atrás...
- Está bem! Falarei baixo, como convém para a cidade, mas, explique, Sapa: Esse calor todo e tanta roupa assim...Estamos num brejo tropical. Lembra? A propósito, meu nome é Rospo. Lembraria se fosse uma sapa apegada às coisas realmente essenciais...
- Ora, "senhor" Rospo. É apenas um vestido, e está até um pouco curto... Pare com as brincadeiras... Você já conquistou a minha amizade e eu já tenho uma solução para o calor. O que é isso, Sapo?
- Um fogo de artifício, para comemorar...
- Com certeza, assistiu ao Pica-Pau quando criança...
- Posso falar uma das cores que eu gosto?
- Por que?
- Uai! Não vai trocar o vestido?
- Não, seu engraçadinho.
- Então?
- É melhor falar de suas preferências de sabores...
- Sabores?
- Sim, pois o convido para o nosso primeiro sorvete...
E assim, pouco depois, lá vão os dois rumo a uma sorveteria...
- Sabe, Sapa, estou lendo um livro e, ... coax, coax, coax...
- Conhece um poema que diz assim?, ... e coax, coax, coax...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 274

Marciano Vasques

MERECIDO!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ROSPO E OS JOVENS

- Gosta dos jovens, Rospo?
- Sim, Sapabela. O que seria do mundo sem os jovens?
- Mas dizem que eles são rebeldes, "aborrecentes"...
- São rebeldes?
- Sim, é o que dizem...
- Ainda bem!
- Ainda bem?
- Claro. Eles representam o ciclo da vida, a renovação, as mudanças do mundo, eles representam o choque das gerações, que faz a roda gigante do tempo girar, faz a "anfibidade" avançar...
- Nunca havia pensado nisso.
- Os jovens são fascinantes, são admiráveis, são eles que renovam a poesia do mundo...
- Interessante.
- Já imaginou uma sociedade com jovens passivos, alienados, conformistas e acomodados...?
- É, meramente seria uma sociedade doente, apática...
- Precisamos dos jovens, assim como das flores e das crianças...
- E os velhos?
- Os idosos? A serenidade, a reflexão... Mas os velhos? Os velhos de verdade? Não sei...
- Rospo, meu jovem, você é uma figura... Vamos tomar um sorvete?
- Faz tempo que você não convidava...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 273

Marciano Vasques



A GRANDE PROCURA DE UMA VIDA

- Rospo! Veja aquele sapo tão velhinho...
- Parece tão cansado e alquebrado.
- Passou a vida inteira procurando algo... Muita persistência, Rospo...
- O que ele procurava, Sapabela?
- A felicidade. Percorreu aldeias, vilarejos, povoados, cidades, portos, cordilheiras, desertos...
- E não encontrou nada, minha linda?
- Não. Então desistiu e envelheceu. Pobrezinho. Foram anos e anos procurando, buscando...
- Busca errada.
- Não diga, Rospo!
- Ele esqueceu de um lugar...
- Que lugar seria esse, meu amigo?
- O mais difícil de ser lembrado, porém o mais próximo e fácil de ser "acessado"...
- Diga, onde fica tal lugar?
- Dentro dele. É lá que Ela está...Perdeu muito tempo procurando a felicidade, mas esqueceu do lugar mais certo...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 272

Marciano Vasques

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O LIVRO DO SAPO

Rospo encontra um velho conhecido:
- Como vai, Rospo? Fiquei sabendo que lançou um livro.
- Pois é.
- Um livro de Poesia, não é?
- Sim...
- Poesia ou Poema?
- Que relevância neste momento...
- Quando irá me dar um?
- Dar?
- Claro!
- Por que?
- Quero ter o seu livro. Já pensou? Eu poder dizer aos amigos, sobrinhos e parentes, que ganhei um livro do próprio autor...
- Deve estar falando sério...
- Nunca falei tão sério. E então, quando vai me dar o seu livro?...
- Pois é, meu amigo. A conversa está boa, e nossa amizade é importante, mas preciso ir...Tenho que batalhar pelo meu livro...
- Já vai?
- Já fui. Tchau!

Mais adiante, Rospo encontra a Sapabela...
- Rospo! Meu amigo! Passei numa livraria e comprei o seu livro. Pode me autografar?
- Sapabela! Que alegria!
- Veja, Rospo. Trouxe uma caneta...
- Você é impressionante.
- Rospo, vamos, autografe. Preciso dizer aos amigos que comprei o seu livro.
- E ainda vai ler...
- Com certeza.
- É, isso é você.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 271

Marciano Vasques

O RIO DE PIRACICABA

SOBRE MENTIRAS E MENTIRAS OFICIAIS

- Muitos sapos e sapas têm medo de encontrar um amor e sair com esse amor ao cine...
- Sim?
- Por que não suportam a ideia de mentir em casa...
- Interessante...
- Vivem uma vida sem autenticidade, não são felizes, num relacionamento de aparência, mas não conseguem mentir...
- Entendo...
- E preferem viver uma mentira oficial...
- O que está propondo, Rospo?
- Estou dizendo que amores devem ser vividos intensamente, e se o amor não for caseiro, insistir na mentira oficial é perder a vida...
- E quando existe uma centelha de amor no sapo e na sapa?
- Então devem lutar, a cada dia, para que a centelha se transforme numa chama, e posteriormente, numa fogueira... Nenhuma centelha deve ser desprezada...
- É, é tão simples...
- A complexidade é apenas uma opção.
- Rospo, que loucura! Você diz coisas que eu levo comigo no pensamento...
- Esse é o encanto da conversa, Sapabela... Ela ser levada na bagagem, na mochila do pensamento...
- E do coração...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 270


Marciano Vasques

CANTA, MAZZAROPI, CANTA

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O SAPO E OS INVENTORES

- O inventor deve ser poupado sempre...
- Poupado?
- Quando um inventor inventa ele deve ser poupado de conhecer o uso que fazem do seu invento...
- Sei, a bomba atômica...
- Não apenas, Sapabela, mas também o telefone, a televisão...
Ou seja, qualquer invento.
- O telefone e a televisão são inventos para facilitar a comunicação entre os sapos... Apenas isso.
- Será?
- "Pronto. Lá vem o 'Será?' do Sapo".
- Veja, Sapabela: alguns sapos ficam pendurados ao telefone conversando asneiras e "vulgares", e desperdiçam tempo com pseudo-conversas...
- E a televisão?
- Já deu uma espiada na programação de auditório?
- Creio que compreendi. Entendi o que quis dizer. Se os cientistas soubessem como usam os seus inventos, não teriam inventado...
- Mas não é bem assim, Sapabela. O cientista não tem culpa da consciência de cada um. O telefone, veja só, também é usado para declarações de amor, e adeuses, e numa emergência, pode salvar alguém...
Talvez todo invento devesse vir com uma bula...
- Bula?
- Todo invento deveria trazer em si um longo e medonho processo de educação dos sapos...
Após a conversa, eles se despedem...
- Tchau! Rospo, não se esqueça, qualquer coisa, é só ligar, dê um alô.
- Combinado, hoje à noite,  após assistir ao noticiário, ligarei.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 269
Marciano Vasques

SONHANDO COM OS ANJOS...

Após uma conversa, Rospo e Sapabela se despedem.
- Rospo, sonhe com os anjos...
- Serei sincero, Sapabela. Prefiro sonhar com você.
- Que sinceridade boa! Mas, comigo?
- É muito mais produtivo, interessante...
- Produtivo?
- Qual é a graça de sonhar com os anjos, se tem você?
- Sinto-me lisongeada, mas deve ser divertido sonhar com os anjos...
- Será?
- " Pronto. Inaugurou o 'Será?" do Sapo"...
- Pense bem, Sapa. Nem acredito que anjos sejam divertidos...Para quem gosta de energia, vida, movimento, é melhor sonhar com você...
- Mas, por mais enfadonho que possa ser, sonhar com anjo pode até valer a pena...
- O que é "valer a pena"?
- Pensando bem, Rospo, esqueça. Sonhe comigo. Tchau!
- Farei isso, meu anjo.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 268
Marciano Vasques

O POVO DA NOITE

Sapabela encontra o Rospo contemplando a Lua.
- Sonhando, meu amigo?
- Estou pensando: E se existisse o povo da noite?
- Povo da noite?
- Se esse povo dormisse durante o dia e permanecesse acordado à noite, estudando, trabalhando, vivendo a vida, como fazem os povos do dia. E os mais velhos ensinassem aos sapinhos que o dia é perigoso, que o sol não pode ser visto, ou coisa assim, tipo: o sol só pode ser apreciado da janela do quarto, e em vez do luar, o solar inspiraria os poetas.
- Que loucura! Mas é sempre tudo uma questão de cultura...Se os primeiros antepassados...
- Pois é, só alguns trabalhariam durante o dia...
- Você seria um desses alguns...
- É?
- Sim, e causaria uma revolução... iria querer revelar a sua maravilhosa descoberta...
- Que descoberta?
- Que o dia é maravilhoso, é um prodígio do mundo, é encantador...E é para ser vivido intensamente, seja ensolarado ou chuvoso... O importante é cada sapo estar bem acordado diariamente...E a noite é para sonhar, amar e repousar...
- É..., acho que eu acabaria com o povo da noite...
- Mas lembre-se, também há os que amam a noite com suas estrelas...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 267

Marciano Vasques

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A CAIXINHA DO TESOURO

- Quando um sapo tem um amor verdadeiro, ele deve zelar por esse amor diariamente...
- Concordo,  mas, por que fala isso, Rospo?
- Pelo fato de que o amor resistiu...
- Do que está falando?
- O amor resistiu aos tempos, continua o mesmo. Sapos e Sapas continuam com o coração sempre em busca desse amor, como  se ele fosse uma relíquia.
- E não é?
- De certa forma sim, o amor é uma relíquia. Um tesouro, que ao ser encontrado deve ser guardado, protegido, com extremo cuidado, numa caixinha de tesouro feita com esmero...
- Caixinha de tesouro?
- Sim, os gestos delicados, as palavras suaves, a compreensão, o diálogo, a tolerância, o respeito, e principalmente o respeito... Respeito pelo outro...
- Entendi, um conjunto de gestos e atitudes compõem a caixinha de tesouro...
- A forma como você trata o seu amor é a própria caixinha de tesouro.
- Falando em amor, você tem um amor, Rospo?
- Sapas são sonhadoras, mas sempre querem respostas concretas... Preciso ir, depois nos veremos.
- Com certeza, sempre teremos um depois. Tchau!, meu amigo.

HISTÓRIAS DO ROSPO - 266

Marciano Vasques

domingo, 3 de outubro de 2010

SAPO SONHANDO SONHO MALUCO

Lá ia o Rospo num entardecer lilás quando encontrou alguns personagens pelo caminho...
- Quem são vocês? - perguntou o anfíbio para uma dupla que passava.
- Eu sou o talento...
- Eu sou a inveja...
- Por que estão juntos? São amigos?
- Não, mas formamos uma dupla inseparável...Se um sapo tem talento, algum outro sente inveja...Onde vai o talento, a inveja acompanha...É triste, mas é assim...
- E vocês? Quem são?
- Sou a determinação, mas pode me chamar de persistência, de luta, sou a senhora iniciativa...
- Eu sou a espera, o marasmo, sou a indecisão...Sou a falta de vontade...
- Já sei, vou chamar um de vencedor e o outro de perdedor... E vocês?
- Eu? Ora! Sou a maior, sou a invencível, comigo é assim: tem que ser do meu jeito. Sou a melhor de todas...
- Eu? Bem, sou a simplicidade, amo as flores, o sorriso, a criança...Fico no meu cantinho, não me julgo melhor do que ninguém, prefiro mais ouvir, dou a palavra para todos...
- Sei, uma é a arrogância e a outra, a sabedoria...
- Rospo! Acorde! Você está sonhando...Adormeceu sob a árvore. Acorde!...
- Sapabela, pode ter sido um sonho, mas que tem um pessoal passeando por aí tem...
- Não sei do que está falando...Mas, que tal um sorvete?
- Sim, vamos, claro, sonhar é bom, muito bom, mas um sorvete colorê ninguém recusa...
- Claro, convite de amizade é pedrinha de brilhante...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 265

Marciano Vasques

sábado, 2 de outubro de 2010

CAJUINA

FERA FERIDA

GENI E O ZEPELIN

ATLÂNTIDA


OUTUBRO


Na minha infância, o lápis já era uma cigarra.

OUTUBRO


Veja AQUI

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E COM ELE RENOVAM-SE AS ENERGIAS...

Outubro chegou! O mês que era oito e agora é 10. E com ele, o grande Outubro, renovam-se as energias e a alegria nos corações dos que acreditam na força da poesia, da amizade, e nas brincadeiras das crianças.


Para Cathia Abreu

OUTUBRO CHEGOU!


OUTUBRO CHEGOU!

Nada melhor do que começar o mês visitando alguns blogs...E aqui está um.

NUM TARDE DE FRIO

Num assobio lá ia o Rospo. Ao seu lado, para completar a calçada, de blusa amarela, flor do entardecer, surge a Sapabela.
Frio de minuano e Rospo acende a conversa.
- Adoro frio.
- Pelo que sei, você gosta do sol...
- Quando não tem sol gosto do frio.
- Gosta da chuva também, Rospo.
- Amo.
- Parece que vive em paz com a natureza.
- Mas sabe que conheço sapo que reclama do frio, até xinga.
- É sapo desabrigado?
- Não, bem abrigado, cachecol, capote...
- Que sapo bobo...
- Uns reclamam do calor, outros, da chuva...
- Bem, enquanto reclamam, reclamam, vamos viver...Veja, Rospo, estou lendo um livro joia...
- Viva! Começou o licor.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 264


Marciano Vasques



CRIANÇA



CRIANÇA NO CORAÇÃO DE OUTUBRO


Outubro se agiganta. É um mês querido. Um de seus dias é especial, e sabemos o motivo.
Elas estão aí: as crianças. Sabemos que o mundo será melhor quando o adulto olhar para a vida com os olhos de criança. Um menino, essa estrutura maravilhosa, rompe mundos e atravessa oceanos e universos com a sua imaginação.
A criança está na cantiga. Se essa rua fosse minha, eu decretava que a prioridade seria a roda de crianças. Já viu crianças brincando ao final do entardecer? Vultos relâmpagos correndo contra a luz do ocaso, dizendo que vale a pena ser levada da breca quando se tem o coração puro...
Precisamos de muito esforço, tenacidade e persistência, para educar os adultos e assim melhorar o mundo. Fala-se tanto em educar as crianças. Sim, para elas devemos transmitir o conhecimento acumulado da humanidade. Mas os adultos sim, precisam de educação. Se fôssemos listar aqui o quanto os adultos precisam melhorar para atingirem a excelência da criança, a lista seria bem longa.
Mas a consciência mundial avança. Sua evolução em espiral não tem retorno, e embora saibamos o quanto a criança é prejudicada pelo adulto, sabemos também que a cada dia cresce a multidão de pessoas com os olhos voltados para a proteção infantil.
Criança fui, numa época diferente. Fui feliz, e muito. Corria solto e livre pelo eucaliptal da vila, rodava numa ciranda de mãos protetoras numa rua larga de gansos e jardins escapando das cercas, ouvia a voz do peixeiro, do vendedor de quebra-queixo, do carvoeiro, e depois, corria desembestado para acompanhar as aventuras do Juvêncio, na Rádio Piratininga. E os gibis? Os fieis companheiros, ao lado do pião de madeira, do trem de latas de óleo que subia a serra e atravessava charcos; os gibis: uma flecha ligeira, um "Espírito que Anda", a me ensinar que "o filho substitui o pai", um Mandrake ensinando-me que a vida é mágica.
Criança do coração, que jamais abandonei.
É incrível que às vezes, quando estou muito cansado, adormeço com a ajuda daquele menino que zarpava verdes, saltava valetas e atravessava bambuzais...
É ele que me vem em companhia quando a vida está mais áspera do que devia, é ele, que ao lado de outras crianças, que hoje por aqui já não correm entre verdes alvoradas e tardes lilases, mas encontram-se diante da parafernália dos eletrônicos ou diante do computador, vivendo horas virtuais, sem saber que um dia outras crianças tantas brincadeiras brincaram que o mundo até podia ser como queria o marinheiro que cruzava os mares com sua família, e quando estava em perigo comia espinafre.
Se para as crianças um dia de outubro é dia de doces, festas, presentes e alegria, para o adulto deveria ser um dia de reflexão.

MARCIANO VASQUES


NO TEATRO FECAP


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