- Rospo, já fechou o seu coração para alguém?
- Não tenho a chave, Sapabela.
- Não tem? E onde a deixou?
- Joguei ao rio...
- No rio?
- É. A vida que passa...
- Por que fez isso, meu amigo?
- Para manter o meu coração sempre aberto...
- Mas consegue perceber quando uma sapa está apaixonada por você?
- Sapabela, meu coração anda tão povoado...
- Namoradas?
- Não, Sapabela, não se trata de nenhuma rã.
- Então, que povoamento é esse?
- A poesia, a literatura, o teatro, o cinema, as artes plásticas, o jornalismo, o cultivo da amizade...
- Chega, Rospo! Já entendi...
- Ficou chateada?
- Não, apenas preciso de um endereço...
- Para onde quer ir?
- Esquece...
Depois, a Sapabela pensativa:
- "Querer eu não quero, mas acabarei chegando ao 'bosque da solidão'..."
HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 192
Marciano Vasques