domingo, 19 de setembro de 2010

A REUNIÃO URGENTE DA SAPABELA

Pelo ensolarado sábado passeavam Sapabela e seu amigo.
- Rospo, necessito falar algo.
- Demorou, Sapabela.
- É preciso vigilância diária, constante.
- Do que está falando?
- Muita disciplina...
- Seja mais clara.
- Diariamente vivo a me policiar.
- De que forma?
- Quando entardece, passo em frente ao sofá e à televisão...
- E daí?
- Não ligo a TV nem deito no sofá. E então, faço as coisas que tenho que fazer. Os meus projetos...
- Parabéns!
- E diariamente, ao final da tarde, bem  ao ocaso, realizo uma reunião importante, a mais importante do dia. Nessa não falto de jeito nenhum.
- Sempre comparece?
- Sempre! Essa reunião é para mim imperdível.
- Que reunião tão preciosa é essa, Sapabela?
- É a reunião comigo mesma. Todos os dias.
- Que interessante!...
- Isso mesmo. Diariamente, antes do anoitecer, realizo essa reunião. Então converso comigo, ponho as coisas no lugar e reorganizo a vida...
- Que reunião importante, não é?
- Rospo, falando nisso, já vou indo...
- Já?
- Sim, pois não posso chegar atrasada....É um respeito profundo que tenho com a Sapabela, meu querido...
- "É minha amiga." - pensa o Rospo enquanto observa a companheira sumir na esquina.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 244
Marciano Vasques

OFERECIDA PARA BIA VILLELA

SONHOU

A menina adormeceu 
na calçada da vitrine da padaria 
e sonhou 
que comia um sonho.

Marciano Vasques

CONVERSANDO NO DOMINGO


- Rospo, sabe aquele pesadelo que tive ontem?
- Sim, Sapabela, o tal banquete das senhoras lá do clube do Chá.
- Pois é. Teve uma que só comia livros de ficção interplanetária.
- E qual o problema?
- Só vivia no ar.
- Outra adorava livro de poesia.
- E ela usava quais temperos?
- Meio antigo. Usava rimas, métrica e ...
- Entendi, entendi, entendi...
- Mas uma senhora disse que havia experimentado um e-book.
- E-book?
- É, um livro digital, eletrônico, virtual.
- Sei... E ela gostou?
- Disse que passou a comer só e-book. Estava de dieta.
- Como assim?
- Disse que sempre que comia um, continuava com fome. É verdade isso, Rospo? Que para matar a fome, tem que ser de papel?
- Ora, Sapabela! Não me ponha no meio de perguntas tão complexas...Além do mais, tudo não passou de um pesadelo.


- É mesmo. Olhe uma banca de jornais! Vamos dar uma espiada nas revistas?
- Revistas? Seriam aperitivos, petiscos?
- Rospo, não estou mais sonhando. Estou querendo ler mesmo.
- E eu adorei o seu sonho. Veja, Sapabela, um sebo. Vamos até lá?
- Vamos, mas sem piadas. Não quero comer nada, entendeu?


HISTÓRIAS DO ROSPO 243
Marciano Vasques

ELES ERAM TÃO AMIGOS!

CASA AZUL DA LITERATURA homenageia HANNA - BARBERA

UM CHÁ MALUCO


Sapabela participa de um chá da tarde com um grupo de sapas.


- Eu adoro pudim.
- Eu sou louca por sorvete.
- Já comeu lagosta?
- Experimentem a minha torta.
- Chocolate é uma loucura. Não vivo "Sem".
- Sou louca por feijoada.
- Eu prefiro macarronada.
- Que delícia de purê...
- E você, Sapabela?
- Eu? Eu adoro um bom livro...
- Livro? - diz uma das participantes, espantada.
- Cada um come o que quer! - responde a outra.
- Você põe azeite?
- Que molho você usa?
- Será que ela come a capa primeiro?
- Se for papel couche, deve ser uma delícia.
- Nunca comi, mas tive um avô que comia...
- É?
- Quando comia um de humor, ria sem parar depois do almoço, quando era um drama, ficava chorando pelos cantos da casa. Eu era uma sapinha e ficava pensando: "Quando crescer, quero comer uma enciclopedia".
- Você pensava isso?
- Sempre fui gulosa.
- Fui criada com sopa de letrinhas. Desde que cresci só como livro com mais de cem páginas.
- Eu adoro crianças.
- E daí?
- Só como livros infantis.
- Eu quero emagrecer, só como livros de bolso. 
- Por isso estou meio gordinha. Só como coleções.
- Uns dizem que a leitura é doce. Será que se fizer um melado, o livro fica mais gostoso?
- Certa vez fui comer um livro de aventura de mistério, e quando dei a primeira garfada, ele desapareceu do prato.
- Eu comi um livro de política, e ele era contra o governo...
- E daí?
- Fui presa. Meu estômago foi acusado de subversivo.
- Eu comi um livro sobre bebidas. Não consegui chegar em casa, fiquei tão bêbada!
- Já comeu livro com alcachofra?
- Eu não como livro com papel reciclado...
- Certa vez, comi um livro de receitas, tive uma congestão...

- Ei, Sapabela! Acorde! Você adormeceu sob a árvore depois do almoço...
- Rospo? Que bom que me acordou. Tive um pesadelo terrível.
- Pronto, já passou, minha amiga. Trouxe um presente para você. Um livro que vai adorar devorar.
- Socorro!
- O que foi? O que eu fiz?

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 242
Marciano Vasques

sábado, 18 de setembro de 2010

MARCIANO VASQUES EM GUARULHOS

Hoje, 18 de setembro, um Sábado especial. Marciano Vasques esteve no Colégio Externato  Parque Continental, em Guarulhos, autografando o seu livro LETRAS SAPECAS e recebendo o carinho da criançada.
CASA AZUL DA LITERATURA inaugura um novo marcador: VÍDEOS MARAVILHOSOS. São vídeos os mais diversos, que estão na Internet e aparecem em vários blogs.
No primeiro vídeo você verá um dos mais belos espetáculos da natureza. Esse vídeo também aparece em alguns blogs, entre eles o da amiga Sônia Silvino, uma das blogueiras mais atuantes na blogosfera.
Para assistir, clique AQUI

SAPABELA INSPIRADA


- É a Sapa que organiza o mundo, Rospo...
- Não exagere, Sapabela.
- Mas é, é só prestar atenção.
- Prestarei.
- Estava na hora.
- Sou apenas um sapo, lembra?
- Veja que a Sapa vive tentando ensinar aos sapos a limpeza do mundo, isso está presente em muitas histórias...E quando uma sapa está presente, o ambiente fica mais organizado.
- Mas tem sapo que também adora organizar as coisas...
- Sim, tem sapos com boa intenção.
- Sapabela, já percebi que hoje tirou o sábado para se divertir, não é?
- Estou brincando, meu amigo, mas comece a prestar atenção de verdade nas sapas. O que seria do mundo sem elas? Seria uma bagunça.
- "Impressionante!" Sapa, você realmente parece acreditar que todos os sapos são iguais. Eu também prezo a organização do mundo. 
- Falta a prática.
- Ora, dê uma oportunidade, uma chance, e verá...
- Oportunidade é como ocupar espaço, essas coisas não se pedem... Oportunidades se criam... E você, pelo que eu conheço, além de não criar, ainda perde as oportunidades que aparecem.
- Timidez...
- Rospo, você tem que se orientar pelas sapas. Veja como elas são ágeis, decididas...
- Geralmente só observo o encanto...
- Ora, deixe disso. A partir de hoje trate de criar as suas próprias oportunidades, e não peça nada, vá em frente... Organize o seu lazer, e a sua luta. Verá os resultados...
- Não sei bem o que deu em você hoje, Sapabela, mas serei mais atencioso nas minhas observações...Pois sempre soube que temos muito que aprender com as Sapas...Vamos tomar um sorvete?...
- Vamos, que o sábado já começou.
- "Viram como eu sou prático?"

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 241
Marciano Vasques


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SAPABELA ORGANIZANDO A VIDA

- Rospo, está você novamente a perambular. Será que não se deu conta de que é preciso estabelecer regras firmes para bem viver?
- Regras?
- Horário para jantar, horário para leitura...
- Horário para leitura?
- Sim, Você precisa ter disciplina... A sua vida está muito solta.


- E o que você propõe, minha amiga?
- Tomar sorvete diariamente, andar descalço às vezes, ler um livro após outro, ou seja, ter sempre um livro para ler, recitar para alguém, principalmente para os mais jovens, algum poema de vez em quando, ouvir música clássica também é interessante, ir ao cinema aos sábados , assistir aos bons filmes, como o Baarìa, que está estreando agora, e ir ao cinema, preferencialmente comigo...
- Oh Paradiso! Estou começando a gostar.
- E está me devendo quatro abraços.
- Quatro? Só?
- Sim, quatro dias sem conversa...
- Estive fora, viajando...
- Por isso mesmo.
- Não sabia que estava devendo abraços...
- Um por dia, lembra? Foi o nosso primeiro acordo de amizade...
- Prometo pagar.
- Quando?
- Tenha calma. Não aprendeu a esperar?
- Sou boa de cobrar. Quem espera cobrando tem mais chance.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 240
Marciano Vasques

ARTE EM PORTUGAL

Veja AQUI

LIVROS VIVOS


O SAPO E O MUNDO PEQUENO

Sexta-feira à noite já é Sábado e a Sapabela aparece enluarada, ávida de conversa.
- Rospo, fale sobre algo.
- Esse seu pedido é uma órdem.
- Então, por que demora?
- Existem dois mundos...
- Dois?
- O mundo imenso como é o mundo real e o mundo pequeno.
- Mundo pequeno?
- Sim, geralmente ele costuma povoar as cabeças de muitos sapos.
- Dê um exemplo.
- Não preciso dar. O exemplo está passando por nós.
- Ora, um sapo com seu filho, e o pequeno carrega um brinquedo, e o pai segura a mão do sapinho. Isso é lindo!
- Espere um pouco e verá.
- Esperar?
- "Nossa! Que sapa impaciente!"

O sapão passa com o seu filho diante de um sapinho abandonado, que aliás, no brejo tem muitos. Quando o sapinho abandonado estende a mão, o Sapão desvia o rosto do filho e ainda diz:
- Vai trabalhar, vagabundo!
- É mesmo, Rospo! Isso é o "Mundo pequeno".
- Pois é...
- E nós?
- Tenho uma caixa de bombons.
- Para mim?
- Que tal se comêssemos os três? Poderia render uma boa conversa.
E assim, numa noite enluarada, o mundo se ampliou um pouquinho mais.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 239

Marciano Vasques

A FORÇA DAS PALAVRAS


- Sapabela, hoje queria falar de algo emociante.
- Que tal a "Força das palavras"?
- As palavras têm força?
- Uma força impressionante. Cada palavra conserva e carrega em si uma força capaz de inventar mundos.
- As palavras pertencem aos escritores e poetas, apenas?
- Não! Meu querido. A palavra, ou seja, as palavras são de todos: de cada um, dos camponeses, das mães, do menino...
- As palavras movem o mundo?
- Sim, são andarilhas como as andorinhas. Enlaçam mundos. O mundo é a vida, e a vida é feita de palavras... Palavras escritas são pensamentos expostos... Através das palavras podemos tornar de forma mais rápida um pensamento visível.
- Existem palavras mágicas?
- Todas as palavras são mágicas. Principalmente três.
- Quais?
- "Eu Amo Você!"
- Compreendo. A magia está no centro.
- Isso mesmo, entre eu e você.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 238
Marciano Vasques
ESCRITA EM PIRACICABA
Oferecida para Fibria


FLORES DO CONDOMÍNIO



Flores enviadas por Sônia Silvino
Estas flores e outras estão no blog da amiga Sônia Silvino. Para conhecer, clique AQUI

ROSPO NÃO TEM NADA?

Rospo, precisa se cuidar, pensar em ter coisas. Não tem nada para oferecer...
- Que rude, Colibrã!
- Mas é a verdade, Rospo! Não tem poupança, não acumula "capital", não tem riquezas materiais, carros. Não tem bens, Rospo, não tem essas coisas que todo sapo normal acumula e quer ter na vida. Enfim, você não tem nada para oferecer...
- Tenho poesia.
- Ninguém vive de poesias, Rospo! O que estou querendo dizer é que nenhuma sapa vai querer namorar com você...
- Estou perdido!...
 - Não zombe, Rospo. Que sapa vai querer um sapo que nada tem para oferecer?
 Enquanto tenta argumentar, Rospo percebe que uma sapa se aproxima.
- Ora, Colibrã, não seja injusta. Tenho sim coisas para oferecer...
- Então, ofereça para mim...
- Aceita uma conversa?
- Conversa? Não me faça rir.
- Eu aceito.
- Quem é você? - Pergunta a Colibrã.
- Sapabela, muito prazer.
- Bem, meu nome é Rospo, e ofereço uma conversa...E agora tenho uma coisa a mais, Colibrã. Uma nova amiga.
- Antes de começar, que tal um sorvete?
- Adorei a ideia, vamos?
E a Colibrã, com ciúmes, :
- " Além de tudo, ainda dá o toque feminino. Quer rechear a conversa."
- Tchau, Colibrã. Prazer.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 237
Marciano Vasques
HISTÓRIA ESCRITA EM PIRACICABA

LIVRARIA NA ESPANHA

Livraria Paulinas. Foto enviada por Montserrat, de Valência, Espanha.
Autoria da foto: Montserrat



ROSPO ESCREVENDO DIRETO NA TELA?



Sábado tem coisas preciosas, pedrinhas de  brilhante: ouvir música, cinema, sorvete, conversa..., e por falar em conversa...
- Sapabela! Num passado recente eu vivia a dizer que só conseguia escrever no papel, à lápis ou à caneta, e só depois eu passava o texto para a tela do computador...
- Sim?
- Dizia que jamais iria conseguir escrever diretamente na tela. Nem imaginava tal coisa. Hoje me lembro disso e dou risada...
- Qual o motivo da risada, Rospo? 


- Que bobagem... Como posso ter desprezado a capacidade do Sapo de se adaptar?
- É verdade, Rospo. E você se sente bem escrevendo direto na tela?
- Claro! Sinto-me em sintonia com o meu tempo, mas a minha preferência para leitura  ainda é no papel...
- Entretanto, não afirme nada sobre o futuro, por favor, viva intensamente o presente...
- Bom conselho, Sapabela.
- Veja! Uma revistaria! Vamos até lá?
- Vamos! Sou louco por isso, Sapabela.



HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 237
Marciano Vasques
HISTÓRIA ESCRITA EM PIRACICABA

ROSPO VIAJANDO


Numa viagem, Rospo encontra um lugar vago ao lado de um passageiro.
- Olá!... Olá meu amigo, será que o ônibus atrasará a saída?
- Eu não trabalho na empresa, mas creio que não. Eles geralmente são pontuais. E não vejo a hora dele deixar a rodoviária...
- Compromisso na outra cidade?
- Não, Sapo, é que adoro dormir na viagem...
- Dormir? Viaja sempre para esse destino?
 - Não, é a primeira vez. É, mas não entendi o espanto. Adoro dormir em viagens...
- Mas, e as paisagens? Da janela de um ônibus dá para ver o mundo...
- Prefiro dormir. Aproveito o tempo da viagem para dormir.
 Entendeu? Entendeu?
- Pois então durma, eu prefiro viajar.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 236
Marciano Vasques
HISTÓRIA ESCRITA EM PIRACICABA



NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO

Marciano Vasques ao lado da escritora Regina Sormani em encontro da AEILIJ na Assembleia Legislativa, em Sampa, 15 de Setembro de 2010

SAPABELA SOFRE

- Rospo, por que ainda tem tanta crueldade contra os animais? O plástico salvou o elefante...pois o marfim era cruelmente arrancado do pobre e infeliz animal ainda vivo. Cavalos, cães, gatos, são grandes vítimas da crueldade dos Sapos...Tem sapo que fura os olhos do cavalo aqui no brejo, jovem que joga gasolina no corpo do animal para depois atear fogo sobre o bicho, e chicote, e dores, maldade, escravização. Um pobre cavalo atolou a carroça na valeta e foi covardemente chicoteado até se deitar desfalecido urinando e sangrando sem parar enquanto o implacável sapo continuava chicoteando... E o frigorífico? Já viu como vivem os animais? As porcas, as galinhas, as vacas? É cruel demais! Até quando? Até quando? E ainda por esse mundo afora ainda estraçalham testículos com pedras! Até quando? Até quando?
- Calma, Sapabela!, está quase chorando, calma! Enquanto houver uma só crueldade contra os bichos não poderemos dizer que os sapos evoluíram o suficiente...
- Evoluir é sair da condição de bárbaro, não é?  E como isso é possível?
- É um trabalho de formiguinha realizado pelas cigarras: o que estou tentando dizer é que temos uma grande aliada, Sapabela.
- Quem?
- A arte.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 235
Marciano Vasques
HISTÓRIA ESCRITA EM PIRACICABA

FLOR EXÓTICA



Flor enviada por SÔNIA SILVINO

O SAPO E AS FLORES

-Sapabela, qual é a sua flor preferida?
- A minha flor predileta é a miosótis.
- Por que?
- Porque é pequena, azul, e tem aparência de fragilidade.
- Ter aparência de frágil é requisito poético...
- Porém...
- " Lá vem o 'Porém' da Sapa..."
- Ocorre que a aparência de frágil causou séculos e séculos de opressão...Em nossos dias não dá sequer para imaginar uma sapa oprimida, afinal é uma criatura tão forte!
- Sim, é um ser forte, aliás, a maioria não tem ideia da força de uma sapa, mas, infelizmente, ainda existe muita opressão patriarcal aqui no brejo...
- Eu sei, meu querido amigo, mas, qual é a sua flor, Rospo?
- São duas.
- Quais?
- A girassol...
- Por que a girassol?
- Porque ela aponta em todas as direções, está sempre voltada para o Sol,  e é o símbolo da luta pela liberdade entre os oprimidos, e ainda é dourada e amarela...Cores lindamente solares...
- E a outra flor?
- É uma que sempre conversa comigo...
- " Será que ele é mesmo tímido?"


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 234
Marciano Vasques
HISTÓRIA ESCRITA EM PIRACICABA

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ROSPO E O AMIGO QUE SE FOI

-Vestido florido, Sapabela tomava um sorvete numa tarde azul de devaneios quando passa por ela, ofegante, o Rospo em disparada.
- Calma, Rospo! O que aconteceu? 
- Nosso amigo, o Sapático, morreu!...
- Morreu? Tão jovem! Era um bom Sapo. Ele estava doente? Rospo! Volte aqui!...

Entristecida, a Sapabela segue o seu caminho.
- "O Rospo sempre fica desesperado quando parte um amigo"
Então, repentinamente, ela encontra o Sapático.
- Você?!
- Sapabela, o que houve? Parece que viu um fantasma?!
 - O Rospo está maluco...
- Para mim, ele sempre foi um pouco maluco...
- Ele disse que você havia morrido...
- Pinel!... Estive com ele hoje, conversando...
- Sobre o que falaram?
 - Sobre sonhos, ideais de vida...
- E então?
- Eu disse a ele que não tenho mais sonhos, que não ouso nem quero mais sonhar...E também não tenho mais projetos....Chega! Cansei!
- Nenhum sonho? Pelo menos um ideal?
- Não! Já sonhei muito. Agora, cansei.
- O Rospo não está maluco. Ele tem razão...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 233
Marciano Vasques

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ROSPO E A CRUELDADE


Tarde azul, calçada de sol, poesia coçando, e lá vai o Rospo quando encontra  a Sapabela.
- Sapabela, só falava você para o cenário ficar completo!
- Estou aqui, meu amigo...
- O que trouxe hoje para a conversa?
- Sobre como o mundo é generoso...
- Concordo, mas os sapos se esquecem disso.. Apesar de a consciência ter evoluído...
- A cada dia...
- Isso mesmo! A onda mental que percorre o planeta como um feixe de luz cintilante unifica as consciências...
- Mas os sapos poderiam dar um salto gigantesco e tornar a consciência brilhante...
- O que poderiam fazer?
- Acabar de vez com a crueldade contra os animais...
- Sim, tem muita crueldade...
- Por isso que no feixe da luz da consciência que enlaça o planeta ainda jorra tanto sangue...
- Você adora um bife acebolado?
- A necessidade de se alimentar comendo outros seres não dá ao sapo o direito de exercer a crueldade...

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 232

Marciano Vasques

ROSPO E A ASSOMBRAÇÃO

- Olá!
- Olá, Sapabela!
- Hoje ainda não cometi um engano, Rospo.
- Mas a conversa ainda nem começou, Sapabela.
- Não seja cruel, meu amigo.

Os dois gargalham.

- Gosta de histórias de Assombrações?
- Adoro. Passei a infância lendo os contos  de arrepiar.
- Tem medo de fantasmas?
- Não, mas eles me divertem. História de mistérios é um bom passatempo.

Depois de uma boa conversa os dois se despedem.

Rospo está na praça lendo um livro quando chega uma Sapa pálida e aflita.
- Sabe onde fica o cemítério?
- Um pouco mais adiante.
- Obrigado. É que eu sou nova lá e perdi o caminho de volta. Tchau, obrigado.
- Ei, Sapa, deixou cair o seu lenço!
 No exato momento, reaparece a Sapabela.
- Falando sozinho, Rospo?
- Não viu aquela sapa?
- Não havia ninguém com você, Rospo...
- Veja este lenço. Espere! Tem algo escrito.
- Leia, Rospo.
- " A assombração que você deve temer não vem do além, mas da maldade dos vivos. Cuidado com a maldade que nasce no coração, ela pode assustar de verdade!"
- Viu, Sapabela? É da Sapa que estava aqui.
- E para aonde ela foi?
- Para o cemitério.
- Bela imaginação a sua, Rospo. Mas, é melhor guardar o lenço, pois a sua mensagem é de fato especial.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 231
Marciano Vasques

O SAPO E A IMPRENSA

- Rospo, como reconhecer se um sapo governante é autoritário?
- É fácil, Sapabela. Tem os sinais.
- Às vezes um sapo governante é visto por todos como altamente popular...
- Quase todos...
- É mesmo! Não podemos esquecer que num brejo sempre tem pelo menos um Rospo...Mas, que sinais são esses?
- Mesmo que um Sapo governante tenha uma retórica que convença a maioria...
- Sim?
- Tem o sinal primeiro, que certamente irá desmascará-lo...
- Fale, Rospo, fale!
- Um Sapo, por mais popular que seja e mesmo com aparência democrática, sempre será, em seu íntimo, autoritário se ele criticar e esbravejar contra a liberdade de expressão...
- Tem razão, Rospo, é sempre melhor uma imprensa subserviente, obediente, omissa...Isso deixa qualquer sapo governante feliz...
- Uma imprensa de enfeite, eu diria, uma imprensa fantoche...Bibelô...
- Que sempre elogie ... Até que o Sapo governante estoure de tanta lambição...
-  Imprensa lambida?
- Pois é, Sapa, uma imprensa que só lambe deixa o sapo feliz...
- Rospo! Tenho uma pergunta difícil...
- Toda pergunta difícil sempre vale a pena...
- Alta popularidade é sinõnimo de honestidade intelectual?
-  A forma como o Sapo governante trata a liberdade de imprensa e a imprensa que aponta os seus erros é que sinaliza o seu real caráter e a sua honestidade intelectual...
- Rospo, saudades de ler um jornal...
- A praça está convidativa, o sorvete esperando na sorveteria, o azul está imenso e a banca de jornais está logo ali...


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 230
Marciano Vasques

O PRIMEIRO DIA DO SAPO

- Rospo! Apreciando o azul?
- A praça sempre é benéfica...Pena que a maioria prefere ficar no sofá vendo TV...
- TV é divertido...
- Claro, todavia não se pode esquecer da praça...Porém, tenho uma novidade, e quero o seu Parabéns!
- O que aconteceu, Rospo?
- Hoje é o meu primeiro dia de vida, e devemos comemorar...
- Rospo! Que coisa mais maluca é essa? Primeiro dia de vida? Você já viveu o bastante...
- Lembre-se, Sapabela, ninguém viveu o bastante, e ninguém viveu o suficiente...
- Tem razão, por mais que se viva, a vida é sempre curta...
- Sapabela, tudo na vida é importante. O bolo de cenoura que alguém faz, e sonhos rabiscados num papel adentro...A bailarina em seus primeiros passos,  o sapinho apertando um lápis de cor, você dar um tempo para as estrelas à noite, olhar um jardim e lembrar que existe regador...
- "Esse é  o Rospo que eu gosto!". Mas, que história é essa de primeiro dia?
- Ora, Sapa. Decreto a cada manhã o meu primeiro dia: renascer a cada novo alvorecer, saber que em cada alvorada você está vivendo o seu primeiro dia só pode ser motivo de comemoração...
- Mas, primeiro dia pode ser sinônimo de atitudes...
- Diariamente visito os porões da mente, faço a tal faxina, retiro os resíduos, e vou à luta.
- Está certo, vamos comemorar. Mas o primeiro dia também pode ser o último.
- Por isso que cada amanhecer  é importante demais e não pode ser desperdiçado...
- E como vamos comemorar, Rospo?...
- A sua presença, o seu sorriso e a sua conversa já formam o trio da comemoração.
- Então, vamos procurar uma sorveteria?
- Vamos! 
- Esse seu primeiro dia merece um sorvete. 
- Sapabela, a felicidade é tão simples, e tão fácil de ser encontrada, não entendo por que erguem tantos labirintos.

HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -229
Marciano Vasques

terça-feira, 14 de setembro de 2010

BREJO DA CRUZ

CONVERSANDO NO BAR

CIRANDA DA BAILARINA

SAPO NA BLOGOSFERA

- Rospo! Parabéns! Soube da sua aposentadoria. Agora tem todo o tempo do mundo.
- Engano seu, Sapabela.
- Logo no começo da história?
- Não tenho todo o tempo do mundo. O tempo está repartido entre milhões e milhões de vidas que se entrelaçam em sonhos e quereres... Tenho apenas o tempo que é pouco em sua própria alma.
- Tempo tem alma?
- Claro! O livro também tem.
- Mas vamos falar apenas do tempo. Soube que fica mais tempo na blogosfera do que na praça apreciando o azul...Não teme que esteja perdendo tempo?
- Engano seu, Sapabela.
- Dois enganos na mesma história?
- Estar na blogosfera não é perda de tempo...Foi preciso uma revolução em mim para essa compreensão.
- Fale sobre isso...
- A blogosfera não irá substituir a leitura de uma livro. Ela não está numa competição, mas é o espaço onde o mundo real pode revelar o seu esplendor. Coisa que no cotidiano os olhos deixam escapar...
- Rospo, com a blogosfera acha que vivemos uma nova era?
- Sim, uma era fascinante.
- Então, feliz aposentadoria.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 228

Marciano Vasques

OBSERVATÓRIO COMUNITÁRIO

Para conhecer Observatório Comunitário,
clique AQUI

EncontrArte

Divulgado em Observatório Comunitário
Veja AQUI

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O VIRTUAL, O PAPEL E AS PALAVRAS

- Rospo, é verdade que a informática libertou as palavras do papel?
- Poderia expor mais a pergunta, Sapabela?
- Verdade que o espaço virtual retirou a fixidez da letra do papel? A letra, as palavras saíram da imobilidade e agora estão livres, não precisarão continuar condenadas à prisão do papel...
- Espere um pouco, Sapabela. Realmente o mundo virtual é fascinante. A blogosfera  é um encanto. Ela está modificando o mundo dos autores, leitores e editores. Isso é inevitável, mas sobre o espaço virtual ter libertado as palavras do papel, isso não corresponde bem à realidade...
- Não?
- Primeiro, por que eu não considero que as palavras estiveram prisioneiras do papel durante séculos e séculos. Ao contrário, elas estiveram mais livres do que sempre jamais foram, o que aconteceu é que elas foram preservadas e puderam sobreviver felizes no papel...
- Então, considera que o livro de papel deverá continuar? 
- Sim, papel, plástico, pano, ou outro material...Talvez o papel sem a extração de recursos naturais, um novo papel, não sei bem... Mas não podemos afirmar que o espaço virtual retirou a letra e as palavras da rigidez do papel, da imobilidade. Isso é uma ilusão, uma certa falácia inocente...De pouco apuro, de uma certa imobilidade intelectual...Um equívoco do pensamento...
- Nossa, Rospo!
- Pois é. As letras e as palavras jamais ficaram prisioneiras ou imóveis no papel...
- Não? 
- Não! Pensar assim é um engano seu, Sapabela...
- Sou especialista em enganos...
- Ocorre que as palavras sempre ganharam vida na imaginação de cada leitor, elas sempre saíram do papel e invadiram a mente e a imaginação de todos. Veja um livro infantil. A criança leva consigo as palavras e elas são transformadas em sonhos, em viagens, em brincadeiras...
- Rospo!
- Sim?
- Me empresta um livro?
- Você me paga um sorvete?
- Até um cinema.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 227

Marciano Vasques

CENA CAMPESTRE



PINTURA DE MARÍLIA CHARTUNE
Rio Grande do Sul - Brasil

domingo, 12 de setembro de 2010

ROSPO E A OBEDIÊNCIA

- Rospo, você precisa obedecer ao seu coração.
- O que é obedecer?
- É...Alguém mandar e você cumprir. Na obediência total, você perde o direito ao pensamento. Uns desobedecem e outros obedecem. Quem aprendeu a obedecer costuma se dar bem, mas perdeu a sua própria alma...Pois nasceu para obedecer...
- Fale mais, Sapabela...
- Tem Sapa obedecendo ao marido, jovem obedecendo ao namorado, irmã obedecendo ao irmão...
- Estou percebendo que sempre o Poder masculino prevalece...Mas quero saber mais sobre obedecer...
- O Sapo que obedece pode se dar bem...Estamos cheios de sapos que obedeceram e se deram bem e de sapos que desobedeceram e se deram mal, pagaram caro por isso. E você, vai obedecer?
- Sapabela, pelo que entendi, você deixa de ter autonomia e passa a viver em função do outro, ou seja, depende da vontade do outro, você se torna obediente, como um cãozinho, um animal que foi domesticado, é assim?
- De certa forma sim. Quando você obedece, sua alma perde o sentido, pois você aceita ser guiado, você se torna aquele que obedeceu...
- Sapabela, mas eu sou livre!, tenho um cérebro, um coração, uma mente, uma alma. Sou independente de pensamento. Se eu começar a obedecer morrerei. Para mim, pelo que me explicou, obedecer é morrer. E eu quero viver, pois tenho muito amor para dar, muita amizade, e muita coisa boa e bela para construir. E aprendi que para construir coisas belas, primeiro preciso construir a mim mesmo a cada dia, a cada manhã...Renasço diariamente, Sapabela...
- Eu sei, Rospo...Se você fosse obediente,  nem seria o Rospo...
- Quem inventou a obediência, Sapabela?
- É coisa muito antiga. Desde que os sapos existem, existe o poder e uns querem exercê-lo sobre outros, para isso precisam da submissão e da obediência do outro. Se você é submisso e obediente, você será feliz, porque seu olhar se encurtará e você não precisará de distâncias... Milhões de ideais morreram para que a obediência pudesse triunfar...
- Mas tem algo que me intrigou, Sapabela. Você pediu para que eu obedecesse ao meu coração.
- Exatamente.
- Mas eu sou o meu coração! Sou o meu coração por inteiro, o meu coração está em mim, de forma integral. Sou o coração. Não há separação entre o Rospo e o coração. Entendeu?
- É um grave e maravilhoso problema anatômico: um coração que ocupa todo o ser.
- Não sou o único, Sapabela...
- Sendo assim, você poderá obedecer ao seu coração, pois ele é todo você...
- Isso eu já faço, não é? Sigo em frente, tentando acertar e no caminho vou espalhando a poesia e o amor...O amor entre os Sapos, e o respeito de cada um por todas as criaturas...E tentando transmitir uma luz aos obedientes...
- Rospo...
- O que foi, Sapabela?
- Obrigado! Foi tão bom conversar com um coração.  Vamos tomar um sorvete?
- Isso é um convite?
- É uma ordem.
- Obedeço imediatamente.


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 - 226
Marciano Vasques

sábado, 11 de setembro de 2010

NUMA ENSOLARADA TARDE AZUL

Numa tarde azul de sorvete e calçada ensolarada, Rospo passeia com sua amiga.
- Rospo, o mundo é maravilhoso. Veja que azul!
- Nem sempre é assim. Às vezes chove, troveja...
- Vendavais e tamporais nada alteram a condição de maravilha que o mundo carrega em si.
- Por isso que a vida é maravilhosa, por causa do mundo...
- Estar aqui com você conversando nesta ensolarada calçada é glorificar a vida...
- E o mundo...
- E tem sapo que não dá importância para uma conversa ensolarada...
- Tem sapo que até se esquece de viver...
- Uns vivem fora do mundo.
- Que pena!


HISTÓRIAS DO ROSPO 2010 -225

Marciano Vasques

SAPA BRINCANDO COM ESTEREÓTIPOS

Sapabela e Rospo encontram um velho amigo. Como a Sapa está com o humor saltando à pele, começa a conversa:
- Sei que o casamento é contrário à natureza, mas você exagera, meu amigo.
- Do que ela está falando, Rospo?
- Quase sempre os sapos têm que adivinhar...
- Que brincadeira mais boba, Rospo! Estou sendo bem clara. Ele está gordo...
- Você se enganou, Sapabela - diz o amigo.
- Oba! Viva! Mais um engano!
- Ela é assim desde pequena?
Todos riem.

- Acontece que eu não sou casado.
- Então é uma opção de vida?
- Tem alguma coisa contra gordo, Sapabela?
- Não! Claro que não! Apenas estou investigando...
- Investigando?
- Ele era magrinho, Rospo.
- Sim?
-  Será que perde muito tempo no sofá? Será que é falta de movimento? Será que ele come em excesso? Será que é um problema glandular? Genético?
- Mas, qual é o motivo da investigação? Você acha gordo feio?
- Não! De maneira nenhuma. Quem falou que gordo é feio? Todos os sapos fofos que conheço  são elegantes e charmosos. Ocorre que às vezes o excesso de peso pode ser perigoso. Se ele era magrinho...Veja: não tem nenhum problema um Sapo ser gordo, se ele for saudável...
- Magro também pode ser doente...Mas quem tem que falar sobre isso é ele...
- Sapa, você tem razão. Fico muito tempo no sofá, em frente à TV...Horas e horas parado, deitado...Cada filme! Quase não caminho....
- Não falei, Rospo? Vive uma vida de casado mesmo sendo solteiro...
- Isso não é um estereótipo, Sapabela?
- Estereótipos não são inocentes, Rospo. Eles têm origens que não podem ser desconhecidas nem desprezadas...E para combatê-los, seria prudente sempre mergulhar na história deles...Sempre buscar as origens...
- Nossa! Precisarei de um exercício mental para decifrar isso que ela falou...
- Sapabela sempre vai fundo...

Depois que se despedem do amigo, Sapabela retoma:
- E você, Rospo?
- O que tem eu?
- Pelo que estou reparando, é pouco movimento. Anda comendo em excesso?
- Ora, Sapabela...Hoje tirou o dia para se divertir...Por que não explica aquela história sobre o casamento?
- Numa tarde azul, num sorvete, quem sabe...

HISTÓRIA DO ROSPO 2010 - 224

Marciano Vasques

Pesquisar neste blog