quarta-feira, 18 de maio de 2011

EM MOGI DAS CRUZES

Estive ontem e hoje em Mogi das Cruzes, na Diretoria de Ensino,  realizando oficina de Literatura para os professores do Ensino Médio. Registro aqui o imenso carinho que recebi, tanto dos professores participantes, quanto dos coordenadores das Oficinas Pedagógicas de Língua Portuguesa e de Artes, que acompanharam o evento.

Sentirei saudades!
Marciano Vasques

O MASSACRE DO TER

— Estive pensando uma coisa, Rospo...
— Oba!
— Que euforia é essa?
— Quando você pensa, eu que saio lucrando...
— É mesmo?
— Sim, o seu pensamento aperfeiçoa o meu Ser...
— Obrigado, meu amigo, pois então estive pensando nesses sites de relacionamento...
— Sim, o tal "Adicione, adicione, adicione..."
— Pois é, até que a intenção original era boa, e sincera; acredito nisso...
— Muito bem, Sapabela, qual é então a questão?...
— Penso que esse lance de adicionar amigos como se fossem troféus, e adicionar e adicionar, tem algo que me soa estranho...
— Por que não expõe de uma vez o que está pensando, sem rodeios e sem radicalismo?...
— Muito bem.
— Então fale.
— Essa coisa de ter tantos amigos virtuais a mim parece que tem vinculação com o massacre...
— Massacre?
— É, o massacre do Ter.
— Interessante. O sapo tem e tem e tem... Ele vai aos poucos se tornando um escravo do Ter... Eu tenho, eu tenho mais do que o outro...
— Sim, Rospo, é mesmo o massacre do Ter.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 578
Marciano Vasques

Leia CIANO

O THEATRO VASQUES

O Theatro Vasques, em Mogi das Cruzes, completou recentemente 107 anos de existência.
Quem passar pela cidade de Mogi não pode deixar de visitar esse tesouro da cidade.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

JÁ PASSOU

— Rospo, estou chateada, para falar a verdade, estou bem triste e zangada...
— Zangas melancólicas são preciosidades da alma...Está muito triste, Sapabela?
— Sim, meu amigo.
— Vamos tomar um sorvete?
— Pronto. Já passou.
— Se quiser falar sobre o que causou a sua tristeza...ou sua chateação...
— Chateação é o processo interno de chatear, e chatear é deixar chato...
— Sim, mas, o que aborreceu você?
— Já passou, Rospo. Então uma coisa que ficou lá atrás não pode se valer da minha energia para se fortalecer... Vamos em frente, que o sorvete nos espera. E com ele, nova estação florescerá...
— O inverno?
— Não, a primavera.
— Vai pular o inverno, minha amiga?
— De forma nenhuma.
— Então, como é possível que do outono possa ir direto para a primavera?
— Ora, é fácil. A amizade sincera aquece o coração. A poesia, e tantas conversas boas são as flores... É fácil, bem fácil...
— Muito bem, Sapabela. Vamos então ao sorvete.
— Demorou, Rospo, demorou.
— Demorou só um pouquinho...
— Se vacilar, só tomaremos esse sorvete no verão...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 577

Marciano Vasques
Leia em CIANO

ROSPO NO AEROPORTO É SÓ CONFUSÃO

— Boa tarde, ministro!
— Quem é esse sapo?
— Rospo, senhor, Rospo! E estou tão feliz...
— E a sua felicidade, por acaso me interessa?
— Estou feliz pelo seu patrimônio, senhor.
— Do que está falando?
— Ele aumentou em vinte vezes em poucos anos...
— Por acaso isso lhe diz respeito? Quem pensa que é? Policia do brejo?
— Eu?????????????????????????????????????
— Chamem um segurança! Esse sapo está me atazanando.
— Eu? Policia do brejo? Sou apenas um eleitor... Aquele sujeito lá da urna. Daqui a quatro anos o senhor há de se lembrar dele.
— Você sabia que eu sou um ministro? Posso até prender você por ser enxerido... Por acaso é jornalista disfarçado?
— Já disse, senhor, sou apenas um sapo eleitor... Mas, parabéns pelo seu patrimônio. Quando eu era um sapinho adorava circo...
— E daí?
— Adorava mágica. Era a minha atração preferida...
— Senhor, como é mesmo o seu nome?
— Rospo, senhor, Rospo!
— Olhe, tudo o que eu tenho é fruto do meu trabalho...
— Maravilhoso, ministro. Dobrar o patrimônio eu já considero demais, mas aumentar em vinte vezes em tão pouco tempo. Realmente, o senhor é um grande exemplo...
— O senhor, por acaso, está insinuando que desconfia da minha lisura?
— De forma alguma, ministro, Estou apenas emocionado. Esse povo pessimista do brejo, que só trabalha e trabalha deveria se espelhar em seu exemplo... O senhor é o maior exemplo de inteligência e de esforço próprio... Já pensou em escrever um livro contando a sua histõria? Poderia dar o título de "Vinte vezes em Poucos anos"... Seria um best seller...
— Não amole, Sapo. Vou entrar no avião... Adeus!
— Se quiser começar a sua fortuna como amolador, de tesoura, de faca, acredite, será um fracasso, pois sempre ouvirá alguém dizendo "Não amole!"  Ei, ministro! Ei, ministro!
— O que você quer, sapo?
— O seu autógrafo...
— Vá pro seu brejo, Sapo... E me deixe em paz.
— Adeus, senhor. Escreva o livro, será um sucesso.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 576
Marciano Vasques
Leia CIANO

CHAMPANHE NA TAÇA DE OURO

— Sapabela, sabia que tem sapa que sonha dia e noite em brilhar na alta sociedade?
— Fale, Rospo, estou muito curiosa sobre esse assunto...
— Sem esse sorrisinho, Sapabela. Isso é sim muito importante: falar de alguém que só toma champagne em taça de ouro em nossa época é algo que deveria despertar o interesse de todos...
— É verdade, e causa inveja nas concorrentes, por ser mais magra, mais jovem e mais linda... Gasta tanto dinheiro, Rospo!... Uma sapa assim é a demonstração de que o dinheiro é a coisa mais assombrosa do mundo...Tem sapa que gasta numa compra o que um trabalhador levaria uma década para ganhar com o seu suor...
— Sapabela, cada um faz o que quer com a sua vida e a sua consciência...
— E o seu dinheiro...
— Tem sapa que se sair sem um brilhante pendurado sente-se pelada.  Você já sonhou em brilhar na sociedade, Sapabela?
— Rospo, eu sou fascinada pelas coisas que brilham para mim...
— Fale sobre pelo menos uma delas, minha amiga.
— São coisas que nenhum dinheiro pode comprar...
— Dê um exemplo...
— A poesia, pois como bem sabe, nenhum dinheiro poderá comprá-la. É por isso que ela vive para sempre e resiste ao tempo...Uma poesia é para sempre. Veja só, uma socialite pode comprar apartamentos, joias, aviões, pode até comprar todas as livrarias da cidade, e todos os volumes de poesias e costurar cada um com ouro, mas a poesia, isso ela não comprará...
— Bravo, minha jovem. A vida é tão imensa e ao mesmo tempo tão curta.
— É curta em sua jornada, em sua passagem, mas é imensa porque pode ser vivida intensamente... Porém isso requer arte, a arte da simplicidade...Eis algo que o dinheiro não compra, a simplicidade...
O que significa essa loucura de querer brilhar na sociedade a todo o custo, Rospo?
— Significa que o sapo ou a sapa é dirgido por uma patologia da alma, uma disfunção, uma deformação, uma anomalia...
— E o dinheiro não cura isso?
— Não, Sapabela. A sapa já está cravejada de brilhantes que ofuscam o seu pensar, e não tem retorno. Para retornar, teria que redescobrir a beleza das coisas simples que passam, simples como uma flor, mas como uma flor para se mostrar simples é formada pela mesma complexidade universal que está presente em tudo... ela  não terá mais o alcance do retorno... Já foi arrastada pelo dinheiro na correnteza rio abaixo...
— Rospo, que triste! Como uma socialite é pobre!
— É o grau zero da pobreza...
— Meu amigo, tudo bem, mas cada um faz o que quer da sua vida. Cada um traça os seus próprios objetivos na vida. Se uma sapa se realiza tomando champanhe em taça de ouro...
— Concordo, Sapabela...Mas... Uma taça de ouro com champanhe... nas mãos... será apenas isso.
— Será que uma sapa assim irá sentir inveja de mim, Rospo? 
— Creio que não, Sapabela. Você está cravejada de brilhantes, mas esses brilhantes são internos, estão em sua alma, em seu coração, e como são internos, ela não conseguirá ver. Fique tranquila. Você está livre da inveja dela...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 575
Marciano Vasques
Leia CIANO

MULHER

"Empresa boa e mulher bonita não quebram. Trocam 
de proprietário"

Val Marchiori

domingo, 15 de maio de 2011

BANHO DE LUAR

— Seria tão bom falar apenas de amor... Tomar um banho de romantismo, que só o luar pode assim nos banhar...
— E por qual motivo não pode ser assim, Sapabela? Sapos e sapas se amam como sempre se amaram, com a condição de que com o passar do tempo, esse amor vai se aperfeiçoando... E cá entre nós, quem já teve o tórax impregnado de boleros não escapa mais disso... O Sapo sabe que só tem uma forma de caminhar, é ao lado da sapa... O resto é descuido, desajuste... Qual o problema? Pois quero mesmo me banhar no romantismo... Que afinal, torce e retorce mas não nos deixa... E aqui vai um toque: é bobagem querer resistir... Ainda não inventaram nada melhor...
— Mas é que estão acontecendo coisas estranhas aqui no brejo... Será que ela, a loucura quer estabelecer o seu reino de vez?
— Que coisas?
— Ministro recebendo diárias nos finais de semana, deputado se hospedando em condomínio de luxo e pagando com o dinheiro público...Essas coisas, Rospo, elas nos confundem... Será que somos nós os loucos, por agirmos corretamente?
— Tem razão, Sapabela, sei como se sente... E ainda mais que os valores estão trocados, confusos...
— Um exemplo...
— Artistas musicais assinando contratos milionários para divulgar bebida alcoólica...
— Mas a sociedade está evoluíndo, coisas boas estão acontecendo... Está tendo avanços... Porém, claro que precisaríamos de um cuidado maior, pois jamais deveríamos nos esquecer que quatro gerações convivem ao mesmo tempo...
— É verdade: o sapinho, o juvenil, o adulto médio, e o idoso...
— Pelo menos as crianças poderiam ser poupadas...
— Sapabela, vamos esquecer por um momento essas coisas? A noite solicita um sorvete...
— Então vamos aceitar o convite do luar...
— Ter amizade é uma forma de namorar...
— É?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 574
Marciano Vasques
Leia CIANO

JAMELÃO

ANGELA LEITE

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 Veja a entrevista de Angela Leite em 
CALEIDOSCÓPIO...




 Leia AQUI

A CANTORA

APELO

INTERESSA

O BRASIL DO FOLHETIM

O BRASIL DO FOLHETIM




Alguns homens perceberam no século XIX que não dava para fazer de conta que não existia a presença da mulher na vida pública, e lançaram O ESPELHO DIAMANTINO, em 1826, o primeiro periódico exclusivamente para mulheres.

A VOZ DO ESCRITOR

"O nacionalismo é uma das piores formas de fanatismo e da estupidez humana, pois promoveu um derramamento de sangue tão intenso como fizeram as religiões ao longo dos séculos."

Mario Vargas Llosa

A CANTORA

A LITERATURA...

"A ficção tem a sua própria realidade"

Mario Vargas Llosa

sábado, 14 de maio de 2011

PARA A SAPABELA

Esta fotografía es para minha querida 
sapita Sapabella.

 Montserrat
Espanha 
 

O POETA

FELICIDADE!

A DOR DA SAUDADE

POESIAS EMBANDEIRADAS

— Rospo! Que saudades!
— Eu também, Sapabela!
— A amizade, Rospo. Não a deixe..,
— Jamais faria isso, Sapabela. Apenas às vezes fico quieto... Mas veja o meu frogblog...
— O que tem ele?
— Não tenho respondido aos comentários, todavia estou acompanhando com o coração...
— As dores estão embandeiradas...
— Então haverá uma festa junina com milhões de estrelas brilhando num lindo azul noturno, com fogueiras erguidas ao redor...
— Cada fogueira é um coração. O meu é o primeiro a ser aceso... E quero lápis de luz, fósforos de cor....Só não quero...que os olhos segurem lágrimas que precisam rolar...E entendo que dores embandeiradas podem ser poemas que arranquem a alma pelo verso...
— Eu necessito dos poetas...
— Não seria melhor ir ao cinema, Rospo?
— Sim, o cinema nos devolve um pouco da harmonia... Vamos comigo?
— Já estou lá, Rospo!
— Você é uma amiga imensa...
— Rospo, vamos embandeirar o riso e o brilho em cada olhar...
— Sapabela, vamos valsar numa noite de cinema... E sabe o que andei pensando?
— Não.
— Que um dia o cinema não terá teto...Nem paredes... quando for em noites claras de luar...
— Rospo, eu falei do cinema, mas sei que aquela poesia que não sossega estará num feixe de bandeirinhas tremulando ao vento...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 573
Marciano Vasques
Leia CIANO

NEM AS PAREDES CONFESSO

ROBERTA SÁ E ANTONIO ZAMBUJO

A MORENINHA

— Mas, minha avó, até o dia de hoje não me supus boneca. 

Trecho da obra A MORENINHA

MENINO BANDEIRA

PASÁRGADA

PASÁRGADA: UTOPIA DA VIDA QUE PODERIA



“Estrela da vida inteira.

Da vida que poderia 

Ter sido e não foi. Poesia,

Minha vida verdadeira.”
MANUEL BANDEIRA

MENINA LIS

MULHERES DE CLARICE

MULHERES DE CLARICE



Emigra para o Brasil em 1921 a família Lispector. Entre os membros uma criança de um ano de vida.

O SAPO QUE SABIA TUDO

"— Viver o encanto do aprendizado, poder olhar o mundo com olhos de descobrir, mas sou aquele que sabe tudo,  e por isso a vida perdeu a graça. 
-— Pobre amigo, eu ofereço a minha amizade. Como todas as amizades verdadeiras, ela pode curar a sua tristeza.
— É mesmo?
— Ué!  Você  não sabia?"

Trecho de uma história do Rospo enviada por uma leitora

MORENINHA

O TROVADOR E A GANGORRA

O TROVADOR E A GANGORRA



Mesmo numa noite de trovões tudo seria silêncio e treva dentro dele se não estivesse ocupado a produzir uma trova.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

BRANCA

O ALIENISTA EM CORDEL




BODEGA DO BRASIL

NA IGREJA DA CONSOLAÇÃO

NA BIBLIOTECA NACIONAL

PERGUNTAS QUE NÃO SE CALAM

—Sapabela!
— Rospo!
— Tomei conhecimento de que o ministro vai devolver a grana que recebeu indevidamente, as tais diárias de final de semana...
— Bravo!
— Gostou, minha sapinha?
— Louvável!
— Adoro quando você fica satisfeita...
— Tem alguma outra notícia boa?
— Aquele deputado que foi visitar os parentes...
— O que tem ele?
—Vai devolver aos cofres públicos o dinheiro das diárias no condomínio de luxo...  que ele usou...
— Bravo!
— Bom, não é?
— Louvável!
—Sapabela, você me deixa feliz... O seu contentamento...
— Mas tem uma pergunta que não quer calar, Rospo.
— Nenhuma pergunta quer calar, Sapabela, nunca quis... A pergunta, em si, já é um voto contra o silêncio e a estagnação mental... Mas, fiquei curioso. Qual é essa pergunta que também não quer calar?
— Boa pergunta a sua, Rospo.
— Então, responda.
— Se não tivesse sido revelado pela imprensa, eles devolveriam esses gastos  e esses ganhos?
—Realmente, essa pergunta é impertinente... Essa jamais se cala, não é?
— Você poderia me responder?
— Eu???


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 572
Marciano Vasques

Leia em CIANO

ENCONTROS NO AEROPORTO

— Boa tarde!
— Quem é você?
— Sou o Rospo. Prazer.
— Eu não o conheço, por favor, com licença...
— É a primeira vez que eu converso com um banqueiro...
— Nós não estamos conversando... Meu voo está atrasado...
— Adora voar, senhor?
—Sim, adoro voar, ficar bem lá nas alturas, nas nuvens...
— Nas nuvens?
— Qual o motivo do espanto?
— Os juros, senhor, os juros!
—O que tem eles?
— Estão nas nuvens...
— O senhor quer fazer algum empréstimo?...
 — Estou apenas dialogando, não precisa querer me afundar...
— Pensando bem, vou chamar um segurança...
 — Já vou indo, já vou indo....
— Quem deixou esse sapo entrar no aeroporto?
— Por que os juros são tão altos?
— Não amole!
— Sempre dizem isso. Se eu fosse um amolador de tesouras, por exemplo, iria morrer de fome...
— Passar bem.
— Por que os juros estão tão altos? Espere! Não se vá! Nem falei o meu nome. É Rospo! Que coisa!... Não está mais ouvindo...

E Rospo fica a contemplar o avião e a pensar...

— " Tanto lucro, tanto lucro. Isso é um disparate. Uma insensatez... Eu só queria saber como foi possível isso acontecer..."

HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 571
Marciano Vasques
Leia CIANO

TUDO PELA ROSA

— Como a roseira tem espinhos, Rospo!
— Acredite, Sapabela. Os espinhos não são um enfeite da natureza...
— Espinho tem função?
— A rosa é uma rainha, Sapabela. Os espinhos são a sua proteção...
— Já falou isso certa vez...
— Es espinhos protegem a rosa, fazem a sua defesa... Eles estão no caule para impedir que a rosa seja alcançada, pois é preciso proteger a rainha das flores...
— Os espinhos protegem e defendem a delicadeza? Defendem a beleza?
— Nada é por acaso na natureza, minha amiga. Veja só, nós, os sapos, temos barba...
— Nem todos, não é, Rospo?
— A barba é para proteger o rosto do sapo das agruras, das intempéries, da força rústica da vida... Mas não gostei do seu risinho, Sapabela. Por acaso está insinuando que não tenho barba? Não reparou sequer um fiozinho?
— Veja o que eu trouxe, Rospo.
—O que é isso? Uma lupa?
— Exatamente. Ando sempre prevenida.
— Para que a luva, Sapa?
— É como se eu tivesse adivinhado que hoje teria que procurar uma barba.
— Já me dei conta, Sapabela. Quem tem amigos tem tudo...Não me faça rir, ou melhor, faça.
— Rospo, você quer a rosa?
— Todos sempre querem a rosa.
— Então, Rospo, prepare-se, pois sempre encontrará os espinhos no caminho...
— Que venham os espinhos! Quem tem a rosa no coração, é como um Tristão.
— Explique isso, Rospo.
— Vai atravessar mares, rasgar países, percorrer terras, enfrentar vendavais e temporais, tudo pelo seu amor...
— Pois é, a rosa virou Isolda...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 570
Marciano Vasques
Leia CIANO


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