—Rospo! Sexta-feira! Lembra? Ninguém é de Ninguém! Vamos tomar um sorvete gelado? A noite está nublada, a lua se escondeu. Faceira que só ela. Não faceira de Face, mas de dengo, de andarilhar no céu a brilhar. Às vezes parece um sorvete de creme, bordado numa estrelada toalha azul.
Não para matar a saudade, mas para adoçá-la, Sapabela se ofertou a um passeio de simplicidade. Foi ao Brás. De trem, que o tempo passa mas é bom quando o faz de trem. Ainda na plataforma já ouviu umas conversas que despertaram a sua curiosidade. Diziam sobre uma nova porteira no Brás.
quando em sua boca se ausentar
a doçura da manhã que se perdeu
nos atalhos apressados do chegar
e em seus cabelos mutantes pousar
o silencio de pássaros que partiram
para sempre, para não mais voltar
por favor, quando chegar esse dia
não deixe que a amargura prevaleça
não deixe que a dor vença a alegria
—Sapabela! Que sábado azul, ensolarado. Mormaço triunfante. Tudo de bom, tudo demais!
—Rospo! Parece-me tão feliz, tão contente. Às vezes sinto-o como o mais feliz sapo de brejo, mesmo com as passageiras fases de tristeza. Seria por acaso o sapo mais feliz do brejo? Talvez o mais brejeiro?
—Sim, Sapabela. É a memória que não foi inventada. As palavras, os dizeres que não sobreviveram. Aquilo que escorreu no ralo do esquecimento. Bem sabe: o que não vingou no coração, dançou. Aquilo que não fincou pra valer, perdeu a força e até se desbotou.
Longe das mentes bloqueadas, lá vai o Rospo, cativando seu caminhar, na calçada onde a fragilidade rompe as fendas. Apegado aos corações que, vagabundeando, e banhados de aflições e luares pedem uma pausa, um pensamento solitário, uma doçura, um átimo de ternura. Bem, lá vai ele, quando, por um esmero de acaso encontra a velha amiga:
Ainda nos respingos do orvalho, Sapabela na calçada, polvilhada de sexta-feira, alvorece na gratidão de sua essência, quando encontra o velho amigo.
—Rospo! Sua chegada me faz pensar de imediato na felicidade dos gibis antigos.
—Pegou isso, Sapabela?
—Sua pergunta surge como uma flecha ligeira. Não peguei, cheguei um pouquinho depois, mas penso nos meninos que cresciam nas páginas de nanquim. Que felicidade um lago de nanquim aguada!
Cenas da minha infância contribuíram para que eu viesse a me tornar o homem que sou: o cavalo que atolou a carroça numa valeta e foi chicoteado até tombar ao chão
Quando você vai para Santos, assim que desce a serra, passa por Cubatão. No trajeto até a cidade brilhante, passa sobre um rio chamado Casqueiro. Um homem
—Certa conversa nossa você falou sobre o fato de eu usualmente mencionar certos "atributos" culturais da Sapa, como preparar o bolo, a massa, espalhar pela vizinhança o aroma do bolo . Aroma de chamar meninos que estão brincando no capinzal.
—Sapabela! Alegria encontrá-la. Aliás, sei que é meio bobeira, mas quero aproveitar para dizer algo: Nem tenho como agradecer a alegria que sua amizade me causa.
Tarde de sábado é tesouro que não se perde, e lá vai a Sapabela, num "Refaço de Recife", caminhando na calçada rumo a um Shopping de passear, quando encontra o velho amigo: