Mostrando postagens com marcador OUTRAS POESIAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador OUTRAS POESIAS. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de junho de 2011

COLCHA DE RETALHOS



Eu vi! pendurada no varal
A colcha de retalhos que minha mãe fez
Dias e dias a cortar formas geométricas
Eram apenas, retalhos...
Suas mãos hábeis deram forma ao sem forma
Agulha e linha teceram um a um em pontos e nós
Caleidoscópio de cores a girar no tempo
Evocam momentos... Lembranças...
Eu vi! o vento de outono brincar na colcha de retalhos
Passou zunindo por mim
 Soprando histórias que jamais ousei contar...
Eu vi! o fio do tempo na colcha de retalhos
Eram apenas, retalhos... 



Ana Coeli

sexta-feira, 3 de junho de 2011

MIGRAM

Pássaros migram
Vidas, casos e ocasos
Saudades, bocas que pronunciaram
Frases tão frágeis
Sulcos, rostos, sorrisos
Gente mastigando,
Gemendo,
Olhares turvos, soslaios...
Varais, o aroma do anis,
da broa, do pão.
Quanta ternura! Quantos dizeres!
Como é possível que se fizeram perdições

das coisas que se perderam...

Migram...

A graxa em vidas que se desalmam
Na ausência de canaviais.
           Almas cicatrizando ais.
...
Mas hoje se diz
que os amigos migram
do Orkut para o Facebook...

Migram....

Os encantos, os prantos, mas prestem atenção...
No  sorriso da  menina, do menino...
da moça, do velho com alma enrrugada
de viagens que a memória desfia...

Migram...



Marciano Vasques

domingo, 10 de abril de 2011

LUZ


MÁQUINA BREVE

O pequeno vaga-lume
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa.
Parecia uma esmeralda
e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena
estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve
na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo
sabe que não a conserta.
Cecília Meireles
 

quarta-feira, 23 de março de 2011

LAMENTO DA MÃE ÓRFÃ

 LAMENTO DA MÃE ÓRFÃ


Foge por dentro da noite
reaprende a ter pés e a caminhar,
descruza os dedos, dilata a narina à brisa dos ciprestes,
corre entre a luz e os mármores,
vem ver-me,
entra invisível nesta casa, e a tua boca
de novo à arquitetura das palavras
habitua,
e teus olhos à dimensão e aos costumes dos vivos!

Vem para perto, nem que já estejas desmanchando
em fermentos do chão, desfigurado e decomposto!
Não te envergonhes do teu cheiro subterrâneo,
dos vermes que não podes sacudir de tuas pálpebras,
da umidade que penteia teus finos, frios cabelos
cariciosos.

Vem como estás, metade gente, metade universo,
com dedos e raízes, ossos e vento, e as tuas veias
a caminho do oceano, inchadas, sentindo a inquietação das marés.

Não venhas para ficar, mas para levar-me, como outrora também te trouxe,
porque hoje és dono do caminho,
és meu guia, meu guarda, meu pai, meu filho, meu amor!

Conduze-me aonde quiseres, ao que conheces, - em teu braço
recebe-me, e caminhemos, forasteiros de mãos dadas,
arrastando pedaços de nossa vida em nossa morte,
aprendendo a linguagem desses lugares, procurando os senhores
e as suas leis,
mirando a paisagem que começa do outro lado de nossos cadáveres,
estudando outra vez nosso princípio, em nosso fim.



Cecília Meireles

sexta-feira, 18 de março de 2011

CANTIGA PRA NÃO MORRER

THIAGO DE MELLO

Pesquisar neste blog