terça-feira, 10 de maio de 2011

ROSPO NO AEROPORTO

— Deputado! Deputado!
— Quem é esse sapo? Eu o conheço?
— Sou o Rospo. Estava passando aqui pelo aeroporto e...
— É jornalista?
— Não. Nem precisa sorrir nem ser simpático... Já está indo?
— Já, e se ficar perdendo tempo, perco o avião...
— Para aonde vai, deputado?
— Por que devo lhe responder?...
— Deputado, eu votei! Juro! Sou um eleitor.
— Mas não deve incomodar os outros...
— Para aonde está indo, meu nobre deputado?
— Para a minha cidade... No final de semana não fico na capital federal...
— Mas ainda é quinta...
— E você quer que eu trabalhe até sexta? Não sou professor, não sou bancário, não sou operário... Logo vai querer que eu seja também caixa de supermercado...
— Entendo, senhor deputado.
— Posso ir, senhor?...
— Rospo, deputado, Rospo...
— Meu avião já vai decolar...
— E nós?
— Nós quem?
— O povo do brejo, nós, os sapos e as sapas...
— O que tem?
— Quando iremos decolar?
— Ora, senhor Rospo... Cada qual cuida de si...
— Entendo, senhor deputado, boa viagem...
— Ora...
— Bom final de semana....
— Não amole.
HISTÓRIAS DO ROSPO 2011 — 567
Marciano Vasques
Leia CIANO

Um comentário:

  1. O Rospo mexe e remexe com a consciência dos sem consciência..
    Luz
    Ana

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