—Pra regozijo pequeno vale a pena não.
—Essa voz!
—Só vale para alegria imensa.
—Rospo!
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
sábado, 26 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
MANEQUIM
MANEQUIM
Manequim, olhe pra mim!
Você não sente raiva nem dor,
Alegria, temor...
Não fica triste nem chora assim.
Não faz pergunta nem incomoda.
Não leva bronca nem cara feia.
E ainda veste roupa da moda
—Bonito blazer, bonita meia.
Não sente fome nem faz pirraça.
Nem tem nome e nem insiste.
Pensando bem, você não tem graça.
Acho até que nem existe!
Não faz sequer xixi na cama.
Não tem irmão para brigar.
Não sofre e nem reclama.
Não salta, não cai. Nem sabe escorregar!
Parece até zombar de mim!
Chamando mais a atenção
Do que um menino triste assim,
Parado no calçadão.
Esta vitrine toda sua,
Recebe chuva de olhares.
Dos que vão na rua,
De volta aos seus lares...
Nunca tem nada a dizer.
Não pisca nem lágrimas tem.
Você não é pra valer.
É um boneco. Não é ninguém.
Desconhece o que é dar valor.
Seus olhos não ardem na poluição.
Mas eu só peço um favor:
—Não me abandone na solidão!
Marciano Vasques
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PALAVRAS AZUIS 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
ALFABETIZAÇÃO DE SI
—Sapabela!
—Rospo! Que bom que ligou! Alguma novidade, além do frio?
—Está mesmo um pouco frio. Sapabela, que tal se fôssemos...
—Eu topo!
—Que rápidez!
—Você passa em meu portão?
—Já estou indo!
—Vou só pôr um vestidinho lilás e...
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Rospo! Pare com isso!, e venha logo. Esqueci de perguntar: aonde iremos?
—Esqueci de perguntar também. Mas, que tal um licor assim de anis, afinal o frio entardece inspirado...
—Pode vir, que quando chegar já estarei no portão.
****
—Rospo!
—Linda! Vamos, que o frio pede uma caminhada. A padaria Rubi deve estar repleta de luzes...
—Rospo, estive pensando: um sapinho é batizado com a palavra do mundo, e nela, ele encontra a poesia, que estará sempre piscando para ele, que se tiver as condições e as circunstâncias adequadas, poderá tê-la em si como a testemunha mais sagrada de seu batismo poético tal como sussurram as vozes do tempo...
—Por isso gosto do frio. A alma se busca e rebusca em seus próprios recursos... Prossiga.
—Depois, o sapinho cresce, e precisa colher as sementes da poesia na chuva, nas deslizantes gotas da vidraça, no som dos grilos, nos laçarotes do luar e no chamamento das estrelas.
—Vai fundo, Sapabela!
—Eu?
—Faça-me rir.
—Pois bem, a luta será terrível e gigantesca a vida inteira, pois o que é a vida senão luta? Por isso o sapo precisa aprender a organizar o lazer. Esse será o seu aprendizado de uma vida inteira...
—Essa coisa de "Uma vida inteira" está me fazendo pensar em Manuel Bandeira...
—Esses caras estarão sempre presente, se você se descuida está roçando em Guimarães Rosa... Em Manuel Bandeira, em...
—Prossiga, minha nega...
—Como é lindo isso!, como é amoroso esse "Minha nega"!... Adoro isso, essa face da história amorosa do Brejo...
—Prossiga.
—Pois bem, a chuva, a delicadeza, a oportunidade de observar as coisas que repousam, que se perdem, que estão ao redor, em todas as partes, e o sorriso de uma criança, o olhar da companheira, a palavra serena do amigo, a gentileza, a ternura, o giz, os corações de gizes por esses sertões afora, a poesia latente, as mais doces canções, as cantigas nas vozes suaves da infância, as amizades, em cada a amigo o trago, e o trigo a nos lembrar do campo, dos canaviais, e Roberto Piva, e Eugénio de Andrade, e tudo isso, Rospo, tudo isso...
—Sim, Sapabela?
—É a alfabetização de si.
—Alfabetização de si?
—Sim, a partir do batismo poético no riacho das águas da palavra do mundo, o sapo tem que se preparar a vida inteira para alfabetizar o mundo, fazer jorrar através de si a força generosa da poesia...
—E então?
—Então, a partir da observação e da assimilação ou da escolha do que é para si a poesia, que é o grau primeiro da liberdade, então, a partir do que é simples, e que a vida oferece com ternura, como o bolo preparado com carinho e seu aroma invadindo as ruas dos vilarejos mais distantes, e também a flor que enfeita o cabelo da menina e a amizade sincera, a partir dessas coisas, com certeza o sapo está efetuando, isto é, rasgando o seu peito e abrindo o seu coração para a alfabetização de si, que é o princípio generoso de tudo.
—Sapabela, você é uma amplitude que não posso resistir...
—Como assim?
—Além da sua presença, a presença do que através de você me ensina...
—Rospo! Chegamos!
—Viva! Sapabela, lindo seu vestidinho...
—Fico feliz que tenha gostado...
—Essas nuances verdes, uma beleza...
—Espere um pouco amigo!: nuance verdes? O que está vendo de verde sou eu. O vestidinho é lilás...
—É mesmo! Bem, chegamos, viva a padaria Rubi! Viva o licor de anis! E viva a sua conversa... Vou levá-la comigo, pois assim que tem que ser: uma conversa boa de um amigo é presente que se leva para casa.
—Rospo, obrigado por ser meu amigo.
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Sem escarcéu, por favor!
ROSPO 2013 — 849
Marciano Vasques
—Rospo! Que bom que ligou! Alguma novidade, além do frio?
—Está mesmo um pouco frio. Sapabela, que tal se fôssemos...
—Eu topo!
—Que rápidez!
—Você passa em meu portão?
—Já estou indo!
—Vou só pôr um vestidinho lilás e...
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Rospo! Pare com isso!, e venha logo. Esqueci de perguntar: aonde iremos?
—Esqueci de perguntar também. Mas, que tal um licor assim de anis, afinal o frio entardece inspirado...
—Pode vir, que quando chegar já estarei no portão.
****
—Rospo!
—Linda! Vamos, que o frio pede uma caminhada. A padaria Rubi deve estar repleta de luzes...
—Rospo, estive pensando: um sapinho é batizado com a palavra do mundo, e nela, ele encontra a poesia, que estará sempre piscando para ele, que se tiver as condições e as circunstâncias adequadas, poderá tê-la em si como a testemunha mais sagrada de seu batismo poético tal como sussurram as vozes do tempo...
—Por isso gosto do frio. A alma se busca e rebusca em seus próprios recursos... Prossiga.
—Depois, o sapinho cresce, e precisa colher as sementes da poesia na chuva, nas deslizantes gotas da vidraça, no som dos grilos, nos laçarotes do luar e no chamamento das estrelas.
—Vai fundo, Sapabela!
—Eu?
—Faça-me rir.
—Pois bem, a luta será terrível e gigantesca a vida inteira, pois o que é a vida senão luta? Por isso o sapo precisa aprender a organizar o lazer. Esse será o seu aprendizado de uma vida inteira...
—Essa coisa de "Uma vida inteira" está me fazendo pensar em Manuel Bandeira...
—Esses caras estarão sempre presente, se você se descuida está roçando em Guimarães Rosa... Em Manuel Bandeira, em...
—Prossiga, minha nega...
—Como é lindo isso!, como é amoroso esse "Minha nega"!... Adoro isso, essa face da história amorosa do Brejo...
—Prossiga.
—Pois bem, a chuva, a delicadeza, a oportunidade de observar as coisas que repousam, que se perdem, que estão ao redor, em todas as partes, e o sorriso de uma criança, o olhar da companheira, a palavra serena do amigo, a gentileza, a ternura, o giz, os corações de gizes por esses sertões afora, a poesia latente, as mais doces canções, as cantigas nas vozes suaves da infância, as amizades, em cada a amigo o trago, e o trigo a nos lembrar do campo, dos canaviais, e Roberto Piva, e Eugénio de Andrade, e tudo isso, Rospo, tudo isso...
—Sim, Sapabela?
—É a alfabetização de si.
—Alfabetização de si?
—Sim, a partir do batismo poético no riacho das águas da palavra do mundo, o sapo tem que se preparar a vida inteira para alfabetizar o mundo, fazer jorrar através de si a força generosa da poesia...
—E então?
—Então, a partir da observação e da assimilação ou da escolha do que é para si a poesia, que é o grau primeiro da liberdade, então, a partir do que é simples, e que a vida oferece com ternura, como o bolo preparado com carinho e seu aroma invadindo as ruas dos vilarejos mais distantes, e também a flor que enfeita o cabelo da menina e a amizade sincera, a partir dessas coisas, com certeza o sapo está efetuando, isto é, rasgando o seu peito e abrindo o seu coração para a alfabetização de si, que é o princípio generoso de tudo.
—Sapabela, você é uma amplitude que não posso resistir...
—Como assim?
—Além da sua presença, a presença do que através de você me ensina...
—Rospo! Chegamos!
—Viva! Sapabela, lindo seu vestidinho...
—Fico feliz que tenha gostado...
—Essas nuances verdes, uma beleza...
—Espere um pouco amigo!: nuance verdes? O que está vendo de verde sou eu. O vestidinho é lilás...
—É mesmo! Bem, chegamos, viva a padaria Rubi! Viva o licor de anis! E viva a sua conversa... Vou levá-la comigo, pois assim que tem que ser: uma conversa boa de um amigo é presente que se leva para casa.
—Rospo, obrigado por ser meu amigo.
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Sem escarcéu, por favor!
ROSPO 2013 — 849
Marciano Vasques
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ROSPO 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
O AMIGO DAS COISAS
Rospo encontra um colega.
—Como vai, Sapoter?
—Estou pensando em comprar um carro.
—Outro?
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ROSPO 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A PROPAGANDA É A ALMA DA ÉPOCA
Propaganda é a alma do negócio. E é a alma da época. Essa segunda afirmativa inventei nos velhos idos.
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CASA AZUL DE PALAVRAS
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
A CARTILHA DO AMOR
—Com licença, senhora!
—Eu o conheço, Sapo?
—É Rospo o meu nome.
—E daí?
—Eu o conheço, Sapo?
—É Rospo o meu nome.
—E daí?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 5 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
AS GARATUJAS DA SAPINHA
—Sapabela! Sei que adora pintura e é uma grande apreciadora da arte, mas não entendi esse quadro.
—Qual, Rospo?
—Qual, Rospo?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
ANUNCIANDO A DESINTOXICAÇÃO
—Desintoxicar a alma. Urgente! Nova modalidade: 2013.
—Rospo, aonde está indo com essa tabuleta? Por acaso está vendendo algum produto? Algum elixir? Um livro novo?
—Não estou vendendo nada, Sapabela. Estou apenas anunciando...
—Desintoxicação da alma? O que é isso?
—Rospo, aonde está indo com essa tabuleta? Por acaso está vendendo algum produto? Algum elixir? Um livro novo?
—Não estou vendendo nada, Sapabela. Estou apenas anunciando...
—Desintoxicação da alma? O que é isso?
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
AGUARDANDO A VIRADA
—Rospo!
—Sapabela! Que alegria! Hoje é o último dia do ano! Vamos começar logo cedo a comemorar?
—Estou com você, Rospo.
—Sapabela! Que alegria! Hoje é o último dia do ano! Vamos começar logo cedo a comemorar?
—Estou com você, Rospo.
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domingo, 30 de dezembro de 2012
NO ÚLTIMO DOMINGO DO ANO
—Rospo, cá estamos no último domingo do ano.
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Que alegria, meu querido!
—Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Que alegria, meu querido!
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
TRANSLAÇÃO E ANISETE
—Rospo! Uau! Quase chegando!
—Sim, a translação maravilhosa, pois é de maravilhas que falamos. Adoro o verbo "falar". É a fálica ação fecundante da voz no mundo.
—E o verbo sempre esteve no princípio de tudo, desde que o mundo foi batizado pela palavra. Mas, prossiga...
—Sim, a translação maravilhosa, pois é de maravilhas que falamos. Adoro o verbo "falar". É a fálica ação fecundante da voz no mundo.
—E o verbo sempre esteve no princípio de tudo, desde que o mundo foi batizado pela palavra. Mas, prossiga...
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
CONVERSINHA DE NATAL
—Rospo! Que alegria!
—Sapabela! Que saudades!
—Por onde tem andado, amigo? No Natal do ano passado as nossas conversas transbordaram nos encontros luzificados pelas guirlandas e os afetos... Neste Natal vou sumiu!
—Sapabela! Que saudades!
—Por onde tem andado, amigo? No Natal do ano passado as nossas conversas transbordaram nos encontros luzificados pelas guirlandas e os afetos... Neste Natal vou sumiu!
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
SOBRE A REVOLUÇÃO DIGITAL
—Sapabela!
—Rospo! Está bem?
—Estou.
—Meu caro, você é muito transparente. Só é verde na aparência, mas por você passam os raios solares e as luzes da alegria, e também...
—Sapabela, tudo bem, mas não precisa exagerar. Sou apenas um sapo...
—Rospo! Está bem?
—Estou.
—Meu caro, você é muito transparente. Só é verde na aparência, mas por você passam os raios solares e as luzes da alegria, e também...
—Sapabela, tudo bem, mas não precisa exagerar. Sou apenas um sapo...
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
O PROVÉRBIO DA SAPARACI
—Sapabela, festejando a vida agora estou.
—Rospo, o que aconteceu de bom?
—Encontrá-la. É verdade! Encontrar uma amiga tão necessária na condução do fio da vida conversadeira é só o que eu mais queria nesta sexta... Hoje é sexta, viva! Ninguém é de ninguém, mas alguns são do amor... Sapabela?...
—Diga, meu anjo.
—Você está light.
—Rospo, o que aconteceu de bom?
—Encontrá-la. É verdade! Encontrar uma amiga tão necessária na condução do fio da vida conversadeira é só o que eu mais queria nesta sexta... Hoje é sexta, viva! Ninguém é de ninguém, mas alguns são do amor... Sapabela?...
—Diga, meu anjo.
—Você está light.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012
VALSANDO NUM SONHO
—Sapabela, quero ofertar uma canção a você.
—Que bom, Rospo! Uma canção é essencialmente necessária para facilitar o ajuste dos sentires e dos sonhares.
—Meu coração, bem sabe, mora numa caixa de bombons, e sonha numa valsa do tempo.
—Prefiro conferir.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
VALORES INESTIMÁVEIS
—Sapabela, pena que tantas conquistas maravilhosas da tecnologia às vezes surgem à custa de muitas necessidades que são relegadas.
—Verdade, amigo. O pior é quando uma dessas conquistas supera e soterra os anteriormente intocáveis valores do pensamento humanista do sapo.
—Verdade, amigo. O pior é quando uma dessas conquistas supera e soterra os anteriormente intocáveis valores do pensamento humanista do sapo.
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domingo, 9 de dezembro de 2012
SOBRE PERDAS E PERDÕES NOVAMENTE
—Rospo, fale sobre o perdão.
—Como diz o nome, é uma perda imensa, enorme, um perdão.
—Como diz o nome, é uma perda imensa, enorme, um perdão.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
domingo, 2 de dezembro de 2012
NO CAMINHO DA PADARIA RUBI
—Rospo!
—Sapabela, toda florida!... Que bonito vestido. Saudades!
—Eu também, meu amigo. Tomei uma garapa geladinha e pensei em você...
—Por causa da cor verde da garapa?
—Não! Por causa de nossas conversas, a doçura que elas destilam...
—Sapabela, toda florida!... Que bonito vestido. Saudades!
—Eu também, meu amigo. Tomei uma garapa geladinha e pensei em você...
—Por causa da cor verde da garapa?
—Não! Por causa de nossas conversas, a doçura que elas destilam...
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A DESEJABILIDADE DO TEXTO
—Sapabela, luz florida!
—Que empolgação, Rospo! Parece que está feliz...
—Estou, nega. Estou diante da desejabilidade, nela me debrucei manhã afora...
—Manhã afora eu gostei.
—Que empolgação, Rospo! Parece que está feliz...
—Estou, nega. Estou diante da desejabilidade, nela me debrucei manhã afora...
—Manhã afora eu gostei.
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sábado, 24 de novembro de 2012
QUESTÃO AMBIENTAL
FINALMENTE SÃO PAULO TEM A SOLUÇÃO PARA A GRAVE QUESTÃO DA POLUIÇÃO DOS RIOS:
"Se Genoíno cair no Rio Pinheiros, é capaz de purificá-lo em dez minutos, dada sua pureza"
Deputado VICENTE CÂNDIDO
DEPUTADO FEDERAL
"Se Genoíno cair no Rio Pinheiros, é capaz de purificá-lo em dez minutos, dada sua pureza"
Deputado VICENTE CÂNDIDO
DEPUTADO FEDERAL
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FALARAM
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A MAIS FEIA POBREZA DO MUNDO
—Sapabela, totalmente feliz hoje?
—Que me dera!
—Quem me dera rima com quimera.
—E o que isso tem?
—Que me dera!
—Quem me dera rima com quimera.
—E o que isso tem?
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domingo, 11 de novembro de 2012
NA BOCA DA NOITE
— eeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Repita, querida.
—eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Que alegria é essa, Sapabela?
—Estamos na boca da noite do domingo.
—Repita, querida.
—eeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Que alegria é essa, Sapabela?
—Estamos na boca da noite do domingo.
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sábado, 10 de novembro de 2012
O ADEUS É EDIFICADO
—Rospo! Hoje é sábado! Viva!
—Yupiiii!
—Yá!
—Yupiiii!
—Que me conta de novidade, querido amigo?
—Sapabela, a doçura da alma é a garapa essencial.
—Yupiiii!
—Yá!
—Yupiiii!
—Que me conta de novidade, querido amigo?
—Sapabela, a doçura da alma é a garapa essencial.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
A INESGOTÁVEL FONTE QUE ACABA
—Rospo! Sexta-feira!
—Maluquinha? Hoje é quarta, ainda.
—É mesmo! Eu sempre me esqueço. E então? Alguma novidade?
—Tenho uma charada.
—Maluquinha? Hoje é quarta, ainda.
—É mesmo! Eu sempre me esqueço. E então? Alguma novidade?
—Tenho uma charada.
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domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
O PORTO E A ARTE
—Como vai, meu bem?
—Rospo! Que saudades! Agora o sábado cresceu... Nada mais enevoado. Por onde andou? Como vai?
—Sapabela, vamos até a Rubi? Só para olfatar o aroma do pão. A alvorada ficará aromatizada com a poesia...
—Rospo! Que saudades! Agora o sábado cresceu... Nada mais enevoado. Por onde andou? Como vai?
—Sapabela, vamos até a Rubi? Só para olfatar o aroma do pão. A alvorada ficará aromatizada com a poesia...
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
O JARDIM E A AREIA MOVEDIÇA
—Rospo! Vamos abrir a semana?
—Vamos! Um chocolate com menta, pode ser?
—Uau! Vamos lá. E então, que me diz de novo?
—Uma rara descoberta.
—Vamos! Um chocolate com menta, pode ser?
—Uau! Vamos lá. E então, que me diz de novo?
—Uma rara descoberta.
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
A NOITE DAS NOVIDADES
—Alô, Sapabela?
—Rospo! Você ligou!
—Está trovejando muito, um temporal está desabando.
—Tenho até receio de chegar perto da janela, por causa dos relâmpagos, fico pensando no quanto os relâmpagos encantaram nossos antigos. Tem alguma novidade, amigo?
—O movimento de translação prossegue... As estrelas explodem na mais infinita profundeza do universo...
—Que mais?
—Em alguns lugares está nevando, em outros um sol latente, em alguns vilarejos é noite enluarada, em outros, é calor de querer praia...
—Que mais?
—Há mesmo uma sincronicidade em tudo. A vida latejante pulsa no gafanhoto saltitante e a ventania desenha a sua valsa na verde fotossíntese das folhas. Uma criança sorri e o seu sorriso faz desabrochar a alegria nos corações...
—Rospo, essas são as novidades?
—Sim, há uma ligação forte em tudo o que acontece na imensidão. O azul da noite, as águas que se agitam, os pirilampos, as sapas que caminham nas calçadas em busca dos sonhos perdidos, os sapos que desaprenderam de sonhar por conta da ausência atrofiada da poesia e das fábulas... As necessidades travam batalhas com o prazer além das constelações e da suavidade do vento que diz que ele é a força imperceptível numa insondável noite de domingo...
—Quantas novidades, amigo! Tem alguma que considera maior?
—Sim, nalgum canto do planeta um sapo telefona para a sua amiga.
—No exato momento em que tudo acontece.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 835
Marciano Vasques
—Rospo! Você ligou!
—Está trovejando muito, um temporal está desabando.
—Tenho até receio de chegar perto da janela, por causa dos relâmpagos, fico pensando no quanto os relâmpagos encantaram nossos antigos. Tem alguma novidade, amigo?
—O movimento de translação prossegue... As estrelas explodem na mais infinita profundeza do universo...
—Que mais?
—Em alguns lugares está nevando, em outros um sol latente, em alguns vilarejos é noite enluarada, em outros, é calor de querer praia...
—Que mais?
—Há mesmo uma sincronicidade em tudo. A vida latejante pulsa no gafanhoto saltitante e a ventania desenha a sua valsa na verde fotossíntese das folhas. Uma criança sorri e o seu sorriso faz desabrochar a alegria nos corações...
—Rospo, essas são as novidades?
—Sim, há uma ligação forte em tudo o que acontece na imensidão. O azul da noite, as águas que se agitam, os pirilampos, as sapas que caminham nas calçadas em busca dos sonhos perdidos, os sapos que desaprenderam de sonhar por conta da ausência atrofiada da poesia e das fábulas... As necessidades travam batalhas com o prazer além das constelações e da suavidade do vento que diz que ele é a força imperceptível numa insondável noite de domingo...
—Quantas novidades, amigo! Tem alguma que considera maior?
—Sim, nalgum canto do planeta um sapo telefona para a sua amiga.
—No exato momento em que tudo acontece.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 835
Marciano Vasques
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
UM LONG PLAY E ALGO MAIS
—Rospo! Manhã chuvosa! Viva! Yapo!
—Sapabela, que linda! Está indo à padaria Rubi?
—Sim, buscar o sonho da manhã. Sempre me ponho a pensar no que você disse certa vez, Rospo: Que um sapo precisa apenas de um Long Play em sua vida.
—Sapabela, que linda! Está indo à padaria Rubi?
—Sim, buscar o sonho da manhã. Sempre me ponho a pensar no que você disse certa vez, Rospo: Que um sapo precisa apenas de um Long Play em sua vida.
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sábado, 13 de outubro de 2012
O BEIJO GIGANTE
—Rospo! É sábado!
—Já é noite de sábado, amiga.
—E então?
—Poderíamos ir até a...
—É pra já!
—Nem falei!
—Vou me aprontar em um minuto, meu querido.
—Isso não existe.
—Rospo, sempre vale a pena esperar.
—É verdade, bobo o sapo que ainda não aprendeu isso.
—Vou desligar.
—Até logo mais.
Breve estão os dois caminhando numa calçada.
—Estou tão feliz, Rospo!
—Eu também, e a noite está fria. Isso é melhor ainda, pois inspira um licor de anis.
—Sabe, Rospo, estive pensando no beijo gigante.
—Que beijo gigante, bela?
—Às vezes, recebemos um beijo gigante e nem nos damos conta.
—E como é esse beijo gigante?
—É o beijo da consciência, e também o beijo da Poesia. Esse beijo é um estalar em nós, um toque repentino, uma luz breve a nos chamar. Somos filhos da alvorada, sempre, e a vida se renova a cada dia, a cada noite. Pobre do sapo que se esqueceu das estrelas... Desse manto bordado para nos regalar a alma com brilho e a inesgotável fonte da alegria.
—E às vezes assusta contemplar as estrelas, por causa da imensidão.
—Rospo, o beijo gigante é o beijo da aventura de viver, é o beijo de um bem querer, é o beijo da brisa suave a nos tocar a face...
—Sei, o beijo gigante é a porção melhor de cada um que se manifesta através das coisas que são e importam. Esse beijo gigante certamente estará nas coisas simples da vida, e é nessa simplicidade que nos deparamos com aquilo que somos profundamente... Pois o que somos profundamente é diferente do que apenas fugazmente somos, de forma superficial... Só o mergulho interessa, o mergulho para si,
—Veja, lá está a padaria Rubi com as suas luzes.
—Yupiiii!
—Li outro dia que o que mais tem no brejo e no mundo são sapas.
—É verdade, tem mais sapas do que sapos...
—O que pensa disso?
—Que um sapo não pode esquecer de algo muito valioso.
—Sim?
—Que não importa que tenha tantas sapas no brejo e no mundo... O que realmente importa é que cada sapa é única, e feliz o sapo que encontra a sua....
—Viu só? Isso é um beijo gigante.
—Vamos entrar?
—Vamos, estou com saudades do licor de anis.
—Yupiiii!
—Rospo, o beijo gigante sempre estará espreitando o sapo que intensamente vive o aprendizado da colheita.
—Sapabela, só o beijo gigante importa, não é?
—Sim, entre tantas miudezas contemporâneas, ele resiste.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 833
Marciano Vasques
—Já é noite de sábado, amiga.
—E então?
—Poderíamos ir até a...
—É pra já!
—Nem falei!
—Vou me aprontar em um minuto, meu querido.
—Isso não existe.
—Rospo, sempre vale a pena esperar.
—É verdade, bobo o sapo que ainda não aprendeu isso.
—Vou desligar.
—Até logo mais.
Breve estão os dois caminhando numa calçada.
—Estou tão feliz, Rospo!
—Eu também, e a noite está fria. Isso é melhor ainda, pois inspira um licor de anis.
—Sabe, Rospo, estive pensando no beijo gigante.
—Que beijo gigante, bela?
—Às vezes, recebemos um beijo gigante e nem nos damos conta.
—E como é esse beijo gigante?
—É o beijo da consciência, e também o beijo da Poesia. Esse beijo é um estalar em nós, um toque repentino, uma luz breve a nos chamar. Somos filhos da alvorada, sempre, e a vida se renova a cada dia, a cada noite. Pobre do sapo que se esqueceu das estrelas... Desse manto bordado para nos regalar a alma com brilho e a inesgotável fonte da alegria.
—E às vezes assusta contemplar as estrelas, por causa da imensidão.
—Rospo, o beijo gigante é o beijo da aventura de viver, é o beijo de um bem querer, é o beijo da brisa suave a nos tocar a face...
—Sei, o beijo gigante é a porção melhor de cada um que se manifesta através das coisas que são e importam. Esse beijo gigante certamente estará nas coisas simples da vida, e é nessa simplicidade que nos deparamos com aquilo que somos profundamente... Pois o que somos profundamente é diferente do que apenas fugazmente somos, de forma superficial... Só o mergulho interessa, o mergulho para si,
—Veja, lá está a padaria Rubi com as suas luzes.
—Yupiiii!
—Li outro dia que o que mais tem no brejo e no mundo são sapas.
—É verdade, tem mais sapas do que sapos...
—O que pensa disso?
—Que um sapo não pode esquecer de algo muito valioso.
—Sim?
—Que não importa que tenha tantas sapas no brejo e no mundo... O que realmente importa é que cada sapa é única, e feliz o sapo que encontra a sua....
—Viu só? Isso é um beijo gigante.
—Vamos entrar?
—Vamos, estou com saudades do licor de anis.
—Yupiiii!
—Rospo, o beijo gigante sempre estará espreitando o sapo que intensamente vive o aprendizado da colheita.
—Sapabela, só o beijo gigante importa, não é?
—Sim, entre tantas miudezas contemporâneas, ele resiste.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2012 — 833
Marciano Vasques
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HISTÓRIAS DO ROSPO 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
ENTRE OS FRAGMENTOS
Nudez,
Que amortece,
Numa ilusão
Que não compensa.
Dança passageira
Num transtorno
Sem resgates.
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POESIA AZUL
NOVA PALAVRA FIANDEIRA !
PALAVRA FIANDEIRA
REVISTA LITERÁRIA
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Publicação digital de Literatura e Artes
ANO 3 —Nº87 — 13/OUTUBRO/2012
EDIÇÕES AOS SÁBADOS
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